Answer Engine Optimization (AEO) surge como estratégia essencial na disputa por visibilidade em tempos de decisão de compra via inteligência artificial
Por muito
tempo, conquistar o topo dos resultados do Google era o objetivo máximo de
qualquer marca que quisesse ser encontrada no ambiente digital. Mas essa lógica
está mudando — e rápido. Com o avanço das inteligências artificiais
generativas, como ChatGPT, Gemini, Perplexity e assistentes virtuais embarcadas
em smartphones, a forma como consumidores pesquisam, decidem e compram já está
sendo completamente redefinida.
Em nosso estudo de tendências da Black Friday 2025, vimos que 4 em cada 10
consumidores utilizam IA ativamente para buscar ofertas e que a resposta da IA
possui a mesma confiança que a resposta do Google.
Ao invés de navegar por links, cada vez mais pessoas buscam respostas prontas.
Segundo o Gartner, até 2026, o volume de buscas tradicionais nos mecanismos de
pesquisa pode cair 25%, impulsionado justamente pela adoção massiva de
assistentes baseados em IA. A consequência? As marcas não precisam apenas
“aparecer” — precisam ser citadas.
A resposta virou o novo clique
Comportamentos digitais mostram essa mudança. Mais de 75% da Geração Z e dos
jovens Millennials já confiam mais nas respostas fornecidas por IA do que nos
buscadores tradicionais quando querem encontrar recomendações de produtos ou
serviços. E esse não é um movimento restrito a nichos: segundo pesquisa da Bain
& Company, 80% dos usuários de IA conseguem resolver quase 40% de suas
dúvidas sem clicar em nenhum link.
A lógica por trás disso é simples: o consumidor quer soluções, não caminhos. E
se a resposta que ele recebe não menciona a sua marca — ela está fora do jogo.
Nesse novo cenário, surge o conceito de AEO — Answer Engine Optimization — como
evolução do SEO tradicional. Você já pode ter ouvido falar de GEO (Generative
Engine Optimization), LEO (LLM Engine Optimization) ou vários outros termos que
estão sendo criados. AEO, para mim, é um grande consolidado sobre estar na
resposta, independente do canal. Enquanto o SEO foca no ranqueamento de
páginas, o AEO se dedica a fazer com que marcas sejam citadas, recomendadas e
associadas a respostas confiáveis nos motores de resposta e IA generativa.
Ou seja, agora é preciso ocupar o espaço da resposta. É nesse ponto que
empresas que investem cedo nessa abordagem ganham protagonismo.
O AEO posiciona a marca para o consumidor através de uma opinião gerada por um
composto de informações: sites das empresas, redes sociais indexadas,
ReclameAqui, entre outras. As empresas que se destacam são aquelas que:
- Produzem conteúdo relevante, profundo e acessível para
humanos e para algoritmos;
- Estão presentes em fontes confiáveis e multicanais (PR,
social, catálogos, avaliações);
- Trabalham tecnicamente sua estrutura digital para
facilitar a indexação pelas IAs;
- Respondem perguntas reais, com clareza, autoria e dados
atualizados.
De buzzword a vantagem competitiva
Apesar do nome novo, a lógica do AEO é pragmática: conquistar a confiança da IA
para ser indicada nas respostas que moldam decisões de consumo.
Empresas que já atuam com essa abordagem relatam benefícios como:
- Aumento do “share of answer” (frequência em que a marca
aparece nas respostas de IA);
- Geração de leads mais qualificados, vindos de buscas
com alta intenção;
- Blindagem reputacional por meio de citações
espontâneas;
- Melhoria no reconhecimento de marca em contextos
decisivos.
E o melhor:
é mensurável — com métricas que vão além dos cliques e passam a considerar
menções, respostas geradas por IA, autoridade em tópicos-chave e visibilidade
em ecossistemas digitais emergentes, sendo possível planejar a presença da
marca entendendo potencial e cobertura já existente de concorrentes.
A nova métrica é ser lembrado
A resposta virou o novo ranking. A citação confiável, o novo clique. E, diante
de um ambiente digital que se transforma três vezes mais rápido do que há dez
anos, esperar pode custar relevância. Ou pior: esquecimento.
Em um mundo no qual as decisões são orientadas por algoritmos e a IA assume o
papel de “conselheira” digital, as marcas que dominarem o AEO estarão onde
realmente importa — no topo das respostas.
Amanda Gasperini - Chief Growth Officer (CGO) da Gauge, empresa do Grupo Stefanini.
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