Pesquisar no Blog

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Super Quarta coloca juros no centro do radar no Brasil e nos EU

Copom e Federal Reserve devem manter taxas, enquanto mercado busca sinais sobre o início dos cortes ao longo de 2026

 

A chamada Super Quarta-feira promete ser decisiva para os rumos dos mercados financeiros, com decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Nesta quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, e o Federal Reserve (Fed) anunciam suas decisões sobre juros. 

No Brasil, a expectativa predominante é de manutenção da taxa Selic, atualmente em 15%. Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, o cenário ainda exige prudência. “Minha expectativa é de manutenção, segundo o último Boletim Focus a projeção para o IPCA de 2026 subiu levemente para 4,02%. Como a meta central é de 3%, o Banco Central precisa manter o remédio forte, juros alto, para evitar que os preços subam mais. Ainda existe uma preocupação com os gastos públicos. Provavelmente os juros só caiam em março”, afirma. 

A avaliação é semelhante à de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. Ele destaca que o ambiente econômico ainda não permite uma flexibilização imediata. “Esperamos manutenção da taxa básica de juros na reunião desta semana, em linha com o que já é amplamente esperado pelo mercado. A atividade econômica relativamente forte, e o mercado de trabalho ainda em condições de pouca ociosidade, combinado a uma inflação de serviços resiliente e à dificuldade do BCB em fazer convergir às expectativas reforçam essa visão. Esperamos o primeiro corte de juros na reunião de abril”, diz. 

Na mesma linha, Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, avalia que o Banco Central deve evitar qualquer sinalização precipitada. Ainda assim, Bolzan acredita que o comunicado pode trazer pistas importantes: “A gente espera que flexibilize o comunicado e dê pistas que deve começar corte de juros. Nosso cenário são cortes nesse ano terminando em 12% a Selic no fim do ano. Para o ano que vem, deve chegar a 10,5%”. 

Com os juros elevados, o impacto direto é sentido nas estratégias de investimento. Patzlaff destaca que o atual patamar favorece aplicações conservadoras. “Enquanto a taxa não cai, o investidor brasileiro vive um cenário de juros reais alto, e é momento de aproveitar a boa rentabilidade sem precisar correr tanto risco. Com a taxa em 15% os investimentos pós fixados como, Tesouro Selic e CDBs de Liquidez Diária estão rendendo muito bem”, afirma. Ele também chama atenção para os benefícios tributários: “LCIs e LCAs são isentas, o que pode dar um benefício maior para o curto prazo comparando com CDBs que tem IR regressivo”. 

Para horizontes mais longos, o especialista reforça o papel dos títulos indexados à inflação. “Para quem pensa no longo prazo os títulos que pagam Inflação + uma taxa pré, os famosos IPCA+ são excelentes, garantem que seu poder de compra seja mantido”, diz, lembrando que é fundamental observar o risco dos emissores e os limites do FGC. 

Bruno Perri também vê os pós-fixados como protagonistas no atual cenário. “Seguem atrativos os pós-fixados, com juros reais implícitos elevados. E devem seguir assim, mesmo após os cortes, uma vez que esperamos um piso elevado para o ciclo de cortes porvir e, eventualmente, por período prolongado, a depender da sinalização de política fiscal pós-eleições”, afirma. 

Já Marcelo Bolzan explica que, apesar do foco atual em renda fixa, as carteiras vêm passando por ajustes. “Nas carteiras de investimento, temos privilegiado renda fixa. Está muito claro que os juros vão cair. E diante desse cenário, CDI vai render menos. Então estamos reduzindo parcela do CDI e aumentando estratégias em inflação e prefixados”, afirma. 

Nos Estados Unidos, o foco da Super Quarta também está na decisão do Federal Reserve, que deve manter os juros. Para Patzlaff, a economia americana ainda demonstra força suficiente para sustentar esse patamar. “Para o FED a expectativa também é de pausa, mantendo os juros. O PIB americano foi revisado para cima, o que mostra que a economia deles está aguentando bem os juros altos. O Fed já fez cortes no final de 2025 e agora quer observar o efeito desses cortes antes de dar o próximo passo”, avalia. 

Bruno Perri reforça essa leitura cautelosa. “Esperamos manutenção. Após o corte na última reunião, a autoridade monetária norte-americana se colocou em modo data-dependent e, por ora, dados mais recentes ainda não sancionam a retomada dos cortes por lá. É provável vermos a retomada dos cortes na reunião de abril ou junho”, diz. 

Com juros elevados nos EUA, surgem oportunidades específicas para investidores. Patzlaff aponta alternativas na renda fixa americana. “Para investir nos EUA com os juros mantido, o investidor pode escolher Treasury Bills (T-Bills), que são os títulos públicos americanos de curto prazo. Bonds de grandes empresas, como se fosse uma debênture no Brasil, que emitem dívidas que pagam boas taxas”, afirma. Ele também destaca que o cenário pode favorecer ações, especialmente de tecnologia, e reforça a importância da diversificação: “A dica de ouro é não colocar todos os ovos na mesma cesta, o cenário de 2026 pede paciência, acompanhamento e diversificação principalmente de risco”. 

Na visão de Bruno Perri, a renda fixa segue sendo um pilar importante no exterior. “Nos EUA, seguimos vendo algumas alternativas interessantes nas rendas fixas, através de fundos ou via posição direta em bonds com vencimentos intermediários”, afirma. Para ativos de risco, ele pondera que o momento exige seletividade: “Para ativos de risco, considerando o patamar atual dos mercados – bastante valorizados -, além de posições estruturais em renda variável para o longo prazo, enxergamos a exposição através de hedge funds como taticamente interessante neste momento”. 

Com decisões aguardadas de perto, a Super Quarta reforça a mensagem de cautela que vem dominando o cenário global: juros ainda elevados, cortes mais à frente e um ambiente que exige atenção redobrada tanto de investidores quanto dos formuladores de política monetária.
 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados