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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Saiba mais sobre o vírus Nipah e o alerta global emitido por autoridades de saúde

Infectologista do Hospital Sírio-Libanês destaca os principais sintomas e formas de prevenção

 

O recente registro de casos do vírus Nipah na Índia, na região de Bengala Ocidental, levou autoridades de saúde a reforçarem o monitoramento da situação, em razão do histórico de alta letalidade associado ao patógeno, que pode chegar a até 70% em surtos anteriores. Identificado pela primeira vez em 1999, o vírus Nipah é uma zoonose, com transmissão originalmente associada a morcegos frugívoros e, em alguns contextos, a porcos. 

Segundo a infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Jessica Ramos, a gravidade da infecção pelo Nipah manifesta-se de forma rápida e agressiva. “Após um período de incubação que varia de 4 a 14 dias, os sintomas iniciais, como febre alta, dor de cabeça e mal-estar, podem evoluir para quadros graves de pneumonia e encefalite”, explica. 

Jessica também explica que o vírus provoca a inflamação dos vasos sanguíneos, afetando severamente pulmões e cérebro, o que pode levar a crises convulsivas, confusão mental e coma. “Além da alta mortalidade, muitos sobreviventes carregam sequelas neurológicas prolongadas, tornando a vigilância diagnóstica fundamental”, complementa. 

Embora a transmissão entre humanos seja possível em situações de contato próximo, inclusive em ambientes hospitalares, a infectologista ressalta que o vírus Nipah não apresenta, até o momento, transmissão sustentada na comunidade nem disseminação aérea eficiente a longas distâncias. Esse cenário contribui para um risco reduzido de disseminação ampla. “No Brasil e nas Américas, não há registros de transmissão ativa, e o risco de importação direta é considerado baixo pelas autoridades de saúde, desde que o vírus permaneça restrito a contatos próximos”, afirma Jessica. 

Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos antivirais específicos para o Nipah, o que reforça a necessidade de estratégias baseadas na prevenção, integrando saúde humana, animal e ambiental. “O controle deve focar na redução do contato com animais em reservatórios e na higiene rigorosa de alimentos que possam estar contaminados por secreções de morcegos”, alerta a especialista.

 

Hospital Sírio-Libanês
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