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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Seus prontuários médicos estão seguros? Jurista do CEUB explica riscos e cuidados da LGPD

Especialista em Direito Médico detalha como a legislação transformou a rotina de médicos e clínicas no Brasil

 

Desde que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) passou a classificar informações de saúde como sensíveis, clínicas, consultórios e hospitais tiveram que reforçar a segurança no armazenamento, uso e compartilhamento desses dados. A mudança exigiu mais profissionalização do setor, com protocolos de proteção tanto físicos quanto digitais, como explica Daniella Torres, professora de Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB). Entenda o que muda tanto nas rotinas dos pacientes, quanto no acesso a dados confidenciais em instituições de saúde. 

De acordo com a jurista, a legislação obrigou a revisão de formulários de consentimento, o treinamento de equipes e a criação de políticas de privacidade mais claras. Antes, prontuários eram muitas vezes arquivados sem critérios definidos, mas agora o descuido pode resultar em penalidades severas. 

Um dos pontos centrais é a forma de obtenção do consentimento. O paciente deve autorizar de maneira livre e clara, compreendendo para quais finalidades seus dados serão utilizados, seja em tratamentos, pesquisas ou compartilhamentos médicos. Na prática, isso exige termos para cada procedimento, escritos em linguagem simples e evitando modelos genéricos. “Esse cuidado protege os direitos do paciente e resguarda médicos e gestores de multas da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ou de indenizações judiciais”, ressalta Torres. 

As sanções por descumprimento vão de advertências com prazos de correção a multas de até R$ 50 milhões por infração. Há ainda riscos de bloqueio ou eliminação de dados, além da exposição pública das falhas — fator que pode comprometer a reputação de instituições e profissionais. “Ainda há chance de ocorrer ações civis de pacientes, processos nos Conselhos de Medicina e até responsabilização criminal em casos graves, como o vazamento doloso de informações”, acrescenta.
 

As diferenças entre consultórios e hospitais

Embora a LGPD se aplique a todos, a especialista detalha que as exigências variam conforme o porte da instituição. Para consultórios e médicos autônomos, a ANPD prevê regras simplificadas, como prazos maiores para atender solicitações, registros menos complexos e até dispensa da indicação de encarregado de dados. 

“Isso não significa ausência de responsabilidade”, alerta a professora. Mesmo consultórios menores precisam adotar medidas proporcionais, como guardar prontuários em segurança, orientar equipes sobre sigilo e evitar o envio de exames por aplicativos sem proteção. 

Nos hospitais públicos, a base legal geralmente é o cumprimento de obrigações legais e políticas de saúde, como vacinação e vigilância epidemiológica. Já nas instituições privadas, além das regras regulatórias, o uso de dados depende do consentimento do paciente ou da execução de contratos. No caso de planos de saúde, a lei proíbe o uso discriminatório das informações, como negar cobertura ou encarecer preços.
 

Sigilo e formação médica

No dia a dia, a LGPD se traduz em cuidados básicos, como não discutir diagnósticos em locais públicos, manter prontuários bem guardados e usar sistemas seguros para evitar vazamentos. “O sigilo deve ser tratado com a mesma importância do ato médico em si, pois qualquer descuido pode gerar responsabilizações éticas, civis e administrativas”, defende a docente do CEUB.  

A formação médica também precisa acompanhar essa realidade, incluindo no currículo conteúdos de Direito Digital e LGPD, já que a atividade está cada vez mais conectada à tecnologia. A especialista recomenda que a formação médica incorpore conteúdos de Direito Digital e LGPD, já que a prática está cada vez mais ligada à tecnologia. “Cumprir a lei não é apenas evitar multas, mas também fortalecer a confiança entre médico e paciente”, conclui Daniella Torres

 

RENDENDO PELA METADE: SINTOMAS QUE A GRIPE ESCONDE E QUE PREJUDICAM A ROTINA DE TRABALHO

Entre os incômodos causados por gripes e resfriados, está a fadiga e dores musculares, que afetam diretamente a disposição e até a produtividade em atividades do dia a dia, como o trabalho; segundo pesquisas, sintomas como estes reduzem em até 74% a produtividade das pessoas. Pensando nisso, Resfenol, marca especialista contra os sintomas da gripe, listou alguns sintomas invisíveis e como eles podem impactar o rendimento durante o dia

 

Fadiga constante, dores musculares discretas e dificuldade de concentração. São sintomas, muitas vezes subestimados, que podem ser sinais de que a gripe está presente. E trabalhar neste estado pode ser um problema. Um estudo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine revelou que pessoas com gripe confirmada apresentam perda média de produtividade de 67% a 74% entre 7 e 17 dias após o início da doença. Isso representa, em termos práticos, meio dia de trabalho perdido a mais por semana, quando comparado a outras doenças respiratórias. 

A redução de rendimento não se limita a atuação do colaborador quando ele vai trabalhar mesmo doente. Dados de uma revisão global com 63 estudos mostram que até 75% dos adultos faltam pelo menos um dia de trabalho devido à gripe, com média de afastamento entre 2 e 3 dias, podendo chegar a 9 dias em casos mais graves ou quando há necessidade de cuidar de um dependente hospitalizado. De acordo com Resfenol, é comum pensar em febre, tosse e coriza quando o assunto é gripe. Mas é justamente os sintomas menos visíveis que mais comprometem a rotina profissional. Outros como: dor de cabeça constante – durante a gripe -, irritação nos olhos, dificuldade de raciocínio rápido (conhecida como “neblina mental”), alterações no sono, falta de apetite e até mudanças no humor pode ser resquício da doença que ainda está no corpo. 

