Expectativas sobre escolha profissional podem aumentar a ansiedade dos estudantes; especialista orienta famílias a priorizarem diálogo e acolhimento durante a preparação
A preparação para o vestibular costuma envolver uma combinação de expectativas, dúvidas sobre o futuro e pressão por desempenho satisfatório para ingressar no ensino superior. Para muitos adolescentes, o desafio de escolher uma carreira e conquistar uma vaga na faculdade dos sonhos pode ser ainda maior quando as expectativas da família passam a ser percebidas como uma cobrança por determinado curso ou resultado. Um estudo publicado em 2024 no Journal of Education and Health Promotion avaliou 570 adolescentes de 16 a 19 anos que se preparavam para exames competitivos de ingresso no ensino superior em Karnataka, na Índia. Entre os participantes, 86% apresentaram alto estresse acadêmico e 87% relataram alto nível de pressão parental percebida. Além disso, 28,6% apresentaram ansiedade em nível moderadamente alto e 57,7% baixo bem-estar geral ¹. Para
Cláudia Ketter, psiquiatra e professa da Afya Educação Médica São Paulo, o
período de vestibular para jovens estudantes deve ser percebido com cautela e
como uma fase que exige acolhimento e não apenas cobrança por resultados.
“Nesse momento, é importante que os pais estejam atentos não somente ao
desempenho acadêmico, mas também à forma como o jovem está lidando
emocionalmente com essa pressão. A família deve funcionar como uma rede de
apoio, oferecendo espaço para diálogo e compreensão, sem transformar a
aprovação em uma condição para validar as escolhas ou o futuro do
adolescente”, orienta. Apoiar não significa se afastar Nesse
contexto, a participação da família pode exercer um papel importante no
desenvolvimento e no bem-estar dos adolescentes. Mais do que acompanhar
resultados, o apoio familiar envolve oferecer espaço para diálogo, demonstrar
interesse pelas escolhas dos jovens e estar disponível para orientá-los
diante de dúvidas e desafios. Quando essa presença respeita a autonomia e
considera a perspectiva do próprio adolescente, a família pode se consolidar
como uma importante fonte de segurança e acolhimento ao longo dessa fase de
transição. “Perguntar
como o adolescente está, e não apenas quanto estudou, por exemplo, pode abrir
espaço para falar sobre medo, insegurança e dúvidas profissionais recorrentes
entre os estudantes. Também é interessante evitar comparações, como
resultados de irmãos, amigos ou colegas. Isso não deve ser utilizado como
parâmetro constante de desempenho, pois afeta diretamente a autonomia e
confiança do estudante”, explica a especialista. Discussão sobre vida e carreira Além
disso, o médico reforça a importância de separar desempenho de valor pessoal,
já que uma nota ou aprovação não define a capacidade nem determina o futuro
do jovem. Da mesma forma, embora seja natural que os pais se preocupem com a
estabilidade financeira dos filhos, a escolha profissional deve considerar
também os interesses, habilidades e projetos do próprio adolescente. “É natural
que muitos pais se preocupem com a rentabilidade e a vida financeira de seus
filhos. Nesse sentido, o ideal é apresentar possibilidades e experiências que
considerem adequadas e sadias, sem impor uma formação. Quando essa
preocupação se transforma em cobrança, pode prejudicar o desenvolvimento
individual, gerar desânimo e contribuir para o isolamento do jovem, o que, em
alguns casos, pode agravar quadros de sofrimento emocional”, comenta. Equilíbrio
na rotina também faz parte da preparação Por fim, o especialista reforça que uma preparação equilibrada também passa pela construção de uma rotina possível, que concilie estudos com descanso, alimentação adequada, atividade física, lazer e convivência social. A família também deve estar atenta a mudanças persistentes no comportamento do jovem, como alterações importantes no sono, humor ou alimentação, isolamento social ou queda significativa no funcionamento cotidiano. “Preparar-se
para o vestibular não significa abrir mão de todas as outras dimensões da
vida. Uma rotina equilibrada ajuda o jovem a atravessar esse período com mais
segurança. Se a família perceber mudanças persistentes no comportamento ou no
bem-estar, é importante acolher, conversar e, quando necessário, buscar a
orientação de um profissional de saúde”, orienta o especialista. Afya www.afya.com.br ir.afya.com.br Referências Pienyu K, Margaret B, D’Souza A. Academic stress, perceived parental pressure, and anxiety related to competitive entrance examinations and the general well-being among adolescents – A cross-sectional survey from Karnataka, India. Journal of Education and Health Promotion. 2024;13:474. DOI: 10.4103/jehp.jehp_2094_23 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39850288/ |

Nenhum comentário:
Postar um comentário