Odor persistente pode estar relacionado a doenças respiratórias,
obstrução nasal e alterações nas amígdalas; otorrinolaringologista explica os
sinais de alerta e quando procurar avaliação médica 
Imagem de pvproductions no Magnific
O mau hálito em crianças pode ser
motivo de preocupação para os pais, especialmente quando persiste mesmo após a
escovação dos dentes. Embora episódios pontuais sejam comuns, o odor frequente
ou intenso pode indicar alterações que vão além da higiene bucal, incluindo
problemas respiratórios. Por isso, é importante observar se o sintoma vem
acompanhado de outros sinais, como nariz entupido, ronco ou respiração pela
boca.
Segundo a Dra. Camyla Rolim, otorrinolaringologista do HOPE, o mau
hálito persistente, também chamado de halitose, pode estar relacionado a
condições que afetam o nariz, a garganta e a respiração. “As causas mais comuns
estão relacionadas à cavidade oral, como higiene inadequada, acúmulo de placa
bacteriana e problemas dentários. No entanto, quando o sintoma é persistente,
também precisamos investigar possíveis alterações otorrinolaringológicas, como
rinite, sinusite, aumento das amígdalas e da adenoide”, explica.
A relação com os problemas respiratórios ocorre porque o excesso
de secreção nasal e a obstrução do nariz podem levar a criança a respirar pela
boca. Com isso, há um ressecamento da região, reduzindo a ação da saliva, que
ajuda a limpar e proteger a cavidade oral. “Quando a criança respira
predominantemente pela boca, principalmente durante o sono, as bactérias podem
se acumular mais facilmente, favorecendo a produção de substâncias responsáveis
pelo mau odor”, esclarece a especialista.
Outro fator possível é o acúmulo de resíduos nas amígdalas,
estruturas localizadas no fundo da garganta. Esses resíduos podem formar
pequenos depósitos conhecidos como cáseos, que apresentam odor desagradável. Já
o aumento da adenoide, tecido localizado atrás do nariz, pode dificultar a
passagem do ar e favorecer a respiração pela boca. “Nem toda criança com
amígdalas ou adenoide aumentadas terá mau hálito, mas essas condições podem
contribuir para o problema em determinados casos”, ressalta a Dra. Camyla.
Para diferenciar um episódio ocasional de um sinal de alerta, os
pais devem observar a frequência e a intensidade do odor. O mau hálito ao
acordar ou após o consumo de determinados alimentos, por exemplo, nem sempre
indica um problema de saúde. Por outro lado, quando persiste ou retorna com
frequência, especialmente associado a ronco, sono agitado, nariz constantemente
entupido, secreção nasal persistente ou dor de garganta recorrente, merece
avaliação médica.
Um sinal que exige atenção especial é a presença de secreção com cheiro forte em apenas uma narina. “Em crianças pequenas, isso pode indicar a presença de um corpo estranho no nariz, como um pequeno objeto colocado pela própria criança. Quando há secreção com mau cheiro de um único lado, com ou sem sangramento, é importante procurar um otorrinolaringologista para investigar a causa e realizar a remoção de forma segura, se necessário”, alerta a otorrinolaringologista.
O tratamento depende da origem do sintoma e pode envolver cuidados
com a higiene bucal, acompanhamento odontológico ou tratamento de condições
respiratórias. Balas, sprays e enxaguantes podem disfarçar o odor
temporariamente, mas não resolvem o problema quando há uma causa de base. “O
mau hálito persistente não deve ser considerado simplesmente normal da
infância. É um sinal de que precisamos investigar o que está acontecendo e
tratar a causa, e não apenas mascarar o cheiro”, finaliza a Dra. Camyla Rolim.
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