Especialista explica por que acompanhar a composição corporal é tão importante quanto monitorar a perda de peso e destaca o papel da alimentação e dos exercícios de força
A redução do peso corporal é um dos principais
objetivos do tratamento da obesidade, mas a quantidade de quilos eliminados não
deve ser o único indicador de evolução. Durante o emagrecimento com
medicamentos como semaglutida e tirzepatida, parte da perda de peso pode
corresponder à massa magra, que inclui os músculos. Por isso, especialistas reforçam
a importância de acompanhar a composição corporal e adotar estratégias para
preservar a musculatura ao longo do tratamento.
Estudos apontam
que entre 25% e 39% do peso perdido durante o tratamento com medicamentos para
obesidade pode corresponder à massa magra. Essa proporção varia conforme as
características de cada indivíduo e não representa, necessariamente, uma perda
exclusivamente muscular. Ainda assim, o dado chama a atenção para a necessidade
de um acompanhamento que vá além dos números apresentados pela balança¹,².
Com a expansão do
uso das chamadas canetas emagrecedoras, a avaliação da composição corporal
passa a ter papel relevante no acompanhamento dos pacientes. A Diretriz
Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, publicada em 2026 pela
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica
(ABESO), destaca a bioimpedância como uma ferramenta que pode auxiliar nesse
processo³.
“Durante o
emagrecimento, é importante olhar além dos quilos perdidos. Acompanhar as mudanças
na composição corporal, a força muscular e a capacidade de realizar as
atividades do dia a dia ajuda a compreender melhor a resposta ao tratamento”,
explica a Dra. Cecília M. Q. Barroso, médica cardiologista e porta-voz médica
da OMRON Healthcare Brasil.
Alimentação e exercícios de
força são aliados da massa muscular
A preservação da
musculatura é um dos pontos de atenção durante o tratamento da obesidade. Um
estudo que avaliou pacientes com obesidade em uso de semaglutida identificou
uma redução inicial da massa magra, que tende a se estabilizar ao longo do
acompanhamento. Os pesquisadores também observaram melhora da força de preensão
manual e redução da ocorrência de obesidade sarcopênica — condição
caracterizada pela associação entre obesidade e comprometimento da força, da
quantidade ou da qualidade muscular⁴.
Nesse cenário, a
prática regular de exercícios de força, como a musculação, e a ingestão
adequada de proteínas são medidas importantes para favorecer a manutenção da
massa muscular durante o emagrecimento. As estratégias, entretanto, devem ser
individualizadas e considerar as condições clínicas, as necessidades nutricionais
e a capacidade física de cada paciente¹,²,⁵.
Bioimpedância amplia o
acompanhamento da composição corporal
Diferentemente das
balanças convencionais, os equipamentos com tecnologia de bioimpedância estimam
diferentes indicadores da composição corporal, como percentual de gordura,
gordura visceral e massa muscular. Essas informações permitem observar mudanças
que nem sempre são identificadas apenas pela variação do peso e podem
complementar a avaliação feita pelos profissionais de saúde³.
Entre as tecnologias
disponíveis está a balança OMRON Connect2 (HBF-270T1), que estima oito
indicadores corporais, incluindo peso, índice de massa corporal (IMC), gordura
corporal, gordura visceral e músculo esquelético. O equipamento conta com
conexão Bluetooth e integração ao aplicativo OMRON connect, que permite
registrar as medições, consultar o histórico e compartilhar os resultados com o
profissional de saúde.
“Uma estratégia de
emagrecimento deve considerar não apenas a quantidade de peso perdida, mas
também os cuidados necessários para preservar a musculatura. Alimentação
adequada, ingestão suficiente de proteínas, exercícios de força e
acompanhamento profissional são medidas fundamentais durante o tratamento”,
conclui a Dra. Cecília Barroso.
Referências
- Jalleh RJ, Talley
NJ, Horowitz M, Nauck MA. The science of safety: adverse effects of GLP-1
receptor agonists as glucose-lowering and obesity medications. J Clin
Invest. 2026;136(4).
- Laverde LP,
Muñoz-Velandia OM, Alfonso D, Gómez Medina AM. Effect of GLP-1 receptor
agonists at doses for obesity management on muscle health: systematic
review and meta-analysis of randomized controlled trials (RCTs). Int J
Obes (Lond). 2026;50(8):1638-1646.
- Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz
brasileira de tratamento farmacológico da obesidade. 5. ed. São Paulo:
Scientific; 2026.
- Alissou M,
Demangeat T, Folope V, et al. Impact of Semaglutide on fat mass, lean mass
and muscle function in patients with obesity: The SEMALEAN study. Diabetes
Obes Metab. 2026;28(1):112-121.
- Mesinovic J, Hurst C, Leung GKW, et al. Exercise and dietary recommendations to preserve musculoskeletal health during weight loss in adults with obesity: A practical guide. Rev Endocr Metab Disord. 2025;26(5):785-803.
5.

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