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| Com o uso frequente, esse impacto pode favorecer o surgimento de doenças bucais silenciosas, que só dão sinais quando já estão em estágio mais avançado. |
Popularizado entre jovens e adultos como alternativa ao cigarro tradicional, o cigarro eletrônico pode provocar uma série de danos à boca, segundo especialistas. De cáries à inflamação gengival, os efeitos muitas vezes passam despercebidos no início
Vendidos com aromas adocicados e aparência tecnológica, os vapes costumam ser
associados à ideia de menor risco à saúde. No entanto, cirurgiões-dentistas
alertam que os aerossóis inalados, que contêm nicotina e outras substâncias
químicas, entram em contato direto com dentes, gengiva e mucosa oral, alterando
o equilíbrio natural da boca. Com o uso frequente, esse impacto pode favorecer
o surgimento de doenças bucais silenciosas, que só dão sinais quando já estão
em estágio mais avançado.
Segundo
especialistas ouvidos, a percepção de que o vape não faz mal aos dentes é um
mito. Alterações na saliva, na microbiota oral e nos tecidos da boca estão
entre os principais efeitos observados em consultório, especialmente em
pacientes jovens que não apresentam outros fatores de risco aparentes.
Boca seca e perda da proteção natural
Um dos efeitos mais comuns associados ao uso do cigarro eletrônico é a
diminuição da saliva. A chamada xerostomia compromete a principal defesa
natural da boca contra bactérias e ácidos. “A saliva tem um papel essencial na
proteção dos dentes e da gengiva. Quando o paciente usa vape com frequência, é
comum observarmos boca seca, o que abre espaço para inflamações e outros
problemas bucais”, explica Gustavo Delmondes, cirurgião-dentista da Benve
Odontologia.
Aumento do risco de cáries
Com menos saliva e um ambiente bucal desequilibrado, as bactérias responsáveis
pela cárie encontram condições ideais para se proliferar. Mesmo pacientes com
boa escovação podem apresentar lesões cariosas em curto espaço de tempo.
“Muitos usuários de vape se surpreendem ao descobrir cáries recorrentes. Existe
a falsa sensação de segurança por não haver fumaça, mas o impacto químico
continua existindo”, afirma Cristiane Delmondes, cirurgiã-dentista.
Inflamação da gengiva e doença periodontal
Outro efeito frequente é a inflamação gengival, que pode evoluir para quadros
mais graves, como a doença periodontal. Sangramento, sensibilidade e retração
da gengiva são sinais de alerta. “O problema é que, muitas vezes, o paciente
não sente dor no início. Quando percebe, a inflamação já está instalada e pode
comprometer o suporte dos dentes”, destaca Gustavo Delmondes.
Lesões na mucosa oral
O contato repetido com substâncias presentes no vapor do cigarro eletrônico também pode provocar alterações na mucosa da boca, como irritações, feridas persistentes e sensação de ardência. “Feridas que não cicatrizam ou mudanças na coloração da mucosa nunca devem ser ignoradas. A boca é extremamente sensível e reage rapidamente a agentes químicos”, alerta Cristiane.
Dificuldade de cicatrização após procedimentos
Pacientes que usam vape e passam por extrações, cirurgias gengivais ou implantes podem enfrentar um processo de cicatrização mais lento e com maior risco de complicações. “Na odontologia, a cicatrização adequada é fundamental para o sucesso de qualquer tratamento. O uso de vape pode interferir diretamente nesse processo e comprometer os resultados”, conclui Gustavo Delmondes.

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