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sábado, 1 de agosto de 2026

Sem energia? Sol Viana ensina banho de ervas para renovar as forças e afastar o desânimo


Há dias em que o cansaço parece ir além do físico. A falta de motivação, a procrastinação constante e a sensação de que nada flui fazem muitas pessoas buscarem formas de renovar as energias e recuperar o ânimo. Para a oraculista e espiritualista Sol Viana, um dos recursos mais tradicionais e acessíveis para esse momento é o banho energético preparado com ervas e especiarias. 

 

Segundo ela, ingredientes simples, encontrados facilmente em mercados e feiras, podem ser utilizados em um ritual de fortalecimento energético quando preparados com intenção e consciência. 

 

"O banho de ervas é um momento de conexão com você mesmo. Enquanto prepara a infusão, coloque sua intenção naquilo que deseja transformar. É esse direcionamento, aliado à força simbólica das ervas, que potencializa o ritual", explica. 

 

A receita indicada por Sol leva sete folhas de louro, sete paus de canela, um ramo de alecrim e uma colher de açúcar. O preparo é simples: basta ferver a água, desligar o fogo, acrescentar os ingredientes e tampar o recipiente, deixando descansar como uma infusão. 

 

Durante esse período, Sol orienta que a pessoa mentalize vitalidade, força, prosperidade e abertura de caminhos, direcionando pensamentos positivos para o banho. 

 

"Imagine essa água recebendo tudo aquilo que você precisa neste momento: energia, coragem, disposição e determinação para colocar seus projetos em prática. A intenção faz parte do ritual e fortalece esse processo de renovação", afirma. 

 

Depois de frio, o líquido deve ser coado. Após o banho de higiene, o preparo pode ser derramado lentamente sobre o corpo, permitindo que a pessoa permaneça por alguns instantes em silêncio, absorvendo aquele momento de autocuidado e conexão espiritual. 

 

De acordo com Sol Viana, esse é um banho especialmente indicado para quem se sente desanimado, sem iniciativa ou enfrentando períodos de bloqueios e estagnação. 

 

"Na tradição espiritual, esse banho é utilizado para fortalecer a energia pessoal, estimular a disposição e favorecer a abertura de caminhos. Muitas pessoas relatam que, após o ritual, sentem mais leveza, motivação e confiança para seguir em frente e conquistar seus objetivos." 

 

Para a espiritualista, o mais importante é compreender que o banho energético não substitui os cuidados com a saúde física ou emocional, mas pode ser um importante aliado para quem deseja cultivar equilíbrio, fortalecer a espiritualidade e iniciar um novo ciclo com mais ânimo e boas energias. 

 

Instagram: https://www.instagram.com/solvianaoficial/

 

"Pode ler só na segunda": a frase que está acabando com o descanso de milhares de trabalhadores

As mensagens enviadas por gestores fora do expediente mantêm o cérebro em estado de alerta, aumentam a ansiedade e impedem a recuperação mental, mesmo quando não há expectativa de resposta imediata 

 

"Pode responder só na segunda."- À primeira vista, a frase parece um gesto de consideração. Mas, para o cérebro, ela pode representar exatamente o oposto.

Cada vez mais comum em grupos de trabalho, e-mails e aplicativos de mensagens, o hábito de gestores enviarem demandas durante noites, finais de semana ou férias, acompanhadas da observação de que "não é preciso responder agora", tem despertado a atenção de especialistas em saúde mental. O motivo é simples: o problema não é quando a mensagem será respondida, mas o fato de ela já ter chegado. 

Segundo o psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, especializado em saúde mental no ambiente corporativo, basta uma notificação de trabalho para que o cérebro comece a antecipar cenários, interrompendo o processo natural de descanso. 

"Quando a pessoa vê uma mensagem do chefe, mesmo sem abri-la, o cérebro imediatamente interpreta que pode existir uma demanda importante. Essa antecipação já é suficiente para ativar circuitos relacionados ao estresse e à vigilância. O organismo deixa de estar em repouso porque passa a monitorar uma possível ameaça ou obrigação", explica.

 

O cérebro não sabe que é "só para segunda"

Imagine a situação: sábado à tarde, almoço em família, uma viagem ou um momento de lazer. O celular vibra. Na tela aparece o nome do gestor acompanhado da mensagem: "Pode responder só na segunda. Estou mandando apenas para não esquecer."

