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domingo, 26 de março de 2017

A ambliopia e, não o estrabismo, é causa da leitura lenta em crianças em idade escolar



A ambliopia está associada a uma velocidade de leitura mais lenta em crianças em idade escolar. O tratamento para a diminuição da acuidade visual pode melhorar a velocidade e a eficiência de leitura



As crianças com ambliopia, doença comumente conhecida como "olho preguiçoso", podem ter a função ocular alterada. Isso pode resultar em dificuldades em atividades para as quais os movimentos sequenciais dos olhos são importantes, como a leitura. Um novo estudo determinou que as crianças com ambliopia lêem mais lentamente do que crianças com visão normal ou do que crianças que tem apenas estrabismo. Os achados foram publicados no Journal of American Association of Pediatric Ophthalmology and Strabismus (AAPOS).

O estudo determinou pela primeira vez que a ambliopia e, não o estrabismo, foi identificada como o fator chave na leitura mais lenta em crianças em idade escolar. Estudos anteriores não imitavam as condições naturais de leitura que a criança normalmente encontrava na escola, ou seja, a leitura silenciosa binocular de parágrafos apropriados para cada série escolar, à distância habitual de leitura. Estes estudos avaliaram indivíduos com ambliopia e estrabismo e, portanto, eram incapazes de avaliar o efeito do estrabismo sozinho na leitura.

Para chegar a esses resultados, três grupos de crianças foram formados: 29 crianças com ambliopia, com ou sem estrabismo, 23 crianças tratadas de estrabismo, mas sem ambliopia e 21 crianças com visão normal.

As crianças leram silenciosamente um parágrafo de texto usando os dois olhos simultaneamente, enquanto estavam equipadas com o ReadAlyzer, um sistema de gravação do movimento dos olhos durante a leitura. Os pesquisadores mediram a taxa de leitura, o número de movimentos sacádicos dos olhos para adiante e para trás, por 100 palavras e o comprimento das pausas oculares. A compreensão foi avaliada com um questionário de 10 itens. Apenas os dados das crianças com pelo menos 80% de respostas corretas foram incluídos, de modo que era improvável que a leitura prejudicada em crianças amblíopes fosse devido às dificuldades de compreensão.

“A ambliopia faz com que as crianças leiam significativamente mais lentamente do que as crianças com estrabismo, sem ambliopia, e do que as crianças sem problemas de visão. Não houve diferença estatística significativa na taxa de leitura entre crianças estrábicas, sem ambliopia, e crianças com visão normal do grupo de controle. Do mesmo modo, as crianças amblíopes tiveram cerca de 35% mais movimentos oculares durante a leitura do que as crianças estrábicas, sem ambliopia, ou crianças com visão normal”, explica o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.


O olho preguiçoso

“A ambliopia ou “olho preguiçoso” é  caracterizada por uma diminuição da acuidade visual, quando um dos olhos desenvolve uma boa visão, enquanto o outro, chamado de amblíope, não, o que torna a visão mais pobre, explica Bruna Ducca, oftalmopediatra do IMO, especializada em estrabismo também.
A ambliopia é uma condição comum: cerca de duas ou três em cada 100 pessoas apresentam a condição. A doença é a principal causa de cegueira infantil monocular e de deficiência da visão infantil. “A ambliopia é a causa mais comum de deficiência visual na infância, afetando cerca de 2-3% das crianças nos Estados Unidos.  A menos que seja tratada com sucesso na primeira infância, a ambliopia geralmente persiste na idade adulta”, afirma Bruna Ducca.


Detecção precoce é fundamental

Se o “olho preguiçoso” não é detectado e tratado ainda na primeira infância, a visão daquele olho fica pior porque não está sendo usada. Hoje, muitos oftalmologistas dedicam-se ao estudo do tratamento da ambliopia após os 07 anos de idade, tentando determinar se o esforço é válido. “As pesquisas recentes apontam alguma melhora na acuidade visual do ‘olho preguiçoso’ em crianças com idade de até 12 anos. O que não sabemos ainda é se com a idade avançada, esta melhoria vai perdurar após a interrupção do tratamento e se a perda de percepção de profundidade pode ser revertida”, informa a oftalmopediatra.
Portanto, o consenso médico é que quando mais cedo a ambliopia for diagnosticada, melhor. “A melhor época para o tratamento da ambliopia é durante o início da infância, pois para ter uma visão normal, é importante que ambos os olhos desenvolvam a capacidade de ver com igualdade. O desenvolvimento da visão ocorre até cerca dos sete anos de vida. Se uma criança tem ambliopia e não pode contar com a visão de um de seus olhos, sua visão não se desenvolve corretamente e pode até diminuir”, explica Bruna Ducca.


