Falta de informação, baixa percepção de risco e
tabus relacionados à saúde sexual prejudicam o uso da estratégia preventiva
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) se consolidou como uma das estratégias de prevenção ao HIV mais eficazes dentro da política pública de saúde. No Brasil, a medicação é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém o perfil dos usuários revela uma participação ainda baixa das mulheres.
De acordo com o Painel de Monitoramento do Ministério da Saúde, o país registra atualmente 154.758 usuários ativos, dos quais apenas 6,1% são mulheres. O dado chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso à informação e incorporar a prevenção do HIV de forma mais integrada à rotina de cuidados de saúde sexual e reprodutiva das mulheres.
A baixa adesão entre mulheres é impulsionada por fatores sociais, estruturais e informacionais. A literatura científica nacional e internacional, incluindo estudos publicados na revista The Lancet HIV e pesquisas desenvolvidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que o principal obstáculo é a baixa percepção individual de risco.
Como a resposta histórica à epidemia focou o diálogo em populações específicas, criou-se o estigma social de que a PrEP não seria voltada para mulheres cisgênero, sobretudo aquelas inseridas em relacionamentos estáveis ou fora dos grupos de maior vulnerabilidade visível.
“Ainda existe uma ideia equivocada de que a mulher em relacionamento fixo está protegida do HIV. Muitas vezes, o risco vem da própria parceria sexual, e ela não tem essa informação ou não consegue negociar o uso da camisinha. A PrEP é uma excelente ferramenta de autonomia para a saúde feminina, mas ela sequer é mencionada nas consultas de rotina, como no atendimento ginecológico”, afirma a Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista e sexóloga, coordenadora do Projeto Afrodite (Ambulatório de Sexualidade Feminina da UNIFESP).
Além dos desafios de informação, especialistas apontam que ampliar a integração da PrEP à rotina da Atenção Primária é um passo estratégico para se aproximar das mulheres. Como a dispensação da profilaxia costuma estar concentrada em serviços especializados e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), a inclusão dessa pauta nos atendimentos de ginecologia, pré-natal e planejamento familiar impulsiona a descentralização do cuidado. Essa aproximação também ajuda a superar tabus que ainda associam a prevenção do HIV a julgamentos morais.
A rotina de uso da PrEP também exige cuidados específicos para o público feminino. Pelas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, as mulheres precisam tomar a medicação diariamente por pelo menos sete dias consecutivos para alcançar a proteção total.
Para
ampliar a participação das mulheres entre os usuários de PrEP, especialistas
defendem a integração da prevenção do HIV às políticas e práticas de saúde
sexual e reprodutiva, aliada à capacitação das equipes de saúde.
Blanver
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Ministério
da Saúde. Painel de Monitoramento da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).
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