De forma geral, é normal, em casos de gripe forte, o rendimento em qualquer atividade cair. O que é preciso é reconhecer e respeitar o período de recuperação, mesmo após o desaparecimento dos sintomas mais intensos. Muitas vezes, muitas pessoas abandonam o repouso e o remédio no primeiro sinal que o corpo está se recuperando. Mas é importante manter o ciclo completo de indicação do médico para evitar complicações, alerta

 

Primeiros sintomas que podem afetar a rotinha de trabalho:

  • Dor de cabeça: queixa cada vez mais comum entre profissionais devido à alta exposição às telas. Quando agravada pela gripe, reduz a capacidade de concentração e compromete tarefas que exigem foco.
  • Constipação nasal: o nariz entupido costuma aparecer junto às gripes e resfriados, principalmente em pessoas com alergias respiratórias, exigindo cuidados redobrados.
  • Cansaço: a fadiga extrema gera dor no corpo, indisposição e lentidão, além de aumentar a propensão a erros.
  • Febre: um dos sintomas iniciais mais graves, prejudica diretamente a clareza mental para atividades do dia a dia.


Cuidados iniciais ao contrair gripe:

  • Hidratação constante: a ingestão de líquidos ajuda a aliviar a congestão das vias aéreas e evita a desidratação.
  • Líquidos quentes: além de hidratar, proporcionam alívio para garganta e nariz. Versões caseiras de chás e soluções orais em sachês são boas alternativas.
  • Umidificador no dia a dia: ideal para reduzir o desconforto causado pela secura do ar, tosse e coriza.
  • Remédios de ação rápida: analgésicos, antitérmicos, antialérgicos e descongestionantes podem trazer alívio inicial, mas a orientação médica deve ser buscada em seguida.

 

Falhas de assistência e infecções hospitalares estão entre principais causas de óbitos em pacientes

Freepik

Erros evitáveis no atendimento em saúde ainda figuram entre as principais causas de danos aos pacientes em todo o mundo. Para chamar a atenção para esse cenário e estimular medidas de prevenção, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu o Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro.

Pesquisa feita pela ONA (Organização Nacional de Acreditação), em parceria com a Epimed Solutions, aponta os registros de incidentes e eventos adversos notificados no sistema ONA do primeiro semestre de 2025. Com relação aos eventos adversos com desfecho fatal, 25,21% ocorreram por falha de assistência médica; 17,36% por falhas de assistência multidisciplinar; e 14,46% por infecções relacionadas a falhas de assistência à saúde. A maioria dos incidentes fatais aconteceu em UTIs (21,07%), seguido por unidades de internação (7,85%) e setores de emergência/urgência (2,07%). Outros setores somaram 67,36% dos óbitos não discriminados.

Entre os eventos adversos moderados, as infecções relacionadas à assistência à saúde respondem, por com 52,21% dos registros, seguidas por lesões de pele e de partes moles (10,56%) e falhas da assistência médica (4,99%). As infecções podem ser adquiridas em ambientes de cuidados (hospitais, clínicas ou até em casa) e estão associadas aos procedimentos.

A Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP) atua no enfrentamento a essas questões e o presidente, Dr. Anis Ghattás Mitri Filho está à disposição para falar sobre o assunto. 

 


Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo - AHOSP


Lilly anuncia chegada das doses de 7,5 e 10 mg de Mounjaro® no Brasil

Ampliação da disponibilidade de doses mais potentes reforça o compromisso da empresa em melhorar a vida dos pacientes que vivem com doenças cardiometabólicas

 

 A Eli Lilly do Brasil anuncia a chegada de novas dosagens de Mounjaro® (tirzepatida) no mercado brasileiro. As concentrações de 7,5 mg e 10 mg serão disponibilizadas nas farmácias já nesta quinzena de setembro, e a partir da segunda metade de outubro, respectivamente, ampliando as opções de tratamento para pacientes com diabetes tipo 2[i], com sobrepeso com comorbidades, e com obesidade[ii]. 

Com isso, os pacientes brasileiros passam a contar com quatro dosagens: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg, estudadas e aprovadas para ajudar na personalização do tratamento, bem como no escalonamento da dosagem recomendada pelo profissional médico. 

As duas novas apresentações também estarão disponíveis pelo Programa Lilly Melhor Para Você, com o preço máximo de R$ 2.599,00 (7,5 mg) e R$ 2.999,00 (10 mg) no e-commerce e R$ 2.699,00 (7,5 mg) e R$ 3.099,00 (10 mg) nas lojas físicas – considerando o mês de tratamento, composto de uma caixa com quatro canetas autoinjetoras. As compras realizadas fora do programa terão os valores máximos de R$ 3.175,00 (7,5 mg) e R$ 3.645,00 (10 mg), considerando a alíquota de 18% de ICMS. 

"Estamos entusiasmados de poder trazer as novas dosagens para o mercado local. A Lilly é uma empresa com mais de 100 anos de história e experiência em cardiometabolismo e por isso sabemos o impacto do tratamento para os pacientes com diabetes tipo 2, e obesidade, que agora devem contar com doses ainda mais potentes para atender suas necessidades médicas individualizadas”, explica Felipe Berigo, Diretor Executivo de Cardiometabolismo da Lilly no Brasil. 

A Lilly vem trabalhando para disponibilizar Mounjaro® para todos os pacientes que necessitam do medicamento, e está comprometida com o abastecimento do produto no mercado brasileiro. Desde 2020, a companhia já investiu mais de US$ 50 bilhões para aumentar a capacidade de produção de incretinas, com inauguração de novas plantas e a ampliação de outras já existentes em diferentes países. As fábricas estão operando 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. 

 

Programa Lilly Melhor Para Você

Para promover o aumento do acesso e auxiliar os pacientes ao longo de suas jornadas de tratamento, a Lilly incluiu Mounjaro® em seu Programa de Suporte ao Paciente, Lilly Melhor Para Você, que oferece suporte de educadores especializados, materiais educativos, condições especiais na compra de medicamentos participantes do programa e dicas de saúde e qualidade de vida. 

