A
gordura no fígado pode evoluir sem sintomas; uma meta-análise global estimou a
condição em quase 4 de cada 10 homens. Hepatologista explica as relações com
gordura abdominal, testosterona, libido e álcool
No Novembro Azul, mês
dedicado à saúde do homem, a hepatologista Dra. Patrícia Almeida chama atenção
para um tema que costuma ficar fora da conversa: a saúde do fígado. A gordura
no órgão pode evoluir sem sintomas e estar associada a alterações metabólicas
que também afetam outras áreas da saúde.
Uma meta-análise
internacional, com dados de mais de 1 milhão de pessoas, estimou a prevalência
global da doença hepática gordurosa em 39,7% entre homens e 25,6% entre mulheres.
A gordura abdominal,
especialmente a visceral, está associada a alterações metabólicas que favorecem
o acúmulo de gordura no fígado. Ela também pode estar relacionada a níveis mais
baixos de testosterona. “A barriga não é apenas uma questão estética. Pode ser
um sinal de que há fatores metabólicos que merecem atenção, inclusive para a
saúde do fígado”, afirma Dra. Patrícia, hepatologista da Sociedade Brasileira
de Hepatologia e doutora pela USP.
Cansaço, redução da
libido e alterações na função sexual podem ter diferentes causas e precisam de
avaliação individual. O fígado participa do processamento dos hormônios
sexuais. Já a disfunção erétil pode estar associada a fatores cardiovasculares
e metabólicos, como diabetes e hipertensão. “Quando esses sinais aparecem, vale
conversar com um profissional de saúde e avaliar o quadro como um todo”, diz a
médica.
O consumo excessivo de
álcool também pode contribuir para o acúmulo de gordura e causar danos às
células do fígado. Dra. Patrícia explica que o álcool interfere no metabolismo
das gorduras e pode favorecer a progressão da doença hepática.
Como a esteatose costuma
não causar sintomas, a médica recomenda que os homens conversem com um
profissional de saúde sobre seus fatores de risco e a necessidade de avaliação.
“Não é preciso esperar sentir dor para olhar para a saúde do fígado”, afirma.
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