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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A partir dos 30, mulheres enfrentam maior desafio de conciliar rotina e prevenção da saúde

Estudo internacional revela que 40,8% das mulheres dizem ter postergado consultas e exames por causa do trabalho.

 

A falta de tempo para cuidar da saúde fez com que 40,8% das mulheres adiassem a busca por assistência médica, segundo um estudo do programa norte-americano All of Us com 117.806 participantes. Entre os principais motivos, 12,5% das entrevistadas apontaram a dificuldade de se ausentar do trabalho. Para a ginecologista Rosa Maria Neme, da Rede Plus, esse conflito é ainda mais recorrente a partir dos 30 anos, idade que coincide com o acúmulo de múltiplos papéis sociais. “A mulher até vai ao médico, mas geralmente para ‘apagar incêndios’ ou lidar com um sintoma que já está atrapalhando seu dia a dia. A prevenção sistêmica, que evitaria doenças no futuro, é colocada em segundo plano”, explica a especialista.

No Brasil, a rotina profissional também aparece como obstáculo concreto. A recém publicada pesquisa da Catho com 478 mulheres aponta que 37% adiam ou remarcam consultas, exames e check-ups por causa do trabalho. Entre mães e gestantes ouvidas no levantamento, 43% apontaram a sobrecarga entre trabalho e família como um dos principais desafios após a maternidade. Embora o levantamento não represente necessariamente o conjunto das brasileiras, os resultados dão a dimensão a um conflito cotidiano: conciliar responsabilidades pode comprometer a regularidade do cuidado.

O alerta ganha importância a partir dos 30 anos, fase em que o acompanhamento preventivo precisa ir além das consultas motivadas por sintomas ou das avaliações voltadas exclusivamente à saúde reprodutiva. Pressão arterial, glicemia, peso, sono, saúde mental e histórico familiar também merecem atenção, conforme as necessidades individuais e a orientação médica. Não se trata de multiplicar exames ou criar mais uma obrigação na agenda, mas de identificar fatores de risco e alterações precocemente, antes que se convertam em problemas mais difíceis de controlar.

A responsabilidade, porém, não recai apenas sobre a mulher. Relatório de 2026 do McKinsey Health Institute em parceria com o Fórum Econômico Mundial estima que as mulheres passam, em média, 25% mais tempo de suas vidas em condições de saúde precária do que os homens. Cerca de um terço dessa diferença está associado a falhas evitáveis na assistência, como rastreamento insuficiente, diagnósticos tardios e tratamentos inadequados. O dado reforça a necessidade da prevenção além apenas da conscientização, avançando para o acesso a assistência de cuidado acessível, contínua e adequada às necessidades de cada paciente.

“A consulta ginecológica é fundamental, mas não podemos focar apenas em útero, ovários e mamas e desconsiderar o restante do organismo e o contexto em que essa paciente vive”, alerta Rosa Maria. Segundo ela, estresse crônico, privação de sono e sedentarismo podem repercutir no metabolismo e precisam ser considerados no acompanhamento. Uma abordagem integrada permite avaliar a saúde da mulher para além de uma queixa isolada ou de uma etapa específica da vida.

O peso das tarefas domésticas e de cuidado também ajudam a explicar por que o tempo para a prevenção é tão disputado. Em 2022, as mulheres brasileiras dedicavam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, ante 11,7 horas entre os homens, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado não estabelece uma relação direta com o adiamento de consultas, mas evidencia a desigualdade na distribuição do trabalho não remunerado que muitas mulheres conciliam com a vida profissional.

Para Rosa Maria, a resposta passa por um plano de prevenção individualizado, que considere a fase de vida, os fatores de risco e as condições reais de cada paciente. “A prevenção precisa ser compatível com a vida real, considerando o nível de estresse e a rotina de cada uma”, afirma. “Quanto mais simples, organizada e acessível for a linha de cuidado, maior a possibilidade de a mulher blindar sua saúde mesmo durante os períodos profissionais e pessoais mais exigentes.”

 

Care Plus


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