Estudo internacional revela que 40,8%
das mulheres dizem ter postergado consultas e exames por causa do trabalho.
A falta de tempo para cuidar da saúde
fez com que 40,8% das mulheres adiassem a busca por assistência médica, segundo
um estudo do programa norte-americano All of Us com 117.806
participantes. Entre os principais motivos, 12,5% das entrevistadas apontaram a
dificuldade de se ausentar do trabalho. Para a ginecologista Rosa Maria Neme,
da Rede Plus, esse conflito é ainda mais recorrente a partir dos 30 anos, idade
que coincide com o acúmulo de múltiplos papéis sociais. “A mulher até vai ao
médico, mas geralmente para ‘apagar incêndios’ ou lidar com um sintoma que já
está atrapalhando seu dia a dia. A prevenção sistêmica, que evitaria doenças no
futuro, é colocada em segundo plano”, explica a especialista.
No Brasil, a rotina profissional também aparece
como obstáculo concreto. A recém publicada pesquisa da Catho com 478 mulheres
aponta que 37% adiam ou remarcam consultas, exames e check-ups por causa do
trabalho. Entre mães e gestantes ouvidas no levantamento, 43% apontaram a
sobrecarga entre trabalho e família como um dos principais desafios após a
maternidade. Embora o levantamento não represente necessariamente o conjunto
das brasileiras, os resultados dão a dimensão a um conflito cotidiano:
conciliar responsabilidades pode comprometer a regularidade do cuidado.
O alerta ganha importância a partir dos 30 anos,
fase em que o acompanhamento preventivo precisa ir além das consultas motivadas
por sintomas ou das avaliações voltadas exclusivamente à saúde reprodutiva.
Pressão arterial, glicemia, peso, sono, saúde mental e histórico familiar
também merecem atenção, conforme as necessidades individuais e a orientação
médica. Não se trata de multiplicar exames ou criar mais uma obrigação na
agenda, mas de identificar fatores de risco e alterações precocemente, antes
que se convertam em problemas mais difíceis de controlar.
A responsabilidade, porém, não recai apenas sobre a
mulher. Relatório de 2026 do McKinsey Health Institute em parceria com o Fórum
Econômico Mundial estima que as mulheres passam, em média, 25% mais tempo de
suas vidas em condições de saúde precária do que os homens. Cerca de um terço
dessa diferença está associado a falhas evitáveis na assistência, como
rastreamento insuficiente, diagnósticos tardios e tratamentos inadequados. O
dado reforça a necessidade da prevenção além apenas da conscientização,
avançando para o acesso a assistência de cuidado acessível, contínua e adequada
às necessidades de cada paciente.
“A consulta ginecológica é fundamental, mas não
podemos focar apenas em útero, ovários e mamas e desconsiderar o restante do
organismo e o contexto em que essa paciente vive”, alerta Rosa Maria. Segundo
ela, estresse crônico, privação de sono e sedentarismo podem repercutir no
metabolismo e precisam ser considerados no acompanhamento. Uma abordagem
integrada permite avaliar a saúde da mulher para além de uma queixa isolada ou
de uma etapa específica da vida.
O peso das tarefas domésticas e de cuidado também
ajudam a explicar por que o tempo para a prevenção é tão disputado. Em 2022, as
mulheres brasileiras dedicavam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres
domésticos e cuidados de pessoas, ante 11,7 horas entre os homens, segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado não estabelece
uma relação direta com o adiamento de consultas, mas evidencia a desigualdade
na distribuição do trabalho não remunerado que muitas mulheres conciliam com a
vida profissional.
Para Rosa Maria, a resposta passa por um plano de
prevenção individualizado, que considere a fase de vida, os fatores de risco e
as condições reais de cada paciente. “A prevenção precisa ser compatível com a
vida real, considerando o nível de estresse e a rotina de cada uma”, afirma.
“Quanto mais simples, organizada e acessível for a linha de cuidado, maior a
possibilidade de a mulher blindar sua saúde mesmo durante os períodos
profissionais e pessoais mais exigentes.”
Care
Plus
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