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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Cientistas descobrem possível forma de desativar mecanismo de progressão do câncer

 

Para formar os tecidos do organismo, as células precisam estar ancoradas umas às outras; quando uma célula normal se desprende desse ambiente, ativa um mecanismo de autodestruição. No câncer, porém, esse processo de proteção é subvertido (imagem: NCI/Unsplash)


Experimentos conduzidos na Unifesp mostram que inibir a proteína SDC4 anula a estratégia de resistência que as células tumorais usam para sobreviver e invadir novos órgãos 

Pesquisa conduzida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indica que uma proteína encontrada na superfície das células – denominada sindecam-4 (SDC4) – é um potencial alvo a ser explorado no combate ao câncer.

Experimentos em laboratório mostraram que o bloqueio dessa molécula funciona como uma espécie de freio biológico: além de paralisar a divisão celular, ele elimina a proteção que as células tumorais usam para sobreviver soltas no organismo, neutralizando o principal mecanismo que facilita as metástases. Os resultados foram publicados em março na revista Cytotechnology.

“Nosso estudo mostra que a SDC4 pode se tornar um alvo terapêutico promissor e servir como marcador diagnóstico para acompanhar a progressão de tumores. A estratégia de silenciar essa molécula tem potencial para impedir a proliferação de células cancerosas, mas ainda estamos em fases iniciais da pesquisa e seria necessário validar os resultados em cada caso específico da doença”, afirma Carla Cristina Lopes, professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp e autora correspondente do artigo.

Como explica a pesquisadora, para formar os tecidos do organismo, as células precisam estar ancoradas umas às outras e à matriz extracelular, que funciona como uma espécie de preenchimento entre elas. Quando uma célula normal se desprende desse ambiente, ela ativa um mecanismo natural de autodestruição chamado anoikis – termo de origem grega que pode ser traduzido como "morte por falta de casa".

No câncer, porém, esse processo de proteção é subvertido. Células tumorais mais agressivas adquirem a capacidade de resistir à anoikis, o que lhes permite sobreviver soltas, migrar pela corrente sanguínea e colonizar outros órgãos, fenômeno conhecido como metástase.

É nesse contexto que a proteína SDC4 ganha destaque. Em condições normais, as células produzem a SDC4 para desempenhar funções essenciais, como a própria adesão aos tecidos. O problema surge quando ocorre uma produção excessiva (superexpressão) dessa molécula, o que está diretamente associado ao desenvolvimento e à progressão da doença.

“A sindecam-4 protege as células tumorais desse tipo específico de morte celular que ocorre quando a célula se desprende do tecido”, destaca Lopes.


Mecanismo desvendado

Para entender esse mecanismo, os pesquisadores realizaram testes em laboratório utilizando células de vasos sanguíneos (endoteliais) de coelhos. Inicialmente, a equipe forçou essas células a ficarem soltas no meio de cultura, impedindo que se fixassem em qualquer superfície. Como era esperado, a grande maioria não resistiu, mas um pequeno grupo – menos de 5% – conseguiu sobreviver a essa "falta de casa". Essas células sobreviventes se tornaram altamente agressivas e passaram a produzir a proteína SDC4 em quantidades exageradas.

Para comprovar se essa molécula era a responsável por garantir a sobrevivência em suspensão, os cientistas usaram técnicas de engenharia genética para "silenciar", ou desligar, a SDC4 nessas células. O resultado confirmou a suspeita: sem a presença da proteína, as células perderam suas características malignas e voltaram ao estado normal, dependendo novamente da adesão física a uma superfície para continuarem vivas.

“Essa reversão aumentou significativamente a morte programada e reduziu a capacidade invasiva das células, indicando a SDC4 como um alvo terapêutico promissor para conter a metástase antes que ela se estabeleça”, comenta Lopes. Os resultados ainda precisam ser replicados em células humanas – incluindo células tumorais – para que a pesquisa possa avançar na direção de uma aplicabilidade clínica.

As análises revelaram também como a SDC4 age no interior das células: a proteína interfere diretamente nas etapas iniciais do ciclo de multiplicação celular. Ao silenciar o gene da SDC4, a equipe observou um aumento na produção de uma molécula chamada p27, que funciona como um inibidor natural da divisão celular, conseguindo paralisar a proliferação desordenada que caracteriza os tumores. Além de acionar esse mecanismo de frenagem, o bloqueio da SDC4 ajudou a reequilibrar a produção de ciclinas e CDKs, que são as principais proteínas responsáveis por ditar o ritmo e autorizar o avanço da multiplicação das células.

A investigação foi realizada com apoio da FAPESP durante o mestrado de Bianca Zaia F. Ferreira. A equipe também contou com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Atualmente, o grupo investiga se o canabidiol (CBD) – composto não psicoativo derivado da Cannabis sativa – pode atuar sobre as moléculas de SDC4. “A descoberta do papel da SDC4 na metástase abre caminho para uma série de novos estudos. Uma das nossas linhas de pesquisa busca verificar se o canabidiol consegue reverter o comportamento maligno de células resistentes ao anoikis, modulando a expressão da SDC4 ou interferindo nas vias de sinalização que sustentam o crescimento desordenado. Seria uma abordagem interessante, mas ainda estamos nas etapas iniciais de investigação”, conta.

O artigo SDC4 silencing promotes cell cycle arrest at the restriction point (R point) in anoikis-resistant endothelial cells pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s10616-026-00931-x.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/cientistas-descobrem-possivel-forma-de-desativar-mecanismo-de-progressao-do-cancer/58636


Paçoca, pé de moleque e maçã do amor: doces de festas julinas podem aumentar o risco de lesões de cárie

 

Dentista explica por que o excesso de açúcar e alimentos pegajosos exige atenção durante o período de festas

 

As festas julinas são marcadas por comidas típicas que fazem sucesso entre crianças e adultos, principalmente os doces tradicionais, como paçoca, pé de moleque, cocada, maçã do amor e arroz-doce. Apesar de saborosos, o consumo frequente desses alimentos pode aumentar o risco de lesões de cárie nas mais diferentes idades, seja criança, adolescente ou adulto. 

