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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

DEPOIS DA CIRURGIA DE CÂNCER NO FÍGADO: O QUE ESPERAR



 O especialista Dr. Lucas Nacif explica o passo a passo do pós-operatório, os exames necessários e como monitorar o risco de recidiva

 

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, a atenção costuma se concentrar no diagnóstico e no tratamento inicial. Mas, para pacientes que passam por uma cirurgia de retirada parcial do fígado, o verdadeiro desafio começa depois do centro cirúrgico: o acompanhamento oncológico de longo prazo.

De acordo com o cirurgião gastrointestinal Dr. Lucas Nacif, especialista em transplante hepático, a retirada de um tumor não encerra o tratamento. A cirurgia é um marco importante, mas o câncer de fígado exige vigilância contínua, especialmente nos primeiros anos após o procedimento, já que, do ponto de vista oncológico, a cura costuma ser considerada após cinco anos sem recidiva da doença.

“Em alguns casos, a operação pode ser realizada por laparoscopia ou robóticas, técnicas minimamente invasivas que permitem remover o tumor através de pequenas incisões. O método reduz o tempo de internação e acelera a recuperação, mas não altera a necessidade de acompanhamento rigoroso com exames e monitoramento”, alerta.


Um órgão que se regenera, mas exige controle

O fígado é um dos poucos órgãos capazes de se regenerar, ou seja, de aumentar de volume e reassumir funções após a retirada de parte do tecido. Em casos de hepatectomia parcial, cirurgia em que apenas uma parte do órgão é removida, essa regeneração costuma ocorrer de forma progressiva.

Ainda assim, existe o risco de recidiva, termo usado para definir o reaparecimento do câncer após o tratamento inicial, sobretudo em pacientes com doenças hepáticas associadas, como cirrose, hepatite crônica ou esteatose avançada.

Por esse motivo, o pós-operatório vai além da recuperação física. “Ele envolve um protocolo de acompanhamento que combina exames laboratoriais e exames de imagem para monitorar tanto a função do fígado quanto possíveis sinais de retorno do tumor”, afirma o Dr. Nacif.


Exames e frequência de acompanhamento

Nos primeiros dois anos após a cirurgia, o paciente costuma retornar ao hospital em intervalos mais curtos, geralmente a cada três ou quatro meses. Nesse período, são solicitados exames de sangue para avaliar o funcionamento do fígado e exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, capazes de identificar alterações estruturais no órgão.

Segundo o especialista, em situações específicas, pode ser indicado o PET-CT (PET scan), um exame que avalia a atividade metabólica das células e ajuda a identificar áreas suspeitas que não aparecem com clareza nos exames tradicionais. “Com o passar do tempo e a ausência de sinais de recidiva, o intervalo entre as consultas tende a aumentar, passando para avaliações semestrais e, posteriormente, anuais.”


O peso dos cinco anos na oncologia

Na prática oncológica, completar cinco anos sem sinais de recidiva, ou seja, sem evidência de que o câncer voltou, é considerado um marco importante. “Esse período costuma estar associado a um risco menor de retorno da doença e permite uma redução gradual na intensidade do acompanhamento médico. Isso não significa alta definitiva, mas indica um cenário mais favorável do ponto de vista oncológico”, aponta o Dr. Nacif.

A retomada da rotina acontece de forma gradual e varia de acordo com a extensão da cirurgia e as condições clínicas do paciente. Atividades leves costumam ser liberadas nas primeiras semanas, enquanto exercícios mais intensos exigem liberação médica individualizada.

“O objetivo final do tratamento não é apenas retirar o tumor, mas garantir que o paciente consiga retomar a vida com qualidade e segurança”, conclui o Dr. Lucas Nacif. 

 

Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/


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