A síndrome de Poland é uma anomalia congênita rara, caracterizada principalmente pela ausência total ou parcial do músculo peitoral maior, geralmente de forma unilateral. A condição pode envolver ainda alterações na mama, nas costelas e nas mãos, como a sindactilia (dedos unidos). Apesar de ser considerada benigna do ponto de vista clínico, o impacto estético e psicológico pode ser significativo, levando muitos pacientes a buscarem a cirurgia plástica como parte do tratamento.
Segundo o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Libria, trata-se de uma condição pouco conhecida pelo público, mas que exige abordagem especializada.
“A síndrome de Poland não afeta apenas a
aparência do tórax. Ela interfere diretamente na percepção corporal, na
autoestima e, em alguns casos, na função. O papel da cirurgia plástica é
reconstruir, equilibrar e devolver naturalidade, respeitando a anatomia e a
individualidade de cada paciente”, explica o médico.
Principais características da
síndrome de Poland
A manifestação da síndrome pode variar de leve a mais complexa, dependendo do grau de comprometimento anatômico. Entre as principais características estão:
- Ausência ou hipoplasia do músculo peitoral maior,
especialmente da porção esternocostal
- Possível envolvimento do peitoral menor
- Hipoplasia mamária ou ausência da mama,
principalmente em mulheres
- Alterações na parede torácica, como ausência de
costelas ou deformidades da caixa torácica
- Anomalias nas mãos, como sindactilia ou
braquidactilia
- Predominância unilateral, mais comum no lado
direito do corpo
- Maior incidência no sexo masculino
> “Em muitos homens, a queixa surge na
adolescência, quando o desenvolvimento muscular se torna mais evidente e a
assimetria passa a incomodar. Nas mulheres, o diagnóstico costuma ficar mais
claro na puberdade, com o desenvolvimento desigual das mamas”, pontua Dr. Hugo
Sabath.
Causas e diagnóstico
A etiologia mais aceita da síndrome de Poland está relacionada a uma interrupção do suprimento sanguíneo, especialmente da artéria subclávia, por volta da sexta semana de gestação. Essa alteração compromete o desenvolvimento da parede torácica e do broto do membro superior.
O diagnóstico é predominantemente clínico, realizado por meio de exame físico detalhado. Em casos mais complexos, exames de imagem como tomografia computadorizada, radiografia ou ressonância magnética auxiliam no planejamento cirúrgico.
> “O diagnóstico precoce é importante não apenas para acompanhamento, mas para definir o melhor momento da reconstrução. Cada caso exige uma estratégia personalizada”, destaca o cirurgião.
Tratamento: reconstrução estético-funcional personalizada
O tratamento da síndrome de Poland é
individualizado e, muitas vezes, multidisciplinar, envolvendo cirurgia
plástica, cirurgia da mão e, em alguns casos, acompanhamento psicológico.
Reconstrução torácica em homens
Nos homens, as opções mais utilizadas incluem:
- Transferência do músculo grande dorsal (das
costas) para simular o peitoral
- Próteses de silicone personalizadas
- Implantes 3D sob medida, desenvolvidos a partir da anatomia do paciente
> “A tecnologia 3D revolucionou a reconstrução
torácica. Hoje conseguimos criar próteses altamente personalizadas, que se adaptam
perfeitamente à deformidade, proporcionando um resultado muito mais natural”,
explica Dr. Hugo Sabath.
Reconstrução mamária em mulheres
Nas mulheres, o tratamento pode envolver:
- Uso de expansores e próteses mamárias
- Enxerto de gordura (lipofilling) para correção de
assimetrias
- Reconstrução da aréola e do mamilo, quando necessário
> “O objetivo não é apenas criar volume, mas
devolver proporção, simetria e harmonia corporal. Em muitos casos, associamos
técnicas para alcançar um resultado mais refinado”, afirma o médico.
Correção das mãos
Quando há sindactilia ou outras alterações nos
dedos, cirurgias específicas podem ser realizadas para:
- Separar os dedos
- Melhorar a função e a mobilidade
- Reduzir limitações no dia a dia
Quando a cirurgia é indicada?
Embora a síndrome de Poland seja uma condição benigna, a correção cirúrgica é frequentemente indicada para:
- Melhorar a autoimagem e autoestima
- Corrigir assimetrias importantes
- Restaurar proporção corporal
- Em casos raros, oferecer proteção torácica, como em situações de hérnia pulmonar
> “A cirurgia não é obrigatória, mas quando há
impacto emocional ou funcional, ela pode ser transformadora. O mais importante
é que o paciente esteja bem informado e acompanhado por um especialista
experiente”, orienta Dr. Hugo Sabath.
Dicas importantes para pacientes e familiares
- Procure um cirurgião plástico com experiência em
reconstrução
- Entenda que o tratamento pode ocorrer em etapas
- Tenha expectativas realistas sobre os resultados
- Valorize o acompanhamento psicológico quando
necessário
- Priorize sempre a segurança e o planejamento
individualizado
Conclusão
A síndrome de Poland, apesar de rara, pode gerar impactos profundos na vida dos pacientes. Com os avanços da cirurgia plástica reconstrutiva especialmente com o uso de implantes personalizados, enxertos de gordura e técnicas modernas de transferência muscular é possível devolver simetria, função e qualidade de vida.
Mais do que corrigir uma alteração anatômica, a
cirurgia plástica nesses casos atua como uma ferramenta de reconstrução da
identidade e da confiança, reforçando que cada corpo é único e merece um
cuidado igualmente individualizado.
Dr. Hugo Sabath - Cirurgião Plástico – CRM 131.199/SP



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