Especialistas
explicam como identificar os sintomas, quais hábitos podem influenciar as
perdas e quais tratamentos ajudam a melhorar a qualidade de vida
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Perder urina ao tossir, espirrar
ou praticar exercícios, sentir uma vontade repentina de evacuar sem conseguir
chegar ao banheiro a tempo ou ter dificuldade para controlar gases são
situações que podem comprometer a rotina e a qualidade de vida. Apesar do
constrangimento, esses sintomas não devem ser considerados consequências
inevitáveis do envelhecimento.
A incontinência urinária e a
fecal têm causas e manifestações distintas e podem ser tratadas de diferentes
formas, conforme a avaliação de cada paciente. Especialistas dos hospitais
Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), explicam
como reconhecer os sinais, quais hábitos podem influenciar os sintomas e quais
cuidados ajudam a prevenir complicações. Confira sete informações importantes
sobre o tema.
1. Perder urina ao tossir ou sentir urgência para urinar são situações diferentes
A incontinência urinária pode se
manifestar de várias formas. Algumas pessoas apresentam escapes ao tossir,
espirrar, rir ou praticar atividades físicas. Outras sentem uma vontade súbita
e intensa de urinar, sem conseguir chegar ao banheiro a tempo. Também há casos
em que a bexiga não se esvazia adequadamente, o que pode provocar gotejamento e
perdas frequentes.
“Na incontinência de esforço, a
pessoa perde urina ao tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso,
geralmente sem sentir vontade de urinar naquele momento”, explica Bruno Pimpão,
médico cirurgião e urologista dos hospitais Universitário Cajuru e São
Marcelino Champagnat. Identificar como essas perdas acontecem ajuda a orientar
a investigação das causas e a escolha do tratamento mais adequado.
2. A incontinência fecal também
pode envolver a perda involuntária de gases
A dificuldade para controlar
gases e a perda involuntária de fezes, líquidas ou formadas, em diferentes
quantidades, podem indicar alterações no controle intestinal. Entre as
possíveis causas estão lesões ou enfraquecimento dos músculos que controlam a
saída das fezes, alterações neurológicas, diarreia crônica e constipação
persistente.
“É importante destacar que
incontinência fecal não é uma consequência normal do envelhecimento. Mesmo
quando existe uma causa relacionada à idade, há tratamentos que podem melhorar
significativamente os sintomas”, ressalta Paulo Kotze, cirurgião geral e
coloproctologista do Hospital São Marcelino Champagnat.
A avaliação permite investigar a
origem do problema e definir as alternativas de tratamento, que podem incluir
ajustes na alimentação, medicamentos, fisioterapia pélvica, acompanhamento em
estomaterapia e procedimentos especializados.
3. Cafeína, intestino preso e
consumo inadequado de líquidos podem influenciar os sintomas urinários
Alguns hábitos cotidianos podem
contribuir para o agravamento dos sintomas. O consumo excessivo de cafeína pode
aumentar a urgência e a frequência das idas ao banheiro. A constipação e o
esforço frequente para evacuar também podem agravar os sintomas, enquanto o
excesso de peso está associado à piora da incontinência urinária.
“Tanto o excesso quanto a
restrição exagerada de líquidos podem contribuir para sintomas urinários, por
isso a quantidade deve ser adequada às necessidades de cada pessoa”, orienta a
fisioterapeuta dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat
Clarice Neves. Observar a relação entre os hábitos diários e os sintomas pode
ajudar a identificar fatores que merecem atenção. A recomendação é buscar
orientação profissional para ajustar os hábitos de forma segura, sem restringir
a ingestão de água por conta própria.
4. Fisioterapia pélvica e
estomaterapia podem ajudar no tratamento da incontinência
O tratamento da incontinência
urinária pode envolver exercícios para a musculatura do assoalho pélvico,
treinamento vesical e técnicas específicas para melhorar a força, a resistência
e a coordenação muscular. A escolha dos recursos depende da avaliação
profissional e do tipo de incontinência.
