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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Saúde não se pesa: campanha alerta para os riscos da doença em epidemia


No mês em que se celebra o Dia Mundial da Obesidade - 11 de outubro - a intenção é informar sobre os perigos das doenças associadas ao excesso de peso e mostrar que a obesidade, como qualquer outra enfermidade, precisa de acompanhamento médico


Considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma doença em epidemia, a obesidade está longe de ser apenas um desafio individual a ser superado - estudos indicam que o excesso de peso já é a segunda maior causa de mortes no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, 74% dos óbitos no Brasil acontecem por doenças associadas à obesidade[1]. Apesar disto, ela não é vista como doença por grande parte das pessoas, incluindo os próprios pacientes.
Para atrair atenção sobre a gravidade da situação e fortalecer o olhar sobre a obesidade enquanto doença crônica, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), em conjunto com a empresa global de saúde Novo Nordisk, lança a terceira edição da campanha Saúde não se pesa. O movimento está alinhado ao Dia Mundial da Obesidade, 11 de outubro. Esse ano, com o mote "Obesidade é o que você não vê: chegou a hora de colocar uma luz sobre ela", a intenção é fazer um alerta, colocando foco também nos perigos das doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes e problemas cardiovasculares, e conscientizar que obesidade também é o que não aparece no espelho ou não se mede na balança. A campanha se propõe, ainda, a desconstruir o uso de clichês, evitar estigmas e esclarecer a definição de obesidade mostrando que, como qualquer patologia, ela requer acompanhamento médico.

"A obesidade diminui a expectativa de vida em até dez anos e necessita de tratamento a longo prazo, mas ainda é uma doença negligenciada", afirma a endocrinologista e presidente da ABESO, Dra. Maria Edna de Melo. Estudos indicam que uma perda de 5% a 10% do peso em pessoas com obesidade traz benefícios expressivos à saúde, incluindo melhora dos níveis de glicemia, da pressão arterial, dos níveis de colesterol e da apneia obstrutiva do sono[2] a 6.
“Precisamos mostrar as verdades por trás da doença e que a obesidade pode ser controlada. Muito além de questões estéticas, a perda de peso traz mais saúde e pode, inclusive, significar mais tempo de vida a uma pessoa", complementa. 

Segundo a OMS, o excesso de peso é uma epidemia acometendo mais de 1,9 bilhão de adultos em todo mundo[3]7. No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que mais de 100 milhões de pessoas estão acima do peso[4]8.

As ações da campanha não se encerram no Dia Mundial da Obesidade e devem acontecer ainda durante os meses seguintes. No site oficial do Saúde não se pesa é possível encontrar informações sobre a obesidade e as doenças relacionadas ao excesso de peso, além de conhecer os fatores que ajudam a determinar o peso de um indivíduo, entender como funciona o apetite de uma pessoa com obesidade e por que o organismo pode recuperar rapidamente os quilos perdidos. Também é possível calcular o IMC (Índice de Massa Corporal), ver os mitos mais comuns sobre a perda de peso e saber quais as ferramentas disponíveis para tratar a obesidade. Para saber mais, acesse www.saudenaosepesa.com.br.


Saúde Não Se Pesa

Desde 2016, Saúde Não Se Pesa é um movimento para conscientização sobre obesidade organizado pela Novo Nordisk em conjunto com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Mais informações no site 
www.saudenaosepesa.com.br


Sobre a ABESO

A ABESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica é uma sociedade multidisciplinar sem fins lucrativos que reúne cerca de 500 associados espalhados por todo o país, das diversas categorias profissionais envolvidas com o estudo da obesidade, da síndrome metabólica e dos transtornos alimentares. A ABESO tem como missão difundir o conhecimento de que obesidade é uma doença grave que precisa ser prevenida, diagnosticada e tratada precocemente. Mais informações no site 
www.abeso.org.br




Novo Nordisk
www.novonordisk.com.brFacebookTwitterLinkedInYouTube.


Referencias:




[1] Pesquisa Vigitel Brasil 2016 – Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em www.abeso.org.br. Último acesso: 02.10.2018.
[2] a 6 Knowler WC, Barrett-Connor E, Fowler SE, et al; for the Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. N Engl J Med. 2002; 346(6):393-403. 3 Wing RR, Lang W, Wadden TA, et al. Benefits of modest weight loss in improving cardiovascular risk factors in overweight and obese individuals with type 2 diabetes. Diabetes Care. 2011; 34(7):1481-1486. 4. Dattilo AM, Kris-Etherton PM. Effects of weight reduction on blood lipids and lipoproteins: a meta-analysis. Am J Clin Nutr. 1992; 56(2):320-328. 5. Tuomilehto H, Seppa J, Uusitupa M, et al. The impact of weight reduction in the prevention of the progression of obstructive sleep apnea: an explanatory analysis of a 5-year observational follow-up trial. Sleep Med. 2014; 15(3):329-335. 6. Foster GD, Borradaile KE, Sanders MH, et al; for the Sleep AHEAD study. Arch Intern Med.2009; 169(17):1619-1626.
[3]7 World Health Organization - Obesity and Overweight key facts. Disponível em  http://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight. Último acesso: 02.10.2018
[4]8 Ainda de acordo com a Pesquisa Vigitel Brasil 2016 – Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em www.abeso.org.br. Último acesso: 02.10.2018.



