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Especialista do CEJAM
orienta sobre sintomas iniciais, diagnóstico precoce e enfrentamento do estigma
para evitar complicações
Manchas
na pele que não doem, não coçam e apresentam perda de sensibilidade ainda são,
no Brasil, sinais pouco reconhecidos de uma doença antiga, mas que continua
atual: a hanseníase. Durante o Janeiro Roxo, campanha nacional de conscientização,
especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e o início imediato do
tratamento são fundamentais para evitar incapacidades físicas, reduzir o
estigma e interromper a cadeia de transmissão.
O
Brasil registrou mais de 22 mil novos casos de hanseníase em 2023, segundo
dados mais recentes do Boletim Epidemiológico de Hanseníase do Ministério da
Saúde, e ocupa o segundo lugar no mundo em número absoluto de diagnósticos,
atrás apenas da Índia. Apesar de ter cura, a hanseníase ainda é cercada por
desinformação, o que contribui para atrasos no atendimento e para o agravamento
dos quadros clínicos.
“A
hanseníase tem tratamento gratuito e eficaz pelo SUS, mas o maior desafio ainda
é fazer com que as pessoas procurem ajuda nos primeiros sinais”, afirma a Dra.
Luciana Mazzutti, médica dermatologista do AME Carapicuíba, unidade da
Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM –
Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”. Segundo ela, quanto mais cedo
o diagnóstico, menores são os riscos de lesões neurológicas e complicações
permanentes.
A
especialista explica que a doença é causada por uma bactéria que afeta
principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sintomas iniciais incluem
manchas claras, avermelhadas ou acastanhadas com perda de sensibilidade ao
calor, frio ou toque, além de formigamentos e dormências em mãos e pés. “Muita
gente ignora esses sinais por não sentir dor, mas justamente essa ausência de
sensibilidade é um dos alertas mais importantes”, ressalta.
A
transmissão ocorre por vias respiratórias em contatos próximos e prolongados
com pessoas com a doença e sem tratamento adequado, não havendo risco em
abraços, toques ou compartilhamento de objetos.
Além
das consequências físicas, o impacto social da hanseníase ainda é
significativo. O estigma histórico associado à doença continua afastando
pacientes dos serviços de saúde. Para a Dra. Luciana, combater esse imaginário
é parte essencial da estratégia de controle. “Hoje sabemos que o tratamento
interrompe rapidamente a transmissão e que não há motivo para exclusão social.
Informação é uma das principais ferramentas de enfrentamento”, afirma.
O
tratamento é feito com medicamentos fornecidos gratuitamente pelo SUS e, na
maioria dos casos, dura de seis meses a um ano. “Esse acompanhamento é fundamental
porque, quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de evitar
sequelas e garantir a recuperação completa do paciente”, explica a
dermatologista.
A
campanha Janeiro Roxo também chama atenção para a importância da busca ativa e
do acompanhamento de contatos familiares para reduzir a circulação da bactéria.
“Quando um caso é identificado, orientamos a avaliação das pessoas que convivem
com aquele paciente, justamente para detectar possíveis infecções em estágio
inicial”, diz.
De acordo com a médica, qualquer pessoa que perceba manchas com alteração de sensibilidade deve procurar uma unidade de saúde. “A hanseníase existe, tem cura e, quando diagnosticada cedo, evita sequelas e garante melhor qualidade de vida ao paciente”, conclui.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

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