O programa é gratuito e está disponível aos pacientes que receberam a prescrição do seu médico para um medicamento Lilly participante do programa. Para se cadastrar, os pacientes podem acessar o site Lilly Melhor Para Você e conhecer os serviços disponíveis e os medicamentos participantes. Os pacientes também podem tirar as dúvidas sobre o programa com o SAC Lilly, pelo telefone 0800 701 0444, WhatsApp (11-5108-0101) ou e-mail: sac_brasil@lilly.com.




Eli Lilly do Brasil
Para saber mais, acesse o site da Lilly do Brasil


[i] Diário Oficial da União. Disponível em https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-re-n-3.591-de-21-de-setembro-de-2023-511798113 Acesso em 21 de agosto de 2025.

[ii] Diário Oficial da União. Disponível em https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-re-n-2.144-de-6-de-junho-de-2025-634743601. Acesso em 21 de agosto de 2025.


HPV: Silêncio sobre verrugas genitais coloca milhões de pessoas em risco.

Foto: Imprensa 24h.
Infectologista Dr. Klinger Faico reforça a importância da informação, do tratamento e da vacinação.

 

As verrugas genitais, também conhecidas como condilomas acuminados, estão entre as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais frequentes no mundo. Causadas pelo papilomavírus humano (HPV), atingem milhões de pessoas todos os anos, mas ainda são cercadas por silêncio, tabu e desinformação. 

Estudos indicam que até 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o vírus é eliminado pelo próprio organismo, sem sintomas. Porém, em algumas pessoas, ele provoca lesões visíveis na região genital ou anal, que podem variar de discretas a múltiplas e bastante incômodas. 

Para o médico infectologista, Dr. Klinger Soares Faico Filho, o estigma é um dos principais obstáculos ao cuidado: 

“Muitas pessoas têm vergonha de procurar atendimento médico por achar que as verrugas são sinônimo de promiscuidade ou de falta de higiene. Isso é mito. O HPV é extremamente prevalente e pode atingir qualquer pessoa sexualmente ativa.”, explicou o infectologista. 

Embora não estejam diretamente ligadas ao risco de câncer, que é causado por outros subtipos do HPV, chamados oncogênicos, as verrugas não devem ser ignoradas. Além do desconforto físico e psicológico, podem crescer, se espalhar e favorecer a transmissão do vírus a parceiros sexuais. 

O tratamento inclui métodos como cauterização, crioterapia, laser ou pomadas específicas. Mesmo assim, as lesões podem reaparecer, o que exige acompanhamento médico contínuo. 

“Não existe uma cura definitiva, mas é possível controlar os sintomas e reduzir o risco de transmissão.”, ressaltou Dr. Klinger Faíco. 

O impacto emocional também é significativo. Vergonha, ansiedade e dificuldades nas relações íntimas são relatos comuns entre pacientes. 

“Quanto mais falamos sobre HPV de forma clara e sem preconceito, mais pessoas se sentem encorajadas a procurar diagnóstico e tratamento. O silêncio só aumenta o estigma.”, reforçou o especialista. 

A boa notícia é que existe prevenção. A vacina contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos a partir de 9 anos, protege contra os tipos mais comuns que causam verrugas e também contra os subtipos relacionados a câncer de colo de útero, ânus, pênis e garganta. 

Mesmo assim, a cobertura vacinal ainda é insuficiente. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2023, menos de 80% das meninas e pouco mais de 50% dos meninos completaram as duas doses, deixando milhões de adolescentes desprotegidos. 

“Precisamos enxergar o HPV como uma questão de saúde pública, e não como um problema individual que deve ser escondido. Falar sobre verrugas genitais é falar sobre prevenção, cuidado e informação”, concluiu Dr. Klinger Soares Faico Filho. 

Quebrar o tabu é o primeiro passo para reduzir preconceitos, ampliar a vacinação e garantir que menos pessoas enfrentem sozinhas uma IST tão comum e evitável. 

 

Dr. Klinger Soares Faico Filho - médico infectologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Doutor em Infectologia pela UNIFESP e MBA em Gestão em Saúde, atua no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas como HIV, hepatites virais e ISTs. É CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, professor universitário da UNIFESP e fundador da Consultoria IRAS, dedicada ao controle de infecção hospitalar.


Geração Y e a paternidade tardia: O relógio biológico masculino também conta

 

Pixabay

Especialista em Reprodução Humana, Dr. Alfonso Massaguer, alerta para os riscos e desafios da paternidade após os 40 anos, um fenômeno crescente entre os millenials 

 

Enquanto o debate sobre o relógio biológico feminino é amplamente difundido, uma nova realidade demográfica traz à tona uma questão ainda pouco discutida: a paternidade tardia e seus impactos na saúde da Geração Y. Homens que hoje têm entre 29 e 44 anos, os chamados millenials, estão adiando o sonho de ter filhos,  mas muitos desconhecem que a fertilidade masculina também tem prazo de validade.  

“A Geração Y chega ao consultório com uma mentalidade de alta performance em todas as áreas da vida, mas muitas vezes negligencia a saúde reprodutiva”, afirma o Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana da Clínica Mãe. “É uma geração que viu seus pais se tornarem avós na idade em que eles agora consideram ter o primeiro filho. Há uma busca crescente por informação, mas também um grande desconhecimento sobre os riscos associados à idade paterna avançada.”  

O especialista alerta que, a partir dos 40 anos, a qualidade e a quantidade dos espermatozoides começam a declinar. Após os 50, essa queda se acentua, podendo levar a maiores taxas de aborto espontâneo e ao aumento do risco de doenças multifatoriais nos filhos, como autismo e esquizofrenia.  