Mesmo que o colaborador escolha não abrir a conversa, dificilmente conseguirá ignorá-la completamente.

"Descanso não significa apenas estar longe do computador. Significa também estar livre da expectativa de trabalho. Quando essa expectativa aparece, mesmo sem uma tarefa concreta, o cérebro permanece parcialmente conectado ao ambiente profissional", afirma o médico.

Essa ativação contínua dificulta o relaxamento, prejudica a qualidade do sono, aumenta a ansiedade e reduz a capacidade de recuperação física e emocional entre uma jornada e outra.

 

O descanso também faz parte da produtividade

Diversos estudos em neurociência mostram que períodos de recuperação são fundamentais para consolidar memória, restaurar a atenção, regular emoções e reduzir os níveis de estresse.

Quando esse descanso é interrompido repetidamente por estímulos relacionados ao trabalho, o cérebro permanece em estado de hiperalerta, o que pode favorecer fadiga mental, irritabilidade, dificuldade de concentração e, em casos prolongados, contribuir para quadros de esgotamento profissional.

"O cérebro precisa de momentos em que ele realmente acredita que nada relacionado ao trabalho vai acontecer. Esse período de segurança psicológica é essencial para que a recuperação ocorra de forma completa", explica Daniel Sócrates. 

Segundo ele, pequenas mudanças de comportamento podem produzir grande impacto na saúde mental das equipes. "A frase talvez precise ser reformulada. Em vez de 'pode responder só na segunda', a melhor pergunta é: 'essa mensagem precisava mesmo ser enviada antes de segunda?'. Respeitar o descanso não é permitir que a pessoa ignore uma mensagem. É preservar o cérebro dela da necessidade de conviver com essa preocupação durante todo o fim de semana."

 


Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Saúde Mental: um olhar além da mente

Magnific

O sinal de alerta está aceso, a saúde de seres humanos tem gritado por socorro! Será que estamos sabendo ouvir? Segundo dados de Relatórios do Observatório de Atenção Primária (Nações Unidas e Unicef), somente no Brasil cerca de 26% da população adulta relata sofrer de ansiedade; quase 13% possuem diagnóstico de depressão; somando-se a outros transtornos, no ano passado nosso país registrou mais 500 mil afastamentos do trabalho formal, um aumento de 134% em relação aos anos anteriores. Vale notar que não se trata de um problema entre os adultos, pois 1 em cada 7 crianças e adolescentes no país entre 10 e 19 anos convivem com alguma condição psicológica.

O cenário é preocupante e, justamente por isso, exige de nós novas formas de olhar sobre o tema, se realmente estamos comprometidos com soluções. Cultivamos uma sociedade esvaziada de valores éticos básicos, endossando a competição e classificando desde muito cedo vencedores e perdedores. O ponto é que esta lógica fracassou, e inclusive os aclamados vencedores, estão abarrotando os consultórios em busca de ajuda. O tratamento comum tem sido paliativo, pois nenhum remédio cura dor emocional e isso não é novidade, tratar sintoma não é cura, é anestesia.

O que nomeamos como problema de Saúde Mental é o reflexo de um adoecimento muito maior, há séculos seguimos a cartilha do materialismo, exaltando quem é capaz de esconder seus sentimentos, ridicularizando e infantilizando as dores da alma. A Era da Lógica sequestrou nossa essência em nome da produtividade, do sucesso material, dos egos envaidecidos e uma hora a conta iria chegar.

Se pais emocionalmente fragilizados podem contribuir para o adoecimento dos filhos, o que esperar de uma sociedade que enfrenta a mesma realidade? Estamos em meio ao colapso do paradigma da racionalidade, a mente não suporta mais, o tecido humano não tem sido mais capaz de sustentar esta trama. Cabe então a nós mudar o olhar, ir além da mente, recolher todos os fragmentos que nos compõem para tornarmos a ser um.

Não é por acaso que diante à supervalorização da lógica, da mente e da razão, surge desafios nos termos da Saúde Mental. Transcender esta experiência não nega o valor de nenhuma conquista real, apenas amplia o tema da saúde para o tamanho do ser humano integral que nós somos: do corpo ao espírito, olhando a vida em sua inteireza, ampliando ao invés de estreitar. Logo, a solução não está numa pílula mágica ou no próximo diagnóstico, mas na compreensão e reconhecimento no emaranhado que nos colocou neste lugar e como cada história registrou a ameaça sofrida.

