A geração própria de energia
solar em empresas e propriedades rurais movimentou cerca de R$ 6,5 bilhões em
investimentos no Brasil entre janeiro e outubro deste ano, com a instalação de
66,1 mil novos sistemas fotovoltaicos, que somam 1,4 gigawatt (GW) de potência,
segundo levantamento da TTS Energia, empresa especializada em engenharia e
construção de usinas solares e ativos de energia renovável, com base em dados
da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Na avaliação da companhia, o setor passa por uma mudança no perfil dos
projetos, com crescimento da demanda por soluções Zero Grid, que permitem gerar
eletricidade para consumo próprio sem injetar excedentes na rede de
distribuição. De acordo com os indicadores, os novos empreendimentos instalados
nos dez primeiros meses de 2026 pelas empresas e setor rural passaram a
beneficiar outras 182,9 mil unidades consumidoras no Brasil, com uma parte
deles sem injeção na rede.
Segundo o mapeamento, os segmentos comercial, industrial e rural acumulam
aproximadamente 816 mil conexões de geração própria solar na última década no
Brasil, com 21,1 GW de potência instalada, 3,3 milhões de unidades consumidoras
beneficiadas e cerca de R$ 98 bilhões em investimentos.
Para Jacques Hulshof, CEO da TTS Energia, a busca pela redução dos custos com
eletricidade, maior previsibilidade das despesas e autonomia energética
continua impulsionando os investimentos de indústrias, estabelecimentos
comerciais, redes varejistas, centros de distribuição e produtores rurais.
“Entretanto, as restrições de conexão à rede elétrica e as dificuldades para
exportar excedentes têm levado esses consumidores a avaliar novas configurações
de projetos”, aponta.
“As empresas e os produtores rurais continuam interessados em investir na
geração própria de energia solar, mas estão cada vez mais atentos à viabilidade
técnica e econômica dos projetos. As restrições para injetar energia na rede
têm ampliado a procura por soluções Zero Grid, que permitem aproveitar a
eletricidade produzida dentro da própria operação, sem depender da exportação
dos excedentes para a distribuidora”, acrescenta Hulshof.
TTS Energia soma cerca de 20 MW em projetos sem exportação de energia
A mudança no perfil dos investimentos já se reflete na carteira da TTS Energia.
A companhia contabiliza 24 projetos de geração solar sem exportação de energia
para a rede elétrica, totalizando cerca de 20 megawatts (MW) de potência
instalada.
A tecnologia Zero Grid utiliza sistemas de controle capazes de monitorar o
consumo de eletricidade e ajustar a geração solar em tempo real, evitando a
injeção de excedentes na rede de distribuição. A solução permite viabilizar
empreendimentos em locais com restrições de conexão ou limitações para exportação
de energia, especialmente em indústrias, estabelecimentos comerciais e
propriedades rurais com consumo elevado durante o dia.
“Estamos observando uma procura crescente por projetos que combinem geração
solar, controle inteligente e, em determinadas aplicações, armazenamento em
baterias. O objetivo é aproveitar melhor a energia produzida, reduzir despesas
operacionais e ganhar segurança no abastecimento. O Zero Grid tem se
consolidado como uma alternativa importante nesse processo”, explica o executivo.
Segundo Hulshof, o avanço dessas soluções está relacionado à necessidade de
adequar os investimentos em energia solar às características de consumo e às
condições de conexão de cada empreendimento. “Cada vez mais, a engenharia
precisa considerar não apenas a capacidade de geração solar, mas também o
comportamento da carga, os horários de maior consumo e as limitações da rede.
Essa integração é fundamental para garantir o retorno dos investimentos e
ampliar a autonomia energética dos consumidores”, destaca.
Comparação com 2025 mostra desaceleração dos investimentos
Apesar da continuidade dos investimentos, os dados da ANEEL mostram que o ritmo
de expansão da geração própria solar em empresas e propriedades rurais diminuiu
em 2026. Entre janeiro e outubro do ano passado, foram registradas 113 mil
novas conexões, com 2,6 GW de potência adicionada e aproximadamente R$ 12
bilhões em investimentos.
No mesmo intervalo deste ano, as 66,1 mil novas conexões e os 1,4 GW instalados
representam reduções de 41,5% e 46,2%, respectivamente. O volume de
investimentos também apresentou retração de 45,8%, passando de R$ 12 bilhões
para R$ 6,5 bilhões.
Na avaliação da TTS Energia, a desaceleração reforça a importância de
desenvolver novos modelos de projetos, especialmente aqueles voltados ao
autoconsumo e à integração com tecnologias de armazenamento, capazes de
contornar parte das restrições enfrentadas pelos consumidores empresariais e
rurais.
“O mercado de geração própria solar continua oferecendo oportunidades, mas os
investimentos estão exigindo soluções mais específicas e maior planejamento. A
tendência é que os projetos Zero Grid e os sistemas integrados com baterias
ganhem relevância nos próximos anos, acompanhando a necessidade das empresas e
propriedades rurais de reduzir custos, administrar melhor o consumo e superar
as limitações da infraestrutura elétrica”, conclui Hulshof.

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