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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Verão e hidratação: Endocrinologista da Unifran revela o papel oculto dos hormônios e alerta para cuidados essenciais

Prof. Dr. Julio Cesar explica como o sistema hormonal gerencia a água e eletrólitos no corpo

 

Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, a hidratação corporal se torna uma prioridade inadiável. No entanto, o que muitos não sabem é que o processo de manutenção do equilíbrio hídrico e de eletrólitos no nosso corpo é uma complexa orquestra comandada pelo sistema endócrino e seus hormônios. O Prof. Dr. Julio Cesar, médico endocrinologista e docente da Universidade de Franca (Unifran), destaca o papel crucial dessa regulação interna e alerta para a importância de cuidados preventivos.

"A hidratação vai muito além da simples sensação de sede", explica o especialista. Ele ressalta que cerca de 70% do organismo de um adulto jovem é composto por água, essencial para a vasta maioria das reações metabólicas. O alerta é claro: "Quando você toma água só quando está com sede, provavelmente você já está desidratado." Sinais como perda de memória, dificuldade de raciocínio e sonolência são indicativos de que o corpo já está sofrendo com a falta de líquidos. Por isso, a hidratação diária e preventiva é fundamental em todas as estações do ano, e não apenas no calor intenso.
 

Para combater a desidratação e manter o equilíbrio interno, nosso corpo aciona um sofisticado sistema hormonal. O Hormônio Antidiurético (ADH), por exemplo, atua nos rins para reter ou eliminar água, regulando a pressão arterial. Paralelamente, o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) entra em ação para controlar o sódio, retendo-o para que a água seja mantida, visando a osmolaridade do organismo. Em cenários de calor extremo, esses mecanismos se intensificam, agindo no cérebro e nos rins para urinar e transpirar menos, otimizando a retenção hídrica para a sobrevivência. Outros sistemas, como a tireoide, também influenciam indiretamente a regulação hídrica por meio do metabolismo geral do corpo. 

A necessidade de hidratação é ainda mais crítica para determinados grupos de pacientes. Aqueles com hipertireoidismo, por exemplo, possuem um metabolismo acelerado que resulta em maior perda de líquidos. Nesses casos, o corpo depende intensamente de seus sistemas hormonais para compensar. Já os diabéticos enfrentam um desafio único: a alta concentração de glicose no organismo provoca excesso de urina (poliúria), levando a uma sede intensa (polidipsia), pois o açúcar "carreia" líquido. Para esses pacientes, a hidratação adequada é vital para evitar complicações graves. 

Ao considerar as opções de bebidas, o professor é categórico: a água é, sem dúvida, a escolha ideal. Ele, no entanto, adverte que "tudo em excesso faz mal", citando até mesmo a potomania (compulsão por beber água em excesso), que pode levar à hiper-hidratação e distúrbios sérios. “Refrigerantes comuns são criticados pela alta concentração de açúcar, prejudicial a diabéticos e ao controle de peso. As versões diet, embora isentas de ingrediente, podem ser ricas em sódio, o que representa um problema para pacientes hipertensos. Já os isotônicos, formulados para equilibrar eletrólitos, contêm açúcar – e mesmo as versões sem adição possuem sódio, exigindo cautela, especialmente para quem tem restrições dietéticas”, explica Cesar. 

A mensagem final do especialista é clara: ouvir o corpo, manter a hidratação preventiva e buscar orientação profissional são chaves para a saúde e bem-estar, especialmente sob o sol do verão.

 

UNIFRAN
www.unifran.edu.br


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