Temos uma grande oportunidade em nossas mãos de reescrevermos nossa própria história e encerrar séculos de dores. Detrás de cada transtorno existe uma história. Não será fácil, mas, sem sombra de dúvidas, é a tarefa que enquanto coletivo necessitamos realizar. Estamos sendo praticamente forçados a expandir o nosso olhar à luz da consciência. Será que seremos capazes de enxergar?

 


Kempes Macedo - terapeuta, Mestre em Educação no campo dos Direitos Humanos e Políticas Públicas e autor da obra A Ilusão, O Surto e a Verdade.


O peso do diploma sem mercado: a ansiedade paralisante da geração que se formou e não consegue começar a vida

Especialista analisa a crise emocional dos jovens de 20 e poucos anos que enfrentam o choque entre a expectativa da faculdade e a realidade do desemprego, gerando um sentimento precoce de fracasso e invalidação profissional.

 

Concluir a faculdade costuma representar, para muitos jovens, o início de uma nova etapa: conquistar o primeiro emprego na área de formação, construir independência financeira e começar a colocar em prática os planos feitos ao longo da graduação. Na realidade, porém, muitos recém-formados encontram um cenário diferente do esperado, marcado pela dificuldade de conseguir uma oportunidade e pela sensação de que, apesar do diploma, a vida profissional não consegue começar.

A distância entre expectativa e realidade pode provocar impactos emocionais importantes. Ao enviar currículos sem receber respostas, participar de processos seletivos que não avançam ou aceitar trabalhos fora da área de formação, jovens de 20 e poucos anos podem começar a questionar a própria capacidade e interpretar uma dificuldade do mercado como uma falha pessoal.

Segundo a psicóloga e especialista em ansiedade Eliane Alves, esse processo pode favorecer o surgimento de sentimentos como frustração, insegurança, ansiedade e até uma sensação precoce de fracasso. "Existe uma expectativa de que, depois da faculdade, a pessoa finalmente vai conseguir construir sua carreira. Quando isso não acontece, é comum que ela pense que não é boa o suficiente ou que fez escolhas erradas. O problema é que uma dificuldade profissional passa a ser interpretada como uma invalidação de quem ela é", explica.

A pressão também pode ser intensificada pela comparação com outras pessoas da mesma idade. Enquanto alguns conseguem uma oportunidade rapidamente, outros ainda estão procurando emprego ou enfrentando dificuldades para se inserir no mercado. Nas redes sociais, essa diferença pode parecer ainda maior, já que são compartilhados resultados e conquistas, mas raramente os períodos de incerteza que existem por trás dessas trajetórias.

"É muito difícil não se comparar quando parece que todo mundo está avançando. O jovem olha para os colegas que conseguiram emprego, estão ganhando dinheiro ou construindo uma carreira e sente que ficou para trás. Essa comparação constante aumenta a ansiedade e pode fazer com que ele deixe de enxergar o próprio processo", afirma Eliane.

Outro impacto está na dificuldade de planejar o futuro. Sem estabilidade profissional ou financeira, muitos jovens adiam projetos pessoais, como morar sozinhos, viajar ou construir uma família, criando a sensação de que a vida está em pausa. A frustração acumulada pode levar ao isolamento, à perda de motivação e à dificuldade de tomar decisões sobre os próximos passos.

Para a especialista, é importante compreender que a entrada no mercado de trabalho não acontece no mesmo ritmo para todos e que o primeiro emprego não precisa definir toda a trajetória profissional. "O início da carreira é um período de construção e descoberta. Não conseguir uma oportunidade imediatamente não significa que o jovem fracassou ou que seu diploma perdeu valor. É preciso separar o momento profissional da identidade e da autoestima", destaca.

A psicoterapia pode ser uma aliada para lidar com a ansiedade e com as cobranças dessa fase, ajudando o jovem a reconhecer expectativas irreais, trabalhar a comparação e desenvolver recursos emocionais para enfrentar as incertezas. "O diploma representa uma conquista, mas não determina sozinho o caminho profissional. O mais importante é não transformar uma fase de dificuldade em uma sentença sobre o próprio futuro", conclui a psicóloga.

 

 Fonte: Eliane Alves | Psicóloga – especialista em ansiedade.

