Especialista defende que crenças limitantes, insegurança e falta de representatividade impedem mulheres de avançarem nos negócios e no digital
O Brasil reúne hoje mais de 30 milhões de
empreendedores, segundo o Sebrae. Mas, quando o olhar se volta para o recorte
de gênero, a desigualdade é evidente: apenas 34% dos negócios têm mulheres à
frente, proporção que permanece praticamente estagnada nos últimos anos. No
ambiente digital, o desafio ganha outra camada. Muitas mulheres ainda não se
reconhecem como empreendedoras por falta de referências e por carregarem
crenças limitantes sobre seu potencial de realização. Especialistas alertam que
o problema não está apenas no acesso a crédito ou políticas de apoio, mas
sobretudo em um fator menos visível: a mentalidade.
“Mentalidade é como um solo. Se ele não for fértil, nada vinga.
Você pode plantar a melhor semente do mundo no concreto, que ela não vai
florescer. Por isso, antes de qualquer estratégia, precisamos preparar o solo —
a cabeça — para que ele esteja aberto ao crescimento”, explica Bettina Rudolph,
fundadora do Grupo Líbertas, que já formou mais de 100 mil alunos em educação
digital.
Para Bettina, mudar a mentalidade não é um exercício abstrato, mas
uma prática diária que envolve três movimentos fundamentais. O primeiro é sair
da posição de vítima e assumir protagonismo, reconhecendo que resultados não
dependem de sorte, herança ou circunstâncias externas, mas de escolhas e
atitudes consistentes. “Enquanto a pessoa acreditar que o sucesso está nas mãos
de fatores que ela não controla, vai continuar paralisada”, destaca. Na
prática, isso significa abandonar justificativas que travam o crescimento, como
a ideia de que “o mercado é injusto”, “não tenho tempo” ou “não tenho o perfil
para empreender”, e substituir por atitudes proativas, ainda que pequenas, mas
consistentes.
O segundo movimento é adotar a chamada mentalidade fazedora,
sustentada pela ação. Para Bettina, muitas mulheres permanecem travadas
esperando o “momento perfeito” ou o plano sem falhas, quando, na realidade, é a
execução contínua que gera aprendizado e evolução. É a aplicação prática do
princípio de que feito é melhor que perfeito. “O mundo é de quem faz. Quem
começa imperfeito e melhora a cada dia sai na frente de quem nunca saiu do
lugar”, explica.
O terceiro, e talvez mais transformador, é desenvolver a
antifragilidade — a habilidade de transformar críticas, obstáculos e até fracassos
em combustível para crescer. Bettina usa a própria história como exemplo. Após
virar meme nacional e ser acusada de mentir sobre seu patrimônio, ela enfrentou
uma onda de ataques e foi processada. Em vez de recuar, escolheu sustentar sua
verdade, apresentou todas as provas e venceu o processo. O episódio que poderia
ter colocado fim à sua carreira acabou reforçando sua convicção e servindo como
um divisor de águas para sua trajetória. “Ser antifrágil não é apenas resistir
às pedras do caminho, mas aprender a se manter de pé e seguir construindo mesmo
sob ataque”, resume.
Essa visão não surge por acaso. Bettina estuda o tema da
mentalidade há anos e tem se aprofundado cada vez mais na área. A dominação
desse aspecto resultou na construção do Grupo Líbertas, ecossistema de negócios
digitais que já impactou mais de 80 mil alunos. Casos como o da médica Juliane
Stall mostram na prática o impacto desses pilares de mentalidade. Ao enfrentar
burnout e depressão, ela encontrou no digital uma oportunidade de reinvenção e
decidiu assumir o protagonismo da própria carreira. Com disciplina e ação, a
mentalidade fazedora, aplicou o método do programa Do Zero ao Digital (ZD) e
faturou R$ 150 mil em apenas dois meses, superando o que recebia em um ano de
plantões. Já Bella Franceschini, que deixou o emprego formal para empreender,
ilustra a antifragilidade. Mesmo diante das incertezas de abandonar o CLT,
transformou os desafios em motivação para crescer e alcançou R$ 1 milhão de
faturamento no primeiro ano.
As trajetórias de Juliane, Bella e milhares de outras mulheres
formadas pelo Líbertas reforçam que mentalidade não é detalhe, mas o fundamento
do empreendedorismo feminino. “Quando uma mulher acredita que pode e se coloca
em movimento, ela constrói sua liberdade e inspira outras a seguirem o mesmo
caminho. Esse efeito multiplicador é o que vai transformar a representatividade
nos negócios”, conclui Bettina.

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