Imunização antes do início da vida sexual é
estratégia para prevenir infecções associadas a diferentes tipos de câncer;
diálogo com as famílias é fundamental para ampliar a adesão
Magnific
A
vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) ainda enfrenta um desafio que vai
além do acesso aos imunizantes: a resistência de famílias em vacinar crianças e
pré-adolescentes contra um vírus associado à transmissão sexual. Para
especialistas, superar esse tabu é fundamental para ampliar a proteção e
prevenir doenças que podem se manifestar anos após a infecção.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a vacina contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia prioriza essa faixa etária porque a imunização apresenta melhor resposta quando realizada antes de uma possível exposição ao vírus. A vacinação também está associada à prevenção de diversos tipos de câncer, incluindo os de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe, além de verrugas genitais.
A relação entre o HPV e as infecções sexualmente transmissíveis pode gerar desconforto entre pais e responsáveis, especialmente quando os filhos ainda estão na infância. Nesse contexto, a vacina pode ser interpretada equivocadamente como um assunto ligado ao início precoce da vida sexual. A orientação dos profissionais de saúde, no entanto, é esclarecer que a imunização constitui uma medida preventiva e não um incentivo a relações sexuais.
“Um dos principais desafios é mostrar às famílias que vacinar nessa idade significa antecipar a proteção, e não antecipar qualquer conversa sobre o início da vida sexual. Adiar a vacina por desconforto com o tema pode fazer com que a criança perca a oportunidade de estar protegida no momento mais adequado”, explica Quézia Mendonça, pediatra e docente do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), integrante da Inspirali, vertical de educação médica da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas em diversas regiões do Brasil.
De
acordo com o Ministério da Saúde, em 2025, a cobertura vacinal contra o HPV foi
de 86,22% entre meninas de 9 a 14 anos e de 74,55% entre meninos da mesma faixa
etária, abaixo da meta de 90%. Em 2026, foi proposta a vacinação de resgate.
Adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados na idade
recomendada podem receber a dose pelo SUS até 31 de dezembro de 2026, conforme
a estratégia nacional vigente.
Falsas informações geram insegurança
Outro obstáculo para atingir as metas de cobertura vacinal é a circulação de informações falsas sobre a segurança e os efeitos da vacina. Incertezas sobre possíveis consequências para a saúde, fertilidade e comportamento sexual podem comprometer a confiança dos responsáveis. Por isso, campanhas educativas precisam oferecer informações acessíveis, baseadas em evidências científicas, e abrir espaço para que pais e responsáveis esclareçam suas dúvidas com profissionais qualificados.
A participação das escolas, dos serviços de atenção básica e das instituições de ensino superior também pode contribuir para ampliar o alcance das ações. Atividades de educação em saúde, mobilização comunitária e verificação da caderneta de vacinação ajudam a identificar crianças e adolescentes que ainda não receberam o imunizante.
“A
proteção contra o HPV é uma responsabilidade compartilhada entre famílias,
profissionais de saúde e poder público. Ao tratar o assunto com naturalidade e
informação, é possível reduzir preconceitos, fortalecer a confiança na
vacinação e ampliar as oportunidades de prevenção de doenças graves ao longo da
vida”, destaca a médica pediátrica Quézia Mendonça.
Universidade Salvador - UNIFACS
www.unifacs.br
Inspirali
Ânima Educação
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