 

Você mudou para agradar? Especialista aponta 5 sinais de que sua identidade pode estar ficando para trás

Neurocientista explica como o medo da rejeição, as redes sociais e a necessidade constante de aprovação podem levar à perda da própria identidade  

 

Você fala diferente dependendo de quem está por perto? Evita expor sua opinião para não criar conflitos? Ou sente que, em determinados ambientes, precisa interpretar uma versão de si mesmo para ser aceito? Esses comportamentos podem parecer naturais, mas, quando se tornam constantes, podem indicar algo mais profundo: a perda gradual da própria identidade.

Segundo o neurocientista, psicanalista clínico e sexólogo Betto Alves, adaptar-se aos diferentes contextos faz parte da convivência humana. O problema surge quando essa adaptação deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade para conquistar aprovação.

"O ser humano precisa pertencer. Desde cedo aprendemos que ser aceito aumenta nossas chances de conexão e segurança. O risco é quando começamos a moldar nossa personalidade apenas para atender às expectativas dos outros. Aos poucos, deixamos de saber quem realmente somos", explica.

Esse conceito foi amplamente estudado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, que chamou de persona a "máscara social" que usamos para desempenhar diferentes papéis ao longo da vida. Para Betto, essa máscara é saudável quando ajuda na convivência, mas se torna um problema quando passa a substituir a identidade.

"As personas não são o problema. Todos nós exercemos diferentes papéis: profissional, pai, mãe, filho, amigo. A questão é quando a pessoa acredita que precisa viver permanentemente dentro desse personagem para continuar sendo amada, valorizada ou respeitada", aponta.

A pressão para corresponder às expectativas ganhou ainda mais força com as redes sociais. Perfis cuidadosamente construídos, padrões de sucesso e estilos de vida idealizados criam uma sensação constante de comparação e alimentam o medo de ficar de fora, fenômeno conhecido como FOMO (Fear of Missing Out).

"Quando passamos tempo demais olhando para a vida dos outros, corremos o risco de começar a copiar não apenas comportamentos, mas também desejos, opiniões e até sonhos que talvez nunca tenham sido nossos", levanta Betto.

No ambiente corporativo, esse movimento também aparece com frequência. Profissionais sentem que precisam demonstrar produtividade constante, esconder inseguranças e manter uma postura impecável para serem reconhecidos.

"Existe uma crença de que demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza. Assim, muitas pessoas vestem uma armadura emocional para parecerem sempre fortes, competentes e inabaláveis. O problema é que, quanto mais tempo usamos essa armadura, mais difícil fica lembrar quem existe por baixo dela", afirma.


5 sinais de que você pode estar perdendo sua identidade

1. Você muda de opinião dependendo de quem está por perto

Se você costuma concordar com tudo apenas para evitar conflitos ou conquistar aprovação, vale a pena refletir. Adaptar a forma de comunicar é diferente de abrir mão dos próprios valores. "A adaptação é saudável. O problema começa quando você deixa de expressar quem é apenas por medo da rejeição", explica Betto.

2. Sua autoestima depende da aprovação dos outros

Curtidas, elogios, reconhecimento profissional ou validação do parceiro passam a determinar seu bem-estar. "Quando a validação vem sempre de fora, a pessoa perde a referência interna sobre seu próprio valor", aponta o especialista.

3. Você já não sabe mais do que realmente gosta

Após anos tentando agradar familiares, parceiros ou colegas de trabalho, algumas pessoas têm dificuldade para responder perguntas simples: qual é meu hobby? O que eu realmente gosto de fazer? Quais sonhos ainda são meus?

"É muito comum atender pessoas que, após o fim de um relacionamento ou uma grande mudança profissional, percebem que viveram durante anos em função das expectativas do outro."

4. Você nunca demonstra fragilidade

No trabalho, nas redes sociais e até dentro de casa, existe uma necessidade constante de parecer forte, bem-sucedido e emocionalmente estável. "Quem acredita que precisa ser perfeito o tempo todo acaba vivendo um personagem. E personagens não conseguem estabelecer conexões verdadeiras."

5. Mesmo conquistando objetivos, você sente um vazio constante

Esse costuma ser um dos sinais mais importantes. A pessoa alcança metas, recebe reconhecimento e faz tudo o que acreditava que deveria fazer, mas continua com a sensação de que algo está faltando. "Quando a vida inteira é construída para atender expectativas externas, até as conquistas podem parecer vazias, porque pertencem ao personagem, não à pessoa."

