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terça-feira, 17 de junho de 2025

Os Ômegas da Natureza: Entenda o Que São e Como Usá-los a Favor da Sua Saúde

 Eles estão nos rótulos, nas prateleiras e nas promessas de bem-estar — mas você realmente sabe o que são os famosos ômegas 3, 6 e 9? Entenda por que eles são essenciais, como agem no corpo e como consumir de forma inteligente e equilibrada.

 

Nos bastidores de uma boa saúde cardiovascular, cerebral, hormonal e até estética, existem gorduras que atuam silenciosamente, mas poderosamente. O médico nutrólogo, Dr. Ronan Araujo explica: “Os ácidos graxos chamados de ômega 3, ômega 6 e ômega 9 são tipos diferentes de lipídios insaturados, fundamentais para diversas funções do organismo. Porém, o segredo está no equilíbrio entre eles e não apenas no consumo isolado.”
 

Ômega 3: o anti-inflamatório natural do corpo

O ômega 3 é um ácido graxo essencial, ou seja, o corpo não é capaz de produzi-lo sozinho. Por isso, é necessário obtê-lo por meio da alimentação ou suplementação.

Seus principais benefícios incluem:

  • Redução da inflamação sistêmica;
  • Proteção cardiovascular;
  • Melhora da função cerebral e memória;
  • Regulação do humor (com efeitos positivos em casos de ansiedade e depressão);
  • Apoio na saúde ocular e da pele.


Onde encontrar:

Peixes de águas profundas e frias como salmão, sardinha, atum e cavala são fontes riquíssimas de EPA e DHA (as formas mais biodisponíveis do ômega 3). Fontes vegetais como linhaça, chia e nozes também contêm ALA, um tipo de ômega 3 que o corpo converte parcialmente.
 

Ômega 6: necessário, mas em excesso pode inflamar

Também essencial, o ômega 6 participa de diversos processos metabólicos, como o crescimento celular, função cerebral e imunológica. O problema é que ele está presente em abundância na dieta moderna, muitas vezes em desequilíbrio com o ômega 3, o que pode potencializar inflamações crônicas.
 

Onde encontrar:

Óleos vegetais (como óleo de soja, milho, girassol), margarinas, alimentos industrializados, ovos e carnes.
 

Atenção: o ideal é que a proporção de ingestão de ômega 6 em relação ao ômega 3 seja de no máximo 4:1. Mas estudos mostram que, na prática, essa relação chega a 20:1 ou até mais o que favorece doenças como obesidade, diabetes, inflamações e distúrbios hormonais. 


Ômega 9: o aliado da longevidade

Ao contrário dos dois anteriores, o ômega 9 não é essencial, pois o corpo é capaz de produzi-lo. No entanto, seu consumo traz benefícios importantes para a saúde especialmente quando substitui gorduras ruins (como as saturadas ou trans).

Entre seus benefícios:

  • Redução do colesterol ruim (LDL) e aumento do bom (HDL);
  • Apoio à saúde cardiovascular;
  • Ação antioxidante e anti-inflamatória;
  • Proteção contra doenças neurodegenerativas.


Onde encontrar:

Azeite de oliva extravirgem, abacate, oleaginosas (como castanhas e amêndoas), óleo de canola e óleo de gergelim.
 

Equilíbrio é a chave: como consumir os ômegas de forma eficaz

“Não se trata de escolher um “melhor” ômega. Cada um tem seu papel, e o que realmente importa é equilibrar as quantidades e priorizar as fontes certas”, destaca o médico.

  • Aumente o consumo de peixes gordurosos e sementes como linhaça e chia;
  • Reduza o consumo excessivo de óleos refinados e processados ricos em ômega 6;
  • Use o azeite de oliva como principal fonte de gordura no preparo dos alimentos;
  • Evite frituras e alimentos ultraprocessados, que alteram a qualidade dos lipídios consumidos.


Suplementação: quando vale a pena?

A suplementação de ômega 3 é uma das mais recomendadas por médicos e nutricionistas, principalmente em pessoas com doenças cardiovasculares, inflamações crônicas, transtornos do humor ou consumo alimentar insuficiente.

Mas atenção: qualidade do suplemento, pureza, concentração de EPA e DHA e ausência de metais pesados são critérios fundamentais para a escolha segura. 

O Dr. Ronan araujo conclui: “Investir em uma alimentação rica em boas gorduras é investir em longevidade, saúde mental, controle hormonal e prevenção de doenças. Ômega 3, 6 e 9 não são apenas “modismos”, são ferramentas naturais e poderosas quando usadas com sabedoria. E mais do que consumir por impulso, é preciso saber equilibrar, escolher fontes de qualidade e entender que a saúde começa nos detalhes da rotina.” 
 

Dr. Ronan Araujo: CRM – 197142 - Formado em medicina pela Universidade Cidade de São Paulo, médico especializado em nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia). Com foco em causar impacto e mudar a vida das pessoas através de sua profissão, ele também se tornou membro da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), que o leva a ser atualmente um dos médicos que mais conhece e entrega resultados quando falamos sobre emagrecimento e reposição hormonal. O Dr. Ronan Araujo quer influenciar na mudança de estilo de vida, de hábitos e ajudar as pessoas a viverem mais tempo e com mais qualidade. “Não é apenas sobre emagrecimento, é sobre transformar vidas”, é um dos lemas do médico. Com atendimento único, acolhedor e resultados rápidos na parte da estética e da saúde.



