“Quando a pessoa dança, pula e caminha por várias horas seguidas, o corpo entra em um estado de esforço contínuo”, afirma o médico Gabriel Almeida
O Carnaval não exige apenas fôlego para acompanhar blocos e trios elétricos, mas também resistência física comparável a atividades esportivas intensas. Horas seguidas dançando, caminhando e pulando, muitas vezes sob calor elevado e por vários dias consecutivos, transformam a folia em uma verdadeira maratona corporal, com alto gasto calórico e impacto direto na saúde de quem não se prepara.
Levantamentos na área de saúde e educação física indicam que uma pessoa pode queimar entre 300 e 800 calorias por hora durante a folia, dependendo do ritmo, do tipo de música e do tempo em movimento. Em blocos de rua ou acompanhando trios elétricos por várias horas, esse gasto pode se aproximar do de exercícios aeróbicos de alta intensidade, como corrida ou treino funcional. Quando a festa se estende por quatro, cinco ou até seis horas seguidas, o consumo energético diário pode ultrapassar facilmente o de uma rotina esportiva convencional.
O médico Gabriel Almeida (CRM-SP 180956), especialista em emagrecimento saudável, explica que o Carnaval exige do corpo um esforço prolongado e pouco planejado, o que aumenta os riscos de exaustão. “Diferente de um treino, em que a pessoa se prepara, se aquece e tem pausas definidas, no Carnaval o esforço é contínuo, muitas vezes sem hidratação adequada, sob calor intenso e por vários dias consecutivos. O corpo entra em um estado de desgaste progressivo”, afirma.
Segundo o especialista, o impacto não está apenas na quantidade de calorias queimadas, mas no acúmulo do esforço ao longo dos dias de festa. “Quando alguém pula Carnaval por três, quatro dias seguidos, o organismo não tem tempo suficiente para se recuperar. Isso pode levar à desidratação, queda de pressão, hipoglicemia, câimbras musculares e até lesões por sobrecarga”, explica.
A hidratação, nesse contexto, deixa de ser apenas uma recomendação genérica e passa a ser uma estratégia essencial para manter o corpo funcionando. “O ideal é não esperar sentir sede. A reposição de líquidos deve ser constante, com água ao longo do dia e, em alguns casos, bebidas isotônicas leves para ajudar na reposição de sais minerais perdidos no suor”, orienta.
Outro ponto frequentemente negligenciado é a alimentação. Para o médico, muitos foliões subestimam a necessidade de combustível adequado para enfrentar a maratona carnavalesca. “Ficar longos períodos sem comer, consumindo apenas bebidas alcoólicas, compromete o desempenho do corpo. Refeições leves antes da folia, com carboidratos e proteínas, e pequenos lanches ao longo do dia ajudam a evitar quedas bruscas de energia”, afirma.
Além disso, cuidados simples com o corpo podem fazer diferença no rendimento ao longo dos dias. “Calçados inadequados, falta de alongamento e ausência de pausas aumentam o risco de lesões musculares e articulares. O corpo dá sinais claros de exaustão, como tontura, fraqueza e náusea, e esses sinais precisam ser respeitados”, alerta.
Do ponto de vista do comportamento, a dificuldade está em reconhecer limites em um evento culturalmente associado ao excesso. Encarar o Carnaval como um esforço físico real não reduz a diversão, mas amplia a possibilidade de atravessar todos os dias de festa com mais disposição e menos riscos. “Dá para aproveitar intensamente, desde que a pessoa entenda que o corpo está sendo exigido como em uma atividade física prolongada e precisa de cuidado, hidratação e respeito aos próprios sinais”, conclui o médico.
Gabriel Almeida (CREMESP 180956 | RQE 121513) - médico cirurgião-geral com mais de 15 anos de experiência, com ênfase em emagrecimento, qualidade de vida e protocolos avançados de tratamento da obesidade. Diretor Técnico do Núcleo GA, também atua como escritor e palestrante, compartilhando conhecimento científico e clínico com profissionais da saúde para ampliar o cuidado seguro e individualizado aos pacientes. O médico aborda de forma humanizada e baseada em evidências temas relacionados à perda de peso e bem-estar integral, buscando promover mudanças positivas nos estilos de vida.

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