Para Betto Alves, recuperar a própria identidade não significa abandonar responsabilidades ou deixar de se adaptar aos diferentes ambientes. Significa voltar a reconhecer os próprios valores, limites e desejos antes que eles sejam completamente substituídos pelas expectativas externas.

"O maior risco não é interpretar diferentes papéis ao longo da vida. O maior risco é esquecer quem você é quando o palco esvazia, as telas se desligam e não há mais ninguém para impressionar", finaliza.

 

Betto Alves - neurocientista, psicanalista clínico e sexólogo. Mestre em Administração, com pesquisa sobre Inteligência Emocional, atua há mais de 20 anos com comportamento humano, liderança e desenvolvimento de pessoas. É professor universitário na PUC Paraná e na ESPM, além de ministrar palestras, cursos e mentorias para empresas e cooperativas em todo o Brasil.


Como inserir o autocuidado na rotina sem transformá-lo em mais uma cobrança

Psicólogas orientam como pequenas atitudes, descanso, lazer e limites saudáveis contribuem para o bem-estar emocional

 

Cerca de 15% da população mundial vivia com algum transtorno mental em 2021, segundo estimativa divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025. Diante de uma rotina marcada por múltiplas responsabilidades, excesso de telas e dificuldade para conciliar trabalho, descanso e vida pessoal, incorporar práticas de autocuidado ao cotidiano contribui com​​ a promoção do bem-estar. 

De acordo com Caroline Rodrigues da Silva e Luana Pimentel, psicólogas do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, autocuidado é o conjunto de atitudes e comportamentos intencionais adotados para preservar e promover a saúde física, mental, emocional e social. Mais do que um momento de descanso ou uma ação isolada, ele envolve práticas contínuas e escolhas conscientes, adaptadas às necessidades e possibilidades de cada pessoa. 

Um dos equívocos mais comuns, segundo as profissionais, é acreditar que cuidar de si exige muito tempo, dinheiro ou condições especiais.   

“Não existe uma fórmula única de autocuidado: o que promove bem-estar para uma pessoa pode não ser o mesmo para outra”, explicam as psicólogas.

A seguir, as especialistas apresentam orientações para incorporar esse cuidado à rotina de forma realista, sem transformá-lo em uma nova fonte de cobrança:
 

1. Inserção de pequenas pausas no cotidiano

Para quem precisa conciliar trabalho, família e outras responsabilidades, o autocuidado pode começar com pausas de alguns minutos durante o dia, como interromper temporariamente uma atividade, descansar ou reservar um breve período para fazer algo prazeroso​​. Esses momentos não precisam seguir duração ou frequência rígidas, mas devem ser adaptados às possibilidades individuais. 

O objetivo não é incluir mais uma obrigação na agenda, mas encontrar formas possíveis de atender às próprias demandas.

“Pequenas ações, realizadas de forma consistente e respeitando a realidade de cada pessoa, tendem a ser mais eficazes do que mudanças radicais que são difíceis de manter. O autocuidado deve aliviar a sobrecarga, e não se tornar mais uma fonte de cobrança”, destacam as profissionais.
 

2. Organização de uma rotina possível 

Manter uma rotina organizada, com horários equilibrados para trabalho, descanso e lazer, ajuda a reduzir o estresse e proporciona maior sensação de controle sobre o cotidiano. Isso não significa preencher a agenda com novas tarefas, mas estabelecer metas realistas e organizar os compromissos de acordo com o tempo e as condições de cada pessoa. 

O autoconhecimento é uma parte importante desse processo. Através dele, o indivíduo consegue identificar quais práticas fazem sentido no seu dia a dia e quais expectativas precisam ser revistas. 

Para as psicólogas, o autocuidado não deve ser adiado até que todas as responsabilidades sejam cumpridas. Ele pode estar presente na maneira como a pessoa se organiza, toma decisões, respeita os próprios limites e reserva um tempo para si.​​
 

3. Reconhecimento do descanso como necessidade

Assim como o trabalho e as demais responsabilidades, as pausas são essenciais para a recuperação física e mental e devem fazer parte do cotidiano. 

Sempre que possível, deve-se equilibrar sono de qualidade com momentos de descanso, trabalho, lazer e atividade física. Além disso, é essencial estar atento à diferença entre a necessidade natural de repouso e um cansaço intenso e persistente. 

