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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Intoxicação é mais frequente entre consumidores que compram produtos de limpeza informais, aponta pesquisa da ABIPLA

 Levantamento também mostra uso disseminado de misturas caseiras; monitoramento das redes identificou 4,2 mil menções sobre produtos informais, com alcance potencial de 13,8 milhões de pessoas.

 

Consumidores que compram produtos de limpeza em canais informais relatam, com maior frequência, casos de intoxicação. Segundo a Pesquisa de Informalidade 2026 da ABIPLA – Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional, 60,5% dos lares do perfil informal relatam que alguém já apresentou sintomas de intoxicação, ante 31,4% entre aqueles que compram exclusivamente no mercado formal. Entre as empresas que recorrem à informalidade, o índice também é de 60,5%. 

“Os dados mostram que a informalidade deve ser observada como uma questão de saúde pública. Procedência, formulação, embalagem e orientação de uso são aspectos, diretamente, ligados à segurança”, afirma Jordana Saldanha, presidente-executiva da ABIPLA. 

A incidência da informalidade apresentou avanço nominal nas últimas edições da pesquisa realizada pela ABIPLA. Nos domicílios, passou de 11%, em 2024, para 14%, em 2025, e 16%, em 2026. Entre as empresas, foi de 17% para 20% e 22%, respectivamente. 

A pesquisa é declaratória e não estabelece que a compra informal seja a causa das intoxicações. O mesmo consumidor pode estar exposto a outros fatores, como uso incorreto ou realização de misturas caseiras. O levantamento, porém, identifica uma associação consistente entre o perfil que compra informalmente e a maior frequência de sintomas relatados. 

No caso dos produtos regularizados, a orientação é diferente: eles passam por avaliação de eficácia e segurança para os usos autorizados e devem ser utilizados conforme as instruções do fabricante. Alterar a diluição, usar quantidade excessiva, aplicar o produto para outra finalidade ou misturá-lo com outras substâncias pode criar riscos que não existem nas condições previstas no rótulo. A Anvisa orienta, expressamente, a não misturar produtos de limpeza, salvo quando essa possibilidade estiver indicada pelo fabricante.

 

Misturas caseiras exigem atenção 

Outro dado chama a atenção: 69% dos entrevistados afirmaram substituir produtos de limpeza ou recorrer a misturas caseiras. Bicarbonato de sódio, vinagre e álcool estão entre os itens citados nessas práticas.  

“Uma receita pode parecer inofensiva porque utiliza produtos conhecidos, mas isso não significa que a combinação seja segura. Mesmo dois produtos regularizados e seguros quando usados separadamente podem reagir quando misturados. O caminho mais seguro é seguir a finalidade, a diluição e as demais orientações do rótulo”, explica Jordana.

A combinação de produtos químicos pode gerar substâncias tóxicas, queimaduras e danos materiais. A recomendação é não misturar produtos, salvo quando essa possibilidade estiver expressamente indicada pelo fabricante.

 

Cuidado com dicas das redes sociais 

Um estudo de social listening, realizado para a ABIPLA, identificou, entre janeiro e o início de julho de 2026, 4.204 menções relacionadas a produtos de limpeza informais nas redes sociais, com alcance potencial de 13,8 milhões de pessoas. As conversas reuniam dicas de limpeza, “misturinhas”, recomendações de uso, demonstrações, promoções e conteúdos sobre segurança. 

O monitoramento também identificou que fatia relevante da divulgação não parte de influenciadores tradicionais, mas de perfis voltados a promoções, ofertas e marketing de afiliados. Os principais perfis de divulgação apresentam características bastante semelhantes entre si: imagens femininas, frequentemente com aparência de geração por IA, nicknames genéricos com números e conteúdo predominantemente promocional. A recorrência desse padrão sugere uma estrutura de perfis voltada, principalmente, à amplificação de ofertas, cupons e links de compra. 

As repostagens também têm peso importante na disseminação. Entre os perfis analisados, há contas com uma única publicação original e mais de 170 repostagens, além de outras que atuam praticamente apenas como amplificadoras de conteúdos. O levantamento encontrou, ainda, textos quase idênticos publicados por contas diferentes, sem vínculo aparente entre si, repetindo chamadas promocionais, preços, cupons e links para marketplaces. O padrão indica uma estratégia de comunicação replicável e estruturada para ampliar a visibilidade das ofertas. 

O percarbonato de sódio foi o principal protagonista das conversas, concentrando 36,4% das citações monitoradas. A popularização foi impulsionada por dicas de uso, demonstrações, promoções, cupons e links de compra. No X, boa parte das publicações relacionadas ao produto estava associada a perfis especializados em ofertas e marketing de afiliados. 

O estudo identificou dois picos importantes de conversas sobre o percarbonato. O primeiro, em maio, foi puxado pelo compartilhamento de dicas e recomendações de uso. O segundo, em junho, ocorreu após a repercussão de um caso de ingestão acidental do produto e levou parte das discussões da eficácia para temas como segurança, armazenamento e manuseio. O comportamento mostra como um produto pode se transformar, rapidamente, em tendência nas redes, antes que orientações técnicas alcancem a mesma visibilidade. 

“O consumidor pode receber uma dica, assistir a uma demonstração e decidir experimentar uma combinação em poucos minutos. Por isso, a orientação técnica precisa chegar às pessoas com clareza e rapidez. Popularidade de uma receita nas redes não é garantia de segurança”, afirma Jordana Saldanha.

 

Mistura Explosiva e LIA levam orientação sobre manuseio seguro 

Em parceria com o Sistema CFQ/CRQs, a ABIPLA desenvolveu o Mistura Explosiva, iniciativa educativa que alerta para os riscos das combinações caseiras e combate informações incorretas disseminadas, especialmente, nas redes sociais. O projeto, já utilizado até em escolas, utiliza um jogo para orientar sobre o uso de produtos, a leitura dos rótulos e os riscos de misturar saneantes por conta própria. 

Em 2026, a ABIPLA também lançou a LIA – inteligência artificial que age no apoio à população e empresas que podem fazer perguntas e obter respostas sobre o uso adequado de produtos de limpeza nos mais variados ambientes e superfícies. 

“Produtos regularizados são desenvolvidos para serem usados com segurança dentro das condições estabelecidas pelo fabricante. O que precisamos combater é a falsa ideia de que misturar produtos, aumentar concentrações ou seguir uma receita viral melhora a limpeza. Informação e uso correto são parte da prevenção”, conclui Jordana. 

A Pesquisa de Informalidade 2026, realizada pela Mosaiclab para a ABIPLA, ouviu 1.000 responsáveis pela compra de produtos de limpeza nos lares e 711 responsáveis pelas compras em empresas, no Brasil. 

O estudo de social listening monitorou conversas digitais relacionadas a produtos de limpeza informais entre janeiro e o início de julho de 2026.  



Jordana Saldanha - jornalista e especialista em Reputação, Marketing Digital e Gestão de Negócios, com formação executiva pela FGV, Fundação Dom Cabral e INSPER. Atualmente, é Presidente-Executiva da ABIPLA e atuou como Gerente de Comunicação Institucional no Conselho Federal de Química. Tem 20 anos de experiência em televisão e trajetória sólida em comunicação estratégica no setor público e relações governamentais.


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