
Além de adaptações de segurança no ambiente doméstico, para reduzir
riscos, crianças não podem ficar nenhum momento sem supervisão.
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Cirurgiã pediatra alerta sobre os
acidentes mais comuns em casa e que, em geral, acabam no pronto-socorro
Durante as férias escolares, quando as crianças passam mais tempo em casa, cresce significativamente o risco de acidentes domésticos com os pequenos. Levantamento da ONG Criança Segura aponta um aumento de 38% nas mortes infantis causadas por acidentes nesse período. A entidade também estima que ocorram cerca de 200 mil acidentes domésticos por ano envolvendo crianças no Brasil. Quedas, queimaduras, intoxicações e até afogamentos em recipientes com pouca água estão entre as ocorrências mais frequentes.
Para a cirurgiã pediatra Dra. Elisangela de Mattos, do Eco Medical Center, o período que deveria ser marcado por descanso e lazer precisa vir acompanhado de cuidados simples, porém fundamentais, dentro de casa.
Ela destaca que grande parte desses acidentes poderia ser evitada com ajustes na rotina e na organização dos ambientes. Um dos principais riscos está relacionado às quedas, especialmente em residências com escadas, superfícies escorregadias ou desníveis.
Os traumas acidentais em saliências dos móveis ou portas também são comuns. “É importante evitar quinas pontiagudas e, sempre que possível, optar por móveis com quinas arredondadas, para reduzir traumas na cabeça, pernas e braços, a depender do tamanho da criança. Protetores de silicone na quina dos móveis também ajudam a prevenir os acidentes”, orienta.
Outro ponto de atenção envolve a ingestão acidental de produtos de limpeza e medicamentos, situação comum principalmente entre crianças pequenas, naturalmente curiosas. É comum os adultos guardarem remédios de uso contínuo na gaveta da cabeceira da cama. Porém, esse é um local de fácil acesso e potencialmente perigoso para os pequenos.
“Produtos de limpeza e remédios devem ficar sempre bem guardados, em locais inacessíveis, em frascos próprios e bem fechados, para evitar a ingestão inadvertida”, reforça a cirurgiã pediatra.
Na cozinha, os riscos aumentam devido à presença de utensílios
pontiagudos como facas e garfos, além do contato de líquidos quentes e
superfícies aquecidas. Segundo a médica, cuidados simples podem evitar
acidentes graves. “Os cabos das panelas devem estar sempre voltados para dentro
do fogão. A criança pequena, quando olha para cima, enxerga apenas o cabo e,
por curiosidade, pode puxar, causando queimaduras graves”, alerta.
Escadas, janelas e afogamentos dentro de casa
Ambientes como escadas e janelas também exigem vigilância constante durante as férias. “Escadas precisam estar protegidas, principalmente em casas de dois andares. Já as janelas devem ter redes de proteção e permanecer fechadas quando há crianças pequenas em casa”, explica a médica.
Outro risco que se intensifica no verão são os afogamentos domésticos, muitas vezes associados a recipientes rasos com água, dentro de casa. “Quando falamos em afogamento, não estamos falando apenas de piscinas. Qualquer recipiente com água pode representar perigo, como baldes, tanques, máquinas de lavar e até o vaso sanitário”, alerta a especialista.
Baldes com água nunca devem estar no chão. O ideal é mantê-los em tanques ou locais elevados, ou esvaziá-los imediatamente após o uso. O vaso sanitário deve estar sempre tampado e as máquinas de lavar que não possuem sistema de travamento da porta quando estão com água, não devem funcionar nem permanecer com roupas de molho na presença de crianças.
Casos de crianças que se afogam em baldes, bacias ou recipientes
com água são recorrentes no noticiário e reforçam a necessidade de atenção
contínua. “Crianças pequenas não devem ficar próximas a recipientes com água
sem supervisão. Mesmo um volume pequeno pode ser suficiente para causar um
afogamento”, ressalta.
Prevenção e primeiros cuidados
A médica lembra que, diante de um acidente, algumas medidas iniciais podem ser tomadas, mas o atendimento especializado é essencial. Em casos de queimadura química, por exemplo, é importante retirar o agente causador, não lavar com água e proteger a área afetada. Nos caso de queimadura térmica, lavar com água em temperatura ambiente. Mas a orientação é sempre procurar avaliação médica.
Para a Dra. Elisangela de Mattos, o papel do profissional de saúde
vai além do atendimento hospitalar, entretanto o papel dos adultos responsáveis
é fundamental. “Nosso papel é alertar. Mas cabe aos pais e cuidadores criar um
ambiente em que as crianças possam crescer livres, saudáveis e, acima de tudo,
protegidas desses acidentes”, conclui.
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