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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Síndrome de Poland: quando a cirurgia plástica devolve simetria, função e autoestima a pacientes com anomalia congênita rara

 

A síndrome de Poland é uma anomalia congênita rara, caracterizada principalmente pela ausência total ou parcial do músculo peitoral maior, geralmente de forma unilateral. A condição pode envolver ainda alterações na mama, nas costelas e nas mãos, como a sindactilia (dedos unidos). Apesar de ser considerada benigna do ponto de vista clínico, o impacto estético e psicológico pode ser significativo, levando muitos pacientes a buscarem a cirurgia plástica como parte do tratamento. 

Segundo o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Libria, trata-se de uma condição pouco conhecida pelo público, mas que exige abordagem especializada. 

 “A síndrome de Poland não afeta apenas a aparência do tórax. Ela interfere diretamente na percepção corporal, na autoestima e, em alguns casos, na função. O papel da cirurgia plástica é reconstruir, equilibrar e devolver naturalidade, respeitando a anatomia e a individualidade de cada paciente”, explica o médico.

 

Principais características da síndrome de Poland

 A manifestação da síndrome pode variar de leve a mais complexa, dependendo do grau de comprometimento anatômico. Entre as principais características estão: 

- Ausência ou hipoplasia do músculo peitoral maior, especialmente da porção esternocostal

- Possível envolvimento do peitoral menor

- Hipoplasia mamária ou ausência da mama, principalmente em mulheres

- Alterações na parede torácica, como ausência de costelas ou deformidades da caixa torácica

- Anomalias nas mãos, como sindactilia ou braquidactilia

- Predominância unilateral, mais comum no lado direito do corpo

- Maior incidência no sexo masculino 

> “Em muitos homens, a queixa surge na adolescência, quando o desenvolvimento muscular se torna mais evidente e a assimetria passa a incomodar. Nas mulheres, o diagnóstico costuma ficar mais claro na puberdade, com o desenvolvimento desigual das mamas”, pontua Dr. Hugo Sabath.


Causas e diagnóstico 

A etiologia mais aceita da síndrome de Poland está relacionada a uma interrupção do suprimento sanguíneo, especialmente da artéria subclávia, por volta da sexta semana de gestação. Essa alteração compromete o desenvolvimento da parede torácica e do broto do membro superior. 

O diagnóstico é predominantemente clínico, realizado por meio de exame físico detalhado. Em casos mais complexos, exames de imagem como tomografia computadorizada, radiografia ou ressonância magnética auxiliam no planejamento cirúrgico. 

> “O diagnóstico precoce é importante não apenas para acompanhamento, mas para definir o melhor momento da reconstrução. Cada caso exige uma estratégia personalizada”, destaca o cirurgião. 

Tratamento: reconstrução estético-funcional personalizada 

O tratamento da síndrome de Poland é individualizado e, muitas vezes, multidisciplinar, envolvendo cirurgia plástica, cirurgia da mão e, em alguns casos, acompanhamento psicológico.

 

Reconstrução torácica em homens 

Nos homens, as opções mais utilizadas incluem: 

- Transferência do músculo grande dorsal (das costas) para simular o peitoral

- Próteses de silicone personalizadas

- Implantes 3D sob medida, desenvolvidos a partir da anatomia do paciente 

> “A tecnologia 3D revolucionou a reconstrução torácica. Hoje conseguimos criar próteses altamente personalizadas, que se adaptam perfeitamente à deformidade, proporcionando um resultado muito mais natural”, explica Dr. Hugo Sabath.


Reconstrução mamária em mulheres 

Nas mulheres, o tratamento pode envolver: 

- Uso de expansores e próteses mamárias

- Enxerto de gordura (lipofilling) para correção de assimetrias

- Reconstrução da aréola e do mamilo, quando necessário 

> “O objetivo não é apenas criar volume, mas devolver proporção, simetria e harmonia corporal. Em muitos casos, associamos técnicas para alcançar um resultado mais refinado”, afirma o médico.

 

Correção das mãos 

Quando há sindactilia ou outras alterações nos dedos, cirurgias específicas podem ser realizadas para:

 - Separar os dedos

- Melhorar a função e a mobilidade

- Reduzir limitações no dia a dia

 

Quando a cirurgia é indicada? 

Embora a síndrome de Poland seja uma condição benigna, a correção cirúrgica é frequentemente indicada para: 

- Melhorar a autoimagem e autoestima

- Corrigir assimetrias importantes

- Restaurar proporção corporal

- Em casos raros, oferecer proteção torácica, como em situações de hérnia pulmonar 

> “A cirurgia não é obrigatória, mas quando há impacto emocional ou funcional, ela pode ser transformadora. O mais importante é que o paciente esteja bem informado e acompanhado por um especialista experiente”, orienta Dr. Hugo Sabath.

 

Dicas importantes para pacientes e familiares 

- Procure um cirurgião plástico com experiência em reconstrução

- Entenda que o tratamento pode ocorrer em etapas

- Tenha expectativas realistas sobre os resultados

- Valorize o acompanhamento psicológico quando necessário

- Priorize sempre a segurança e o planejamento individualizado

 

Conclusão 

A síndrome de Poland, apesar de rara, pode gerar impactos profundos na vida dos pacientes. Com os avanços da cirurgia plástica reconstrutiva especialmente com o uso de implantes personalizados, enxertos de gordura e técnicas modernas de transferência muscular é possível devolver simetria, função e qualidade de vida. 

Mais do que corrigir uma alteração anatômica, a cirurgia plástica nesses casos atua como uma ferramenta de reconstrução da identidade e da confiança, reforçando que cada corpo é único e merece um cuidado igualmente individualizado.

  

Dr. Hugo Sabath - Cirurgião Plástico – CRM 131.199/SP

 

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