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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Especialista explica por que o sistema digestivo sofre tanto após a folia e alerta para cuidados com álcool, comida de rua e uso de medicamentos

 

Depois de horas de bloco, festas e poucas horas de sono, muita gente acorda no dia seguinte achando que a ressaca se resume à dor de cabeça. Mas o sistema digestivo também paga a conta — e às vezes com juros: enjoo, diarreia, dor abdominal, estufamento e queimação estão entre as queixas mais comuns no pós-Carnaval.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa, o mal-estar gastrointestinal é parte frequente da ressaca, mas também pode ser sinal de irritação importante do estômago e do intestino, ou até de infecção alimentar.

“Não é só o cérebro que sofre com o excesso de álcool. O estômago produz mais ácido, o intestino pode acelerar demais e a mucosa digestiva fica irritada. Por isso, dor de barriga e diarreia são tão comuns depois da folia”, explica.

Entre receitas caseiras, conselhos de amigos e remédios “milagrosos” divulgados nas redes sociais, o especialista ajuda a separar mitos e verdades sobre como evitar — ou pelo menos reduzir — o mal-estar digestivo.
 

Beber água entre as doses evita a ressaca?

VERDADE (parcial)
Beber água ao longo da festa ajuda a reduzir a desidratação, que é um dos fatores da dor de cabeça, tontura e fraqueza.

“Intercalar bebida alcoólica com água é uma das atitudes mais eficazes para diminuir o impacto geral da ressaca. Mas isso não impede a irritação do estômago nem os efeitos tóxicos do álcool no organismo”, alerta o médico.


Comer antes de beber protege o estômago?

VERDADE (com ressalvas)
Alimentar-se antes de consumir álcool ajuda a retardar a absorção da bebida, reduzindo a agressão imediata ao estômago.

“O problema é que muita gente exagera na fritura achando que está ‘forrando o estômago’. Comida muito gordurosa pode piorar náusea, refluxo e sensação de estufamento depois”, explica.
 


Diarreia no dia seguinte é normal?

VERDADE (até certo ponto)
O álcool irrita o intestino e pode acelerar o trânsito intestinal, levando a fezes mais amolecidas ou diarreia leve.

“Mas se a diarreia for intensa, vier com sangue, febre ou durar mais de dois dias, é sinal de alerta. Pode ser infecção e não apenas efeito da bebida”, diz.
 


Tomar remédio antes de beber evita a ressaca?

MITO — e pode ser perigoso

Muita gente recorre a medicamentos antes da festa na tentativa de “blindar” o corpo. O especialista alerta:

  • Antiácidos: podem aliviar azia, mas não evitam os efeitos do álcool no fígado nem a ressaca.
  • Protetores gástricos (como omeprazol): não funcionam como escudo contra bebida e não devem ser usados sem indicação médica.
  • Analgésicos antes de beber: podem sobrecarregar o fígado quando combinados com álcool.
  • Anti-inflamatórios: aumentam o risco de gastrite, úlcera e até sangramento no estômago.

“Não existe comprimido que anule os efeitos do álcool. Misturar bebida com certos remédios, principalmente analgésicos e anti-inflamatórios, pode ser mais perigoso do que a própria ressaca”, reforça.
 


Comer algo pesado no fim da festa “cura” a ressaca?

MITO
Aquela parada no fast food de madrugada pode até dar sensação momentânea de conforto, mas não resolve o problema.

“Comida gordurosa demora mais para ser digerida. Se a pessoa já está com o estômago irritado pelo álcool, isso pode piorar a náusea, o refluxo e a dor abdominal”, explica.
 


Dormir pouco piora o mal-estar digestivo?

VERDADE
Noites mal dormidas alteram hormônios e aumentam processos inflamatórios no corpo, inclusive no sistema digestivo.

“Privação de sono associada ao álcool é uma combinação que favorece azia, má digestão e desconforto abdominal”, diz o médico.
 


Quando a “ressaca” deixa de ser normal?

O especialista orienta procurar avaliação médica se houver:

  • Dor abdominal forte e localizada
  • Vômitos persistentes ou com sangue
  • Diarreia intensa ou com sangue
  • Febre
  • Sinais de desidratação (boca muito seca, tontura ao levantar, pouca urina)

“No Carnaval, o problema raramente é um único fator. É o combo de álcool, pouca água, comida pesada, calor e sono irregular que sobrecarrega o sistema digestivo. Pequenos cuidados já fazem grande diferença”, conclui o cirurgião do aparelho digestivo.
 


Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco


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