Alergias alimentares na infância: como identificar, tratar e prevenir

As alergias alimentares vêm ganhando cada vez mais atenção entre pais e profissionais da saúde. Estima-se que entre 6% e 8% das crianças brasileiras com até 3 anos apresentam algum tipo de alergia alimentar, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Para a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi, o aumento na prevalência exige atenção especial desde a introdução alimentar e acompanhamento pediátrico próximo.

Segundo a especialista, existem três tipos principais de alergia alimentar na infância. A mais comum é a alergia imediata, mediada por imunoglobulina E (IgE), que provoca reações de poucos minutos até algumas horas após a ingestão do alimento. Os sintomas vão desde urticária e inchaço na pele até vômitos, chiado no peito e, em casos graves, anafilaxia – uma emergência médica.

Há ainda a alergia alimentar não mediada por IgE, mais frequente nas crianças, mas menos conhecida. Ela costuma se manifestar horas ou até dias após o consumo do alimento e está associada a sintomas como sangue ou muco nas fezes, refluxo severo, diarreia persistente e dermatite. O terceiro tipo é o misto, que reúne características das duas formas anteriores.

Entre os principais gatilhos estão alimentos como leite de vaca, ovo, soja, trigo, castanhas e frutos do mar. “A introdução alimentar é uma fase crucial. Se após a ingestão de um novo alimento a criança apresentar vermelhidão, coceira, vômito ou alterações intestinais, os pais devem procurar o pediatra para investigação. Em muitos casos, optamos por excluir temporariamente o alimento e, mais tarde, fazer um teste de provocação oral, sempre com supervisão médica”, explica a médica.

A Dra. Mariana destaca ainda a importância da janela imunológica, período entre 6 e 12 meses de vida. “Nesse intervalo, a introdução controlada e orientada de alimentos potencialmente alergênicos pode ajudar o organismo da criança a desenvolver tolerância, o que diminui o risco de alergias futuras”, orienta. 


Com o acompanhamento adequado e um olhar atento dos pais, é possível identificar precocemente sinais de alergia alimentar, evitando agravamentos e promovendo qualidade de vida desde os primeiros anos.



Quando a força de vontade não basta

Compulsão alimentar envolve perda de controle, ingestão excessiva
de alimentos, acompanhada por sentimentos de culpa, vergonha e sofrimento
Canva

Compulsão alimentar pode ter causas fisiológicas que dificultam o emagrecimento, mesmo com dieta e exercício 



A compulsão alimentar é comumente atribuída a questões emocionais como ansiedade, estresse ou frustração. Mas essa visão é limitada. Muitos quadros de compulsão têm origem em desequilíbrios hormonais, deficiências nutricionais e alterações metabólicas que, quando não diagnosticadas, tornam extremamente difícil controlar a alimentação — mesmo para quem segue dietas rigorosas e pratica atividade física regularmente.
 

Segundo o médico Lucas Chinellato, especialista em emagrecimento e metabolismo e criador do Método C.O.R.P.O., a diferença entre a compulsão e os chamados “deslizes” alimentares está na intensidade, na frequência e no impacto emocional. “Enquanto os deslizes fazem parte da vida e ocorrem pontualmente, a compulsão envolve perda de controle, ingestão excessiva de alimentos, geralmente em pouco tempo, acompanhada por sentimentos de culpa, vergonha e sofrimento. É um comportamento repetitivo, frequentemente escondido, que interfere na qualidade de vida”, explica Chinellato.


Sem saciedade

Embora fatores emocionais tenham peso, muitos pacientes chegam ao consultório sem histórico de depressão ou ansiedade, mas relatam fome constante, desejo intenso por carboidratos e dificuldade em se sentirem saciados. Nesses casos, alterações fisiológicas são o principal gatilho. Distúrbios como resistência à leptina (hormônio da saciedade), elevação da grelina (hormônio que estimula a fome), resistência à insulina, hipotireoidismo, síndrome dos ovários policísticos e até disfunções no sistema dopaminérgico estão entre os achados clínicos mais frequentes, de acordo com o médico. 

Além disso, deficiências de vitamina D, B12, magnésio, zinco e cromo também afetam diretamente o apetite e o humor ao influenciar neurotransmissores como serotonina e dopamina. O Dr. Chinellato enfatiza que uma microbiota intestinal desequilibrada (disbiose) reduz a produção de substâncias associadas à saciedade e ao bem-estar, favorecendo episódios de “comer automático”.

 

O porquê do efeito sanfona

O especialista frisa que esses fatores fisiológicos dificultam o emagrecimento, mesmo quando o paciente adota hábitos saudáveis. Muitos mantêm disciplina durante o dia, mas à noite enfrentam episódios de compulsão que comprometem o déficit calórico e favorecem o ganho de peso. O ciclo de restrição e perda de controle, conhecido como efeito sanfona, agrava a resistência à leptina e à insulina, tornando o corpo menos responsivo ao esforço. “É muito comum que o paciente se sinta frustrado e ache que está falhando, quando na verdade o corpo está reagindo a desequilíbrios que precisam ser corrigidos”, destaca Chinellato. 