Segundo a dentista Camila Coelho, coordenadora acadêmica da Faculdade Anhanguera, a cárie está diretamente relacionada ao consumo frequente de açúcares e à falta de remoção adequada do biofilme dental por meio da escovação. Essa combinação favorece a produção de ácidos pelas bactérias da boca, aumentando o risco de desenvolvimento da doença. 

“Os doces típicos das festas juninas costumam ter grande quantidade de açúcar e, em alguns casos, textura mais pegajosa, o que facilita o acúmulo de resíduos nos dentes”, explica a dentista. 

Confira alguns cuidados para aproveitar as comemorações sem prejudicar a saúde bucal:

  • Evite consumo frequente ao longo do dia: beliscar doces várias vezes ao dia aumenta o tempo de exposição dos dentes ao açúcar, favorecendo a ação das bactérias na boca.
  • Atenção aos alimentos mais pegajosos: doces como pé de moleque, cocada e maçã do amor podem aderir aos dentes com mais facilidade, dificultando a limpeza natural da boca.
  • Mantenha a escovação em dia: a higiene bucal após o consumo de doces é essencial para remover resíduos e evitar o surgimento de lesões de cárie e inflamações gengivais.
  • Não esqueça do fio dental: o fio dental ajuda a limpar regiões onde restos de alimentos costumam ficar acumulados, principalmente após consumir alimentos mais açucarados.
  • Moderação é importante: a especialista reforça que não é necessário deixar de consumir os doces típicos, mas o excesso merece atenção, principalmente entre crianças.

“O problema não está apenas no doce em si, mas na frequência do consumo e na falta de higiene adequada após as refeições”, finaliza a coordenadora.


Anhanguera
Para mais informações das soluções educacionais, acesse o site

 

Nem tudo é o que parece: mitos da infância que ainda influenciam os pais e podem prejudicar o cuidado com os filhos


De travesseiro anti-refluxo a soluções “milagrosas” para sono, alimentação e comportamento, muitos conceitos amplamente difundidos entre pais não têm base científica e podem, na prática, atrapalhar o desenvolvimento infantil. 

Segundo o pediatra Dr. Fausto Carvalho, ainda é comum que famílias recorram a orientações populares ou informações transmitidas de geração em geração, sem avaliar a evidência médica por trás dessas práticas.

“Boa parte dessas crenças surge de uma tentativa legítima de proteger a criança, mas nem sempre o que parece funcionar é realmente seguro ou necessário”, explica o médico. 

Entre os mitos mais frequentes estão o uso de travesseiros para evitar refluxo em bebês, fórmulas “naturais” para induzir o sono, restrições alimentares sem indicação médica e intervenções para comportamento infantil baseadas em punições ou promessas de recompensa. 

O problema, segundo o especialista, é que algumas dessas práticas podem não apenas ser ineficazes, mas também atrasar diagnósticos ou interferir no desenvolvimento adequado da criança. “Quando substituímos orientação médica por soluções caseiras ou promessas milagrosas, perdemos a chance de tratar a causa real do problema”, afirma. 

O médico reforça que cada fase do desenvolvimento infantil exige acompanhamento individualizado e que sinais persistentes, como dificuldade de sono, irritabilidade excessiva, recusa alimentar ou refluxo frequente, devem ser avaliados por um pediatra. 

Para ele, a principal recomendação aos pais é buscar informação em fontes confiáveis e desconfiar de soluções rápidas para problemas complexos. “Na pediatria, quase nunca existe solução única ou imediata. O cuidado é construído com acompanhamento e ciência”, conclui Carvalho.





Fonte:
Dr. Fausto Carvalho – Pediatra. Médico formado pela Faculdade de Medicina de Marília; Residência médica em Pediatria pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo; Mestrado em Educação pela Universidade Estadual Paulista (campus Marília); Doutorado em Psicologia pela Universidad de Buenos Aires; Psicanalista e analista didata pela Sociedade de Psicanálise do Paraná.
Instagram: @faustofcarvalho


Dia da Saúde Ocular: cuidado começa no consultório oftalmológic

Crédito: Imagem de stefamerpik no Magnific
Exames periódicos ajudam a detectar doenças antes dos primeiros sintomas, definem a frequência ideal de acompanhamento e orientam hábitos para proteger a visão  


Celebrado em 10 de julho, o Dia da Saúde Ocular chama a atenção para um cuidado que, muitas vezes, só recebe a devida importância quando algum sintoma aparece. A visão está presente em praticamente todas as atividades do dia a dia, do trabalho aos momentos de lazer, e depende de acompanhamento periódico para detectar alterações ainda nas fases iniciais. Responsável pela avaliação inicial e pelo acompanhamento contínuo da visão, o oftalmologista geral é quem identifica alterações e orienta o encaminhamento para outras áreas quando necessário. 

Segundo a Dra. Sandra Regina, oftalmologista do H.Olhos, manter consultas periódicas é uma das principais estratégias para preservar a qualidade da visão. "O exame oftalmológico vai muito além de verificar se a pessoa precisa ou não de óculos. Durante a consulta, conseguimos avaliar diversas estruturas oculares, identificar sinais precoces de doenças e orientar cada paciente de acordo com sua idade, histórico familiar e condições de saúde", explica. 

A especialista ressalta que a frequência das avaliações varia conforme a faixa etária e o perfil de cada pessoa. Em geral, crianças devem ser acompanhadas desde os primeiros anos de vida para garantir o desenvolvimento adequado da visão. Adultos sem fatores de risco costumam realizar consultas anuais ou conforme orientação médica, enquanto idosos e pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, podem necessitar de acompanhamento mais próximo. 

