Esforço físico vigoroso e esporádico funciona como gatilho de eventos cardiovasculares em pessoas com fatores de risco; cardiologista orienta início gradual e avaliação médica prévia
Atividades
físicas intensas realizadas sem condicionamento adequado podem aumentar
temporariamente o risco de infarto agudo do miocárdio entre 3,45 e 4,6 vezes,
durante ou logo após o esforço, segundo estudos científicos. O risco é maior
entre pessoas sedentárias e portadoras de doenças cardíacas silenciosas, que
muitas vezes desconhecem a própria condição.
A médica cardiologista Fernanda Douradinho, orienta sobre os cuidados
necessários para quem pratica exercícios de forma concentrada nos fins de
semana ou está saindo do sedentarismo.
O esforço físico vigoroso provoca aumento transitório da frequência cardíaca,
da pressão arterial e da demanda de oxigênio pelo músculo cardíaco. Em pessoas
predispostas, esse conjunto de alterações pode desencadear infarto e arritmias.
“Os grupos mais vulneráveis são os que apresentam hipertensão arterial, diabetes,
colesterol elevado, tabagismo, obesidade, doença coronariana conhecida ou
histórico familiar de doença cardíaca precoce”, alerta.
Fernanda explica que a prática concentrada em um ou dois dias da semana, no
entanto, não é necessariamente prejudicial. Estudos indicam que esse padrão
também pode trazer benefícios cardiovasculares, desde que volume e intensidade
sejam compatíveis com a condição física de cada pessoa. “O ponto de maior risco
está na transição repentina do sedentarismo para atividades desgastantes”.
Alguns sintomas durante ou após o exercício exigem interrupção imediata da
atividade e busca por atendimento de urgência: dor, pressão ou aperto no peito,
com ou sem irradiação para braços, costas, mandíbula ou pescoço; falta de ar
desproporcional ao esforço; tontura intensa ou desmaio; palpitações
acompanhadas de mal-estar; e sudorese fria com náuseas. Esses sinais podem
indicar isquemia miocárdica, arritmias ou outras condições graves.
A avaliação cardiológica prévia é recomendada a pessoas com sintomas sugestivos
de doença cardiovascular, doença cardíaca conhecida ou fatores de risco
relevantes. Também deve ser considerada por quem pretende iniciar atividades de
alta intensidade, como corridas de longa distância, futebol competitivo ou
ciclismo intenso, após muitos anos sem se exercitar.
Fernanda recomenda que para quem está começando, o ideal é iniciar com
caminhadas leves de 10 a 15 minutos, ampliando tempo e intensidade de forma
progressiva. A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem de
150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou de 75 a 150
minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em
pelo menos dois dias por semana.
"O problema não é exercitar-se apenas no fim de semana, e sim sair do
sedentarismo diretamente para uma atividade extenuante, sem preparo e sem saber
como está a saúde do coração. Essa meta de 150 minutos semanais não precisa ser
atingida logo no início, porque pequenas quantidades de exercício já trazem benefícios.
Regularidade, progressão gradual, hidratação e atenção aos sinais do corpo são
o que tornam a prática segura. O coração se beneficia muito mais de uma rotina
sustentável do que de esforços exagerados e esporádicos", afirma Fernanda
Douradinho, médica cardiologista.
Fernanda Douradinho da Rocha Silva - médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos. Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.

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