Para identificar se há componentes hormonais ou metabólicos por trás da compulsão, o especialista realiza uma avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais que incluem insulina, leptina, cortisol, grelina, hormônios tireoidianos, vitaminas, marcadores inflamatórios e intestinais. Também investiga padrões de sono, sintomas de fadiga, alterações menstruais, craving por doces e episódios de compulsão noturna. “Quando entendemos o que está por trás do comportamento, conseguimos montar uma estratégia eficaz e personalizada. Tratar apenas com força de vontade é frustrante para quem tem o corpo em desequilíbrio”, afirma.


Tratamento

Nos casos em que a base do problema é fisiológica, o tratamento envolve reposição de nutrientes estratégicos, modulação hormonal personalizada, regulação da microbiota intestinal e, quando necessário, uso de fórmulas manipuladas que ajudam a controlar apetite, impulsividade e fome fora de hora. Já nas situações de origem mais emocional, o foco está em terapias cognitivo-comportamentais e no manejo do estresse. Segundo Chinellato, porém, raramente esses fatores atuam de forma isolada — e é a integração entre corpo e mente que garante resultados sustentáveis. 

Para lidar com a complexidade desses quadros, Chinellato desenvolveu o Método C.O.R.P.O., que combina cinco pilares: correção de hábitos e estilo de vida, otimização de deficiências nutricionais, regulação hormonal, potencialização metabólica e acompanhamento contínuo. “É um método que pode — e deve — caminhar junto com a psicoterapia. Enquanto o terapeuta atua nos gatilhos emocionais, nós damos suporte fisiológico para que o paciente tenha energia, clareza mental e equilíbrio hormonal para aplicar as mudanças”, explica.

 


Dr. Lucas Chinellato - médico formado pela Faculdade São Leopoldo Mandic (Campinas/SP), com especialização em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Possui pós-graduação em Medicina do Exercício e do Esporte e Medicina Funcional Integrativa, com foco em emagrecimento, hipertrofia, modulação hormonal, sarcopenia, uso racional de ergogênicos e medicina personalizada. Criador do Método C.O.R.P.O., abordagem exclusiva que une correção de hábitos, regulação hormonal e potencialização metabólica, oferecendo resultados mensuráveis em saúde, performance e estética. É speaker da Infinity Pharma e coordenador da Pós-Graduação em Emagrecimento e Obesidade do Instituto Hi-Nutrition. Atua também como educador em cursos avançados para médicos e nutricionistas nas áreas de longevidade, modulação hormonal e otimização metabólica.



Férias escolares e obesidade infantil: como prevenir o ganho de peso em casa

 

Nutricionista pediátrica do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), orienta famílias sobre cuidados com a alimentação e o equilíbrio na rotina 

 

A obesidade infantil é uma realidade crescente no Brasil. Dados do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que 12,9% das crianças entre 5 e 9 anos no país apresentam a condição, assim como 7% dos adolescentes entre 12 e 17 anos. Já o Atlas Mundial da Obesidade traz um dado alarmante: até 2035, cerca de 50% das crianças e adolescentes entre cinco e 19 anos poderão apresentar sobrepeso. 

Aline Villela, nutricionista pediátrica do Vera Cruz Hospital, explica que esse aumento se deve a diversos fatores, sendo os principais o maior consumo de alimentos ultraprocessados, a rotina cada vez mais corrida das famílias, o excesso de telas e a falta de atividade física. “Além disso, ainda há pouca educação alimentar nas escolas e em casa. Muitos pais, por falta de tempo ou informação, acabam recorrendo a lanches prontos e práticos, mas pouco nutritivos”, pontua. 

E, segundo a especialista, a chegada das férias escolares representa um período crítico em relação ao ganho de peso. “Observamos que, durante as férias, a rotina costuma desaparecer: os horários de sono mudam, a alimentação fica desorganizada e o tempo em frente às telas aumenta. Além disso, há mais acesso a guloseimas, fast food e menos atividades físicas regulares. O consumo excessivo de doces, refrigerantes, salgadinhos e lanches fora de hora é preocupante. Muitas vezes, as crianças ficam ociosas e acabam ‘beliscando’ o dia todo, o que contribui para o excesso calórico”, alerta. 

No entanto, as férias também podem ser uma oportunidade de fortalecer hábitos saudáveis e promover conexões em família. “Cozinhem juntos, comam à mesa, conversem sobre alimentos e sentimentos. São pequenas atitudes que fortalecem vínculos e criam memórias saudáveis para o corpo e o coração”, sugere, salientando que o “segredo” está no equilíbrio e no exemplo. “É possível curtir um sorvete em família, mas também preparar receitas saudáveis juntos, como picolés de frutas naturais, muffins integrais ou sanduíches divertidos. Envolver a criança na escolha e no preparo dos alimentos estimula o interesse e a aceitação, equilibrando momentos de lazer com escolhas alimentares mais saudáveis.”

 

Atenção a curto e longo prazos

A obesidade infantil impacta a saúde física e emocional das crianças a curto e longo prazo, podendo levar a hipertensão, colesterol alto, diabetes tipo 2 e alterações ortopédicas. “No aspecto emocional, é comum que crianças com excesso de peso enfrentem bullying, baixa autoestima e até quadros de ansiedade e depressão. A longo prazo, o risco de doenças crônicas na vida adulta aumenta”, salienta Aline. 

