Dados
da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) recém-divulgados
apontam que, nos três primeiros meses do ano, as usinas de produção de energia
movidas à biomassa, matéria orgânica gerada a partir da produção agropecuária,
produziram 10,5% a mais de energia na comparação com mesmo período do ano
passado. A geração no período foi de 722,6 megawatts (MW) médios.
A
capacidade instalada das plantas movidas à biomassa do Sistema Interligado
Nacional (SIN) também atingiu marca expressiva, chegando a 11,5 GW em março. A
expansão é de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a
capacidade era de 10,5 GW.
E
o Estado de São Paulo tem grande potencial desta geração de energia, sendo
líder na produção de energia a partir de biogás e bagaço da cana-de-açúcar. No
Brasil todo, 80% da bioeletricidade vêm dos resíduos da cana, o que garante a
autossuficiência energética das usinas durante o período da safra.
Segundo
a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no primeiro bimestre deste ano
em São Paulo, 201 usinas geraram com bagaço de cana 5.572 MW. No Brasil todo,
394 usinas geraram 10.594 MW. Isso significa que São Paulo produz mais da
metade do potencial.
No
biogás também somos destaque, com quase metade da produção: foram sete usinas
paulistas produzindo 37 MW – com destaque para a capital, respondendo por
58,10% do total. A produção nacional, somando as 26 usinas em operação, foi de
88 KW.
Já
com resíduos de madeira, a geração paulista nos dois primeiros meses do ano
envolveu cinco usinas e foi de 62 MW – com Limeira produzindo 85,27% do total.
Com o licor negro, a geração alcançou 41.200 MW – sendo 92,23%, ou seja, 38.000
MW, gerados em Lençóis Paulista.
A
bioeletricidade tem a vantagem de estar disponível justo no período de baixa
nos reservatórios das hidroelétricas, o que a torna uma excelente opção
complementar ao modelo hidráulico predominante. O potencial estimado para
geração de bioeletricidade - somente de cana - no Estado supera 14 mil
megawatts. Isto corresponde à geração de eletricidade da hidrelétrica
binacional de Itaipu.
Para
abastecer 50% da frota brasileira com etanol e atender com bioeletricidade o
equivalente a 5 milhões de residências por ano, a cana utiliza apenas 1,5% da
terra arável do Brasil. E, diferente de outras energias alternativas, a
bioeletricidade é integralmente baseada em tecnologia nacional.
Já
estão disponíveis tecnologias que permitem a transformação do bagaço, da
vinhaça e da palha da cana em gás. Este, por sua vez, além de poder ser
queimado em caldeiras de geração de energia, tornando o processo ainda mais
eficiente, também pode ser transportado para regiões consumidoras ainda não
atendidas pelos gasodutos. Ou seja, se muito hoje se produz, podemos fazer
muito mais.
O
Estado de São Paulo possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo,
com 55% de participação de energias limpas. O governo paulista assumiu
voluntariamente, em 2012, o compromisso de elevar esta porcentagem para 69% até
2020. A bioeletricidade tem papel fundamental no alcance desta meta.
O
biodiesel também é boa alternativa, com sua produção começando no Brasil em
2005, quando foram produzidos 736 mil litros. Hoje, somos o segundo maior
produtor mundial, com 3,94 bilhões de litros em 2015, crescimento de 15% em
relação a 2014, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Apesar
desse forte crescimento, ainda pode ir muito adiante no Brasil, respondendo por
apenas 0,95% da matriz energética nacional, ou menos de 3% do biocombustível produzido
e consumido no País. A principal matéria-prima para sua fabricação continua
sendo o óleo de soja, que responde por 76% da produção e cresce a produção a
partir do setor bovino.
Em
2015, apesar da safra recorde de 97,8 milhões de toneladas de soja, apenas 7
milhões de toneladas foram transformadas em óleo no Brasil e, destes, menos da
metade (3 milhões de toneladas) viraram biodiesel.
A
demanda interna de soja para a produção deste combustível deverá mais do que
dobrar nos próximos quatro anos, com a recente sanção pelo Governo Federal da
Lei 3.834/2015, que eleva em 1% a mistura de biodiesel ao diesel fóssil ao ano,
a partir de março de 2017. O índice, que hoje é de 7%, será de 8% a partir do
próximo ano e será aumentado até 2019, quando chegará a 10%.
A
legislação prevê ainda alta de 15% após aprovação em testes de motores pelas
montadoras. Estima-se que para cada 1% de elevação na mistura de biodiesel, são
necessárias de 2,2 a 2,5 milhões de toneladas a mais de soja para esmagamento.
Isso
tudo gerado pelo setor agropecuário, que é um dos cinco menores consumidores da
energia paulista, de acordo com o Balanço Energético do Estado de São Paulo da
Secretaria paulista de Energia e Mineração. Os dados mais recentes, de 2014,
indicam que a agropecuária consumiu 7980 TOEs (Tonne of Oil Equivalent) cúbicos
– número que vem decrescendo a cada ano: em 2005, era de 10130 TOEs cúbicos.
Consumimos
pouco e geramos muito. A viabilidade e a sustentabilidade estão mais do que
comprovadas. É hora de avançar nesta produção, de consolidar o conceito da
agricultura que produz mais do que alimentos e fibras. Uma agricultura que gera
energia!
Arnaldo Jardim - deputado federal licenciado (PPS-SP) e
secretario de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
Site oficial: www.arnaldojardim.com.br
Twitter: @ArnaldoJardim
Facebook:
Deputado Arnaldo Jardim
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