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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Anvisa aprova primeiro tratamento oncológico administrado por meio de um dispositivo subcutâneo

 

Nova tecnologia reduz o tempo de administração do tratamento e diminui reações associadas à infusão intravenosa, representando um ganho na rotina dos pacientes
 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anuncia a aprovação de Sarclisa (isatuximabe) com administração subcutânea em combinação com regimes terapêuticos padrão aprovado para tratamento de mieloma múltiplo (MM)1. Com essa aprovação, Sarclisa torna-se o primeiro tratamento oncológico a poder ser administrado tanto por meio de um dispositivo de infusão portátil (on-body injector - OBI) quanto por administração subcutânea manual, representando uma potencial mudança na rotina de pessoas que convivem com MM, considerado o segundo câncer no sangue mais comum do mundo2. 

Até então, os tratamentos para a doença eram administrados por via endovenosa ou administração subcutânea manual. Com a nova tecnologia, o tratamento passa a ser realizado por via subcutânea de forma automatizada, com menor interferência na rotina dos pacientes, considerando o tempo de administração significativamente menor em comparação à via endovenosa do produto. A administração subcutânea também reduz reações relacionadas à infusão endovenosa. 

“A expectativa de vida dos pacientes de mieloma múltiplo quintuplicou nos últimos vinte anos. Isso é uma ótima notícia, mas que também gerou um novo desafio: garantir que as pessoas possam viver mais tempo com qualidade. Precisamos tornar a jornada terapêutica menos desgastante para pacientes e familiares”, explica Dra. Vania Hungria, CRM-SP 4366, co-fundadora da International Myeloma Foundation Latin America e Médica Hematologista na Clínica São Germano. 

“Na Sanofi, temos o compromisso de transformar não apenas os tratamentos, mas também a forma de como eles fazem parte da vida dos pacientes. A aprovação dessa nova via de administração representa um avanço importante nessa jornada, ao trazer mais conforto e conveniência e contribuir para reduzir o impacto do tratamento no dia a dia de quem vive com mieloma múltiplo. Temos muito orgulho de sermos pioneiros ao disponibilizar uma inovação como essa para um tratamento contra o câncer, reforçando nossa ambição de continuar redefinindo a experiência de cuidado para pacientes e para todo o ecossistema de saúde”, complementa Anne Pradeilles, Líder da Unidade de Oncologia na Sanofi Brasil. 

Para a aplicação subcutânea, é usado um injetor automatizado chamado CirCLIQ, da Enable Injections, que foi desenvolvido para administrar medicamentos de grande volume ao toque de um botão. O dispositivo utiliza uma agulha retrátil de calibre 30G, mais curta e mais fina do que as agulhas normalmente utilizadas em injeções de grande volume. Além de todos os benefícios para a rotina do paciente, o CirCLIQ também pode otimizar o processo de administração para os profissionais de saúde, reduzindo potencialmente a carga física sobre os enfermeiros por meio de um dispositivo mãos livres e proporcionando mais tempo para monitoramento e interação com os pacientes. 

A aprovação se baseia nos resultados do estudo de fase 3 IRAKLIA, que demonstrou a não inferioridade desse novo método de aplicação. De acordo com o estudo, o perfil geral de segurança do Sarclisa subcutâneo foi consistente com o perfil de segurança já estabelecido do Sarclisa endovenoso3. Além disso, o estudo aponta que o método subcutâneo proporciona um tempo de tratamento significativamente menor e menos reações relacionadas à infusão. Enquanto 25% dos pacientes tratados com aplicação intravenosa apresentaram reações relacionadas à infusão, apenas 1,5% dos que foram tratados com aplicação subcutânea apresentaram essas mesmas reações2. 

A molécula já está aprovada no Brasil desde 2021, e atualmente conta com quatro indicações: para o tratamento de pacientes adultos recidivados e refratários que receberam pelo menos duas terapias anteriores e demonstraram progressão da doença na última terapia; para tratamento de pacientes adultos recidivados e/ou refratários que receberam pelo menos uma terapia anterior; para pacientes adultos recém-diagnosticados inelegíveis para o transplante autólogo de células-tronco (TACT) e para pacientes adultos recém-diagnosticados elegíveis ao TACT.
 