"Existem situações que exigem antecipar a consulta, independentemente da data do próximo retorno. Visão embaçada, dor nos olhos, vermelhidão persistente, flashes de luz, perda repentina da visão, aumento da sensibilidade à claridade, secreção ou qualquer alteração percebida pelo paciente merecem avaliação imediata. Quanto mais cedo investigamos esses sinais, maiores são as chances de um tratamento eficaz", afirma. 

Entre as condições mais frequentemente diagnosticadas durante os atendimentos estão os erros refrativos, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, além da doença do olho seco, conjuntivites, catarata, glaucoma e alterações na retina. Muitas dessas enfermidades evoluem de forma silenciosa, sem provocar desconforto nas fases iniciais. 

"O glaucoma é um exemplo clássico. Em boa parte dos casos, ele não apresenta sintomas no começo e pode comprometer o campo visual de maneira irreversível quando descoberto tardiamente. Por isso, insistimos tanto na prevenção. O acompanhamento periódico permite identificar alterações antes que elas causem prejuízos permanentes", destaca. 

A médica também lembra que diversas doenças sistêmicas podem provocar manifestações oculares antes mesmo de outros sintomas se tornarem evidentes. "Os olhos oferecem informações importantes sobre a saúde do organismo. Durante o exame, conseguimos observar alterações que podem estar relacionadas ao diabetes, à hipertensão arterial, a doenças inflamatórias e até a algumas condições neurológicas. Isso demonstra como a consulta oftalmológica contribui para o cuidado integral do paciente." 

Além das avaliações clínicas, hábitos simples ajudam a manter a saúde ocular ao longo dos anos. Higienizar corretamente as mãos antes de tocar os olhos, retirar completamente a maquiagem antes de dormir, respeitar o tempo de uso das lentes de contato, utilizar óculos de sol com proteção contra radiação ultravioleta e fazer pausas durante longos períodos diante das telas estão entre as recomendações. 

"O uso de colírios também exige atenção. Muitas pessoas recorrem aos produtos por conta própria, principalmente aos que prometem aliviar a vermelhidão ocular, mas a automedicação pode mascarar doenças e até agravar determinados quadros. Todo medicamento deve ser utilizado com orientação do oftalmologista", alerta. 

Outro cuidado importante envolve a limpeza das pálpebras, especialmente para pessoas com tendência à blefarite ou excesso de oleosidade. "A higiene adequada da região contribui para o funcionamento das glândulas responsáveis pela qualidade da lágrima e ajuda a reduzir desconfortos como ardor, sensação de areia e irritação."

Para a especialista, o Dia da Saúde Ocular também representa uma oportunidade para conscientizar a população sobre a relevância do oftalmologista geral como porta de entrada para o cuidado com a visão. "É esse profissional que acompanha o paciente de forma ampla, identifica alterações, promove a prevenção e direciona, quando necessário, para tratamentos específicos. Consultar o oftalmologista regularmente é investir na saúde, na autonomia e na qualidade de vida em todas as fases da vida", conclui.

 

Dia Mundial de Conscientização do TDAH: Por que tanta gente só descobre o transtorno depois dos 30?

 Diagnóstico tardio em adultos tem se tornado cada vez mais comum e especialista alerta que sintomas muitas vezes são confundidos com ansiedade, estresse ou traços de personalidade 


No dia 13 de julho, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e durante muito tempo, o TDAH foi associado quase exclusivamente à imagem de uma criança hiperativa, inquieta e com dificuldade de permanecer sentada em sala de aula. Mas essa visão limitada fez com que milhares de pessoas chegassem à vida adulta sem entender por que sempre enfrentaram dificuldades com organização, foco, rotina e regulação emocional. Hoje, cada vez mais adultos têm recebido o diagnóstico apenas depois dos 30 anos, muitas vezes após décadas de sofrimento silencioso. 

Segundo o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, nome à frente da GnTech, empresa pioneira de farmacogenética no Brasil, isso acontece porque o transtorno nem sempre se manifesta da forma mais estereotipada, especialmente em adultos e mulheres. “Em adultos, especialmente em mulheres, ele pode se manifestar mais como desorganização, dificuldade de iniciar e concluir tarefas, esquecimento, exaustão mental, instabilidade emocional e sensação constante de estar ‘correndo atrás do prejuízo’”, explica. 

Na prática, muitos sinais acabam sendo interpretados como falhas pessoais e não como manifestações de um transtorno neurobiológico. Procrastinação crônica, atrasos frequentes, dificuldade de manter rotina, perder objetos, esquecer compromissos, começar muitas coisas e terminar poucas, além de alternar entre distração e hiperfoco, são alguns exemplos que costumam passar despercebidos. “Muitas vezes a pessoa ouve desde cedo que é ‘desorganizada’, ‘preguiçosa’, ‘avoada’ ou ‘intensa’, quando na verdade pode haver uma dificuldade neurobiológica de autorregulação e funções executivas”, ressalta o especialista. 

Outro fator importante é que, na infância e adolescência, muitas pessoas conseguem compensar os sintomas com apoio familiar, rotina estruturada ou até alto desempenho intelectual. O problema costuma se tornar mais evidente quando as exigências da vida adulta aumentam e a estrutura externa diminui. Trabalho, prazos, contas, relacionamentos, filhos e responsabilidades passam a exigir um nível de organização que nem sempre a pessoa consegue sustentar sozinha. “O problema aparece não porque o TDAH ‘surgiu’ aos 30, mas porque as estratégias compensatórias deixam de dar conta”, afirma Guido. 

Quando o diagnóstico chega de forma tardia, também é comum que ele venha acompanhado de um histórico de frustrações acumuladas. Muitos adultos passam anos acreditando que falta disciplina, maturidade ou força de vontade para lidar com tarefas que parecem simples para outras pessoas. Isso frequentemente gera impactos importantes na saúde mental. “Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo, ‘eu sempre achei que era falta de força de vontade’. Essa interpretação costuma gerar culpa, vergonha, autocobrança, baixa autoestima, ansiedade, depressão secundária e sensação de fracasso”, pontua o psiquiatra. 