A estomaterapia também pode
contribuir para o cuidado de pessoas com incontinência urinária ou fecal, por
meio de orientações e cuidados individualizados, de acordo com as necessidades
de cada paciente. Já a fisioterapia pélvica pode incluir exercícios para
fortalecer e melhorar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico,
auxiliando no controle das perdas.
“A fisioterapia pode ajudar a
reduzir as perdas urinárias e os sintomas, trazendo mais segurança para as
atividades do dia a dia e melhorando a qualidade de vida”, destaca Clarice.
Segundo a profissional, os resultados variam de pessoa para pessoa. Com a
redução dos sintomas, os pacientes podem se sentir mais seguros para realizar
atividades como trabalhar, praticar exercícios, viajar e participar de eventos
sociais.
5. Absorventes e fraldas oferecem
proteção, mas não tratam a causa da incontinência
A escolha do produto deve
considerar a intensidade das perdas, a mobilidade, a rotina e o período de uso.
Protetores podem atender a casos de escapes leves, enquanto produtos com maior
capacidade de absorção podem ser mais adequados para perdas volumosas. Para
pessoas com mobilidade reduzida, modelos com fitas adesivas podem facilitar as
trocas.
“O mais importante é compreender
que não existe um produto ideal para todos, mas aquele mais adequado ao estilo
de vida, ao grau de incontinência e às condições clínicas de cada pessoa”,
explica a estomaterapeuta do Hospital Universitário Cajuru Cintia Schuersovski.
A estomaterapeuta também chama
atenção para o tamanho: produtos apertados podem provocar atrito e lesões,
enquanto aqueles que ficam largos demais podem facilitar vazamentos. Por isso,
a escolha adequada contribui para o conforto e a segurança, embora absorventes
e fraldas não tratem a causa da incontinência.
6. O contato prolongado com urina
e fezes pode provocar lesões na pele
A umidade prolongada pode
comprometer a barreira protetora da pele e provocar dermatite associada à incontinência,
com sinais como vermelhidão, ardência, dor e irritação. Para prevenir essas
complicações, a higiene deve ser suave, seguida de secagem cuidadosa, sem
esfregar a região.
“Uma pele limpa, seca e protegida
é uma medida importante para prevenir dermatites e outras complicações
associadas à incontinência”, alerta Cintia. A estomaterapeuta recomenda
observar diariamente a pele e trocar os produtos absorventes sempre que estiverem
saturados, úmidos ou sujos. “Alguns cuidados devem ser evitados, como o uso
excessivo de sabonetes agressivos, álcool, fricção intensa da pele, talcos e
produtos perfumados, que podem aumentar a irritação e favorecer reações
cutâneas”, completa.
7. Vergonha e medo da cirurgia
podem atrasar a procura por ajuda
O constrangimento ainda é uma das
barreiras para o diagnóstico da incontinência. Algumas pessoas acreditam que
perder urina é algo esperado após o parto, na menopausa ou com o
envelhecimento. Outras temem que a cirurgia seja a única alternativa. Na
incontinência fecal, a dificuldade de falar sobre a perda de fezes ou gases
também pode levar ao adiamento da consulta.
“É importante romper esse tabu,
porque grande parte dos tratamentos é conservadora e pode proporcionar uma
melhora importante da qualidade de vida”, ressalta Pimpão. Kotze também alerta
para o impacto da vergonha na busca por atendimento. “Incontinência fecal é um
problema de saúde, não motivo de vergonha”, enfatiza.
As opções de tratamento dependem da causa e da
gravidade dos sintomas. A avaliação médica permite investigar o quadro e
definir a conduta mais adequada, sem que a pessoa precise reorganizar toda a
rotina em função das perdas.
Hospital São Marcelino Champagnat
Hospital Universitário Cajuru
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