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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Proteção à criança e ao adolescente fica ainda mais fragilizada durante as Olímpiadas




Fluxo maior de visitantes durante megaeventos é preocupante e amplia turismo sexual, entre outras violações de direitos


Mais do que reunir pessoas de todo o mundo para uma competição esportiva e representar um aumento de gastos do Governo com as obras de infraestrutura para sua realização, megaeventos como as Olimpíadas são permeados por uma série de violações dos Direitos Humanos. A análise é do assistente social e diretor do Conselho Regional de Serviço Social do Estado de São Paulo (CRESS-SP), Júlio Cézar de Andrade.

Mais do que isso, ele ainda ressalta que é exatamente em eventos dessa magnitude que a separação de classes sociais fica ainda mais evidente, tornando aparentes a realidade brasileira, permeada de exclusão, opressão e abuso. O trabalho infantil, por exemplo, aumenta consideravelmente, uma vez que o fluxo maior de turistas brasileiros e estrangeiro intensifica o de jovens que, oriundos de famílias historicamente desamparadas pelo Estado, atuam como guias mirins em pontos turísticos, entregando panfletos em rodoviárias e aeroportos, vendendo alimentos e artigos esportivos ou mesmo pedindo esmolas nas ruas.

Para o assistente social é fundamental integrar políticas públicas. “Apenas um trabalho unificado envolvendo campanhas de sensibilização e métodos de denúncia efetivos pode mudar o panorama atual em que o Brasil é visto como centro de turismo sexual. O combate efetivo a esse tipo de violência perpassa por uma mudança na concepção de mundo. Não podemos naturalizar e compactuar com uma sociedade em que o corpo de mulheres, crianças e adolescentes é visto e tratado como mercadoria. Atuar no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes é, portanto, atuar para a alteração dessa lógica perversa de dominação”, comenta a assistente social.

Para o diretor do CRESS-SP, todos os esforços são importantes, principalmente neste período de atenções voltadas ao Brasil. “Enquanto políticas públicas não dão conta de amparar nossas crianças e adolescentes, temos que fazer a nossa parte na medida em que realizar a denúncia já é ter um olhar sensível aos direitos humanos”, finaliza Andrade.


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