O diagnóstico, no entanto, precisa ser cuidadoso. Isso porque sintomas como desatenção, dificuldade de concentração e esquecimentos também podem aparecer em quadros de ansiedade, burnout, privação de sono, depressão e outras condições clínicas. Por isso, não existe um exame único para confirmar o TDAH. A avaliação exige análise clínica detalhada, histórico de desenvolvimento e investigação de diagnósticos diferenciais. 

Para o Dr. Guido, receber o diagnóstico na vida adulta não deve ser visto como um rótulo, mas como uma ferramenta de compreensão e cuidado. “O diagnóstico bem feito não serve para criar um rótulo, mas para explicar um padrão de funcionamento e abrir caminho para tratamento, estratégias práticas e reconstrução da autoimagem”, explica. 

Com acompanhamento adequado, o tratamento pode incluir psicoeducação, organização ambiental, psicoterapia focada em habilidades e, quando indicado, medicação. Mais do que buscar produtividade a qualquer custo, o objetivo é reduzir o sofrimento e ampliar a autonomia. “O objetivo não é transformar a pessoa em alguém ‘produtivo a qualquer custo’, mas ajudá-la a funcionar com menos sofrimento e mais autonomia”, finaliza.
 



Guido Boabaid May – Psiquiatra. Pioneiro da farmacogenética no Brasil, o Dr. Guido é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil. Com mais de 30 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. É palestrante e autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025 pela editora Buzz.

 

Agitação, desatenção e dificuldade de concentração nem sempre indicam TDAH: ronco e apneia podem estar por trás dos sinais

 

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Especialista explica por que a investigação precoce é essencial para evitar prejuízos ao desenvolvimento, à aprendizagem, à formação orofacial e à postura infantil 


Você já conheceu ou convive com alguém diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)? Desatenção, hiperatividade, impulsividade, dificuldade de concentração e baixo rendimento escolar estão entre os principais sinais da condição. Celebrado em 13 de julho, o Dia Mundial de Conscientização do TDAH reforça a importância do diagnóstico correto e do tratamento adequado. No entanto, durante essa investigação, também é fundamental avaliar outras condições que podem provocar manifestações semelhantes, como os distúrbios respiratórios do sono. Um dos principais sinais de alerta é o ronco frequente, que nunca deve ser considerado normal na infância e pode estar associado à apneia do sono, comprometendo a qualidade do descanso e refletindo diretamente no comportamento e no aprendizado da criança. 

Segundo a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE, um dos principais erros é acreditar que o ronco infantil faz parte da rotina. "A única situação em que a criança pode apresentar a condição é durante um quadro gripal, quando o nariz está entupido. Fora isso, nunca é normal e precisa ser investigado. Muitas famílias dizem que a criança ronca igual ao pai ou ao avô, mas isso não deve ser considerado esperado em nenhuma idade." 

A principal causa do problema é o aumento da adenoide e das amígdalas, que reduz a passagem do ar pelas vias respiratórias. Rinite alérgica sem controle, rinossinusite crônica e obesidade infantil também favorecem o aparecimento do quadro. "Sempre que existe uma obstrução na passagem do ar, acontece a vibração dos tecidos e surge o ronco", explica. 

Dormir mal interfere diretamente no desenvolvimento infantil. Enquanto os adultos costumam sentir sonolência após uma noite mal dormida, as crianças frequentemente apresentam o efeito contrário. "Elas ficam mais agitadas, impacientes e desatentas. Durante o sono, o cérebro consolida a memória e regula emoções importantes para o aprendizado. Quando esse descanso não acontece de forma adequada, esses processos ficam comprometidos e os reflexos aparecem principalmente na escola", comenta. 

De acordo com a especialista, essa semelhança entre os sintomas exige atenção. "Os distúrbios do sono podem provocar manifestações muito parecidas com as do TDAH, como hiperatividade, dificuldade de concentração e desatenção. Ao mesmo tempo, quando a criança já possui o transtorno, uma noite mal dormida pode intensificar essas características. Por isso, toda investigação deve incluir uma avaliação da qualidade do sono”, orienta. 

Outro sinal importante é a respiração pela boca. Segundo a Dra. Raquel Rodrigues, quando a criança deixa de respirar adequadamente pelo nariz durante o crescimento, podem surgir alterações no desenvolvimento da face, da arcada dentária e até da postura corporal. "A respiração bucal interfere na expansão dos ossos da face, favorece alterações na mordida, faz com que a criança mantenha os lábios entreabertos, mastigue menos e, em alguns casos, provoque mudanças na coluna cervical e na postura”, discorre a médica. 

O diagnóstico é realizado pelo otorrinolaringologista e pode incluir exames como a polissonografia, que avalia a qualidade do sono, além da investigação de doenças associadas, como rinite e rinossinusite. O tratamento varia conforme a causa e pode ser clínico ou cirúrgico, de acordo com a necessidade de cada paciente. "Nem toda criança que ronca precisará operar. Muitas melhoram apenas com o tratamento da rinite. O mais importante é descobrir a origem do problema para indicar a melhor conduta", ressalta. 

A médica orienta que pais, professores e cuidadores também observem outros sinais, como olheiras frequentes, bruxismo, sono muito agitado, respiração constante pela boca e episódios persistentes de enurese noturna, quando a criança volta a urinar durante o sono após a idade esperada para esse controle. "Quanto mais cedo essas alterações forem identificadas, maiores são as chances de evitar prejuízos no crescimento, na aprendizagem e na qualidade de vida. Antes de atribuir determinados comportamentos exclusivamente ao TDAH, é importante investigar como essa criança está dormindo”, finaliza a Dra. Raquel Rodrigues.

