O especialista Dr. Lucas Nacif explica o passo a passo do pós-operatório, os exames necessários e como monitorar o risco de recidiva
No Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, a atenção costuma se concentrar no diagnóstico e no tratamento inicial. Mas, para pacientes que passam por uma cirurgia de retirada parcial do fígado, o verdadeiro desafio começa depois do centro cirúrgico: o acompanhamento oncológico de longo prazo.
De acordo com o cirurgião gastrointestinal Dr. Lucas Nacif, especialista em transplante hepático, a retirada de um tumor não encerra o tratamento. A cirurgia é um marco importante, mas o câncer de fígado exige vigilância contínua, especialmente nos primeiros anos após o procedimento, já que, do ponto de vista oncológico, a cura costuma ser considerada após cinco anos sem recidiva da doença.
“Em alguns casos, a operação pode ser realizada por
laparoscopia ou robóticas, técnicas minimamente invasivas que permitem remover
o tumor através de pequenas incisões. O método reduz o tempo de internação e
acelera a recuperação, mas não altera a necessidade de acompanhamento rigoroso
com exames e monitoramento”, alerta.
Um órgão que se regenera, mas exige controle
O fígado é um dos poucos órgãos capazes de se regenerar, ou seja, de aumentar de volume e reassumir funções após a retirada de parte do tecido. Em casos de hepatectomia parcial, cirurgia em que apenas uma parte do órgão é removida, essa regeneração costuma ocorrer de forma progressiva.
Ainda assim, existe o risco de recidiva, termo usado para definir o reaparecimento do câncer após o tratamento inicial, sobretudo em pacientes com doenças hepáticas associadas, como cirrose, hepatite crônica ou esteatose avançada.
Por esse motivo, o pós-operatório vai além da
recuperação física. “Ele envolve um protocolo de acompanhamento que combina
exames laboratoriais e exames de imagem para monitorar tanto a função do fígado
quanto possíveis sinais de retorno do tumor”, afirma o Dr. Nacif.
Exames e frequência de acompanhamento
Nos primeiros dois anos após a cirurgia, o paciente costuma retornar ao hospital em intervalos mais curtos, geralmente a cada três ou quatro meses. Nesse período, são solicitados exames de sangue para avaliar o funcionamento do fígado e exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, capazes de identificar alterações estruturais no órgão.
Segundo o especialista, em situações específicas,
pode ser indicado o PET-CT (PET scan), um exame que avalia a atividade metabólica
das células e ajuda a identificar áreas suspeitas que não aparecem com clareza
nos exames tradicionais. “Com o passar do tempo e a ausência de sinais de
recidiva, o intervalo entre as consultas tende a aumentar, passando para
avaliações semestrais e, posteriormente, anuais.”
O peso dos cinco anos na oncologia
Na prática oncológica, completar cinco anos sem sinais de recidiva, ou seja, sem evidência de que o câncer voltou, é considerado um marco importante. “Esse período costuma estar associado a um risco menor de retorno da doença e permite uma redução gradual na intensidade do acompanhamento médico. Isso não significa alta definitiva, mas indica um cenário mais favorável do ponto de vista oncológico”, aponta o Dr. Nacif.
A retomada da rotina acontece de forma gradual e varia de acordo com a extensão da cirurgia e as condições clínicas do paciente. Atividades leves costumam ser liberadas nas primeiras semanas, enquanto exercícios mais intensos exigem liberação médica individualizada.
“O objetivo final do tratamento não é apenas retirar o tumor, mas garantir que o paciente consiga retomar a vida com qualidade e segurança”, conclui o Dr. Lucas Nacif.

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