Pesquisar no Blog

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Confundido até com sintomas da menopausa, TDAH pode levar quatro anos a mais para ser diagnosticado em mulheres

No caso delas, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade ainda vai levar a rótulos mais intensos, como “desatenta” ou “desorganizada”

Evento Body 2026, que vai reunir mais de duas mil mulheres para discutir empoderamento e autoaceitação feminina em São Paulo, revela que a ideia de incapacidade ainda as deixam no escuro e sem diagnóstico


Desatenta, desorganizada ou incapaz de dar conta de tudo.  Quantas mulheres já não passaram por rótulos como esses na sua rotina, muitas vezes, com impactos na sua autoestima e desafios reais para sua saúde física e psicológica? E quantos anos uma mulher passa sendo julgada antes de entender o próprio diagnóstico? O que é estigmatizado como falta de esforço ou uma falha pessoal, muitas vezes, esconde aspectos do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma condição que ainda enfrenta desafios e reconhecimento  principalmente junto ao público feminino.

Neste ano, os rótulos associados ao TDAH e as dificuldades de diagnóstico que também são maiores para as mulheres estarão entre os temas centrais do painel “Por trás de cada rótulo existe uma pessoa” do Body 2026, evento dedicado a autoaceitação e ao empoderamento feminino que acontece no Hotel Unique em São Paulo, reunindo mais de duas mil mulheres.

De acordo com um estudo recente publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry, que analisou 85.330 pessoas com TDAH, as mulheres recebem o diagnóstico, em média, até quatro anos mais tarde que os homens. “Quando uma mulher passa anos ouvindo que é desorganizada, que não consegue dar conta de tudo ou que precisa se esforçar mais, esses julgamentos podem influenciar a maneira como ela enxerga a si mesma. Precisamos ampliar o acesso à informação e abrir espaço para que as pessoas contem suas histórias sem serem reduzidas a rótulos, com mais compreensão e menos culpa”, afirma Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, que participa do painel.

Como se não bastasse, muitas vezes, as queixas femininas também acontecem no período de perimenopausa ou menopausa, levando a um diagnóstico ainda mais tardio das mulheres acima dos 40 anos, justamente por uma confusão relacionada a esse momento de transição feminina. “As mulheres que sofrem com o TDAH, muitas vezes, ainda vão ouvir que se trata de algo normal nesse período, quando, na prática, precisam de uma avaliação clínica mais detalhada relacionada ao seu histórico e as diferentes fases da sua vida”, alerta Fabrícia Signorelli, psiquiatra do Ambulatório de TDAH no Adulto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

As particularidades da experiência feminina também aparecem na meia-idade. Pesquisa publicada em 2025 na revista European Psychiatry, com 5.392 mulheres de 35 a 55 anos, identificou sintomas graves relacionados à perimenopausa em 54,2% das participantes com TDAH, em comparação com 30,1% daquelas sem o transtorno. Os resultados apontam para uma associação entre o TDAH e uma maior prevalência desses sintomas, reforçando a importância de uma avaliação clínica que considere o histórico e as diferentes fases da vida da mulher.

“Nenhuma mulher deveria precisar passar anos tentando provar que se esforça o suficiente para que suas dificuldades sejam levadas a sério. Por trás de cada rótulo, existe uma história que merece ser compreendida”, completa Ju Ferraz, sócia-diretora da Holding Clube, idealizadora do evento Body.


Por trás dos rótulos, histórias que precisam ser ouvidas

O diagnóstico tardio não diz respeito apenas à identificação de sintomas. Ele também pode afetar a maneira como uma mulher interpreta sua própria trajetória.

                                                                                                                    

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados