FecomercioSP segue defendendo ajuste fiscal para que o ciclo de queda da
Selic, quando iniciado, seja mais intenso e duradouro
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter, na
primeira reunião de 2026, a taxa Selic em 15%, adiando o início do ciclo de
cortes. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado
de São Paulo (FecomercioSP), embora a inflação esteja em um processo de
desaceleração, há fatos que tornam a decisão do BC compreensível: a
inflação dos Serviços permanecendo alta e as dúvidas sobre a política
fiscal do governo, somadas ao ano eleitoral e ao cenário internacional
turbulento, entre outros fatores, exigiram uma certa dose de cautela do BC.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano de 2025
dentro do intervalo da meta, variando 4,26%. No entanto, a inflação do setor de
Serviços — indicador que mais reflete o mercado de trabalho e funciona como
termômetro da demanda — tem se mantido acima de 6% nos últimos meses. Além
disso, o desemprego próximo de 5% e os reajustes salariais acima da inflação
indicam que a demanda seguirá elevada, o que mantém o setor pressionado. A
isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensal e a
redução gradual para quem ganha até R$ 7,35 mil deve injetar bilhões na
economia e também contribuir para o aquecimento da demanda.
Na avaliação da FecomercioSP, o compromisso com o equilíbrio das contas
públicas é um dos pontos basilares para a redução da Selic. Enquanto não houver
um movimento consistente nesse sentido, não haverá ambiente para uma queda
sustentável da taxa básica de juros. Atualmente, a expectativa é de que a
dívida bruta ultrapasse 79% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o boletim Focus
projeta inflação entre 3,8% e 4% para os próximos anos, patamar acima do centro
da meta.
A proximidade do calendário eleitoral adiciona mais um elemento de cautela, uma
vez que anos de eleições costumam trazer mais volatilidade, aumento do
risco-país e movimentos mais intensos no câmbio. Em 2022, por exemplo, o Credit
Default Swap (CDS) brasileiro subiu mais de 30% no período pré-eleitoral.
Diante de um ambiente de mais incerteza política, o BC tende a agir com
prudência para evitar que ruídos de curto prazo contaminem a trajetória da
inflação.
Ademais, ao se observar a conjuntura internacional, são evidentes as tensões
geopolíticas, os riscos de desaceleração em grandes economias e as dúvidas em
torno das políticas comerciais dos Estados Unidos. Contudo, há também fatores
que podem contribuir, mais adiante, para um ambiente mais favorável à redução
dos juros, como o ciclo gradual de cortes pelo Federal Reserve (FED). Esse
movimento tende a ampliar o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos,
o que pode abrir espaço para cortes no caso brasileiro. Soma-se a isso o alívio
nos preços globais de alimentos e manufaturados e um dólar mais comportado,
fatores que ajudam a suavizar as pressões inflacionárias internas.
Para a FecomercioSP, é fundamental que a política fiscal esteja em consonância
com a monetária para que o ciclo de queda da Selic possa ser mais intenso e
duradouro. Caso contrário, as empresas continuarão sendo penalizadas pelo alto
custo do crédito e pelo encarecimento de empréstimos já contraídos atrelados à
Selic — como é o caso do Pronampe —, e os números de falências e pedidos de
recuperação judicial tendem a continuar piorando.
Na avaliação da Entidade, a cautela neste momento evita erros que poderiam
custar mais caro adiante. Quando os sinais forem mais consistentes —
especialmente no campo fiscal e na inflação dos Serviços —, haverá espaço para
um ciclo de cortes mais firme e sustentável.
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