Explosão no uso de medicamentos injetáveis para obesidade reacende alerta da Anvisa e de médicos sobre produtos falsos, mercado paralelo e riscos graves à saúde
A busca por emagrecimento rápido abriu espaço para um mercado paralelo perigoso: o de canetas de emagrecimento falsificadas. Vendidas pela internet, redes sociais e até aplicativos de mensagens, essas versões ilegais preocupam médicos, que alertam para riscos que vão de efeitos colaterais graves até internações.
Nos últimos meses, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alertas e determinou a apreensão de lotes falsos de medicamentos como Mounjaro, além de denunciar fraudes envolvendo reaproveitamento de canetas, rótulos adulterados e anúncios enganosos nas redes sociais. Casos semelhantes vêm sendo registrados por autoridades sanitárias dos Estados Unidos, Europa e Austrália.
O cenário preocupa médicos e especialistas em obesidade, não
apenas pelo risco de ineficácia do tratamento, mas pelas possíveis
consequências graves à saúde de quem utiliza produtos fora da cadeia oficial.
Quando o medicamento
não é o que parece
Segundo a Anvisa, algumas das fraudes identificadas envolvem desde canetas totalmente falsificadas até práticas mais sofisticadas, como a reutilização de dispositivos de insulina com rótulos de medicamentos para emagrecimento, simulando produtos originais.
“O problema é que, visualmente, o paciente muitas vezes não consegue identificar a diferença. A embalagem pode parecer legítima, mas o conteúdo não é confiável”, explica o médico nutrólogo Dr. Ronan Araujo, referência nacional no tratamento da obesidade.
O risco não está apenas em “não emagrecer”. Um produto
falsificado pode conter:
- Dose
incorreta do princípio ativo
- Substância
diferente da declarada
- Contaminação
microbiológica
- Ausência
total do medicamento
- Compostos tóxicos ou instáveis
“Estamos falando de medicamentos que atuam diretamente no metabolismo, na glicemia e no sistema gastrointestinal. Um erro de dose ou uma substância desconhecida pode causar hipoglicemia, náuseas intensas, vômitos, desidratação, infecções e até eventos cardiovasculares”, alerta o médico.
Por que esse mercado
cresceu tanto?
Especialistas apontam uma combinação perigosa:
- Alta
demanda por emagrecimento rápido
- Preços
elevados nas marcas originais
- Escassez
pontual de alguns medicamentos
- Facilidade de compra por links, WhatsApp e redes sociais
“Quando o paciente tenta pular etapas, comprando fora da
farmácia, sem receita ou sem acompanhamento, ele se coloca em risco. O
tratamento não é o problema. O problema é o atalho”, reforça Dr. Ronan.
Canetas funcionam?
Sim. Mas não dessa forma
O crescimento das falsificações acabou alimentando um discurso perigoso de demonização das canetas emagrecedoras. Medicamentos como os análogos de GLP-1 revolucionaram o tratamento da obesidade. Quando bem indicados, com avaliação clínica, exames e acompanhamento médico, são seguros, eficazes e mudam a história de muitos pacientes.
O alerta, não é contra o tratamento, mas contra:
- Automedicação
- Uso
estético indiscriminado
- Compra
fora de canais oficiais
- Falta de acompanhamento médico
Não existe caneta milagrosa. Existe medicina bem feita. E
tudo fora disso vira risco.
Como o paciente pode
se proteger
Alguns cuidados básicos reduzem drasticamente o risco:
- Comprar
medicamentos apenas em farmácias e drogarias regularizadas
- Exigir
receita médica
- Desconfiar
de preços muito abaixo do mercado
- Evitar
anúncios em redes sociais, marketplaces e grupos de WhatsApp
- Nunca usar medicamentos “importados por terceiros” ou “manipulados” sem respaldo legal
A própria Anvisa reforça que não vende medicamentos e que
qualquer oferta direta ao consumidor fora do canal farmacêutico é irregular.
O avanço das canetas falsificadas não coloca em xeque o tratamento da obesidade, mas expõe um problema maior: a banalização de medicamentos que exigem critério médico, prescrição e acompanhamento. Quando usados de forma correta, esses recursos representam um avanço importante na saúde metabólica; fora do ambiente médico, tornam-se um risco real. O alerta do especialista é claro: “não existe tratamento seguro comprado por atalhos. Em saúde, o que protege o paciente não é a promessa de resultado rápido, mas a combinação entre ciência, individualização e responsabilidade médica”, conclui Dr. Ronan Araujo.


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