 

Julho Neon reforça o cuidado com a saúde bucal como parte da saúde integral


Com o Mês Nacional da Saúde Bucal, Doctor Clin incentiva beneficiários com cobertura odontológica a colocarem em dia a visita ao dentista


Cuidar do sorriso também é cuidar da saúde, da autoestima e da qualidade de vida. Durante o mês de julho, a Doctor Clin reforça a importância da prevenção odontológica dentro do Julho Neon, movimento nacional de conscientização sobre saúde bucal e valorização do sorriso dos brasileiros. A iniciativa envolve beneficiários dos planos de saúde com odontologia, dentistas, operadoras, empresas, instituições e a comunidade, estimulando o acesso à informação e ao acompanhamento regular.

O Julho Neon nasceu como uma causa de conscientização e ganhou força em todo o país. Em 2026, o movimento passou a integrar oficialmente o calendário nacional com a Lei nº 15.408, sancionada em 14 de maio de 2026, que instituiu julho como o mês da saúde bucal. A legislação também prevê a realização de campanhas nacionais de conscientização sobre a importância do tema durante todo o mês.

A Doctor Clin oferece livre acesso para agendamento em toda a rede odontológica da Operadora aos beneficiários dos planos de saúde com odontologia. A orientação é que as pessoas aproveitem o período para conferir os profissionais credenciados no Guia Médico, disponível no site, e coloquem em dia a visita ao dentista.

 

Marcelo Matusiak 

 

Agitação, desatenção e dificuldade de concentração nem sempre indicam TDAH: ronco e apneia podem estar por trás dos sinai

 

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Especialista explica por que a investigação precoce é essencial para evitar prejuízos ao desenvolvimento, à aprendizagem, à formação orofacial e à postura infantil 


Você já conheceu ou convive com alguém diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)? Desatenção, hiperatividade, impulsividade, dificuldade de concentração e baixo rendimento escolar estão entre os principais sinais da condição. Celebrado em 13 de julho, o Dia Mundial de Conscientização do TDAH reforça a importância do diagnóstico correto e do tratamento adequado. No entanto, durante essa investigação, também é fundamental avaliar outras condições que podem provocar manifestações semelhantes, como os distúrbios respiratórios do sono. Um dos principais sinais de alerta é o ronco frequente, que nunca deve ser considerado normal na infância e pode estar associado à apneia do sono, comprometendo a qualidade do descanso e refletindo diretamente no comportamento e no aprendizado da criança. 

Segundo a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE, um dos principais erros é acreditar que o ronco infantil faz parte da rotina. "A única situação em que a criança pode apresentar a condição é durante um quadro gripal, quando o nariz está entupido. Fora isso, nunca é normal e precisa ser investigado. Muitas famílias dizem que a criança ronca igual ao pai ou ao avô, mas isso não deve ser considerado esperado em nenhuma idade." 

A principal causa do problema é o aumento da adenoide e das amígdalas, que reduz a passagem do ar pelas vias respiratórias. Rinite alérgica sem controle, rinossinusite crônica e obesidade infantil também favorecem o aparecimento do quadro. "Sempre que existe uma obstrução na passagem do ar, acontece a vibração dos tecidos e surge o ronco", explica. 

Dormir mal interfere diretamente no desenvolvimento infantil. Enquanto os adultos costumam sentir sonolência após uma noite mal dormida, as crianças frequentemente apresentam o efeito contrário. "Elas ficam mais agitadas, impacientes e desatentas. Durante o sono, o cérebro consolida a memória e regula emoções importantes para o aprendizado. Quando esse descanso não acontece de forma adequada, esses processos ficam comprometidos e os reflexos aparecem principalmente na escola", comenta. 

De acordo com a especialista, essa semelhança entre os sintomas exige atenção. "Os distúrbios do sono podem provocar manifestações muito parecidas com as do TDAH, como hiperatividade, dificuldade de concentração e desatenção. Ao mesmo tempo, quando a criança já possui o transtorno, uma noite mal dormida pode intensificar essas características. Por isso, toda investigação deve incluir uma avaliação da qualidade do sono”, orienta. 

Outro sinal importante é a respiração pela boca. Segundo a Dra. Raquel Rodrigues, quando a criança deixa de respirar adequadamente pelo nariz durante o crescimento, podem surgir alterações no desenvolvimento da face, da arcada dentária e até da postura corporal. "A respiração bucal interfere na expansão dos ossos da face, favorece alterações na mordida, faz com que a criança mantenha os lábios entreabertos, mastigue menos e, em alguns casos, provoque mudanças na coluna cervical e na postura”, discorre a médica. 

O diagnóstico é realizado pelo otorrinolaringologista e pode incluir exames como a polissonografia, que avalia a qualidade do sono, além da investigação de doenças associadas, como rinite e rinossinusite. O tratamento varia conforme a causa e pode ser clínico ou cirúrgico, de acordo com a necessidade de cada paciente. "Nem toda criança que ronca precisará operar. Muitas melhoram apenas com o tratamento da rinite. O mais importante é descobrir a origem do problema para indicar a melhor conduta", ressalta. 

A médica orienta que pais, professores e cuidadores também observem outros sinais, como olheiras frequentes, bruxismo, sono muito agitado, respiração constante pela boca e episódios persistentes de enurese noturna, quando a criança volta a urinar durante o sono após a idade esperada para esse controle. "Quanto mais cedo essas alterações forem identificadas, maiores são as chances de evitar prejuízos no crescimento, na aprendizagem e na qualidade de vida. Antes de atribuir determinados comportamentos exclusivamente ao TDAH, é importante investigar como essa criança está dormindo”, finaliza a Dra. Raquel Rodrigues.

