Pesquisar no Blog

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Fórmula 1 recebe pela primeira vez Ônibus SP Por Todas em ação de prevenção e enfrentamento ao assédio a mulheres

 

Presença inédita do Governo de SP em Interlagos reforça mobilização pelo respeito às torcedoras com ações de mobilização e orientação sobre direitos das mulheres 


A segunda visita da economista Beatriz Rosenburg ao Autódromo de Interlagos, em 2013, terminou de uma maneira que ela não esperava. Fã de Fórmula 1, a torcedora foi vítima de assédio durante o evento e acabou se afastando das corridas por alguns anos. Em 2018, ela decidiu retornar às arquibancadas e fazer alguma coisa para evitar que outras mulheres passassem pela mesma situação: começou a distribuir adesivos pedindo respeito às torcedoras. Ela imprimiu apenas 30 adesivos, não imaginando que sua ação iria repercutir e todos fossem distribuídos em poucas horas. 

Oito anos depois, ela está preparando a distribuição de 4.500 adesivos no Grande Prêmio de São Paulo, mobilizando uma rede de 24 voluntárias e mantendo uma rede de apoio com mais de 750 mulheres. É nesse cenário que o Ônibus SP Por Todas, do Governo do Estado de São Paulo, estará pela primeira vez na Fórmula 1, entre os dias 6 e 8 de novembro, com uma ação de conscientização e prevenção ao assédio. A unidade móvel ficará instalada dentro do Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital, próxima ao Portão 09.

A iniciativa da Secretaria de Políticas para a Mulher prevê a distribuição de adesivos e brindes com mensagens de enfrentamento à violência contra as mulheres. A presença do ônibus amplia a discussão sobre o direito das torcedoras de frequentar eventos esportivos sem sofrer constrangimentos, intimidações ou violência. 

Para Beatriz, a necessidade de uma mobilização ficou evidente quando descobriu que a situação vivida por ela não era isolada. Em 2018, após acompanhar o relato público de uma jornalista que também havia sofrido assédio em Interlagos, passou a conversar com outras mulheres e percebeu que os episódios se repetiam em diferentes setores do autódromo. 

"Eu tive dúvidas de como os 30 adesivos seriam recebidos. Para minha positiva surpresa, no primeiro dia de evento eu já não tinha mais nenhum. As mulheres adoraram e os homens também queriam usar", relembra.

Com o crescimento da campanha, a mobilização passou a ir além dos adesivos. Desde 2022, o grupo Interlagos Safe reúne torcedoras que trocam informações, combinam trajetos, organizam pontos de encontro e encontram companhia para acompanhar as corridas. 

Apesar dos avanços, Beatriz afirma que o assédio continua presente. Entre as situações relatadas pelas participantes estão toques sem consentimento, trombadas propositais e tentativas de aproximação física forçada. Para ela, as campanhas de conscientização precisam ser acompanhadas de procedimentos claros de acolhimento, atendimento às denúncias e responsabilização dos agressores. 

"Não queremos ocupar as arquibancadas com medo ou precisar estar constantemente em alerta. Queremos simplesmente ter o direito de torcer, celebrar e aproveitar o esporte com a mesma liberdade e tranquilidade que qualquer outro fã", afirma.
 

O direito de torcer sem precisar provar que pertence àquele espaço

A designer de moda Lisandra Francine Parede conhece outra dimensão desse problema. Moradora de Arapongas, no interior do Paraná, ela começou a acompanhar a Fórmula 1 mais de perto em 2020 e conheceu o movimento pelas redes sociais. No ano seguinte, viajou sozinha a São Paulo para assistir pela primeira vez a uma corrida em Interlagos. 

Mesmo sem companhia na viagem, encontrou na comunidade uma rede de mulheres com quem poderia compartilhar informações e permanecer durante o evento. A experiência também mostrou que o desrespeito nem sempre se manifesta por meio do contato físico. 