A nutricionista orienta os responsáveis a ficarem atentos a alertas, como roupas apertadas, mudanças no comportamento alimentar (comer por tédio ou emoção), cansaço ao brincar ou resistência em se movimentar. “O ideal é acompanhar o crescimento com um profissional. Não se trata apenas de focar no peso, mas no desenvolvimento global da criança, qualidade de vida e exames de rotina.”

 

Para evitar exageros durante o período de férias, ela elenca estratégias:

  • Ajuste as escolhas de acordo com o local onde a família passará as férias;
  • Mantenha uma rotina de horários, mesmo que mais flexível;
  • Tenha alimentos saudáveis acessíveis em casa, como frutas cortadas e snacks naturais;
  • Planeje o cardápio da semana com antecedência;
  • Combine com a criança os momentos para consumir alimentos fora da rotina, evitando excessos diários. 

“O corpo da criança foi feito para se movimentar. Transforme a atividade física em brincadeira: gincanas, circuitos no quintal, danças, passeios ao ar livre, andar de bicicleta ou até cozinhar em pé, como uma 'missão'. O importante é movimentar o corpo com prazer, sem cobrança. Quando a criança passa horas em frente à TV, celular ou videogame, gasta menos energia e tem mais chances de ganhar peso. O sedentarismo também afeta o humor, o sono e o apetite”, conclui.

 

 Vera Cruz Hospital


Bariátrica x canetas emagrecedoras: estamos diante de uma batalha?


Opinião

 

O laboratório dinamarquês Novo Nordisk apresentou ao mundo, em 2010, a liraglutida, uma substância desenvolvida inicialmente para tratar diabetes, que se tornaria precursora de um fenômeno global dos chamados “agonistas dos receptores de GLP-1”. Em 2017, o mesmo laboratório lançou a semaglutida, mais potente e também indicada inicialmente para diabetes tipo 2. Em 2021, chegava um segundo produto à base de semaglutida, dessa vez com estudos já voltados ao tratamento da obesidade. Desde então, o que tem se observado é um sucesso absoluto de vendas. 

Com a resposta animadora nos resultados dessas medicações, muitos se perguntam se eles tomarão o lugar da cirurgia bariátrica, a última grande revolução até então no tratamento da obesidade. Um estudo realizado por pesquisadores do Brigham and Women's Hospital, segundo maior hospital de Harvard Medical School, localizado em Boston (EUA), indicou que o número de obesos com seguro privado que utilizam esses medicamentos antiobesidade mais que dobrou entre os anos de 2022 e 2023. Em contrapartida, nesse mesmo período, o número de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica metabólica para tratar a obesidade teve uma queda de 25,6%.

No Brasil, os mesmos 25% de queda foram registrados no número de cirurgias bariátricas realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS), que passou de 71.342 procedimentos em 2023, para 53.340 cirurgias em 2024. Especialistas indicam que fenômeno semelhante aconteceu na saúde suplementar, mesmo com o Brasil sendo um dos países com maior número de obesos. Essa tendência pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo esse avanço de tratamentos medicamentosos para obesidade, mudanças nas expectativas dos pacientes e a instabilidade econômica, que nos últimos anos tem levado pacientes a retardarem seus tratamentos, fator que impacta o acesso a procedimentos de alto custo. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em artigo publicado no periódico Jama, em dezembro do ano passado, os medicamentos para perda de peso podem ajudar a acabar com a pandemia da obesidade no mundo, mas não sozinhos. No material, a organização defendeu cautela para que os medicamentos não distorçam a resposta à crise global dessa doença crônica e a necessidade de se incluir outras intervenções médicas e políticas públicas nesse jogo. 

Considerando a eficácia, a manutenção a longo prazo e o custo-benefício, o tratamento mais duradouro e eficiente para obesidade grau II com comorbidades e grau III, com ou sem comorbidades, é a cirurgia bariátrica, especialmente quando comparada ao uso prolongado dos análogos do GLP-1. Isso é comprovado a partir de pesquisas que apontam que a sustentabilidade do peso perdido é superior com a cirurgia, visto que pacientes perdem, em média, 25% a 35% do peso inicial e mantêm essa perda por mais de dez anos. Outro fator importante a ser considerado é a remissão de comorbidades como diabetes tipo 2 que é revertida em 80% dos casos (especialmente quando utilizado o bypass gástrico) e de casos de hipertensão e apneia do sono, que melhoram ou desaparecem em mais de 60% dos pacientes. 

Engana-se quem acredita que exista uma concorrência entre a cirurgia bariátrica e os análogos do GLP-1. O que se defende é que os dois são eficazes no tratamento da obesidade. Tudo vai depender de cada caso e de cada paciente. 

As canetas são indicadas inclusive por cirurgiões bariátricos para pacientes que não querem ou não podem se submeter ao procedimento cirúrgico. Também é uma ótima alternativa para pacientes com IMC (índice de massa corporal) entre 27-35 kg/m², quando a cirurgia não é prioritária, ou para pessoas com obesidade grau II (IMC superior a 35 kg/m²) sem indicação de cirurgia imediata. Em alguns casos, cirurgia bariátrica e análogos do GLP-1 juntos são a melhor abordagem, especialmente quando há reganho de peso leve ou moderado após a bariátrica.

Além disso, independente da abordagem indicada, o uso das canetas emagrecedoras e a cirurgia bariátrica só apresentam resultado efetivo e melhora esperada na saúde e na qualidade de vida das pessoas se forem associadas às mudanças no estilo de vida. Isso envolve uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e cuidado com a saúde mental. 

De qualquer forma, essa é uma discussão que precisa ir além de uma batalha simplista, afinal estamos falando de uma pandemia que atingia mais de 1 bilhão de pessoas no mundo em 2022, segundo estudo publicado no ano passado pela OMS. E o futuro se mostra ainda mais preocupante. Enquanto a obesidade entre adultos mais do duplicou desde 1990, a doença mais do quadruplicou entre crianças e jovens de 5 a 19 anos. Temos em frente toda uma geração de pessoas que irá lutar contra o sobrepeso.

Precisamos ter consciência que estamos diante de dois grandes avanços da Medicina e da Ciência. Seja com cirurgia ou com medicamentos, a verdadeira batalha que estamos lutando é contra a obesidade.

 

Caetano Marchesini - mestre em Clínica Cirúrgica, membro titular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e cirurgião bariátrico no Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), e no Hospital Sírio Libanês (SP).


Asma afeta mais de 23% da população brasileira e exige atenção constante


A asma é uma das doenças respiratórias de maior incidência e recorrência no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 23,2% da população brasileira convive com a doença, o que representa um número estimado de 20 milhões de pessoas. A condição, que não é sazonal e pode ser grave, requer diagnóstico preciso, tratamento contínuo e cuidados diários. 

Segundo o pneumologista Luís Batalin, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), a alta prevalência está relacionada a diversos fatores. “A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, e sua prevalência vem aumentando nas últimas décadas, especialmente nas grandes cidades. Isso se deve à maior exposição à poluição atmosférica, contato frequente com alérgenos domiciliares, como ácaros e mofo, mudanças nos hábitos de vida e predisposição genética”, explica. Além disso, fatores como o menor contato com microrganismos na infância — conhecido como "teoria da higiene" — e até a exposição de gestantes à fumaça do cigarro podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença nos filhos.
 

Pode surgir em qualquer idade 

A asma pode se manifestar em qualquer fase da vida. Embora seja comum que os primeiros sintomas apareçam ainda na infância, especialmente em pessoas com histórico de alergias, a doença também pode surgir na vida adulta. “É comum começar na infância, mas também pode surgir na fase adulta — especialmente em mulheres, e muitas vezes sem histórico alérgico. A asma de início tardio tende a ser mais persistente e difícil de controlar”, destaca o pneumologista.
 

Gatilhos e causas 

A origem da asma está na combinação entre predisposição genética e fatores ambientais, que atuam como gatilhos. “Entre os principais fatores desencadeantes de crises estão ácaros da poeira, mofo, pelos de animais, pólen, infecções virais, mudanças bruscas de temperatura, poluição do ar, fumaça de cigarro, esforço físico intenso, perfumes fortes e estresse emocional”, alerta Batalin. 

Apesar desses elementos não causarem a asma diretamente, eles agravam os sintomas e podem provocar crises. Por isso, o tratamento vai além do uso de medicamentos, sendo necessário identificar e evitar os gatilhos.
 

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e se baseia nos sintomas e na história do paciente. “Exames como a espirometria são fundamentais para confirmar o diagnóstico. Ela mede o fluxo de ar nos pulmões e ajuda a identificar a obstrução reversível das vias aéreas, característica da asma”, explica o médico. Em alguns casos, testes de broncoprovocação, avaliação de alergias e análise do óxido nítrico exalado também podem ser utilizados.

Diferença entre asma e outras doenças respiratórias
 

A asma é frequentemente confundida com outras condições respiratórias, como bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e rinite alérgica. A diferença principal, segundo Batalin, está na reversibilidade dos sintomas. “A asma se caracteriza por sintomas respiratórios variáveis, como chiado no peito, tosse seca, falta de ar e sensação de aperto no peito, que tendem a piorar à noite, de madrugada ou diante de gatilhos. Uma das marcas da asma é que essa obstrução das vias aéreas costuma ser reversível”, destaca.
 

Já a DPOC está geralmente associada ao tabagismo e apresenta sintomas permanentes, como tosse com catarro, falta de ar progressiva e limitação para atividades simples do dia a dia. A rinite alérgica, por sua vez, afeta as vias superiores e provoca espirros, coriza e obstrução nasal, mas pode coexistir com a asma, agravando o quadro respiratório.
 

Tratamento e controle
 

O tratamento da asma é dividido em duas frentes principais: controle da inflamação e alívio dos sintomas. Os corticoides inalados são o pilar do tratamento – usados diariamente, mesmo na ausência de sintomas, para controlar a inflamação das vias aéreas. Já os broncodilatadores, como o salbutamol, são usados como resgate durante as crises (atuam em poucos minutos e proporcionam alívio imediato).
 

Nos casos mais graves, podem ser indicadas outras terapias, como antileucotrienos e imunobiológicos. Além dos medicamentos, segundo o especialista, é essencial: evitar gatilhos ambientais, tratar doenças associadas (como rinite e refluxo), manter a vacinação em dia (Influenza e Covid) e usar corretamente os dispositivos inalatórios.
 

