Especialista explica que ir além do uso e compreender como a inovação funciona é essencial, especialmente para as novas gerações
A
tecnologia vem assumindo um papel cada vez mais central no cotidiano dos
brasileiros, deixando de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar
parte da rotina. O avanço das soluções digitais, aliado à maior oferta de
dispositivos, reforça essa mudança de comportamento.
De
acordo com um levantamento da plataforma de compras AliExpress, o interesse por
produtos tecnológicos e lazer digital cresce de forma consistente no país,
sinalizando que esses itens já não são vistos apenas como desejo, mas como
necessidades incorporadas ao dia a dia da população.
Impulsionado
tanto por promoções quanto pela popularização das experiências digitais, esse
movimento vai além de um simples aumento nas vendas. Ele revela como a
tecnologia se consolidou como parte estrutural da vida contemporânea, presente
no entretenimento, na educação, no trabalho e no lazer.
No
entanto, a ampliação do acesso a dispositivos não se traduz automaticamente em
aprendizado ou desenvolvimento de competências digitais. Embora a presença de
recursos conectados seja cada vez maior no cotidiano das famílias, sua
integração no processo de ensino ainda encontra obstáculos. Dados do estudo TIC
Kids Online Brasil 2025 mostram que o uso da internet por crianças e
adolescentes nas escolas caiu de 51% em 2024 para 37% em 2025, indicando que a
tecnologia avança fora da sala de aula, mas não acompanha o mesmo ritmo quando
o objetivo é aprendizagem estruturada.
Para
Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola especializada em competências para
o futuro, esse cenário expõe uma transformação ainda incompleta. “O crescimento
do consumo não vem acompanhado, na mesma proporção, do desenvolvimento de
habilidades essenciais. Esse descompasso mostra que ainda estamos formando
usuários, e não pessoas preparadas para entender, criar e tomar decisões sobre
as ferramentas que utilizam”, afirma.
Com a
popularização de recursos como Inteligência Artificial, automação e plataformas
digitais, a inovação tornou-se mais acessível, mas também mais complexa. Embora
aplicativos e sistemas aparentem simplicidade, eles são sustentados por lógica,
programação e decisões técnicas que impactam diretamente segurança, desempenho
e eficiência. “Sem esse entendimento, as pessoas acabam apenas consumindo
soluções prontas, sem explorar todo o potencial desse universo”, ressalta
Giroto.
Nesse
contexto, o avanço do consumo levanta uma questão central: quem está preparado
para compreender, desenvolver e até controlar essas ferramentas? À medida que
dispositivos e softwares se tornam onipresentes, cresce a necessidade de ir
além do uso básico e desenvolver competências que permitam entender como essas
soluções funcionam por trás das telas, especialmente entre crianças e
adolescentes.
Giroto
destaca a importância da educação tecnológica desde cedo. “Entender como a
tecnologia funciona é tão importante quanto saber utilizá-la. Ao aprender
lógica e programação desde cedo, jovens deixam de ser apenas consumidores e
passam a compreender os sistemas que moldam o mundo digital”, explica.
Esse
tipo de formação contribui para escolhas mais conscientes relacionadas ao
consumo, à segurança digital e ao uso responsável dos recursos tecnológicos.
Compreender conceitos como dados, algoritmos e Inteligência Artificial
fortalece o senso crítico em um ambiente cada vez mais automatizado e guiado
por sistemas inteligentes.
Entender
o que está por trás dos aparelhos que usamos diariamente é o que permite
transformá-la de um simples recurso em uma verdadeira aliada. Quanto maior o
conhecimento sobre seus bastidores, maior também a capacidade de utilizá-la de
forma estratégica, consciente e a nosso favor.

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