“O homem também tem um relógio biológico. A perda de fertilidade não é tão intensa quanto nas mulheres, mas ela existe e precisa ser levada em consideração”, ressalta o Dr. Massaguer. “Muitos homens dessa geração, em sua busca por performance, recorrem a anabolizantes e outras substâncias que são um verdadeiro veneno para a fertilidade, agravando um cenário já desafiador pelo adiamento da paternidade.” 

 

Check-up da fertilidade masculina: o que fazer?   

Para homens que planejam ter filhos após os 40, o Dr. Alfonso Massaguer recomenda um check-up completo da saúde reprodutiva, que inclui exames hormonais, ultrassom e o espermograma. “Exames mais específicos, como a análise da fragmentação do DNA espermático, podem revelar um comprometimento da fertilidade que não é visível em análises mais simples”, explica.   

Quando a qualidade do sêmen não pode ser melhorada com mudanças no estilo de vida – como dieta equilibrada, sono de qualidade e abandono de vícios –, a medicina reprodutiva oferece soluções avançadas.   

“Hoje, dispomos de técnicas como a inseminação artificial e a fertilização in vitro. Em casos mais complexos, a ICSI, que consiste na injeção de um único espermatozoide diretamente no óvulo, oferece altas taxas de sucesso”, detalha o médico. “Para aqueles que desejam adiar a paternidade com segurança, o congelamento de sêmen é uma opção viável e cada vez mais procurada.”   

O aconselhamento genético também é uma ferramenta importante para casais com paternidade tardia, embora o Dr. Massaguer pondere que suas limitações devem ser compreendidas, já que muitas doenças são poligênicas e de difícil detecção prévia.   

“O mais importante é a conscientização. O planejamento familiar não é uma responsabilidade exclusiva da mulher. O homem moderno precisa entender seu papel e os limites do seu próprio corpo para tomar decisões mais informadas e seguras para o futuro de sua família”, conclui.   

 

Dr. Alfonso Massaguer - CRM 97.335 - É Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas e atua em Reprodução Humana há 20 anos. Dr. Alfonso é diretor clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. Foi professor responsável pelo curso de reprodução humana da FMU por 6 anos. Membro da Federação Brasileira da Associação de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), das Sociedades Catalãs de Ginecologia e Obstetrícia e Americana de Reprodução Assistida (ASRM). Também é diretor técnico da Clínica Engravida, autor de vários capítulos de ginecologia, obstetrícia e reprodução humana em livros de medicina, com passagens em centros na Espanha e Canadá. 



Saiba o que realmente previne os episódios de infecção urinária de repetição.

Especialista da UNIFESP, Dr. Klinger Faico, esclarece mitos e orienta sobre medidas eficazes para prevenir episódios recorrentes da doença.

 

A infecção urinária é um dos problemas de saúde mais comuns, principalmente entre mulheres. Estima-se que metade delas terá pelo menos um episódio ao longo da vida e, em muitos casos, o incômodo não se restringe a uma única vez. Quando os episódios se repetem três vezes ou mais em um ano, o quadro recebe o nome de infecção urinária de repetição.

O tema, no entanto, ainda é cercado por mitos e crenças populares. Afinal, beber muita água resolve? Roupa justa causa infecção? O cranberry realmente funciona? Para o médico infectologista e professor da UNIFESP, Dr. Klinger Soares Faico Filho, é essencial separar o que tem comprovação científica do que é apenas suposição.

“A hidratação adequada é, sim, um fator de proteção, porque aumenta a produção de urina e ajuda a eliminar bactérias da bexiga. Mas sozinha não resolve todos os casos, e há muitas crenças que não têm comprovação científica.”, explicou o especialista.

Entre as medidas preventivas recomendadas, além da ingestão adequada de líquidos, estão urinar logo após as relações sexuais, manter boa higiene íntima, sem exageros, já que duchas vaginais podem ser prejudiciais, tratar doenças associadas como diabetes e, em situações específicas, utilizar antibióticos em baixas doses sob orientação médica.

Já no caso das roupas apertadas ou de tecidos sintéticos, a relação direta com a infecção urinária não é comprovada.

“Elas podem contribuir para irritação local e favorecer a umidade, mas não são a causa principal da doença. O que realmente importa é a presença de bactérias na bexiga e fatores que favorecem sua entrada e multiplicação.”, esclareceu Dr. klinger Faico.

Outro ponto frequentemente discutido é o uso do cranberry como prevenção. Embora alguns estudos apontem benefícios, as evidências ainda são limitadas.

“Não dá para colocar o cranberry como solução única ou definitiva. Ele pode ser um aliado em alguns casos, mas não substitui as medidas médicas tradicionais.”, reforçou o infectologista.

Quando as infecções passam a se repetir, buscar ajuda médica é indispensável. Alterações anatômicas, pedras nos rins, alterações hormonais e até hábitos de vida podem estar por trás do problema. O tratamento, nesses casos, deve ir além do uso repetido de antibióticos e priorizar uma investigação detalhada, com estratégias de prevenção personalizadas.

“Infecção urinária de repetição não é frescura nem deve ser tratada apenas com dicas de internet. Existem medidas eficazes, mas cada caso precisa ser avaliado individualmente para definir a solução mais adequada”, concluiu o Dr. Klinger Soares Faico Filho.

 

Dr. Klinger Soares Faico Filho - médico infectologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Doutor em Infectologia pela UNIFESP e MBA em Gestão em Saúde, atua no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas como HIV, hepatites virais e ISTs. É CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, professor universitário da UNIFESP e fundador da Consultoria IRAS, dedicada ao controle de infecção hospitalar.

 

Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista realiza captação de órgãos e renova esperança de pacientes à espera de transplante

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Em meio à campanha Setembro Verde, familiares de mulher de 50 anos autoriza doação, que beneficiará cinco pessoas 


Na última quinta-feira, 11 de setembro, o Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista viveu um momento de profunda emoção e esperança. Após um longo período sem registrar procedimentos do tipo, a unidade realizou a captação de órgãos de Josefa Vaneide Barros dos Santos, 50 anos, após a constatação de morte encefálica e autorização da família para a doação. 

O fígado, os rins e as córneas de Josefa foram doados, levando a possibilidade de recomeço a cinco pessoas que aguardavam na fila de transplante. 

“Mesmo em meio à dor da despedida, os filhos da paciente escolheram transformar a perda em amor ao próximo. Esse ato de amor mostra como a solidariedade é capaz de ultrapassar a dor”, fala o médico coordenador da UTI do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dr. Jocimar Machado.

 

Solidariedade que salva vidas 

A equipe multiprofissional do hospital foi responsável tanto pela intervenção quanto pelo acolhimento e diálogo com a família, garantindo informação, apoio e respeito nesse momento delicado. O processo foi realizado em parceria com a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) da Unicamp (Universidade de Campinas), responsável por coordenar e viabilizar a destinação dos órgãos aos pacientes da lista de espera. 

O caso ganha ainda mais significado por acontecer em meio à campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. 

“O Setembro Verde tem como objetivo mobilizar a sociedade para que cada vez mais famílias digam ‘sim’ à doação. Quando falamos sobre o tema em vida, essa decisão se torna mais fácil e pode transformar um momento de dor em esperança para outras pessoas que aguardam um transplante”, reforça Dr. Jocimar. 

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 78 mil pessoas estão na fila de espera por um órgão no país. Apesar da grande demanda, os índices de captação permanecem baixos em diversas regiões, incluindo o interior paulista. Entre os principais fatores que impedem a efetivação da doação estão a negativa familiar, a falta de informação e o desconhecimento sobre o processo. 

“A campanha é fundamental para esclarecer dúvidas comuns da população e lembrar do quanto esse ato pode salvar muitas vidas. As informações reduzem barreiras e contribuem para aumentar o número de doações efetivas”, diz o médico. 

Além dos órgãos vitais, como coração, fígado, rins e pulmões, também podem ser doados tecidos como córneas, ossos, válvulas cardíacas e pele. Isso amplia o alcance da doação, ajudando desde pacientes que precisam recuperar a visão até aqueles em tratamento de queimaduras graves. 

A maioria das doações ocorre a partir de pacientes diagnosticados com morte encefálica. “A morte encefálica é uma condição irreversível em que todas as funções do cérebro deixam de existir, mesmo que os batimentos cardíacos sejam mantidos por aparelhos. Esse diagnóstico é rigorosamente confirmado por meio de protocolos clínicos e exames complementares, garantindo total segurança e transparência para a família”, explica.
 

 

O papel do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista 

O Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista conta com um setor específico voltado à captação de órgãos e tecidos. A equipe atua de forma integrada, desde a identificação de potenciais doadores até o acolhimento e orientação das famílias. Também mantém contato constante com a Central de Transplantes, responsável pela logística de distribuição dos órgãos, garantindo que cheguem rapidamente aos pacientes que mais precisam. 

“O trabalho de captação exige preparo técnico e sensibilidade humana. É um momento delicado para a família, mas que pode representar a continuidade da vida para várias pessoas. Um único doador pode beneficiar até dez pacientes com órgãos e tecidos diferentes”, destaca Dr. Jocimar. “Este é o poder da doação: transformar perdas em oportunidades de recomeço”, conclui. 

  

Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista


Dia Mundial da Segurança do Paciente 2025 reforça cuidados com os prematuros

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ONG Prematuridade.com destaca a vulnerabilidade dos bebês e a importância da prevenção de riscos no ambiente neonatal 

 

No dia 17 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Segurança do Paciente, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar o público, reforçar a importância da prevenção de erros e adoção de práticas em todos os níveis de cuidado e mobilizar ações globais voltadas à melhoria da segurança em saúde. 

Em 2025, o tema escolhido pela OMS é “Cuidado seguro para cada recém-nascido e cada criança”, com o slogan “Segurança do paciente desde o início!”, reconhecendo a vulnerabilidade dessa faixa etária aos riscos e danos causados pelos cuidados inseguros. 

A ONG Prematuridade.com, referência nacional no apoio a famílias e na defesa dos direitos de bebês prematuros, reforça a importância da data. O Brasil registra anualmente cerca de 340 mil nascimentos prematuros, o que corresponde a mais de 12% dos nascimentos. Esse grupo é especialmente mais vulnerável a riscos como infecções, erros de medicação e diagnósticos tardios, por isso, medidas preventivas e protocolos rigorosos são essenciais para garantir qualidade de vida desde os primeiros dias. 

Além do ambiente hospitalar, a segurança do paciente também envolve políticas públicas que garantam recursos adequados, infraestrutura apropriada e investimentos em qualificação profissional. Para a ONG Prematuridade.com, a prevenção de falhas no cuidado neonatal precisa ser encarada como prioridade de saúde pública, já que as consequências se estendem ao longo de toda a vida do bebê e impactam diretamente as famílias e a sociedade. 

Outro ponto fundamental é a humanização do atendimento. A associação defende práticas como o contato pele a pele, os pais envolvidos no processo dos cuidados e o olhar para a presença da família durante a internação. Estudos mostram que a proximidade da família não apenas fortalece o vínculo afetivo, mas também melhora indicadores clínicos e reduz o tempo no ambiente hospitalar. 