Exercícios são aliados
 

E, ao contrário do que muitos pensam, praticar atividades físicas não é contraindicado. “Sim, e mais: é recomendado! A atividade física melhora a capacidade pulmonar, fortalece os músculos respiratórios e reduz a frequência de crises. Em alguns casos, pode haver broncoespasmo induzido pelo exercício, mas isso pode ser prevenido com medicação de resgate antes da atividade e com o controle adequado da doença”, finaliza o especialista.


 

Hospital Evangélico de Sorocaba


Neurobiologia do trauma: O que acontece no seu cérebro quando você sofre um trauma?

Novo estudo publicado pelo Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, em parceria com o especialista em neurociências Flávio Nunes e o farmacêutico e entusiasta de inteligência artificial, Hitty-Ko Kamimura, explica como o cérebro reage, quais são os impactos e os caminhos para a cura 

 

Todo mundo já ouviu falar de trauma, mas, afinal, você sabe o que, de fato, acontece no seu cérebro quando passa por uma experiência traumática? 

Um novo estudo, publicado pelo Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, em parceria com o especialista em neurociências Flávio Nunes e o farmacêutico e entusiasta de inteligência artificial, Hitty-Ko Kamimura, na Atena Editora, traz uma análise profunda sobre a "Neurobiologia do Trauma", revelando como o cérebro lida com eventos extremos e, principalmente, como é possível buscar a cura. 

O estudo analisa os mecanismos biológicos por trás de traumas emocionais, como eles se manifestam no corpo e na mente e o que a ciência já sabe sobre o caminho da recuperação.

 

Trauma não é frescura, é neuroquímica

Quando você vive algo muito estressante seja um acidente, uma perda, uma agressão, ou até uma série de microviolências ao longo da vida seu cérebro ativa um circuito de emergência. No cérebro, existem alguns fatores responsáveis por causar essa reação, os principais são: 

Amígdala: dispara o alarme do medo. 

Hipocampo: processa memórias, mas quando afetado, pode confundir contexto e tempo (fazendo você reviver o trauma como se ainda estivesse acontecendo).

 Córtex pré-frontal: ajuda na tomada de decisões e no controle das emoções, mas no trauma ele entra em colapso e perde força, deixando a amígdala dominar. 

"O trauma não fica apenas na mente, ele altera o funcionamento do cérebro, da química e até da expressão dos genes", explica o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

 

Existe cura para o trauma?

A boa notícia é que, sim, a neurociência mostra que o cérebro tem capacidade de se reorganizar, a neuroplasticidade permite a criação de novas conexões neurais que ajudam na superação do trauma. 

Porém, há um pré-requisito essencial: Trazer as memórias traumáticas à consciência, processá-las e integrá-las à narrativa da própria vida. 

Isso pode ser feito por meio de psicoterapia (como EMDR, Terapia Cognitivo-Comportamental ou Somática), atividades que envolvem corpo e mente, como yoga e meditação, apoio social seguro, cuidados médicos e psiquiátricos quando necessário. 

"Entender a neurobiologia do trauma não é só teoria, é a chave para transformar sofrimento em resiliência e desenvolvimento pessoal", conclui o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

 



Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues MRSB é Pós-PhD em Neurociências, eleito membro da Sigma Xi - The Scientific Research Honor Society (mais de 200 membros da Sigma Xi já receberam o Prêmio Nobel), além de ser membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, da Royal Society of Biology e da The Royal Society of Medicine no Reino Unido, da The European Society of Human Genetics em Vienna, Austria e da APA - American Philosophical Association nos Estados Unidos. Mestre em Psicologia, Licenciado em História e Biologia, também é Tecnólogo em Antropologia e Filosofia, com diversas formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Dr. Fabiano é membro de prestigiadas sociedades de alto QI, incluindo Mensa International, Intertel, ISPE High IQ Society, Triple Nine Society, ISI-Society e HELLIQ Society High IQ. Ele é autor de mais de 300 estudos científicos e 30 livros. Atualmente, é professor convidado na PUCRS no Brasil, UNIFRANZ na Bolívia e Santander no México. Além disso, atua como Diretor do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e é o criador do projeto GIP, que estima o QI por meio da análise da inteligência genética. Dr. Fabiano também possui registro de jornalista, tendo seu nome incluído no livro dos registros de recordes por conquistar quatro recordes, sendo um deles por ser o maior criador de personagens na história da imprensa.



Câncer de rim: no dia de conscientização da doença, especialista alerta que tumor é duas vezes mais comum em homens do que nas mulheres

Todos os anos, são diagnosticadas mais de 434 mil pessoas com o tumor no mundo


A efeméride celebra a campanha de conscientização sobre o câncer de rim, que se estende por todo o mês de junho, batizado de “Junho Verde”, buscando alertar sobre as doenças que afetam o sistema urinário, responsável por filtrar e eliminar impurezas e toxinas do nosso organismo. 

Todos os anos, são diagnosticadas mais de 434 mil pessoas com a neoplasia, de acordo com os dados mais recentes da GLOBOCAN. No Brasil, ainda segundo a instituição, são esperados 11.090 casos por ano. 

