No Dia Mundial do Diabetes, nutricionista explica como equilibrar porções e escolher os acompanhamentos da refeição
Quem tem diabetes pode continuar comendo arroz com
feijão. Essa é a orientação da
Sociedade Brasileira de Diabetes sobre manter a combinação no almoço e no jantar,
dentro de uma alimentação equilibrada. No Dia Mundial do Diabetes,
celebrado em 14 de novembro, a recomendação ajuda a esclarecer como o
tradicional prato brasileiro pode fazer parte da rotina de quem tem a
doença.
Segundo a nutricionista Dra. Aline Maldonado,
consultada pela marca Tio João, o cuidado envolve as
porções e os acompanhamentos escolhidos para a refeição. As quantidades devem
respeitar as necessidades nutricionais de cada pessoa, tenha ela diabetes ou
não. Para quem convive com a doença, o planejamento também precisa considerar o
tratamento e a resposta da glicose às refeições.
“Receber o diagnóstico não significa abandonar os
alimentos que fazem parte da rotina familiar. O cuidado está em ajustar as
quantidades, a frequência e as combinações. Uma alimentação que respeita as
preferências e a realidade da pessoa tem mais condições de ser mantida no dia a
dia”, explica.
O arroz e o feijão fornecem carboidratos, que o
organismo transforma em glicose para obter energia. O feijão também oferece
fibras e proteínas vegetais, contribuindo para a qualidade nutricional do
prato. Suas fibras ajudam no manejo da glicose no sangue, mas não eliminam a
necessidade de ajustar as porções da combinação.
Atenção à soma dos
carboidratos
Batata, macarrão e farofa também podem fazer parte
da alimentação de quem tem diabetes, esclarece a nutricionista. O ponto de
atenção é acrescentar todos esses alimentos a uma refeição que já contém arroz
e feijão, sem ajustar as porções. “Essa soma pode elevar a quantidade de
carboidratos consumida e dificultar o controle da glicose. Toda escolha deve
considerar o índice glicêmico do alimento e, de preferência, optar por um tipo
de carboidrato por vez.”
Na prática, uma possibilidade é reservar metade do
prato para verduras e legumes, como alface, tomate, brócolis e abobrinha, e
distribuir na outra metade arroz, feijão e uma fonte de proteína, como frango,
peixe ou ovo. As porções devem ser ajustadas às necessidades individuais, sem
uma quantidade única de colheres indicada para todos.
“Nesse exemplo, o arroz e o feijão já fornecem
carboidratos à refeição. Se a pessoa quiser acrescentar batata, pode reduzir a
porção de arroz para acomodá-la, conforme seu planejamento alimentar. Esse
ajuste ajuda a variar o cardápio sem simplesmente somar mais uma porção de
carboidratos ao que já estava no prato”, orienta Dra. Aline.
Arroz branco, integral e mixes
de grãos
O arroz integral preserva o farelo e o germe do
grão e costuma fornecer mais fibras que o branco, contribuindo para a saciedade
e para o manejo da glicose no sangue. Essa diferença favorece a inclusão de
cereais integrais na alimentação, mas não significa que o arroz branco precise
ser excluído.
Os mixes de grãos também podem ocupar o espaço do
arroz na refeição. Conforme a composição, misturas com cereais integrais e
outros grãos podem ampliar a oferta de fibras e variar sabores e texturas. Como
as formulações são diferentes, vale consultar a lista de ingredientes e a
quantidade de fibras informada no rótulo.
“O integral e os mixes de grãos também fornecem
carboidratos e precisam de atenção às porções, pois ter mais fibras não libera
o consumo à vontade. Já o arroz branco pode compor uma refeição equilibrada com
feijão, verduras e legumes. A escolha depende do conjunto da alimentação e das
necessidades de cada pessoa”, esclarece a nutricionista.
Cuidados além do prato
Dra. Aline reforça que o cuidado com a alimentação
também envolve hidratação e organização dos horários. Cortar fontes de
carboidratos ou pular refeições por conta própria pode desequilibrar o
planejamento alimentar e, para quem utiliza insulina ou determinados
medicamentos, aumentar o risco de queda excessiva da glicose. A quantidade de
água e a distribuição das refeições devem considerar a rotina, o tratamento e
outras condições de saúde.
“Não é necessário eliminar os carboidratos para
controlar o diabetes. Precisamos escolher as fontes e ajustar as porções,
evitando restrições sem orientação. Também é importante beber água ao longo do
dia, na quantidade indicada para cada pessoa, combinar os horários das
refeições com o tratamento e ter uma rotina que inclua a prática de atividades
físicas. Açúcares adicionados, presentes em doces e bebidas açucaradas, devem
ser reduzidos. Já o álcool merece atenção especial, pois pode provocar queda da
glicose, sobretudo em jejum, e seu consumo deve ser discutido com a equipe de
saúde”, conclui Dra. Aline.

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