“A segurança do paciente começa com informação, protocolos claros e equipes qualificadas. No caso dos prematuros, cada detalhe faz diferença: desde o manuseio adequado até o controle de equipamentos e medicamentos. Por isso, é fundamental unir esforços para que esses bebês tenham o melhor início possível de vida, lembrando que a segurança do paciente não deve ser apenas nos hospitais, mas também na atenção primária à saúde. Muitos prematuros retornam para casa com equipamentos médicos, e é essencial que tanto as equipes quanto as famílias estejam preparadas para manter o cuidado de forma segura e contínua”, afirma a diretora-executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani

Junto com a mobilização e aos profissionais de saúde, a entidade também reforça o papel das famílias como parte ativa no processo de cuidado. Orientar pais e responsáveis sobre direitos, práticas seguras e sinais de alerta é um dos pilares da atuação da organização.

 

ONG Prematuridade.com – A Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com, é a única organização sem fins lucrativos dedicada, em âmbito nacional, à prevenção do parto prematuro e à garantia dos direitos dos prematuros e de suas famílias. A ONG é referência para ações voltadas à prematuridade e representa o Brasil em iniciativas e redes globais que visam o cuidado à saúde materna e neonatal. A organização desenvolve ações políticas e sociais, bem como projetos em parceria com a iniciativa privada, tais como campanhas de conscientização, ações beneficentes, capacitação de profissionais de saúde, colaboração em pesquisas, aconselhamento jurídico e acolhimento às famílias, entre outras.


Setembro Lilás: como conviver com o Alzheimer e os cuidados mais eficazes contra a doença

Dia 21 de Setembro é a data mundial de conscientização contra a enfermidade que atinge mais de 1 milhão de brasileiros

 

Em um contexto no qual o Brasil conta, hoje, com cerca de 33 milhões de pessoas acima dos 60 anos, de acordo com o IBGE, o tratamento adequado da doença de Alzheimer e outros tipos de demência torna-se cada vez mais relevante. Neste mês, acontece o Setembro Lilás, campanha que promove a conscientização sobre a doença, seus tratamentos e cuidados.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a população do mundo que possui algum tipo de demência é de aproximadamente 55 milhões, com 70% dos casos classificados como doença de Alzheimer. No Brasil, o levantamento de 2024 do Ministério da Saúde aponta que 1,2 milhão de brasileiros convivem com a doença. 

As projeções destes órgãos, no entanto, geram ainda mais preocupação. De acordo com a OMS, estima-se que, nos próximos 25 anos, o número de pessoas com algum nível de demência pode saltar para até 152 milhões de diagnósticos. O Brasil acompanharia este salto, com um aumento de até 206% nos casos de Alzheimer, chegando 5,7 milhões de casos até 2050.


A doença de Alzheimer no dia a dia

Leonardo Lopes, coordenador de geriatria da Afya Educação Médica Curitiba, apresenta alguns pontos para entender como uma pessoa diagnosticada com a doença de Alzheimer pode ter qualidade de vida e bem-estar, para amenizar os sintomas. 

"O paciente precisa estar inserido dentro de um ambiente em que as pessoas próximas compreendam qual é a sua dificuldade, sem exigir dele algo que ele não consiga mais oferecer ou o contrário, que é colocá-lo de lado como uma pessoa inútil. O conceito correto aqui é o da adaptação, da calibração para uma realidade de vida em que o idoso se insira em seu ambiente social, familiar e comunitário dentro dos limites possíveis".

Lopes ainda reforça que a necessidade de separar o ser humano da doença que ele possui, isto é, não reduzir o paciente ao seu diagnóstico, criando um estigma que não o ajuda em momentos de lucidez que sim, existem.

"Isso funciona como um carimbo, em que todo mundo entende que a pessoa não pode participar de nada, que tudo o que ela diz não faz sentido e que há um esquecimento total. Isso é ruim porque é impreciso: os défcits de memória não acontecem em 100% do tempo e, em algum momento, o idoso vai perceber a exclusão", conta o geriatra da Afya Curitiba.

Segundo o profissional, a melhor maneira de convivência com a doença, tanto para o paciente quanto para seus familiares e amigos, é o acolhimento adequado, o que inclui o desenvolvimento de atividades que mantenham o idoso com um bom nível de atividade diária.

“Da mesma forma que a exclusão é percebida pelo paciente, o acolhimento também é. A doença, por si só, causa sofrimento e solidão, então é importante que a família se antecipe a isso e, por exemplo, mantenha a pessoa ocupada com algumas atividades no dia a dia, pois isso será excelente para o seu convívio com a doença. Quanto mais ativa e acolhida é a pessoa, melhor será a sua qualidade de vida”, observa o geriatra.


Como combater a doença de Alzheimer?

Se, até pouco tempo atrás, a postura médica em relação à doença de Alzheimer se baseava essencialmente em tratamentos que facilitassem a convivência do paciente com o quadro clínico, hoje já há uma nova esperança; em abril deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os testes do medicamento Kisunla, que atua no combate à doença.

Mesmo sem previsão de comercialização, o neurologista da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Drusus Perez Maquez, ressalta que é preciso uma preparação para que o medicamento represente, uma mudança de paradigma sobre a doença.

“Pelas informações às quais temos acesso, o medicamento age fundamentalmente em fases pré-clínicas, que é a doença em estágio inicial. Portanto, precisamos aumentar a nossa capacidade de realizar diagnósticos precoces, o que exige uma estrutura mais complexa, pois ainda estamos detectando muitos casos de forma tardia. Mas é uma esperança”, afirma Marquez.

Medicamentos e diagnósticos precoces, porém, não eliminam a necessidade de prevenção e cuidados necessários para evitar, ao máximo, as chances de manifestação da doença.

