O check-up masculino vai além do exame de
próstata: saúde mental, sexualidade, metabolismo e pressão social também
merecem atenção
A rotina parece simples: praticar exercícios físicos, equilíbrio na alimentação, pressão arterial e exames em dia para colesterol, glicemia e hemograma. Para muitos homens, principalmente acima dos 40 anos, esse é o roteiro básico de cuidados com a saúde. Mas será que cumprir essa lista é suficiente para envelhecer bem?
No Novembro Azul, campanha de prevenção do câncer de próstata, a discussão sobre saúde masculina precisa ir além. Disfunção erétil, queda da libido, alterações hormonais, ansiedade, depressão, distúrbios do sono e mudanças no metabolismo são questões que podem afetar a qualidade de vida, a autoestima e os relacionamentos, mas nem sempre encontram espaço na conversa entre os homens e nas consultas médicas.
Parte do problema está na dificuldade de admitir vulnerabilidades. Em uma cultura que ainda associa masculinidade à força, ao controle e à autossuficiência, reconhecer que algo não vai bem pode ser interpretado como sinal de fraqueza. O resultado é que muitos homens ignoram sintomas, adiam consultas e procuram ajuda apenas quando o problema começa a interferir de maneira significativa na rotina.
“A partir dos 40 anos, o acompanhamento médico ganha importância, mas não existe uma lista universal de exames que sirva igualmente para todos. O histórico familiar, peso, pressão arterial, alimentação, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo, qualidade do sono e condições preexistentes ajudam a definir quais avaliações são necessárias e com que frequência devem ser realizadas”, alerta o Dr Vinicius Moraes Mariano, médico pós-graduado em Medicina do Esporte e Nutrologia.
De acordo com o especialista, há perguntas que merecem ser feitas, mesmo quando não aparecem na lista habitual de exames: como está a insulina de jejum? Há indicação para investigar marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us)? Alterações de libido, disposição ou função sexual justificam avaliar os níveis de testosterona total e, em situações específicas, de testosterona livre?
Essas avaliações, porém, não precisam ser
obrigatórias para todo homem. O importante é entender que o check-up deve ser
individualizado, e não uma corrida por exames.
Sexualidade, autoestima e saúde mental
Dificuldades de ereção, redução do desejo sexual e mudanças no desempenho podem provocar insegurança e comprometer relacionamentos. Por constrangimento, alguns homens evitam falar sobre o assunto ou recorrem à automedicação, sem investigar possíveis causas.
“Essas alterações podem estar relacionadas a fatores emocionais, medicamentos, problemas hormonais ou condições como diabetes e doenças cardiovasculares. Em determinados casos, a disfunção erétil também pode ser um sinal de alerta para problemas vasculares que precisam ser avaliados”, explica o médico.
Sintomas urinários, dores persistentes, alterações nos testículos e mudanças no desempenho ou no desejo sexual merecem atenção. Também é importante conversar com o médico sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, uso de preservativos e vacinação indicada para a faixa etária e o histórico individual.
Já quando falamos em saúde mental, os sinais de alerta nem sempre são evidentes. Irritabilidade e cansaço frequentes, dificuldade para dormir, isolamento, ansiedade e perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer podem indicar sofrimento emocional. Em alguns homens, esse quadro se manifesta de forma menos perceptível, por meio do excesso de trabalho, do silêncio, do aumento do consumo de álcool ou da adoção de comportamentos de risco.
O Novembro Azul é um convite a sair da lógica de procurar
atendimento apenas quando aparece um problema e adotar uma postura preventiva,
com acompanhamento regular.
“Mais do que cumprir uma lista de exames, vale aprender a reconhecer os sinais do próprio corpo, informar-se sobre fatores de risco e estabelecer uma relação de confiança com um profissional de saúde. Nem toda alteração exige uma bateria de testes, mas sintomas persistentes não devem ser ignorados”, completa Vinícius.
Dr Vinicius Moraes Mariano - Médico Pós-Graduado em Medicina do Esporte e Nutrologia (CRM 154.626): Formação em Medicina pela Universidade de Vassouras (RJ), com pós-graduação em Medicina Interna pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Nefrologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Sempre em busca de novos conhecimentos e praticante de esportes, concluiu pós-graduação em Medicina Esportiva e Nutrologia, é um apaixonado em melhorar a qualidade de vida das pessoas por meio da atividade física, orientação nutricional e fisiologia hormonal aplicada.
Instagram: @drviniciusmariano / @clinicaruvia
Nenhum comentário:
Postar um comentário