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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Explode a venda ilegal de canetas emagrecedoras e médicos alertam para riscos

Explosão no uso de medicamentos injetáveis para obesidade reacende alerta da Anvisa e de médicos sobre produtos falsos, mercado paralelo e riscos graves à saúde

 

A busca por emagrecimento rápido abriu espaço para um mercado paralelo perigoso: o de canetas de emagrecimento falsificadas. Vendidas pela internet, redes sociais e até aplicativos de mensagens, essas versões ilegais preocupam médicos, que alertam para riscos que vão de efeitos colaterais graves até internações. 

Nos últimos meses, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alertas e determinou a apreensão de lotes falsos de medicamentos como Mounjaro, além de denunciar fraudes envolvendo reaproveitamento de canetas, rótulos adulterados e anúncios enganosos nas redes sociais. Casos semelhantes vêm sendo registrados por autoridades sanitárias dos Estados Unidos, Europa e Austrália. 

O cenário preocupa médicos e especialistas em obesidade, não apenas pelo risco de ineficácia do tratamento, mas pelas possíveis consequências graves à saúde de quem utiliza produtos fora da cadeia oficial.

 

Quando o medicamento não é o que parece

Segundo a Anvisa, algumas das fraudes identificadas envolvem desde canetas totalmente falsificadas até práticas mais sofisticadas, como a reutilização de dispositivos de insulina com rótulos de medicamentos para emagrecimento, simulando produtos originais. 

“O problema é que, visualmente, o paciente muitas vezes não consegue identificar a diferença. A embalagem pode parecer legítima, mas o conteúdo não é confiável”, explica o médico nutrólogo Dr. Ronan Araujo, referência nacional no tratamento da obesidade. 

O risco não está apenas em “não emagrecer”. Um produto falsificado pode conter:

  • Dose incorreta do princípio ativo
  • Substância diferente da declarada
  • Contaminação microbiológica
  • Ausência total do medicamento
  • Compostos tóxicos ou instáveis  

“Estamos falando de medicamentos que atuam diretamente no metabolismo, na glicemia e no sistema gastrointestinal. Um erro de dose ou uma substância desconhecida pode causar hipoglicemia, náuseas intensas, vômitos, desidratação, infecções e até eventos cardiovasculares”, alerta o médico. 

 

Por que esse mercado cresceu tanto?

Especialistas apontam uma combinação perigosa:

  • Alta demanda por emagrecimento rápido
  • Preços elevados nas marcas originais
  • Escassez pontual de alguns medicamentos
  • Facilidade de compra por links, WhatsApp e redes sociais 

“Quando o paciente tenta pular etapas, comprando fora da farmácia, sem receita ou sem acompanhamento, ele se coloca em risco. O tratamento não é o problema. O problema é o atalho”, reforça Dr. Ronan.

 

Canetas funcionam? Sim. Mas não dessa forma

O crescimento das falsificações acabou alimentando um discurso perigoso de demonização das canetas emagrecedoras. Medicamentos como os análogos de GLP-1 revolucionaram o tratamento da obesidade. Quando bem indicados, com avaliação clínica, exames e acompanhamento médico, são seguros, eficazes e mudam a história de muitos pacientes. 

O alerta, não é contra o tratamento, mas contra:

  • Automedicação
  • Uso estético indiscriminado
  • Compra fora de canais oficiais
  • Falta de acompanhamento médico 

Não existe caneta milagrosa. Existe medicina bem feita. E tudo fora disso vira risco.

 

Como o paciente pode se proteger

Alguns cuidados básicos reduzem drasticamente o risco:

  • Comprar medicamentos apenas em farmácias e drogarias regularizadas
  • Exigir receita médica
  • Desconfiar de preços muito abaixo do mercado
  • Evitar anúncios em redes sociais, marketplaces e grupos de WhatsApp
  • Nunca usar medicamentos “importados por terceiros” ou “manipulados” sem respaldo legal 

A própria Anvisa reforça que não vende medicamentos e que qualquer oferta direta ao consumidor fora do canal farmacêutico é irregular.

O avanço das canetas falsificadas não coloca em xeque o tratamento da obesidade, mas expõe um problema maior: a banalização de medicamentos que exigem critério médico, prescrição e acompanhamento. Quando usados de forma correta, esses recursos representam um avanço importante na saúde metabólica; fora do ambiente médico, tornam-se um risco real. O alerta do especialista é claro: “não existe tratamento seguro comprado por atalhos. Em saúde, o que protege o paciente não é a promessa de resultado rápido, mas a combinação entre ciência, individualização e responsabilidade médica”, conclui Dr. Ronan Araujo. 


Dr. Ronan Araujo - CRM – 197142 - Formado em medicina pela Universidade Cidade de São Paulo, médico especializado em nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia). Com foco em causar impacto e mudar a vida das pessoas através de sua profissão, ele também se tornou membro da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), que o leva a ser atualmente um dos médicos que mais conhece e entrega resultados quando falamos sobre emagrecimento e reposição hormonal.

 

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