“O principal fator de risco é a idade. Mas, para além dela, o fator genético também deve ser considerado, pois sabemos que uma parte importante do risco de Alzheimer vem da família. Outros fatores ainda incluem o diabetes, a pressão alta, o sedentarismo e também o uso de cigarro e bebida alcoólica”, reforça o neurologista.


Afya
http://www.afya.com.br
ir.afya.com.br


Coreia: conhecer esse sintoma é fundamental para o diagnóstico da Doença de Huntington

Os sinais incluem gestos repentinos e descoordenados, que podem comprometer atividades do dia a dia 


Pouco conhecida pela população brasileira, a Doença de Huntington (DH) é uma enfermidade rara, hereditária e progressiva que afeta o sistema nervoso central, provocando alterações motoras, cognitivas e comportamentais. Não existem estatísticas oficiais no país, mas estima-se que cerca de 13 mil a 19 mil pessoas tenham o gene, e entre 65 mil e 95 mil apresentem risco de ter a doença por serem descendentes de portadores, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde1.
 

Um dos sintomas mais comuns da DH é a coreia, termo médico que descreve movimentos involuntários, rápidos e descoordenados, semelhantes a uma dança irregular. A atenção ao sintoma é fundamental para o diagnóstico, principalmente quando surge em adultos com idade entre 30 anos e 50 anos que tenham histórico familiar de DH. É comum a Doença de Huntington apresentar apenas sintomas iniciais psiquiátricos e/ou cognitivos, sendo confundida com outras doenças neurológicas como esquizofrenia e Alzheimer. 

A coreia pode afetar braços, pernas, tronco e até a musculatura facial, interferindo em atividades cotidianas como caminhar, se alimentar e realizar o autocuidado, impactando diretamente a autonomia dos pacientes com DH, além da atenção demandada pelo cuidador. Inicialmente, aparece como movimentos involuntários sutis, que podem ser confundidos com agitação motora ou falta de coordenação. Com o tempo, se tornam mais evidentes, prejudicando a postura, o equilíbrio, a fala e a deglutição. 

“Reconhecer o sintoma como um sinal de alerta é essencial para reduzir o tempo entre o diagnóstico e início do tratamento. A agilidade nesse processo ajuda o paciente e seus familiares a planejarem melhor os cuidados, prolongar autonomia e a manter qualidade de vida desse indivíduo”, destaca Bruna Mattos, Gerente Médica Sr. da Teva Farmacêutica. 

O diagnóstico exige uma avaliação clínica detalhada, realizada por um neurologista, associada à investigação do histórico familiar e, por último, um teste genético confirmatório. A Doença de Huntington tem origem na mutação no gene HTT, localizado no cromossomo 4, que leva à produção defeituosa de uma proteína chamada huntingtina. Essa proteína se torna tóxica para as células nervosas, causando sua degeneração e comprometendo gradualmente as funções cerebrais. 

“Embora a DH não tenha cura, existem formas de controlar e amenizar os sintomas da doença. Alguns medicamentos reduzem a atividade motora excessiva e os sintomas psiquiátricos, além disso, atividades que visam a reabilitação e apoio psicológico para pacientes e familiares também são ferramentas importantes. Uma rede de cuidados multidisciplinar, unindo neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos é fundamental para promover mais independência e bem-estar para os pacientes e seus cuidadores”, reforça Bruna.

 

Conhecer para cuidar

Geralmente, a DH manifesta-se entre os 30 e 50 anos, embora possa surgir em qualquer fase da vida. O início precoce da doença (antes dos 20 anos) pode levar a uma evolução mais rápida da condição. A doença segue um padrão de herança autossômica dominante, o que significa que uma pessoa com uma cópia mutada do gene HTT tem 50% de chance de transmitir a condição aos filhos. 

Entre as evidências clínicas estão os movimentos involuntários (coreia), alterações cognitivas, mudanças de humor e comportamento, além de complicações secundárias, como dificuldade para engolir (disfagia) e problemas respiratórios. 

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica, histórico familiar e testes genéticos. Embora ainda não exista cura, tratamentos medicamentosos e a assistência multidisciplinar podem melhorar a qualidade de vida e retardar o avanço dos sintomas.

 


Teva Pharmaceutical Industries Ltd.
www.tevapharm.com

Teva Brasil
www.tevabrasil.com.br.




Referências

1 BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. 27/9 – Dia Nacional da Doença de Huntington. Brasília: Ministério da Saúde, [2023?]. Disponível em: Link


CFO esclarece riscos e cuidados necessários com o uso do piercing bucal


O adereço exige cuidados odontológicos redobrados, pois pode causar infecções, retração gengival, fraturas dentárias e dificuldades na fala e mastigação.


Os piercings são adornos corporais com origens ancestrais, sendo que seu uso tinha diferentes significados nas antigas civilizações. Nos dias atuais, possuem finalidade estética e podem ser encarados como expressões de rebeldia, liberdade, atitude ou estilo. No entanto, é importante lembrar que o adereço requer cuidados na hora da colocação e, posteriormente, uma rigorosa rotina de higienização por parte dos usuários. No caso dos piercings bucais, a atenção deve ser redobrada.
 

Por esse motivo, o programa CFO Esclarece faz um alerta sobre os riscos do piercing de boca e destaca os cuidados que sua utilização requer. 

O tesoureiro do Conselho Federal de Odontologia, Élio Silva Lucas, pós-graduado em Odontologia Legal e Odontologia do Trabalho, ressalta que, embora a utilização dos piercings seja muito comum, especialmente entre os jovens, é importante que as pessoas se informem adequadamente antes da instalação. 

“O paciente deve estar ciente dos cuidados necessários para escolha do modelo mais adequado e definição do local de instalação, assim como para assegurar a correta cicatrização da perfuração. Além disso, as pessoas devem conhecer os sinais de alerta para possíveis complicações e saber ainda quais as medidas preventivas a serem tomadas para manutenção desses adornos a longo prazo”, complementa. 

