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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Vape pode causar danos à saúde bucal, alertam especialistas

 

Com o uso frequente, esse impacto pode favorecer o surgimento de doenças bucais
 silenciosas, que só dão sinais quando já estão em estágio mais avançado.

Popularizado entre jovens e adultos como alternativa ao cigarro tradicional, o cigarro eletrônico pode provocar uma série de danos à boca, segundo especialistas. De cáries à inflamação gengival, os efeitos muitas vezes passam despercebidos no início 


Vendidos com aromas adocicados e aparência tecnológica, os vapes costumam ser associados à ideia de menor risco à saúde. No entanto, cirurgiões-dentistas alertam que os aerossóis inalados, que contêm nicotina e outras substâncias químicas, entram em contato direto com dentes, gengiva e mucosa oral, alterando o equilíbrio natural da boca. Com o uso frequente, esse impacto pode favorecer o surgimento de doenças bucais silenciosas, que só dão sinais quando já estão em estágio mais avançado. 

Segundo especialistas ouvidos, a percepção de que o vape não faz mal aos dentes é um mito. Alterações na saliva, na microbiota oral e nos tecidos da boca estão entre os principais efeitos observados em consultório, especialmente em pacientes jovens que não apresentam outros fatores de risco aparentes.
 

Boca seca e perda da proteção natural

Um dos efeitos mais comuns associados ao uso do cigarro eletrônico é a diminuição da saliva. A chamada xerostomia compromete a principal defesa natural da boca contra bactérias e ácidos. “A saliva tem um papel essencial na proteção dos dentes e da gengiva. Quando o paciente usa vape com frequência, é comum observarmos boca seca, o que abre espaço para inflamações e outros problemas bucais”, explica Gustavo Delmondes, cirurgião-dentista da Benve Odontologia.
 

Aumento do risco de cáries

Com menos saliva e um ambiente bucal desequilibrado, as bactérias responsáveis pela cárie encontram condições ideais para se proliferar. Mesmo pacientes com boa escovação podem apresentar lesões cariosas em curto espaço de tempo. “Muitos usuários de vape se surpreendem ao descobrir cáries recorrentes. Existe a falsa sensação de segurança por não haver fumaça, mas o impacto químico continua existindo”, afirma Cristiane Delmondes, cirurgiã-dentista.
 

Inflamação da gengiva e doença periodontal

Outro efeito frequente é a inflamação gengival, que pode evoluir para quadros mais graves, como a doença periodontal. Sangramento, sensibilidade e retração da gengiva são sinais de alerta. “O problema é que, muitas vezes, o paciente não sente dor no início. Quando percebe, a inflamação já está instalada e pode comprometer o suporte dos dentes”, destaca Gustavo Delmondes.
 

Lesões na mucosa oral

O contato repetido com substâncias presentes no vapor do cigarro eletrônico também pode provocar alterações na mucosa da boca, como irritações, feridas persistentes e sensação de ardência. “Feridas que não cicatrizam ou mudanças na coloração da mucosa nunca devem ser ignoradas. A boca é extremamente sensível e reage rapidamente a agentes químicos”, alerta Cristiane. 


Dificuldade de cicatrização após procedimentos 

Pacientes que usam vape e passam por extrações, cirurgias gengivais ou implantes podem enfrentar um processo de cicatrização mais lento e com maior risco de complicações. “Na odontologia, a cicatrização adequada é fundamental para o sucesso de qualquer tratamento. O uso de vape pode interferir diretamente nesse processo e comprometer os resultados”, conclui Gustavo Delmondes.


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