 

Apneia obstrutiva do sono compromete o descanso e pode afetar o coração

Doença está associada à hipertensão, infarto, AVC e prejuízos à memória e à concentração; especialista alerta para sintomas pouco valorizados e reforça a importância do diagnóstico precoce

 

Dormir de forma adequada é considerado um dos principais “ingredientes” para se ter boa saúde. A quantidade ideal pode ser bastante individual sendo que a média populacional gira em torno de sete a oito horas de sono por noite. No entanto, a duração do sono, isoladamente, não garante que o organismo esteja realmente descansando. A qualidade do sono é um fator determinante para a recuperação física e mental, e um dos principais distúrbios que comprometem esse processo é a apneia obstrutiva do sono (AOS), que permanece subdiagnosticada. 

Dado recente publicado em 2026 no Journal of Sleep Research, que analisou uma amostra representativa da população de São Paulo, demonstrou que 37,1% tem apneia obstrutiva do sono. Além disso, outro estudo, publicado em 2019 no Lancet Respir Med, estima que a AOS afeta aproximadamente 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. 

O otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono, Dr. Danilo Sguillar, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), chama a atenção para o fato de que muitas pessoas acreditam estar dormindo o tempo suficiente, mas apresentam um sono fragmentado por repetidas interrupções da respiração ao longo da noite e quedas na oxigenação. Ele explica que estes dois fatores, fragmentação e dessaturação, impedem que o cérebro complete fases do sono cruciais para a restauração cerebral. “O número de horas dormidas é importante, mas não é suficiente para definir um sono saudável. Um paciente com apneia obstrutiva do sono não completa fases do sono para um ‘reset cerebral’. Se ele não faz ou faz menos horas de sono profundo e de sono REM (Rapid Eye Movement) do que deveria, ele acorda cansado, indisposto e com sensação de sono não reparador.”

 

Tempo ideal?

O fato é que dormir pouco e dormir demais podem representar riscos. De acordo com o Dr. Sguillar, adultos devem dormir, em média, entre sete e oito horas por noite, sendo que dormir menos do que deveria pode estar associado ao aumento do risco de hipertensão arterial, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão, comprometimento cognitivo e redução da imunidade. Por outro lado, dormir mais do que deveria, de forma frequente, também merece atenção, pois ao dormir demais, a pessoa pode estar “compensando” horas perdidas de sono. “Em pacientes com apneia obstrutiva do sono, o excesso de horas na cama pode representar sono não restaurador”, diz. 

Dr. Sguillar reforça que os sonos bons, como o sono de ondas lentas (sono profundo) e o sono REM, são fundamentais para se obter equilíbrio metabólico, controle de pressão, estabilização do peso corporal além de consolidação da memória, melhora do humor e da disposição.

 

Características

A apneia obstrutiva do sono ocorre quando há o estreitamento ou o colapso das vias aéreas superiores durante o sono, dificultando ou interrompendo temporariamente a passagem do ar. Segundo o especialista, o problema costuma estar associado ao ronco intenso, mas nem todo paciente percebe que tem essas paradas respiratórias. Além da sonolência na manhã seguinte e da redução da produtividade, a doença está relacionada ao aumento do risco de infarto do miocárdio; acidente vascular cerebral (AVC); arritmias e insuficiência cardíacas; ansiedade e depressão; alterações de memória e concentração, entre outros problemas. 

O fato é que uma boa noite de sono não é definida apenas pelo relógio. Entre as principais características estão permanecer dormindo durante praticamente toda a noite; apresentar poucos ou nenhum despertar frequente; acordar disposto e com sensação de descanso e manter um bom nível de atenção e energia ao longo do dia. “Em contrapartida, ronco alto e frequente; pausas respiratórias percebidas por familiares; engasgos ou sensação de sufocamento durante a noite; boca seca ao acordar e dor de cabeça pela manhã são sintomas que podem indicar a apneia obstrutiva do sono”, enumera o médico, ao dizer que o diagnóstico precoce, realizado por avaliação médica e exames específicos, como a polissonografia, que registra parâmetros respiratórios, neurológicos e cardiovasculares durante o sono, faz toda a diferença. “O tratamento varia conforme a gravidade da doença e pode incluir mudanças no estilo de vida, controle do peso, uso de aparelhos intraorais, terapia com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) e, em casos bem selecionados, procedimentos cirúrgicos realizados por um otorrinolaringologista”, relata.

 

Mitos e Verdades sobre o sono

Mito: Dormir mais de oito horas significa dormir melhor.
Verdade: O excesso de horas de sono não garante um descanso reparador. Em alguns casos, pode indicar um distúrbio do sono, como a apneia obstrutiva.


Mito: Quem ronca apenas incomoda quem está ao lado.
Verdade: O ronco frequente é um dos principais sinais da apneia obstrutiva do sono e deve ser investigado, especialmente quando está associado à sonolência diurna.


Mito: A apneia afeta apenas pessoas idosas.
Verdade: A doença pode ocorrer em adultos de qualquer idade e também em crianças, embora seja mais frequente em homens, pessoas com excesso de peso e indivíduos acima dos 40-45 anos de idade.


Mito: Acordar cansado é normal.
Verdade: Mesmo após de sete a oito horas de sono, acordar frequentemente sem disposição pode indicar que o organismo não conseguiu completar adequadamente os ciclos do sono. E doenças relacionadas a ele devem ser investigadas
 



Dr. Danilo Sguillar - CRM-SP 130313 - RQE 37827
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF


 

Além das ondas de calor: como a menopausa afeta a visão e o que fazer para aliviar o desconforto

ChatGPT
 OpenAI

Mudanças hormonais podem desencadear a Síndrome do Olho Seco. Tratamento adequado, com autocuidado e mudanças no estilo de vida ajudam a controlar os sintomas 


A menopausa é comumente associada a sintomas como ondas de calor e alterações de humor, mas ela também tem impacto na saúde ocular. As alterações hormonais podem desencadear ou intensificar a Síndrome do Olho Seco, caracterizada pela lubrificação inadequada da superfície dos olhos, que ficam desprotegidos de agentes externos como a poeira. A condição
afeta cerca de 27 milhões de brasileiros e é mais prevalente em mulheres. 

