Especialista da UNIFESP, Dr. Klinger Faico, esclarece mitos e orienta sobre medidas eficazes para prevenir episódios recorrentes da doença.
A infecção urinária é um dos problemas
de saúde mais comuns, principalmente entre mulheres. Estima-se que metade delas
terá pelo menos um episódio ao longo da vida e, em muitos casos, o incômodo não
se restringe a uma única vez. Quando os episódios se repetem três vezes ou mais
em um ano, o quadro recebe o nome de infecção urinária de repetição.
O tema, no entanto, ainda é cercado por
mitos e crenças populares. Afinal, beber muita água resolve? Roupa justa causa
infecção? O cranberry realmente funciona? Para o médico infectologista e
professor da UNIFESP, Dr. Klinger Soares Faico Filho, é essencial separar o que
tem comprovação científica do que é apenas suposição.
“A hidratação
adequada é, sim, um fator de proteção, porque aumenta a produção de urina e
ajuda a eliminar bactérias da bexiga. Mas sozinha não resolve todos os casos, e
há muitas crenças que não têm comprovação científica.”, explicou o
especialista.
Entre as medidas preventivas recomendadas,
além da ingestão adequada de líquidos, estão urinar logo após as relações
sexuais, manter boa higiene íntima, sem exageros, já que duchas vaginais podem
ser prejudiciais, tratar doenças associadas como diabetes e, em situações
específicas, utilizar antibióticos em baixas doses sob orientação médica.
Já no caso das
roupas apertadas ou de tecidos sintéticos, a relação direta com a infecção
urinária não é comprovada.
“Elas podem contribuir para irritação
local e favorecer a umidade, mas não são a causa principal da doença. O que
realmente importa é a presença de bactérias na bexiga e fatores que favorecem
sua entrada e multiplicação.”, esclareceu Dr. klinger Faico.
Outro ponto frequentemente discutido é
o uso do cranberry como prevenção. Embora alguns estudos apontem benefícios, as
evidências ainda são limitadas.
“Não dá para colocar o cranberry como
solução única ou definitiva. Ele pode ser um aliado em alguns casos, mas não
substitui as medidas médicas tradicionais.”, reforçou o infectologista.
Quando as infecções passam a se
repetir, buscar ajuda médica é indispensável. Alterações anatômicas, pedras nos
rins, alterações hormonais e até hábitos de vida podem estar por trás do
problema. O tratamento, nesses casos, deve ir além do uso repetido de antibióticos
e priorizar uma investigação detalhada, com estratégias de prevenção
personalizadas.
“Infecção urinária
de repetição não é frescura nem deve ser tratada apenas com dicas de internet.
Existem medidas eficazes, mas cada caso precisa ser avaliado individualmente
para definir a solução mais adequada”, concluiu o Dr. Klinger Soares Faico
Filho.

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