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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Inflação médico-hospitalar, reajustes insuficientes e dívidas expõem fragilidade da saúde suplementar

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SindhRio alerta que crises de operadoras evidenciam desequilíbrio do modelo e pressionam hospitais, com impacto direto na oferta de leitos e no atendimento aos pacientes

 

O avanço da inflação médico-hospitalar, aliado a reajustes insuficientes dos planos de saúde, tem colocado a rede hospitalar privada sob forte pressão financeira e exposto fragilidades estruturais do modelo da saúde suplementar no Brasil. Embora crises pontuais de operadoras ganhem destaque, é dentro dos hospitais que a conta do sistema acaba estourando, comprometendo a capacidade de investimento, manutenção de serviços e ampliação de leitos. 

Casos recentes, como o da Unimed Ferj, que enfrenta um elevado volume de dívidas e negociações complexas com prestadores, evidenciam um problema que vai além de uma única operadora. Para o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde do Município do Rio de Janeiro (SindhRio), essas situações funcionam como um alerta sobre o desequilíbrio entre custos assistenciais crescentes e a remuneração praticada no setor. “A crise aparece na operadora, mas o impacto mais profundo recai sobre os hospitais. Somos nós que mantemos o atendimento funcionando, mesmo diante de atrasos, contratos defasados e custos que crescem muito acima dos reajustes autorizados”, afirma Guilherme Jaccoud, presidente do SindhRio. 

De acordo com o sindicato, despesas com insumos médicos, medicamentos, energia, tecnologia, compliance regulatório e folha de pagamento têm aumentado de forma contínua, enquanto os reajustes dos planos não acompanham essa realidade. Esse descompasso compromete a sustentabilidade financeira das unidades e já começa a gerar efeitos concretos na assistência. “Quando o hospital opera no limite financeiro, a consequência direta é a redução de capacidade. Menos leitos disponíveis, adiamento de investimentos e dificuldade de manter serviços de alta complexidade impactam diretamente o atendimento ao paciente”, alerta Jaccoud. 

O SindhRio também defende que o debate avance no campo da regulação. Para a entidade, é fundamental que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) considere toda a cadeia da saúde suplementar ao formular regras e políticas para o setor. “Não existe plano de saúde sem hospital funcionando. Qualquer modelo regulatório que ignore a sustentabilidade da rede prestadora coloca o sistema inteiro em risco”, destaca o presidente do sindicato. 

Jaccoud reforça a necessidade de um diálogo estruturado entre regulador, operadoras e prestadores para discutir contratos mais equilibrados, critérios de reajuste compatíveis com a inflação médico-hospitalar e mecanismos que garantam previsibilidade financeira aos hospitais. “Sem esse ajuste, crises como a que estamos vendo tendem a se repetir, com prejuízo direto para os pacientes e para a própria saúde suplementar”, conclui o presidente da SindhRio.

 

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