 

Entenda os riscos da utilização do piercing bucal

A cirurgiã-dentista e mestre em Estomatologia, Fabiana Quaglio, esclarece que a utilização de piercings orais não é isenta de riscos à saúde. Ela ressalta que a boca, sendo um ambiente úmido e comumente habitado por bactérias, aumenta o risco de infecções após a perfuração, que pode ser feita nos lábios inferiores, superiores, freios linguais e labiais, língua ou região perioral, que é caracterizada pela área do entorno dos lábios. 

“O acúmulo de placa bacteriana no local de perfuração, assim como no próprio adereço, pode levar a infecções locais intensas causando dor, sangramento e mau hálito e, em casos mais severos, necrose tecidual. Além disso, não existe piercing seguro, mas, sim, locais menos arriscados para realizar a perfuração, distantes de terminações nervosas, veias e artérias, de acordo com as variações anatômicas de cada indivíduo”, complementa Fabiana Quaglio. 

Entre os principais riscos dos piercings estão as reações alérgicas, desgaste do esmalte dos dentes, fraturas dentais, retração gengival e lesões traumáticas em tecidos moles, como hiperplasias, fibromas e úlceras, além de lesões brancas, como leucoplasias, líquen ou reações liquenoides; e proliferações fúngicas, entre outros. Há ainda a possibilidade de acidentes graves que levam ao risco de morte por asfixia, com a broncoaspiração da “joia”, caso venha a se soltar dentro da boca. 

Além disso, quando os piercings não são higienizados de forma correta, pode haver o desenvolvimento de infecções locais ou até mesmo sistêmicas, entre elas a gengivite que pode evoluir para a periodontite e levar à perda do elemento dental. Outra complicação grave que pode ocorrer em casos de infecções severas é a contaminação ou disseminação sistêmica do quadro infeccioso, levando até a endocardites bacterianas. Danos no local da perfuração, como paralisias ou parestesias, sangramento excessivo e dificuldades em exames odontológicos são outros possíveis problemas que o adereço pode causar. 

A utilização dos piercings orais ainda pode interferir na função normal das estruturas fisiológicas da cavidade bucal, com consequências como salivação excessiva, dificuldade na pronúncia de palavras e problemas na mastigação e deglutição; explica Fabiana Quaglio, que também é Coordenadora Científica da Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas (ABCD) e Membro da Comissão da Mulher do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP). 

 

Piercing de dente é seguro? 

De acordo com Fabiana Quaglio, o piercing oral representa riscos à saúde independentemente do tipo ou local de instalação. Isso inclui até mesmo os chamados piercings de dente, ou “pontos de luz”, que são colados sobre o esmalte dental. A cirurgiã-dentista destaca que esses modelos, quando utilizados, devem ser de cristal polido, sem asperezas, rugosidades ou arestas que possam ferir o lábio. 

Outro ponto de atenção no que se refere a este tipo de piercing é que no momento da instalação não devem ser feitos desgastes no dente sadio, sendo indicada apenas a colagem da “joia”, com uso de resinas próprias para essa finalidade. É importante ressaltar ainda que o modelo “ponto de luz” pode deixar o dente mais suscetível a infiltrações e à cárie no local de sobreposição ao esmalte. 

Desta forma, a orientação é que os piercings de dente sejam instalados exclusivamente por um cirurgião-dentista e que o paciente mantenha uma boa rotina de consultas para verificação dos aspectos de higiene e preservação dos tecidos próximos à “joia”. 

 

Cuidados gerais para os piercings orais 

Entre os principais cuidados a serem observados para instalação de piercings orais está a escolha cuidadosa do profissional que vai fazer a perfuração, que deverá ter conhecimento aprofundado sobre a anatomia orofacial. Ressalta-se que esses profissionais não possuem autorização legal para injetar anestésicos no local da perfuração, o que torna o procedimento doloroso. Também deve-se observar se o estúdio de body piercing possui licença sanitária para funcionamento, tem condições de limpeza e higiene adequadas e utiliza material descartável. 

É importante ainda que seja feita a escolha de uma “joia” de aço cirúrgico de qualidade para que sejam evitadas reações locais. O paciente ainda deve se lembrar sempre de que, tanto o lado visível da peça quanto o que fica em seu oposto podem causar lesões aos tecidos bucais. No caso dos piercings de lábio há inclusive o risco de a boca se rasgar, caso a peça seja puxada de forma acidental. 

Fabiana Quaglio alerta que, por este motivo, deve-se priorizar peças polidas e de formato arredondado, sendo que as pontas que ficam em contato direto com a cavidade oral devem ser, de preferência, confeccionadas em silicone ou em borracha para que sejam evitados traumas em áreas como o assoalho bucal ou o céu da boca no caso de perfurações de língua. O mesmo cuidado deve ser tomado na escolha de adereços que fiquem diretamente em contato traumático, ou seja “batendo”, no palato durante a fala ou mastigação. 

Para quem já possui um piercing na língua, nos lábios ou na região perioral é importante evitar manipulações com frequência e manter uma higiene oral rigorosa, que inclui a retirada e limpeza diária da peça. Além disso, ao menor sinal de desconforto, o paciente deve procurar um cirurgião-dentista e manter uma rotina regular de visitas ao consultório odontológico para acompanhamento. 

“Se mesmo sabendo de todos os riscos que um piercing na boca pode causar, o paciente ainda decidir que vai usar um de qualquer forma, oriento que realize consultas frequentes a um cirurgião-dentista, para que o profissional possa realizar um acompanhamento minucioso e minimizar os riscos e danos. As visitas devem ser regulares a cada três meses”, finaliza a cirurgiã-dentista Fabiana Quaglio.



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