Informação, prevenção e diagnóstico precoce
salvam vidas no caso do tipo de câncer mais incidente entre os homens
O tumor de próstata responde por um em
cada três cânceres diagnosticados em homens no Brasil. Segundo dados do
Ministério da Saúde, 50 homens morreram por dia em 2025 vítimas da doença. E
por que os números são tão altos se o índice de cura passa de 95% quando o
câncer de próstata é descoberto cedo? A resposta está na prevenção. A
campanha Novembro Azul procura levar conhecimento e informação para superar a
resistência masculina ao rastreamento da doença.
“A partir dos 50 anos, ou 45, nos
grupos de maior risco, todo homem precisa ter uma conversa franca com seu
médico sobre benefícios e riscos do rastreamento. E quem já tem sintomas, como
dificuldade para urinar, sangue na urina ou dor nos ossos, não está mais na
fase de prevenção: precisa de investigação, sem demora”, alerta Fernando
Medina, oncologista do Centro de Oncologia Campinas.
A Sociedade Brasileira de Urologia
recomenda avaliação individual a partir dos 50 anos, ou dos 45 para quem tem
pai ou irmão com a doença e para homens negros, grupo que apresenta taxas de
incidência e de mortalidade maiores por questões genéticas e biológicas.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA)
estima cerca de 78 mil casos novos de câncer de próstata por ano entre 2026 e
2028 e quase 18 mil mortes pela doença anualmente. As pesquisas apontam um
conjunto de razões como responsáveis pela letalidade do câncer de próstata, referendadas
pela experiência clínica de Fernando Medina.
Segundo Medina, a primeira razão é de
cunho cultural: desde cedo, os meninos aprendem que homem aguenta dor, não
reclama e não demonstra fragilidade — e procurar o médico pode ser visto como
sinal de fraqueza. A segunda é o medo: do exame de toque, da biópsia e,
principalmente, do resultado.
“A terceira é a sensação de
invulnerabilidade, aquele ‘comigo não vai acontecer’, somada à ideia de que o
trabalho e a família não podem parar. Por fim, há a desinformação: muitos
homens simplesmente não sabem quais sinais merecem atenção”, resume o
oncologista.
O médico cita um estudo europeu
publicado em 2025 para justificar a necessidade do rastreamento. Após
acompanhar mais de 160 mil homens por 23 anos, os pesquisadores mostraram que o
rastreamento com PSA (exame de sangue que ajuda a identificar anomalias na
próstata) reduziu em 13% as mortes por câncer de próstata — e que o benefício
aumenta com o tempo, enquanto os danos ficam proporcionalmente menores.
O fato de o câncer de próstata ser uma
doença silenciosa nas fases iniciais reforça a importância da prevenção. “Cerca
de 95% dos tumores já estão avançados quando os sintomas aparecem”, esclarece o
oncologista.
Cuidados,
exames e sintomas
A saúde masculina enfrenta desafios
específicos e riscos aumentados. Campanhas como a do Novembro Azul buscam, além
do diagnóstico precoce, desmistificar exames e cuidados médicos e educar os
homens sobre a importância de uma vida saudável.
Os sintomas do câncer de próstata geralmente
aparecem em estágios avançados, reafirma Medina, e incluem dificuldade para
urinar, necessidade de urinar com frequência, especialmente à noite, e dor
pélvica.
“Muitos homens não apresentam sintomas
nas fases iniciais, o que reforça a importância de exames de rastreamento, como
o toque retal e o PSA (antígeno prostático específico), especialmente a partir
dos 50 anos, ou dos 45 anos para aqueles com histórico familiar ou outros
fatores de risco”, indica Fernando Medina.
O câncer de próstata tem uma
manifestação esperada para depois da quarta ou quinta década de vida. É
importante salientar que quando há um histórico familiar, a pessoa pode herdar
a chance de ter câncer de próstata.
Cerca de 60% dos casos ocorrem em
homens negros. Nove em cada dez diagnósticos de câncer de próstata no Brasil
são em homens a partir dos 55 anos de idade. História da doença na família
antes dos 60 anos e sobrepeso ou obesidade também contribuem para o risco
aumentado de desenvolvimento da neoplasia.
Hábitos de vida saudáveis ajudam a
prevenir todos os tipos de doença, inclusive o câncer de próstata. As
orientações para redução dos riscos de desenvolver a neoplasia são conhecidas:
alimentação saudável; manter o peso corporal adequado; praticar atividade
física; não fumar; evitar ingerir bebidas alcóolicas; realizar exames
preventivos regularmente, conforme indicação médica.
O que é
o câncer de próstata
O câncer de próstata é um tumor que
afeta a glândula prostática, localizada abaixo da bexiga e ao redor da uretra,
responsável por produzir parte do sêmen.
São
considerados fatores de risco à doença:
ü Idade avançada: a incidência aumenta
a partir dos 50 anos
ü Histórico familiar: Se pai, irmão ou
tio tiveram a doença antes dos 60 anos, o risco dobra ou triplica.
ü Raça/etnia: Maior incidência em
homens negros.
ü Obesidade: Contribui para
desregulações hormonais e tipos mais agressivos.
ü Exposição ocupacional: Contato
frequente com agentes químicos (como em indústrias) eleva o risco em cerca de
1% dos casos.
ü Outros: Dieta rica em gorduras
saturadas e sedentarismo também são associados, embora não diretamente
causais.
Ações do
Centro de Oncologia Campinas
O Centro de Oncologia Campinas
realizará palestras ao longo do mês para informar e conscientizar sobre o
câncer de próstata. A agenda de ações em empresas de Campinas e região foi
fechada ainda no mês de outubro. Médicos do COC estarão em contato com os
colaboradores dos estabelecimentos inscritos para reforçar as estratégias de
informação.
No próximo dia 9 (segunda-feira) haverá
também uma palestra aberta à comunidade no auditório do COC. A abertura será
feita pelo oncologista Fernando Medina. Na sequência, a médica Helena Saito
falará sobre tratamento e qualidade de vida. Por último, a equipe
multidisciplinar do COC tratará dos efeitos colaterais e da manutenção da
qualidade de vida dos pacientes. Um café da manhã será oferecido aos
participantes.
No dia 14 de novembro, o médico
Fernando Medina é um dos palestrantes convidados do evento “Homens Honrados –
Novembro Azul”, que acontecerá no teatro do Centro de Convivência Cultural de
Campinas, das 15h às 22h. A ação é aberta e gratuita. A programação é dedicada
a discussões sobre saúde, família, propósito, identidade, legado e conexão. Há
também a opção de compra de ingressos que dão direito à participação no coffee
e no happy hour, pelo link www.e-inscricao.com/homens-honrados-cps/evento
No dia 18 de novembro, o COC realizará
uma ação na Câmara Municipal de Campinas, a convite da vereadora Débora
Palermo. Folhetos informativos serão distribuídos nos gabinetes dos vereadores
pela equipe multidisciplinar, que também estará à disposição para
esclarecimentos sobre câncer de próstata. A partir das 16h30, o oncologista
Fernando Medina dará uma palestra sobre o tema, aberta à comunidade.
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