Razões para tratar a ambliopia
  • O olho amblíope pode desenvolver um defeito visual grave e permanente;
  • A percepção de profundidade (ver em três dimensões) pode ser perdida. Para ter uma boa visão, em ambos os olhos, é necessário para que a noção de profundidade se desenvolva;
  • Se o olho que não foi afetado pela ambliopia torna-se doente ou é ferido, isto pode significar uma baixa visão durante o resto da vida.

Importância do tratamento da ambliopia
O tratamento padrão para a ambliopia é bloquear a visão temporariamente no “olho bom” para forçar a criança a usar “o mais fraco”. É muito importante que a criança esteja usando a prescrição correta dos óculos quando necessário; muitas vezes, a acuidade visual melhora apenas com o uso dos óculos.   Quando a penalização do “olho bom” é indicada, os métodos mais comumente utilizados são a oclusão, em que um tampão é usado sobre o olho dominante, e a instilação de colírio de atropina, que embaça a visão no olho preferencial. “Dessa forma o olho amblíope assume a fixação e o cérebro é estimulado a enviar os sinais visuais a ele. O oclusor adesivo é o método preferencialmente utilizado inicialmente no tratamento da ambliopia, sendo a atropina uma opção secundária em casos selecionados” informa a oftalmopediatra Bruna Ducca.
Atualmente, estão sendo realizados muitos estudos com enfoque no tratamento binocular da ambliopia, ou seja, com a estimulação dos dois olhos, com auxílio de aplicativos para “tablets”.




IMO, Instituto de Moléstias Oculares





Dor de cabeça: saiba identificar e tratar os diferentes tipos



Cefaleia pode se manifestar de várias formas e têm diversas possibilidades de tratamento

 
A dor de cabeça é um sintoma que pode estar relacionado a mais de 200 doenças. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, cerca de 95% da população apresentará, ao menos uma vez na vida, um episódio de cefaleia. Mais do que isso: 70% das mulheres e 50% dos homens apresentam ao menos uma dor de cabeça ao mês. Porém, poucas pessoas sabem diferenciar os diferentes tipos do problema.

A cefaleia pode ser diferenciada de duas maneiras: primária e secundária. Na maioria dos casos, a primária é a que se manifesta sem se relacionar a nenhuma outra doença, e não há uma causa secundária para que a dor apareça, ela é a própria doença. “Pacientes com um histórico de dores recorrentes e que tenham as mesmas características geralmente apresentam um conjunto de sintomas que nos permite diagnosticar com precisão o problema, sem a necessidade de exames complementares”, explica o Dr. Marcelo Calderaro, do Núcleo de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Samaritano.

Já a dor secundária é normalmente relacionada como um sintoma de alguma outra doença, como gripe, virose, AVC e, até mesmo, um tumor.  Nesses casos, o médico analisa o exame mais adequado para auxiliar no diagnóstico por trás dessa dor. Leva-se em conta também se a cefaleia é súbita, diferente das dores que o paciente está acostumado, ou quando ela é acompanhada de outros sintomas, como febre, por exemplo.

Dentro dos dois tipos de cefaleia existem outros. A cefaleia tensional é a mais comum na população. Causa uma dor leve a moderada, peso na cabeça e não apresenta sintomas como enjoo e vômito. Pode ser crônica ou episódica, dependendo da sua frequência. A cefaleia em salvas é a que dá crises temporárias até oito vezes ao dia, com dor intensa sempre em uma metade da cabeça e ao redor do olhos. Já as crises de enxaqueca, sem tratamento, duram de quatro a 72 horas e costumam ser muito incapacitantes, causando dor de cabeça intensa e latejante, que atinge metade da cabeça e é acompanhada de sintomas como enjoo e aversão à luz e sons.

