
Oficina de Dança Sênior da MedSênior. Créditos: Divulgação/MedSênior.
Atividade combina movimento, estímulos cognitivos e
interação social; geriatra destaca os benefícios da dança para a saúde e a
qualidade de vida
Seja ao som de um
forró, de uma música de salão ou de uma coreografia em grupo, dançar é uma
atividade que vai além do entretenimento. Enquanto o corpo acompanha o ritmo, o
cérebro precisa reconhecer movimentos, coordenar passos e responder aos
estímulos da música. Quando praticada em grupo, a dança ainda proporciona
encontros, conversas e novas amizades. Essa combinação faz da atividade uma
possibilidade interessante para quem deseja manter uma rotina ativa ao longo do
envelhecimento.
A importância de
encontrar atividades que estimulem o movimento ganha ainda mais relevância
diante dos índices de inatividade física. Segundo dados da Organização Mundial
da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos no mundo, o equivalente a 1,8 bilhão
de pessoas, não atingem os níveis recomendados de atividade física. Nesse
cenário, práticas como a dança podem ser uma alternativa para incorporar mais
movimento à rotina, especialmente quando associam exercício, lazer e
convivência social.
Segundo a Dra.
Fernanda Sperandio, geriatra da MedSênior, a dança pode reunir
diferentes estímulos em uma mesma atividade, contribuindo para a manutenção da
capacidade funcional e da qualidade de vida.
“Quando dançamos,
não estamos apenas movimentando braços e pernas. Precisamos coordenar
movimentos, acompanhar o ritmo, manter o equilíbrio e, muitas vezes, interagir
com outras pessoas. É uma atividade que envolve o corpo e o cérebro ao mesmo
tempo, além de proporcionar momentos de prazer e convivência”, explica.
Dançar também conta como atividade física?
Embora muitas
pessoas associem exercício físico à academia, à caminhada ou à musculação, a
dança também pode contribuir para uma rotina fisicamente ativa. Dependendo do
ritmo, da intensidade e da duração, ela movimenta diferentes grupos musculares,
estimula a resistência física e exige coordenação motora.
A Organização
Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos, incluindo pessoas idosas,
pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica moderada por
semana, além de exercícios de fortalecimento muscular. Para essa faixa etária,
a entidade também destaca a importância de atividades que trabalhem equilíbrio
e coordenação, contribuindo para a prevenção de quedas e a manutenção da
capacidade funcional. Dependendo da intensidade e da modalidade, a dança pode
ajudar a compor essa rotina de movimento.
“Preservar a
capacidade de se movimentar com confiança é um dos aspectos importantes do
envelhecimento saudável. A dança pode ajudar a estimular habilidades utilizadas
no dia a dia, como equilíbrio, coordenação e agilidade. Além disso, por ser uma
atividade prazerosa, pode facilitar a adesão de pessoas que não se identificam
com modalidades tradicionais de exercício”, destaca a geriatra.
A especialista
ressalta, porém, que a dança não precisa substituir outras práticas. Atividades
de fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio e movimentos aeróbicos
podem ser combinados conforme as necessidades e condições de cada pessoa.
Aprender passos também estimula o cérebro
Além do movimento,
a dança exige atenção, memória e capacidade de adaptação. Ao aprender uma
coreografia, por exemplo, a pessoa precisa memorizar sequências, reconhecer
mudanças de ritmo e organizar os movimentos de acordo com a música.
Mesmo nas
modalidades mais livres, acompanhar um parceiro ou responder aos estímulos
sonoros envolve diferentes habilidades cognitivas.
“Aprender uma
sequência de passos exige concentração, memória e planejamento. Quando a pessoa
experimenta um ritmo diferente ou precisa adaptar os movimentos, também está
sendo desafiada a desenvolver novas habilidades. Esses estímulos podem fazer
parte de uma rotina que favoreça a saúde cerebral, especialmente quando
associados a outros hábitos saudáveis”, explica Fernanda.
Isso não significa
que dançar, isoladamente, seja capaz de prevenir doenças neurodegenerativas. A
saúde cerebral depende de diferentes fatores, incluindo atividade física, sono
adequado, alimentação equilibrada, controle de doenças crônicas e manutenção
dos vínculos sociais.
A importância de dançar acompanhado
Outro benefício da
dança está nas oportunidades de convivência. Aulas, bailes e encontros em grupo
podem ajudar a ampliar o círculo social, criar compromissos regulares e
proporcionar novas experiências.
Essas
oportunidades ganham importância em fases da vida marcadas por mudanças na
rotina, como aposentadoria, saída dos filhos de casa ou redução do contato com
antigos colegas de trabalho.
“A socialização é
uma parte importante do envelhecimento saudável. Ter atividades que incentivem
a sair de casa, encontrar outras pessoas e construir vínculos contribui para o
bem-estar emocional. A dança pode reunir tudo isso de uma forma leve, porque o
encontro acontece em torno de algo prazeroso, e não necessariamente de uma
obrigação”, afirma a geriatra.
A atividade também
pode ser uma oportunidade de convivência entre diferentes gerações, aproximando
familiares e amigos em momentos de lazer.
Como forma de
incentivar a prática, a MedSênior oferece a oficina Dança Sênior, que estimula
os beneficiários a movimentar o corpo ao ritmo da música. A atividade também
contempla adaptações para pessoas com limitações de mobilidade, que podem
dançar sentadas em uma cadeira.
Como incluir a dança na rotina?
Para quem deseja
começar, algumas atitudes podem tornar a experiência mais confortável e segura:
- Escolha um ritmo de que goste: a identificação com a
música pode tornar a atividade mais prazerosa e estimular a continuidade.
- Comece aos poucos: movimentos simples e períodos mais curtos
ajudam na adaptação, especialmente para quem está sedentário.
- Respeite os limites do corpo: dores, tonturas, falta de
ar desproporcional ao esforço ou outros sintomas incomuns não devem ser
ignorados.
· Cuide do ambiente: prefira locais com espaço suficiente, piso regular e calçados adequados, evitando situações que aumentem o risco de quedas.
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