Prof. Dr. Julio Cesar explica como o sistema hormonal gerencia a água e eletrólitos no corpo
Com a chegada do verão e o
aumento das temperaturas, a hidratação corporal se torna uma prioridade
inadiável. No entanto, o que muitos não sabem é que o processo de manutenção do
equilíbrio hídrico e de eletrólitos no nosso corpo é uma complexa orquestra
comandada pelo sistema endócrino e seus hormônios. O Prof. Dr. Julio Cesar,
médico endocrinologista e docente da Universidade de Franca (Unifran), destaca
o papel crucial dessa regulação interna e alerta para a importância de cuidados
preventivos.
"A hidratação vai muito além da simples sensação de sede", explica o
especialista. Ele ressalta que cerca de 70% do organismo de um adulto jovem é
composto por água, essencial para a vasta maioria das reações metabólicas. O
alerta é claro: "Quando
você toma água só quando está com sede, provavelmente você já está
desidratado." Sinais como perda de memória, dificuldade de
raciocínio e sonolência são indicativos de que o corpo já está sofrendo com a
falta de líquidos. Por isso, a hidratação diária e preventiva é fundamental em
todas as estações do ano, e não apenas no calor intenso.
Para combater a desidratação e
manter o equilíbrio interno, nosso corpo aciona um sofisticado sistema
hormonal. O Hormônio Antidiurético (ADH), por exemplo, atua nos rins para reter
ou eliminar água, regulando a pressão arterial. Paralelamente, o sistema
renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) entra em ação para controlar o sódio,
retendo-o para que a água seja mantida, visando a osmolaridade do organismo. Em
cenários de calor extremo, esses mecanismos se intensificam, agindo no cérebro
e nos rins para urinar e transpirar menos, otimizando a retenção hídrica para a
sobrevivência. Outros sistemas, como a tireoide, também influenciam
indiretamente a regulação hídrica por meio do metabolismo geral do corpo.
A necessidade de hidratação é ainda
mais crítica para determinados grupos de pacientes. Aqueles com
hipertireoidismo, por exemplo, possuem um metabolismo acelerado que resulta em
maior perda de líquidos. Nesses casos, o corpo depende intensamente de seus
sistemas hormonais para compensar. Já os diabéticos enfrentam um desafio único:
a alta concentração de glicose no organismo provoca excesso de urina
(poliúria), levando a uma sede intensa (polidipsia), pois o açúcar
"carreia" líquido. Para esses pacientes, a hidratação adequada é
vital para evitar complicações graves.
Ao considerar as opções de
bebidas, o professor é categórico: a água é, sem dúvida, a escolha ideal. Ele,
no entanto, adverte que "tudo em excesso faz mal", citando até mesmo
a potomania (compulsão por beber água em excesso), que pode levar à
hiper-hidratação e distúrbios sérios. “Refrigerantes comuns são criticados pela
alta concentração de açúcar, prejudicial a diabéticos e ao controle de peso. As
versões diet, embora isentas de ingrediente, podem ser ricas em sódio, o que
representa um problema para pacientes hipertensos. Já os isotônicos, formulados
para equilibrar eletrólitos, contêm açúcar – e mesmo as versões sem adição
possuem sódio, exigindo cautela, especialmente para quem tem restrições
dietéticas”, explica Cesar.
A mensagem final do
especialista é clara: ouvir o corpo, manter a hidratação preventiva e buscar
orientação profissional são chaves para a saúde e bem-estar, especialmente sob
o sol do verão.
UNIFRAN
www.unifran.edu.br
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