O tratamento para a cefaleia, seja qual for o tipo, depende principalmente do diagnóstico correto. “No caso da enxaqueca, por exemplo, deve-se inicialmente definir o nível de limitação que ela causa na vida da pessoa. A frequência e a intensidade das crises são fatores importantes nesta análise. Além disso, leva-se em consideração quanto da qualidade de vida é perdida devido às crises de enxaqueca”, diz o médico. Nesses casos, é recomendado até o uso de medicações que previnem as crises.

Outro ponto importante no tratamento e prevenção das dores de cabeça é, se possível, evitar os chamados “gatilhos” das crises,  como jejum, estresse e privação de sono, entre outros. Adotar um estilo de vida saudável, com atividade física, sono regular e menos estresse também são medidas que ajudam a combater o problema. Tratar a dor com os medicamentos certos, com orientação médica e sem abusar dos analgésicos é outra recomendação importante do Dr. Marcelo.





Afinal, existe uma relação entre dieta gluten-free e diabetes tipo 2?



Nutricionista alerta: restrições alimentares indiscriminadas podem colocar a saúde em risco 


Nas últimas semanas, um estudo realizado pelo Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard repercutiu na mídia mundial com dados que mostram uma associação positiva entre dieta gluten-free e o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Mas qual a relação existente entre o nutriente e a doença?

Inicialmente, é preciso entender o que é o glúten e se há alguma contraindicação para o seu consumo. Trata-se de uma proteína encontrada nos grãos de trigo, cevada e centeio, e consequentemente em seus derivados, como pães, massas, biscoitos, bolos e até mesmo na cerveja. Cerca de 1% da população mundial é portadora de Doença Celíaca, uma reação imunológica à sua ingestão, e em hipótese alguma pode consumir produtos que o contenham; cientificamente não há nenhuma comprovação dos benefícios da exclusão para indivíduos saudáveis.

“Muitas pessoas aderiram ao modismo de banir o glúten da dieta sem prescrição médica, devido a esta forte tendência de medicalização dos alimentos. Mas esta restrição pode trazer graves riscos à saúde”, alerta Beatriz Botéquio, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI).

A análise feita em Harvard, que compilou informações declaradas por cerca de duzentas mil pessoas durante 30 anos, mostrou que 15.942 participantes que adotaram uma dieta gluten-free desenvolveram diabetes tipo 2. A conclusão dos pesquisadores é que está mais predisposto a ter a doença quem consume menos do que 4g da proteína por dia.

Para facilitar a interpretação, Beatriz esclarece que não existe uma tabela oficial sobre quantidade de glúten nos alimentos, mas é possível ter uma noção desta quantificação com a farinha de trigo: “Estima-se que 80% das proteínas do trigo formam glúten [gliadina e glutenina]. Então, 100g de farinha tem, em média, 7g do nutriente”.

A nutricionista explica que ao excluir o glúten da dieta, normalmente há uma substituição dos grãos/cereais integrais por polvilho ou farinhas de tapioca e de arroz, aumentando a quantidade de carboidratos de alto índice glicêmico (elevação rápida do açúcar no sangue) e pobres em fibras. “É provável que não seja necessariamente a quantidade de glúten, mas sim a ausência das fibras [que é amplamente conhecida por controlar a absorção do açúcar no sangue] que propicia o desenvolvimento do diabetes”, diz. 

Os alimentos integrais, inclusive, são amplamente estudados pela ciência e têm seus benefícios confirmados para a prevenção e tratamento de doenças crônicas. “Um estudo de 2016, publicado na Revista British Medical Association, mostrou que o consumo regular de grãos integrais está associado a um menor risco de desenvolvimento de câncer, diabetes e doença cardiovascular. Daí a importância de manter o consumo de pães, biscoitos, bolos e massas nas versões integrais com maior frequência” pontua a especialista. 

Beatriz Botéquio ressalta que estas pesquisas levantam pontos importantes e comprovam que restrições sem indicação médica, além de desnecessárias, podem trazer prejuízos sérios à saúde. “Ninguém precisa abrir mão dos carboidratos e/ou do glúten para ser saudável. O importante é manter uma alimentação equilibrada com todos os grupos alimentares, em quantidade adequada e de preferência na versão integral”, finaliza.






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