O desconforto ocular causado pela síndrome interfere na qualidade de vida, com sensação de ardência, lacrimejamento, coceira e, até mesmo, embaçamento visual. “A queda nos níveis de estrogênio e androgênios influi diretamente no funcionamento das glândulas de Meibomius, que produzem a camada de gordura da lágrima responsável por evitar a sua evaporação, chamada meibum”, explica a oftalmologista Patrícia Kakizaki, consultora da ZEISS Vision Brasil. “Com a redução ou alteração na qualidade dessa secreção, a lágrima evapora mais rapidamente, deixando a superfície ocular desprotegida”, completa. 

Ambientes com ar-condicionado, poluição, algumas medicações e doenças autoimunes podem agravar o quadro. Outro fator de risco é o uso intenso de telas digitais: a diminuição da frequência de piscadas durante a utilização destes dispositivos contribui para a piora da lubrificação ocular. 

O diagnóstico deve ser feito por um oftalmologista, já que os sintomas podem ser confundidos com alergias oculares. A investigação clínica inclui testes específicos para medir a quantidade e a qualidade da lágrima, bem como avaliação das condições das glândulas de Meibomius e borda das pálpebras. O tratamento varia conforme a gravidade, e inclui medidas como colírios lubrificantes sem conservantes, suplementação nutricional, higiene das pálpebras e compressas mornas, que ajudam a desobstruir as glândulas de Meibomius. 

É importante evitar a automedicação, pois o uso indiscriminado de colírios inadequados pode mascarar ou agravar o problema, e seguir à risca as orientações do especialista. Nesse contexto, a Warm Eye Mask, da ZEISS, surge como uma solução prática e tecnológica para a realização de compressas mornas. “A máscara descartável começa a aquecer automaticamente ao entrar em contato com o ar, graças a uma reação natural do carvão ativado presente em sua composição. Esse aquecimento atinge a temperatura ideal para desobstruir as glândulas produtoras de gordura e melhorar a lubrificação ocular”, explica Paula Queiroz, diretora de marketing e produtos da ZEISS Vision Brasil. 

Além do benefício terapêutico, o produto também contribui para o bem-estar. “É uma solução prática, portátil e que pode ser incorporada à rotina de autocuidado, proporcionando não apenas alívio dos sintomas, mas também um momento de relaxamento ao longo do dia”, ressalta Paula. 

Mudanças simples no estilo de vida podem ajudar a prevenir ou reduzir o desconforto, como fazer pausas durante o uso de telas, manter boa hidratação, evitar exposição direta ao ar-condicionado e usar óculos escuros ao ar livre. “A menopausa não deve ser encarada como uma limitação, mas como uma fase que exige atenção e adaptação. Com acompanhamento médico e cuidados adequados, é possível manter a saúde ocular e a qualidade de vida”, conclui Patrícia.

 

Emoção da Copa pode afetar o coração? Especialista explica quem deve redobrar os cuidados

Especialista explica como o estresse provocado por partidas decisivas pode desencadear alterações cardiovasculares, especialmente em pessoas com fatores de risco
 

A Copa do Mundo reacende um alerta, pois emoções intensas, como as vividas em jogos decisivos, podem funcionar como gatilhos para eventos cardiovasculares em pessoas predispostas.

Embora assistir a uma partida de futebol não provoque um infarto por si só, situações de grande tensão emocional levam o organismo a liberar uma quantidade elevada de hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina. O resultado é o aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da demanda de oxigênio pelo coração. 

Para Georgia Guedes da Silva Villela Bravo, cardiologista do dr.consulta, essas alterações costumam ser transitórias e não representam risco para a maioria das pessoas saudáveis. "O problema é quando o indivíduo já apresenta fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo ou doença cardiovascular. Nessas situações, uma descarga intensa de adrenalina pode favorecer o desencadeamento de eventos cardíacos", explica. 

Estudos realizados durante grandes competições esportivas mostram aumento no número de atendimentos por infarto, arritmias e outras emergências cardiovasculares em dias de jogos decisivos, principalmente quando há forte envolvimento emocional dos torcedores. Pensando nisso, o especialista reúne abaixo como torcer sem colocar a saúde em risco. 

É recomendável adotar alguns cuidados, especialmente para quem já possui fatores de risco cardiovasculares, como:

  • manter o uso regular das medicações prescritas;
  • evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas durante as partidas;
  • não exagerar em alimentos ricos em gordura e sódio;
  • manter-se hidratado;
  • evitar associar cigarro e álcool durante os jogos;
  • procurar atendimento imediatamente em caso de dor no peito, falta de ar, suor frio, desmaio ou palpitações persistentes.

 

Quem deve redobrar a atenção durante os jogos 

O especialista destaca que alguns grupos merecem cuidados extras durante partidas decisivas:

  • Pessoas com histórico de infarto ou insuficiência cardíaca;
  • Hipertensos;
  • Diabéticos;
  • Pessoas com colesterol elevado;
  • Fumantes;
  • Idosos;
  • Pessoas sedentárias ou com obesidade.


A adrenalina do jogo também exige atenção 

Ao contrário do que muitos imaginam, não são apenas derrotas inesperadas que exigem maior atenção. Vitórias dramáticas, disputas por pênaltis e viradas nos minutos finais também provocam respostas importantes no organismo.  

"Para o coração, o que pesa é a intensidade da emoção, independentemente de ela ser positiva ou negativa. O organismo reage ao estresse fisiológico provocado pelo momento", conclui Georgia.

 

Dia Mundial da Alergia: OMS estima que metade da população global terá alergia respiratória, alimentar ou de pele até 2030

No Brasil, 61 milhões de pessoas já convivem com essas condições; consultas com especialistas cresceram mais de 42% no país. 

 

Neste Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, a data chama a atenção para a importância do diagnóstico e do tratamento precoce, diante do aumento da prevalência das doenças alérgicas e de seus impactos na saúde infantil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que, até 2030, metade da população mundial poderá apresentar algum tipo de alergia respiratória, alimentar ou de pele. 