Cirurgião, nutricionista e psicóloga explicam por que é importante tratamento multidisciplinar para tratar obesidade


No próximo dia 11, será o Dia Mundial de Combate à Obesidade, doença que atinge 18,9% dos brasileiros


A obesidade não é desleixo. Ela é uma doença multifatorial, que, se não controlada, gera muitas outras doenças, as chamadas comorbidades. Considerada um dos principais problemas de saúde pública, ela atinge 18,9% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada neste ano pelo Ministério da Saúde. Já o sobrepeso atinge mais da metade da população, com 54%. Para alertar sobre a gravidade desta doença, foi criado o Dia Mundial de Combate à Obesidade, comemorado no próximo dia 11. Como podemos, então, tratar a obesidade? Três profissionais, de áreas diferentes, explicam por que é tão difícil vencer a obesidade e se manter no peso ideal.

A obesidade pode ser tratada de diversas maneiras. Os tratamentos clínicos, com endocrinologista, nutricionista, psicólogo e atividades físicas, são sempre a primeira opção. Em situações bem definidas, existe a cirurgia bariátrica para pessoas que estejam enquadradas, no mínimo, na obesidade grau 2. Mas, independentemente de qual a indicação, o tratamento sempre vai precisar de mudança de hábitos.

De acordo com o cirurgião bariátrico Admar Concon Filho, de Valinhos, por ser multifatorial, a obesidade precisa de um tratamento com diversos profissionais. “A obesidade envolve desde questões clínicas até psicológicas, passando por hábitos de alimentação, vida social, sedentarismo, etc. Um tratamento efetivo, na maioria das vezes, depende de uma mudança completa na vida do paciente e ele só consegue isso com a ajuda de profissionais de diversas áreas”, explica.

A psicóloga Mariângela Paolis, que tem um amplo trabalho com pessoas obesas, comenta que, normalmente, esses pacientes utilizam o alimento como um recurso emocional. “O alimento é impregnado de afeto e o paciente precisa conhecer suas limitações e recursos internos para mudar o foco da comida para outras maneiras de resolver seus conflitos”, afirma. “A obesidade influencia o paciente como um todo. São restrições físicas, problemas clínicos de saúde, problemas na vida sexual, dificuldade para sair de casa... Ele se restringe de maneira geral e, sem muitos acessos em termos de prazeres, a comida acaba ocupando o centro de suas questões prazerosas”, completa.

Quando a pessoa quer perder peso, na maioria das vezes, começa procurando uma nutricionista, que é a profissional que vai ajudá-la a adotar hábitos mais saudáveis de alimentação. “O tratamento nutricional deve ser entendido como um programa de modificação comportamental e não somente como uma dieta para emagrecimento com inúmeras restrições alimentares”, explica a nutricionista Célia Belelli.  “Para um sucesso no tratamento, o indivíduo e familiares devem estar dispostos a realizar mudanças do estilo de vida. Precisamos levar em consideração preferências alimentares, aspectos financeiros, hábitos de vida e comportamento alimentar. A partir daí, serão estabelecidas metas para serem trabalhadas individualmente e, sempre que possível, também em grupo”, afirma.

Segundo a nutricionista, a alimentação é uma necessidade básica do ser humano, mas além disso, é uma grande fonte de prazer. E é aí que os caminhos se confundem. “No ato de “comer”, estão envolvidos vários fatores: fisiológicos (fome), vontade de comer (desejo por esse ou outro alimento) e aspectos sociais (hábitos alimentares familiares), portanto, a mudança alimentar leva tempo, disciplina, envolvimento individual e familiar. E isso não é tão fácil, mas é necessário para que seja duradoura e não passageira”, reforça.

Entre o tratamento clínico e a cirurgia bariátrica, também existe o tratamento endoscópico para obesidade, com duas opções: o balão gástrico e a Endosutura gástrica (Gastroplastia Endoscópica), em que é feita uma redução do estômago através de endoscopia.

