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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Quem tem diabetes precisa deixar de comer arroz com feijão?

No Dia Mundial do Diabetes, nutricionista explica como equilibrar porções e escolher os acompanhamentos da refeição 

 

Quem tem diabetes pode continuar comendo arroz com feijão. Essa é a orientação da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre manter a combinação no almoço e no jantar, dentro de uma alimentação equilibrada. No Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, a recomendação ajuda a esclarecer como o tradicional prato brasileiro pode fazer parte da rotina de quem tem a doença. 

Segundo a nutricionista Dra. Aline Maldonado, consultada pela marca Tio João, o cuidado envolve as porções e os acompanhamentos escolhidos para a refeição. As quantidades devem respeitar as necessidades nutricionais de cada pessoa, tenha ela diabetes ou não. Para quem convive com a doença, o planejamento também precisa considerar o tratamento e a resposta da glicose às refeições. 

“Receber o diagnóstico não significa abandonar os alimentos que fazem parte da rotina familiar. O cuidado está em ajustar as quantidades, a frequência e as combinações. Uma alimentação que respeita as preferências e a realidade da pessoa tem mais condições de ser mantida no dia a dia”, explica. 

O arroz e o feijão fornecem carboidratos, que o organismo transforma em glicose para obter energia. O feijão também oferece fibras e proteínas vegetais, contribuindo para a qualidade nutricional do prato. Suas fibras ajudam no manejo da glicose no sangue, mas não eliminam a necessidade de ajustar as porções da combinação. 


Atenção à soma dos carboidratos 

Batata, macarrão e farofa também podem fazer parte da alimentação de quem tem diabetes, esclarece a nutricionista. O ponto de atenção é acrescentar todos esses alimentos a uma refeição que já contém arroz e feijão, sem ajustar as porções. “Essa soma pode elevar a quantidade de carboidratos consumida e dificultar o controle da glicose. Toda escolha deve considerar o índice glicêmico do alimento e, de preferência, optar por um tipo de carboidrato por vez.” 

Na prática, uma possibilidade é reservar metade do prato para verduras e legumes, como alface, tomate, brócolis e abobrinha, e distribuir na outra metade arroz, feijão e uma fonte de proteína, como frango, peixe ou ovo. As porções devem ser ajustadas às necessidades individuais, sem uma quantidade única de colheres indicada para todos. 

“Nesse exemplo, o arroz e o feijão já fornecem carboidratos à refeição. Se a pessoa quiser acrescentar batata, pode reduzir a porção de arroz para acomodá-la, conforme seu planejamento alimentar. Esse ajuste ajuda a variar o cardápio sem simplesmente somar mais uma porção de carboidratos ao que já estava no prato”, orienta Dra. Aline. 


Arroz branco, integral e mixes de grãos 

O arroz integral preserva o farelo e o germe do grão e costuma fornecer mais fibras que o branco, contribuindo para a saciedade e para o manejo da glicose no sangue. Essa diferença favorece a inclusão de cereais integrais na alimentação, mas não significa que o arroz branco precise ser excluído. 

Os mixes de grãos também podem ocupar o espaço do arroz na refeição. Conforme a composição, misturas com cereais integrais e outros grãos podem ampliar a oferta de fibras e variar sabores e texturas. Como as formulações são diferentes, vale consultar a lista de ingredientes e a quantidade de fibras informada no rótulo. 

“O integral e os mixes de grãos também fornecem carboidratos e precisam de atenção às porções, pois ter mais fibras não libera o consumo à vontade. Já o arroz branco pode compor uma refeição equilibrada com feijão, verduras e legumes. A escolha depende do conjunto da alimentação e das necessidades de cada pessoa”, esclarece a nutricionista. 


Cuidados além do prato 

Dra. Aline reforça que o cuidado com a alimentação também envolve hidratação e organização dos horários. Cortar fontes de carboidratos ou pular refeições por conta própria pode desequilibrar o planejamento alimentar e, para quem utiliza insulina ou determinados medicamentos, aumentar o risco de queda excessiva da glicose. A quantidade de água e a distribuição das refeições devem considerar a rotina, o tratamento e outras condições de saúde. 

“Não é necessário eliminar os carboidratos para controlar o diabetes. Precisamos escolher as fontes e ajustar as porções, evitando restrições sem orientação. Também é importante beber água ao longo do dia, na quantidade indicada para cada pessoa, combinar os horários das refeições com o tratamento e ter uma rotina que inclua a prática de atividades físicas. Açúcares adicionados, presentes em doces e bebidas açucaradas, devem ser reduzidos. Já o álcool merece atenção especial, pois pode provocar queda da glicose, sobretudo em jejum, e seu consumo deve ser discutido com a equipe de saúde”, conclui Dra. Aline. 

 

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