 

Atualmente, a Organização Mundial da Alergia (WAO) estima que entre 30% e 40% das pessoas no planeta convivem com essas condições, associadas a fatores como a urbanização, as mudanças climáticas, as alterações ambientais e os índices de poluição atmosférica. O alergista e professor da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Maurício Domingues Ferreira, comenta que as doenças alérgicas constituem um dos grupos de doenças crônicas mais prevalentes no mundo e podem acometer diferentes órgãos e sistemas, manifestando-se desde sintomas leves até quadros potencialmente fatais. 

 

“Entre as principais, destacam-se a rinite alérgica, a asma, a dermatite atópica, a urticária, as alergias alimentares, as alergias a medicamentos e as reações a venenos de insetos. A rinite alérgica é a forma mais frequente, comprometendo o sono, a concentração e o desempenho escolar e profissional. A asma alérgica caracteriza-se por inflamação crônica das vias aéreas, podendo limitar atividades físicas e, em casos graves, representar risco de morte. A dermatite atópica cursa com eczema e prurido intenso, frequentemente associados a distúrbios do sono e impacto emocional. As alergias alimentares podem desencadear desde manifestações leves até anafilaxia, enquanto a urticária crônica compromete o bem-estar e a qualidade de vida. As alergias a medicamentos e a venenos de himenópteros, embora menos frequentes, também podem causar reações sistêmicas graves”.

 

No Brasil, cerca de 61 milhões de pessoas convivem com algum tipo de alergia. O aumento da procura por atendimento especializado acompanha essa realidade. Um levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostra que as consultas ambulatoriais com alergistas e imunologistas cresceram 42,1% entre 2019 e 2022. 

 

Dr Maurício Ferreira esclarece que o aumento no país é entendido como consequência da interação entre alterações ambientais, disfunção das barreiras epiteliais, desequilíbrio da microbiota e respostas imunológicas, e não apenas como uma alteração isolada do sistema imune. Embora a teoria da higiene tenha contribuído para essa compreensão, hoje se reconhece que o problema envolve a redução do contato com a diversidade microbiana do ambiente natural, essencial para o desenvolvimento da tolerância imunológica.

 

“A urbanização, o menor contato com a natureza, o uso frequente de antibióticos, as mudanças na alimentação e o maior consumo de alimentos ultraprocessados reduzem a diversidade da microbiota. Paralelamente, poluição, fumaça, partículas de diesel e outros poluentes danificam as barreiras epiteliais da pele, das vias respiratórias e do intestino, facilitando a entrada de alérgenos e ativando vias de inflamação do tipo 2. As mudanças climáticas também contribuem ao prolongar as estações polínicas e aumentar a exposição a aeroalérgenos”, complementa o alergista.

 

Ele ainda ressalta que o interior das casas e ambientes de trabalho com poeira, não são coadjuvantes nesse processo, e sim protagonistas. Fator que se deve pelo mofo, pêlos e penas de animais, associados a indivíduos geneticamente predispostos, que aumentam a hipersensibilização a diversos alérgenos, desencadeando asma, rinite e conjuntivite alérgicas. Com a urbanização, houve aumento da exposição a ácaros, fungos e poeira, intensificando a hipersensibilização desses agentes. 


 

Cuidados na infância 

 

Segundo dados do ISAAC (Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância), a rinite alérgica é uma doença não contagiosa que apresenta importante componente hereditário. Crianças com ambos os pais alérgicos possuem maior risco de desenvolver a condição, com estimativa de probabilidade entre 50% e 70%. A doença é mais frequente após os dois anos de idade, acometendo aproximadamente 26% das crianças e cerca de 30% dos adolescentes. 

 

A médica pediatra e professora da Afya Itajubá, Dra Glenia Junqueira Machado Medeiros, explica que a rinite alérgica é muito frequente na infância e costuma se manifestar por espirros repetidos, coriza com secreção transparente, coceira no nariz, nos olhos e na garganta, além de obstrução nasal persistente.

 

“Alguns sinais físicos também podem chamar a atenção, como olheiras, uma linha horizontal no nariz causada pelo hábito de esfregá-lo constantemente conhecida como “saudação alérgica” e pequenas dobras abaixo das pálpebras inferiores. Crianças com nariz frequentemente entupido podem passar a respirar pela boca, principalmente durante o sono, o que, se persistente, pode interferir no desenvolvimento da face e da arcada dentária. A presença desses sintomas de forma contínua deve motivar uma avaliação pediátrica”.

 

Dra Glenia Medeiros destaca que as doenças alérgicas podem se apresentar de maneiras diferentes ao longo do crescimento da criança, em um processo conhecido como marcha atópica. Nos primeiros anos de vida, são mais comuns as alergias alimentares e a dermatite atópica, que provoca pele seca, vermelhidão e coceira intensa. Na fase pré-escolar e escolar, passam a ser mais frequentes as alergias respiratórias, principalmente a asma e a rinite alérgica. Na adolescência e na vida adulta, a rinite tende a se tornar a manifestação alérgica predominante, podendo impactar significativamente a qualidade de vida, o sono e o desempenho escolar. 


Embora a predisposição genética tenha grande influência, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver doenças alérgicas. “O aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida é uma das principais recomendações, por contribuir para o amadurecimento do sistema imunológico. Também é fundamental evitar a exposição ao cigarro, tanto durante a gestação quanto após o nascimento, já que a fumaça do tabaco aumenta o risco de asma e rinite. Além disso, manter a casa bem ventilada, controlar a umidade, evitar mofo e reduzir a exposição a irritantes ambientais são medidas importantes. Atualmente, também se reconhece que o contato saudável com ambientes naturais e maior diversidade de microrganismos pode favorecer o desenvolvimento equilibrado do sistema imunológico e contribuir para a prevenção das alergias”, conclui a pediatra.

 

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