Dados de 2025 mostram que mulheres tiveram 2,6 vezes mais atendimentos na atenção primária; cardiologista alerta que esperar pelos sintomas pode atrasar o diagnóstico de doenças silenciosas
Para
cada atendimento de um homem na atenção primária à saúde, foram registrados
cerca de 2,6 atendimentos de mulheres no Brasil em 2025. O dado, divulgado pelo
Observatório de Saúde dos Homens, evidencia uma diferença que preocupa
especialistas: a menor presença masculina nos serviços de saúde pode dificultar
a identificação precoce de problemas como hipertensão, colesterol elevado e
doenças cardiovasculares. Neste Novembro Azul, o alerta é para um hábito que
precisa mudar: esperar sentir alguma coisa para procurar ajuda médica.
A
preocupação ganha dimensão diante de outro número: 417.550 brasileiros morreram
por doenças cardiovasculares em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde
processados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). As doenças do
coração e da circulação responderam por 27,3% de todas as mortes registradas no
país naquele ano.
Para
a Dra. Bianca Maria Prezepiorski, médica cardiologista do Hospital Cardiológico
Costantini, um dos maiores riscos está justamente na falsa sensação de
segurança de quem não apresenta sintomas. “É comum que o homem associe a
necessidade de procurar um cardiologista a algum desconforto, como dor no peito
ou falta de ar. Mas pressão alta e colesterol elevado podem evoluir
silenciosamente. Quando o paciente percebe que algo está errado, o problema
pode estar em um estágio mais avançado”, explica.
Por que os homens adiam tanto o cuidado?
A
ideia de que é preciso suportar a dor, a dificuldade de interromper a rotina de
trabalho e a tendência de colocar outras responsabilidades à frente da própria
saúde ajudam a compreender esse comportamento. Mas o problema não se resume à
resistência individual: horários de atendimento, acesso aos serviços e
barreiras culturais também interferem na procura por assistência.
Uma
pesquisa da Ipsos, divulgada em 2025, com 300 homens, identificou que 27% dos
entrevistados procuravam atendimento médico apenas quando consideravam
necessário. O levantamento também mostrou que somente 32% citaram o
cardiologista entre as especialidades procuradas.
“O
homem muitas vezes se preocupa em manter o trabalho, sustentar a família e dar
conta de todas as responsabilidades, mas deixa a própria saúde para depois. O
problema é que o coração não espera a agenda ficar livre. Prevenção não é
exagero, é uma forma de evitar que um problema silencioso se transforme em uma
emergência”, destaca Dra. Bianca.
Cuidar do coração antes dos primeiros sintomas
Embora
o risco cardiovascular aumente com a idade, a prevenção não deve começar apenas
depois dos 50 anos. Histórico familiar de infarto precoce, tabagismo,
sedentarismo, diabetes, hipertensão e colesterol elevado são fatores que
precisam ser considerados na avaliação individual.
A
cardiologista explica que o primeiro passo não exige uma bateria indiscriminada
de exames. Conhecer a pressão arterial, conversar sobre o histórico familiar e
avaliar a necessidade de exames de sangue e acompanhamento médico já são
medidas importantes.
“Não
é preciso esperar uma idade específica ou um susto para começar a cuidar do
coração. O ideal é conhecer os próprios fatores de risco e manter um
acompanhamento adequado. Uma consulta preventiva pode identificar alterações
que ainda não provocam sintomas e permitir uma intervenção mais cedo”, orienta.
A
especialista também chama atenção para sinais que não devem ser ignorados, como
dor ou pressão no peito, falta de ar inexplicável, desmaios e cansaço
desproporcional ao esforço. Sintomas súbitos sugestivos de infarto exigem
atendimento de emergência.
A
orientação é que os homens não deixem a avaliação da saúde cardiovascular para
situações de urgência. Consultas periódicas, de acordo com a idade e os fatores
de risco, ajudam a identificar alterações precocemente e a reduzir as chances
de complicações. Afinal, doenças como hipertensão e colesterol elevado podem
permanecer silenciosas por anos, mesmo quando a pessoa se sente bem.
https://hospitalcostantini.com.br

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