Lisandra conta que já enfrentou situações em que homens questionavam seu conhecimento sobre automobilismo, exigindo que respondesse a perguntas sobre pilotos, equipes e engenheiros para provar que realmente gostava do esporte. Também ouviu insinuações de que mulheres frequentam as corridas apenas pela aparência dos pilotos. 

Para ela, a existência de uma rede de apoio não elimina o problema, mas ajuda a tornar a experiência mais segura. A preparação começa antes mesmo da chegada ao autódromo, com orientações, troca de informações e a possibilidade de encontrar outras torcedoras. 

A designer também reconhece mudanças nos últimos anos, especialmente com o crescimento da presença feminina nas arquibancadas e a maior visibilidade das denúncias. Ainda assim, acredita que há um longo caminho até que todas as mulheres possam frequentar o evento sem receio de sofrer assédio ou discriminação.
 

Proteção e conscientização dentro e fora das arquibancadas

A estreia do Ônibus SP Por Todas na Fórmula 1 leva a discussão sobre violência contra as mulheres a um dos maiores eventos esportivos do país. A unidade móvel integra as ações do movimento SP Por Todas, do Governo de São Paulo, que reúne políticas públicas voltadas à segurança, saúde e autonomia feminina. 

Em suas ações itinerantes pelo estado, o ônibus oferece gratuitamente escuta qualificada, acolhimento psicossocial, orientação sobre direitos e encaminhamentos à rede de proteção, especialmente para mulheres em situação de violência doméstica e familiar. 

"O assédio não pode ser tratado como parte da experiência de um evento esportivo. As mulheres têm o direito de ocupar as arquibancadas, acompanhar seus pilotos e aproveitar a corrida com liberdade e segurança. Ao levarmos o Ônibus SP Por Todas à Fórmula 1, queremos reforçar que o respeito deve estar presente em todos os espaços e que as mulheres precisam conhecer seus direitos e os caminhos de proteção disponíveis", afirma a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni. 

Para Beatriz, a chegada do Ônibus SP Por Todas à Fórmula 1 representa um passo importante na construção de um ambiente mais seguro para as torcedoras. "Muitas vezes, saber que existe um local onde podem buscar ajuda, receber orientação ou simplesmente encontrar apoio já faz diferença. É importante que as torcedoras consigam visualizar esse espaço e saibam que não estão sozinhas caso passem por alguma situação de desconforto ou assédio", destaca. 

Para Lisandra, que encontrou nessa rede de apoio a confiança necessária para viajar sozinha a São Paulo e acompanhar sua primeira corrida, a segurança começa antes mesmo de chegar às arquibancadas. Está na troca de informações, na companhia de outras mulheres e na certeza de ter a quem recorrer. Mas ela reconhece que a mobilização das torcedoras, embora fundamental, não substitui a necessidade de medidas concretas de proteção. 

As trajetórias de Beatriz e Lisandra mostram que, mesmo com experiências diferentes, as mulheres compartilham uma reivindicação: o direito de ocupar os espaços esportivos com liberdade e segurança. A presença do Ônibus SP Por Todas em grandes eventos faz parte da estratégia do Governo de São Paulo de ampliar as ações de prevenção à violência, fortalecer a segurança das mulheres e levar informações sobre seus direitos também aos espaços de lazer e entretenimento. Para quem está nas arquibancadas, o objetivo é simples: que a única preocupação durante a corrida seja o que acontece na pista.
 

SP Por Todas

O SP Por Todas é o movimento do Governo do Estado de São Paulo que reúne políticas públicas voltadas às mulheres nos eixos de segurança e proteção, saúde e autonomia. Acesse: www.spportodas.sp.gov.br
 

Serviço

Ônibus SP Por Todas no Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1

Datas: 6, 7 e 8 de novembro de 2026

Local: Autódromo de Interlagos – Avenida Senador Teotônio Vilela, 261, São Paulo (SP)

Onde encontrar: Área interna do autódromo, próximo ao Portão 09

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados