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| Crédito: Cacá Santoro Dra. Maria Cristina Santoro Biazotti, ginecologista e especialista em medicina reprodutiva |
A prática regular de atividade
física é amplamente reconhecida como aliada da saúde. No entanto, quando o treino
se torna excessivo e vem acompanhado do uso indiscriminado de suplementos para
melhora de performance, o efeito pode ser o oposto, especialmente para mulheres
que desejam engravidar.
A ginecologista e especialista em medicina reprodutiva Dra. Maria Cristina Santoro Biazotti, da Clínica Biazotti, tem observado esse padrão com frequência crescente em seu consultório. “Tenho atendido mulheres jovens, aparentemente saudáveis, com rotina intensa de exercícios e consumo regular de suplementos, que apresentam alterações clínicas importantes e dificuldade para engravidar”, enfatiza.
Impacto nos hormônios
Segundo a médica, trata-se de
uma observação clínica, mas que encontra respaldo em estudos já publicados
sobre o impacto do estresse físico excessivo no eixo hormonal feminino.
Pesquisas apontam que treinos de alta intensidade e baixo percentual de gordura
corporal podem interferir na liberação de hormônios fundamentais para o bom
funcionamento do ciclo menstrual, levando a uma menstruação irregular ou até a
ausência de ovulação.
“O corpo feminino precisa
estar em equilíbrio para que a gravidez aconteça. Quando ele entra em um estado
de alerta constante, provocado por excesso de exercício, restrição alimentar ou
uso inadequado de suplementos, o organismo entende que não é um momento seguro
para reproduzir”, explica Dra. Maria Cristina.
Suplementação sem
orientação médica
Outro ponto de atenção é o uso
de suplementos nutricionais sem orientação médica. Produtos voltados para ganho
de massa, aumento de desempenho ou redução de gordura corporal podem conter
substâncias que alteram o metabolismo. “Nem tudo o que é vendido como ‘natural’
é inofensivo. Algumas pacientes usam vários suplementos ao mesmo tempo, sem
avaliação individual, o que pode impactar diretamente na condição clínica da
paciente”, alerta.
A especialista reforça que a
recomendação não é abandonar o exercício físico, mas adequá-lo aos objetivos de
saúde e de qualidade de vida de cada mulher. “Atividade física é fundamental,
inclusive para a fertilidade. O problema está no excesso, na busca por
performance extrema e na falta de acompanhamento médico”, destaca.
Para mulheres que desejam engravidar e mantêm uma rotina intensa de treinos, a orientação é procurar avaliação especializada. “Muitas vezes, pequenos ajustes na carga de exercícios e na alimentação já são suficientes para restabelecer o ciclo ovulatório e aumentar as chances de gestação”, frisa Dra. Maria Cristina Santoro Biazotti.

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