A doença, silenciosa, é responsável por cerca de 3% das patologias malignas que atingem os adultos. Muitas vezes, a lesão no rim é descoberta quando o paciente realiza um exame para outra finalidade, como um ultrassom do abdome, por exemplo. 

“É mesmo comum que o carcinoma de rim seja descoberto acidentalmente, durante a realização de um exame de rotina ou por outra causa. A boa notícia é que em muitas dessas ocasiões ele ainda está em estágio inicial, localizado exclusivamente no rim, situação na qual são maiores as taxas de cura. O carcinoma renal ocorre mais frequentemente entre os 50 e 70 anos, sendo duas vezes mais comum nos homens que nas mulheres”, comenta Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas. 

"Os dados mais recentes da International Agency for Research on Cancer, da Organização Mundial da Saúde, mostram que cerca de 271 mil homens foram diagnosticados com câncer renal em 2020, enquanto 160 mil casos foram descobertos nas mulheres. Além disso, a neoplasia é a 14ª mais comum em todo o mundo, sendo o 9º câncer mais comum no público masculino e o 14º no público feminino". 

No Brasil, cerca de 75% dos tumores de rim correspondem ao câncer renal de células claras, de acordo com o Ministério da Saúde. Já nas crianças, o câncer de rim mais frequente é o tumor de Wilms (7% dos casos). Este tipo, segundo o médico, pode acometer um ou ambos os rins, ocorrendo principalmente antes dos 6 anos de idade. A cada dez casos de câncer renal em crianças, aproximadamente nove são tumores de Wilms.
 

Prevenção e tratamento 

Segundo Artur Ferreira, a tríade clássica do câncer renal (dor no flanco, sangramento urinário e massa renal abdominal palpável) ocorre em até 9% dos pacientes e quando presente, pode sugerir doença localmente avançada. A dor no flanco (uma das partes laterais do tronco), pode também surgir isoladamente, sem motivo aparente. A presença de sangue na urina (também conhecida como hematúria), pode se manifestar de várias formas como por exemplo, eliminação de urina com a cor rosa, vermelho vivo ou na coloração de “coca-cola”. 

Os principais fatores que podem aumentar o risco do câncer renal são idade avançada, tabagismo, obesidade, hipertensão arterial (“pressão alta”), insuficiência renal crônica (pessoas que fazem hemodiálise têm um risco maior para o câncer de rim) e presença de algumas síndromes hereditárias, como a síndrome de Von Hippel-Lindau, síndrome de Birt-Hogg-Dube, complexo de esclerose tuberosa e carcinoma papilar renal hereditário. 

“Embora alguns desses fatores sejam não modificáveis, como a idade por exemplo, muitos são evitáveis. Por exemplo: é desejável não fumar, adotar hábitos de vida saudáveis e seguir uma dieta equilibrada, além de ter um bom controle da pressão arterial. Portanto, mexa-se! Pratique atividades físicas e fique de olho em sua alimentação e seus comportamentos” finaliza o especialista.

  

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Cordões de identificação são aliados na inclusão de neurodivergentes

Símbolos reforçam empatia e pertencimento de pessoas com deficiências ocultas; startup Stardust Zone explica a diferença dos desenhos, legislação nacional e reconhecimento internacional 


Um simples cordão pode mudar tudo. No pescoço de uma pessoa autista, o adereço comunica sem palavras, pede empatia, respeito e paciência e têm força como instrumento de inclusão, acessibilidade e pertencimento. Seja com desenhos de girassol, infinito multicolorido ou de quebra-cabeças, eles ajudam a identificar as pessoas com deficiências ocultas de forma discreta e respeitosa, promovendo um ambiente mais compreensivo e acolhedor. Mais do que facilitar a comunicação, esses elementos são também um ato político: reforçam que a pessoa autista tem o direito de existir no mundo do seu jeito — com suas necessidades específicas, tempo próprio, preferências e sensibilidades. 

“O uso dos cordões é voluntário e viabiliza o acesso a atendimentos prioritários, auxílio na locomoção, informações detalhadas sobre produtos e serviços, por exemplo. O acessório serve como um sinal complementar para que a pessoa possa receber atendimento adequado e humanizado, conforme os direitos previstos em lei, mas não dispensa a apresentação de documentos que comprovem a deficiência”, observa Sarah Fernn, CEO da startup de inclusão de neurodivergentes Stardust Zone. Diagnosticada autista e TDAH, ela explica o significado de cada símbolo, a história por trás desses itens, a legislação brasileira e o reconhecimento internacional. 

As fitas coloridas funcionam como um sinal visual de que o indivíduo pode precisar de apoio ou de compreensão diante de interações sociais, barulhos intensos, filas ou outras situações sensoriais. A proposta não é rotular, mas permitir que as pessoas ao redor ajustem sua abordagem, evitando interpretações equivocadas dos autistas, que somam 1,2% da população brasileira, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no recém-divulgado “Censo Demográfico 2022: Pessoas com Deficiência e Pessoas Diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista - Resultados preliminares da amostra”.

 


Quebra-cabeças - O adereço de quebra-cabeças colorido foi o primeiro a ser criado, em 1963, por Gerald Gasson, da National Autistic Society do Reino Unido, para representar as dificuldades de compreensão enfrentadas por pessoas com autismo. “Na época, havia pouco conhecimento sobre a condição e a imagem de quebra-cabeça simbolizava o mistério e a complexidade do autismo. Com o avanço das pesquisas, o modelo vem sido progressivamente substituído, por conter conotações e estigmas de ‘peça faltando’, ‘quebrada’ ou de algo que precisa ser ‘encaixado’ – ou seja, mensagens que contradizem a valorização da neurodiversidade como parte legítima da condição humana”, aponta Sarah.

 


Girassóis - Já o cordão de girassóis ganhou força por transmitir felicidade, positividade, crescimento e confiança – inspirado na flor que se orienta buscando a luz. Verde e com girassóis amarelos, ele foi criado em 2016 no aeroporto de Gatwick, no Reino Unido, para ajudar funcionários a identificar passageiros com deficiências não visíveis que pudessem necessitar de assistência adicional. Desde então, tornou-se um símbolo internacional de identificação de deficiências ocultas e representa resiliência, autonomia e busca por acolhimento. 


Infinito - Outro desenho muito utilizado é o de infinito colorido em degradê das cores do arco-íris, conhecido como o logotipo da neurodiversidade. “Ele representa a diversidade de ser, com todas as suas nuances, cores e intensidades, simboliza o espectro autista e a nossa diversidade de ser, nos expressar e processar informações”, diz a CEO da Stardust Zone valoriza e inclui neurodivergentes ao mercado de trabalho através da treinamento técnico e socioemocional em STEAM e da educação corporativa. 

No Brasil, somente o cordão de girassol é legalmente reconhecido, autorizado/instituído pela Lei nº 14.624, de 17 de julho de 2023, que o institui como símbolo nacional de identificação para pessoas com deficiências ocultas, incluindo autismo, epilepsia, ansiedade e outras deficiências não aparentes. É fundamental, no entanto, a comprovação por meio de laudos médicos, atestados ou documentos oficiais quando solicitado por atendentes ou autoridades em espaços públicos e privados. O uso de forma indevida – sem ter o diagnóstico – pode configurar crime de falsidade ideológica ou estelionato. 

O estudo do IBGE revelou que cerca de 2.4 milhões de brasileiros têm transtorno do espectro autista (TEA), sendo 1,4 milhões de homens e 1 milhão de mulheres. Há maior prevalência em jovens de 0 a 14 anos, que totalizam 1,1 milhão de autistas, enquanto os demais grupos etários somam o restante. Independentemente do gênero e da idade, se todos usarem seus cordões, o planeta será mais inclusivo, acessível e colorido.

 

POSTURA E DESCANSO: CUIDADOS COM O SOFÁ NO FERIADO

Apesar de parecer confortável, passar longas horas no sofá pode causar dores nas costas, pescoço e prejudicar o descanso.

Sem dúvida, o sofá é um dos móveis mais utilizados em qualquer lar. Seja durante uma visita em família, uma partida de videogame, um momento de descanso após um dia cansativo ou simplesmente ao assistir televisão, ele está sempre presente, pronto para acolher. No entanto, por mais aconchegante que pareça, aquele sofá fofinho pode, na verdade, ser um inimigo do conforto verdadeiro, e até causar problemas posturais a longo prazo. 

De acordo com o fisioterapeuta Bernardo Sampaio, Diretor Clínico do ITC Vertebral de Guarulhos, passar muito tempo sentado ou deitado no sofá pode causar mais dor do que relaxamento. “Dependendo da maneira como você fica, é impossível manter a postura correta. Na maioria das vezes estamos afundados entre as almofadas. Depois, há o fato de que ficar sentado por muito tempo faz com que os músculos de suporte ao redor da coluna e da pélvis sejam desativados, o que pode levar a uma dor crônica nas costas”, explica o especialista. 

O profissional pontua que durante o tempo em que as pessoas estão no sofá, geralmente estão preocupadas com outras coisas e por isso fica difícil analisar como estão sentadas e a má postura acaba sendo uma das principais responsáveis pelas dores. A postura inadequada pode causar estresse nos tecidos, articulações e discos. Estresse esse, que enfraquece lentamente a saúde geral das costas e pode ocorrer não apenas quando estamos sentados, mas também deitados e em pé. “Mas calma, não precisa começar a ficar sentado em uma cadeira com os dois pés apoiados no chão criando um ângulo de 90º”, brinca. 

Segundo Bernardo, a primeira regra é não fazer do sofá o local preferido da casa. Dá para relaxar nele, claro que dá, mas alterne as posturas. “Se o sofá for muito profundo, uma boa opção é utilizar almofadas para ficar mais confortável. Se preferir você também pode colocar um banquinho para apoiar os pés, o segredo é sempre certificar-se de que não está com a coluna muito arredondada. Levantar de tempos em tempos também é recomendado para dar para dar às costas um pouco de descanso da posição” – finaliza Bernardo Sampaio.

 

Bernardo Sampaio - Fisioterapeuta pela PUC Campinas, possui especialização e aprimoramento pela Santa Casa de São Paulo e é mestre em Ciências da Saúde pela mesma instituição. Atua como professor universitário em cursos de pós-graduação na área de fisioterapia músculo esquelética e é Diretor Clínico do Centro Especializado em Movimento (CEM), ITC Vertebral e Instituto Trata, de Guarulhos. Saiba mais aqui!


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