Sobre o mieloma múltiplo 

O mieloma múltiplo (MM) é o segundo tipo de câncer de sangue mais comum no mundo¹, afetando mais de 130 mil pacientes e 32 mil diagnósticos por ano4. Com origem na medula óssea, sua principal característica é o aumento do número de plasmócitos (células do sistema imunológico), o que pode causar problemas nos ossos e em outros órgãos, como anemia, alteração no funcionamento dos rins, dor nos ossos e aumento dos níveis de cálcio no sangue5. Outros sintomas da doença são fraqueza e quadros de infecção frequentes4.

Apesar dos tratamentos disponíveis, o mieloma múltiplo não tem cura e a maioria dos pacientes recaem ao longo da jornada da doença, necessitando de novos tratamentos. Por isso, estudos mostram que é importante considerar um tratamento eficaz já na primeira linha para obter melhores resultados a longo prazo6.
 

Sobre o estudo IRAKLIA 

O IRAKLIA (identificador do estudo clínico: NCT05405166) foi um estudo randomizado, aberto e pivotal de fase 3 que avaliou a não inferioridade do Sarclisa administrado em dose fixa por via subcutânea (SC) via OBI em comparação com o Sarclisa administrado por via intravenosa (IV) com dose peso-dependente, em combinação com Pd, em pacientes adultos com MM R/R que haviam recebido pelo menos uma linha de tratamento prévia. Os desfechos coprimários avaliados foram a taxa de resposta global (overall response rate - ORR), definida como a proporção de pacientes com resposta completa (RCs) estrita, resposta completa (RC), resposta parcial muito boa (RPMB) e resposta parcial (RP), de acordo com os critérios do Grupo de Trabalho Internacional sobre Mieloma de 2016 (International Myeloma Working Group – IMWG), avaliados por um Comitê de Revisão Independente; e a concentração observada de Sarclisa em estado de equilíbrio farmacocinético antes da administração no dia 1 do ciclo 6 (Ctrough C6D1)
 


Sanofi  
 

 Referências:

[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução-RE nº 4.190, de 22 de outubro de 2026. Concede a alteração de descrição/composição e inclusão de via de administração para o produto biológico Sarclisa (Isatuximabe) da Sanofi Medley Farmacêutica Ltda., processos nº 25351.045257/2020-93, expedientes nº 1233740/25-4 e 1233744/25-7. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 92, p. 101, 26 out. 2026. Disponível em: RESOLUÇÃO-RE nº 4.190, DE 22 DE OUTUBRO DE 2026 - RESOLUÇÃO-RE nº 4.190, DE 22 DE OUTUBRO DE 2026 - DOU - Imprensa Nacional. Acesso em: 26 de outubro de 2026.

[2] Kazandjian. Epidemiologia e sobrevida do mieloma múltiplo: Uma malignidade única. Semestre Oncol. 2016;43(6):676-681.doi:10.1053/j/seminoncol.2016.11.004.

[3] IRAKLIA: Ailawadhi S et al. Isatuximab Subcutaneous by On-Body Injector Versus Isatuximab Intravenous Plus Pomalidomide and Dexamethasone in Relapsed/Refractory Multiple Myeloma: Phase III IRAKLIA Study. J Clin Oncol. 2025 Aug;43(22):2527-2537. doi: 10.1200/JCO-25-00744. Epub 2025 Jun 3. Erratum in: J Clin Oncol. 2025 Sep 20;43(27):3056. doi: 10.1200/JCO-25-01767. PMID: 40459178.

[4] Instituto Nacional do Câncer. Fatos estatísticos sobre o câncer de mieloma. Disponível em:

 www.seer.cancer.gov/statfacts/html/mulmy.html. Acesso em 23 de junho de 2026.

[5] Kyle RA, Rajkumar SV. Multiple myeloma. N Engl J Med 2004; 351:1860-73

[6] Richter J, Pan D, Salinardi T, Rice MS. Real-world multiple myeloma front-line treatment and outcomes by transplant in the United States. eJHaem. 2023;4(4):984-994. doi:10.1002/jha2.739


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