Uma pessoa é considerada acima do peso (sobrepeso) quando seu IMC (Índice de Massa Corporal) está entre 25 e 30. Com IMC entre 30 e 35, ela está com obesidade grau 1 (obesidade leve); entre 35 e 40, com obesidade grau 2 (obesidade moderada) e, acima de 40, com obesidade grau 3 (obesidade severa ou mórbida). Quanto maior o grau da obesidade, maior a dificuldade para emagrecer. Portanto, para esses pacientes, a cirurgia bariátrica pode ser uma solução para a perda de peso. Para ter indicação ao procedimento, o paciente precisa ter IMC acima de 35, desde que com doenças causadas pela obesidade, ou IMC acima de 40, sem a necessidade de comprovar outras doenças.

No ano passado, foram realizadas 105.642 cirurgias no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. “Para ser submetido à cirurgia bariátrica, o paciente precisa comprovar que já tentou outras formas clínicas para emagrecer. E, apesar de muita gente achar que este é o caminho mais fácil, o sucesso da cirurgia depende de uma mudança de vida do paciente, que precisa adotar hábitos saudáveis de alimentação e fazer atividades físicas. A pessoa obesa precisa entender que obesidade é uma doença crônica e, como tal, é necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar por toda a vida, independentemente de estar magra e de como tenha emagrecido”, finaliza o cirurgião bariátrico.


CRISE EPILÉTICA PODE DIMINUIR COM DIETA A BASE DE GORDURA


Dieta cetogênica auxilia na diminuição de crises em casos de epilepsia refratária

A dieta cetogênica, conhecida por ser um regime eficiente para emagrecimento rápido, também pode ser aplicada à saúde, para diminuir crises epiléticas. Se adotada com rigor, por no mínimo, três meses, ela apresenta bons resultados para os pacientes que têm a doença.
No mundo, mais de 50 milhões de pessoas sofrem com essa enfermidade e para 30% delas, que têm epilepsia refratária, o uso só de medicamentos não é totalmente eficiente. A alimentação entra como um complemento ao tratamento.
“A dieta ajuda pacientes que tomam medicamentos em dose máxima e, mesmo assim, as crises não são controladas. É uma alternativa considerável para buscar qualidade de vida, principalmente, para as pessoas que têm muitas crises por dia", explica a médica Fernanda Silva, especializada em medicina integrativa.
A dieta cetogênica pode diminuir pela metade a incidência de crises epilépticas. Como qualquer tratamento, a dieta precisa ser prescrita e acompanhada por um nutrólogo, além do paciente seguir as recomendações do seu neurologista.
“Um acompanhamento multiprofissional é o mais recomendado", comenta.
A Associação Brasileira de Epilepsia indica gorduras insaturadas e saturadas, tais como castanhas, creme de leite e toucinho. De carboidratos, apenas os complexos, como frutas, legumes e verduras. As fontes de proteína são as de origem animal, tais como ovos, carnes bovinas e suínas, frango, peixes e frutos do mar, já que têm mais gorduras.
“As massas podem ser trocadas por espaguete de legumes, como abobrinha e cenoura. As saladas com folhas e tomates podem ser consumidas à vontade. As porções de raízes e frutas devem ser em pequenas quantidades e outras fontes de gordura como abacate, coco e azeite de oliva também são indicados”, sugere Fernanda.

Como a dieta ajuda nas crises?
Para funcionar, o cérebro precisa de uma fonte de energia, que pode ser carboidrato ou gordura. Numa dieta convencional, metade dos alimentos são carboidrato, como massas, cereais, frutas e o próprio açúcar, que causa picos de energia no corpo humano, por ser um estimulante.
“Um pico de energia não é bem o que precisa um cérebro de quem tem crises epilépticas, já que ele sofre descargas de energia mais fortes. Para evitar a excitação dos neurônios e um possível curto-circuito, o ideal é garantir ao cérebro uma fonte de energia estável, como os corpos cetônicos, provenientes da oxidação de gordura feito pelo fígado. Os corpos cetônicos têm efeito sedativo no sistema nervoso central, porque dão mais estabilidade neuronal”, esclarece a médica.
A adoção da dieta cetogênica no controle da epilepsia é um procedimento conhecido desde a década de 1920, quando médicos que tratavam de crianças com epilepsia numa clínica, observaram que quando alguns pacientes praticavam jejum, apresentavam menos crises.
“A quantidade de corpos cetônicos aumenta no sangue quando passamos muito tempo em jejum, pois não há ingestão de carboidrato”, finaliza.
Com o avanço nas pesquisas de laboratórios, nas décadas de 1940 e 1950, medicamentos mais eficientes foram lançados e a dieta caiu em desuso. Em 1990, voltou a ser pesquisada, porque alguns pacientes não respondiam aos remédios.


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