Dra. Daniela Celli Amalfi, especialista com graduação nas duas áreas, explica como a atuação conjunta trata a causa raiz de estalos na mandíbula, zumbidos e cefaleias crônicas
O que uma dor de cabeça persistente, uma tensão muscular no
pescoço e um estalo ao mastigar têm em comum? Para milhões de brasileiros, a
resposta está na articulação temporomandibular (ATM), a "dobradiça"
que liga a mandíbula ao crânio. Historicamente tratadas de forma isolada, as
Disfunções Temporomandibulares (DTM) e o bruxismo ganham agora uma nova
perspectiva clínica por meio da integração entre a Fisioterapia e a
Odontologia, uma abordagem interdisciplinar que busca reequilibrar o corpo como
um todo, indo muito além da cavidade oral.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que
cerca de 30% da população mundial sofre com o bruxismo (ato involuntário de
ranger ou apertar os dentes). No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Dores
Orofaciais e Disfunção Temporomandibular
(SBDOF) apontam que mais de 33% dos brasileiros apresentam sintomas de DTM. A
condição atinge principalmente adultos jovens e é comumente desencadeada por
fatores associados ao estilo de vida contemporâneo, como estresse e ansiedade.
A articulação da mandíbula funciona em constante sinergia com os
músculos da face, do pescoço e com a coluna cervical. Quando há um
desalinhamento na mordida, ranger noturno de dentes ou tensão muscular
acumulada, o impacto reflete em toda a região superior do corpo.
Com dupla graduação em Fisioterapia e Odontologia, a Dra. Daniela
Celli Amalfi destaca que olhar apenas para os
dentes é tratar somente a ponta do iceberg. "Muitas pessoas passam anos
peregrinando por especialistas e tomando analgésicos para tratar dores de cabeça
crônicas sem saber que a origem está na mandíbula. Da mesma
forma, ajustar a mordida com placas ou tratamentos odontológicos sem trabalhar
a postura cervical e a liberação muscular do pescoço pode fazer a dor retornar.
A fisioterapia e a odontologia precisam caminhar juntas para devolver o
equilíbrio funcional ao paciente.", explica a Dra. Daniela Celli Amalfi,
especialista em Fisioterapia e Odontologia.
O modelo interdisciplinar une o diagnóstico e as intervenções
estruturais da Odontologia às técnicas de reabilitação neuromuscular e postural
da Fisioterapia.
- A avaliação global: O paciente é
avaliado não só pela dentição, mas pela postura da cabeça, amplitude da
abertura da boca e padrão de respiração.
- Atuação Odontológica: Focada na
confecção de placas interoclusais personalizadas,
correção do alinhamento oclusal e proteção da estrutura dental contra o
desgaste.
- Atuação Fisioterapêutica: Utiliza terapia manual, liberação miofascial, agulhamento a
seco (dry needling) e exercícios de reeducação postural e mobilidade para
relaxar a musculatura mastigatória e cervical.
"O objetivo final não é apenas eliminar a dor pontual, mas
reeducar o corpo para que a disfunção não volte. Quando alinhamos a articulação
da mandíbula e relaxamos a cadeia muscular do pescoço, o paciente relata alívio
imediato na dor de cabeça, melhora no sono e até diminuição do estresse
diário.", pontua a Dra. Daniela Celli.
Dra. Daniela Celli - Cirurgiã-Dentista especialista em Implantodontia com sólida trajetória na área da saúde, integrando conhecimentos de Odontologia e Fisioterapia em sua prática clínica e acadêmica. Graduada em Odontologia e Fisioterapia pela Universidade de Araraquara (UNIARA), cursa Mestrado Profissional em Ciências Odontológicas na mesma instituição, com foco de pesquisa no uso de Ozonioterapia em exodontia de terceiros molares. Atua em reabilitação oral e procedimentos cirúrgicos complexos, com aperfeiçoamentos em Dentística, Cirurgia, L-PRF, venopunção, facetas em resina e reabilitação em maxilas atróficas. Defende que a integração de técnicas cirúrgicas avançadas, biomateriais e terapias complementares é essencial para garantir previsibilidade, rápida recuperação e a excelência funcional e estética no tratamento dos pacientes.

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