“O descanso deve ser entendido como uma necessidade, e não como um sinal de preguiça ou falta de produtividade”, ressaltam as especialistas. 

Quando o cansaço se torna frequente, intenso ou começa a interferir nas atividades diárias, pode ser um sinal de esgotamento ou de outros problemas de saúde mental, e demanda avaliação profissional.
 

4. Valorização do lazer e das atividades prazerosas 

O lazer desempenha um papel primordial no autocuidado porque oferece momentos de pausa e recuperação emocional. Ler um livro, caminhar em um parque, desenvolver um hobby, encontrar pessoas queridas ou realizar outra atividade descontraída são algumas das possibilidades. 

Além de contribuir para a redução do estresse e a melhora do humor, o lazer favorece a criatividade e pode ajudar a estabelecer maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. 

Por isso, não deve ser tratado como perda de tempo nem como uma recompensa permitida somente depois que todas as obrigações forem cumpridas. Reservar espaço para atividades prazerosas também é uma maneira de preservar a saúde. 


5. Revisão do uso excessivo de telas 

O uso excessivo de telas, redes sociais e jogos ​​online​​, assim como outros comportamentos compulsivos, pode afetar o sono, o humor, os relacionamentos e a qualidade de vida sem que a pessoa perceba imediatamente. 

Rever esses hábitos e observar como eles interferem no cotidiano são formas de autocuidado. O objetivo não é estabelecer uma proibição generalizada, mas buscar uma relação mais equilibrada com a tecnologia. 

Observar o tempo de uso, o impacto dos conteúdos consumidos e a dificuldade para se desconectar auxilia a identificar a necessidade de mudanças na rotina.
 

6. Estabelecimento de limites e cultivo de relações saudáveis 

As conexões interpessoais também são um aspecto importante do autocuidado. Manter vínculos saudáveis com familiares, amigos e outras pessoas promove o sentimento de pertencimento, fortalece a rede de apoio e contribui para o desenvolvimento pessoal e emocional. 

Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer situações que geram desgaste e aprender a definir prioridades e respeitar as próprias necessidades. Esse processo começa pelo autoconhecimento e pela identificação dos momentos em que é preciso se posicionar. 

​​Uma comunicação aberta contribui para relações mais equilibradas. A psicoterapia é uma aliada​​​ ​​ nesse processo, oferecendo maior clareza sobre a maneira como a pessoa se relaciona consigo mesma e com os outros.
 


7. Atenção às mudanças no funcionamento diário 

Sensação constante de exaustão, dificuldade para equilibrar as diferentes áreas da vida, alterações no sono ou no apetite, oscilações de humor, aumento da ansiedade, irritabilidade, desânimo, fadiga persistente e redução da produtividade estão entre os sinais que merecem atenção.

O isolamento social deve ser observado, principalmente quando a pessoa passa a evitar o convívio com familiares e amigos ou perde o interesse por atividades que antes lhe proporcionavam prazer. Sintomas físicos incluem falta de ar, palpitações e sudorese.

Uma maneira simples de realizar um “check-up emocional” é observar mudanças no próprio funcionamento, considerando sua duração e seu impacto no cotidiano.
 

8. Busca por apoio profissional quando necessário 

O autocuidado é uma ferramenta importante para promover o bem-estar, mas há momentos em que ele, sozinho, não é suficiente. Tentar enfrentar sozinho dificuldades mais profundas e adiar a busca por atendimento não são ações recomendadas. Mudanças nessa área exigem tempo, dedicação e constância . 

“Quando o sofrimento emocional é intenso, persistente ou começa a comprometer a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida, é hora de procurar ajuda psicológica”, finalizam as profissionais. 

Nos casos de transtornos como ansiedade e depressão, o acompanhamento psicológico é fundamental e, quando necessário, deve ser associado ao tratamento psiquiátrico.  



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Volta às aulas de meio de ano: como ajudar crianças e adolescentes a retomarem a rotina escolar

 

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Especialistas compartilham orientações para tornar a readaptação mais leve após as férias de julho

 

Depois de semanas com horários mais flexíveis, viagens, passeios e uma rotina menos estruturada, a volta às aulas do segundo semestre representa um novo período de readaptação para crianças, adolescentes e suas famílias. Embora o retorno seja mais tranquilo do que costuma ser o início do ano letivo, a retomada dos compromissos escolares exige atenção aos aspectos emocionais, físicos e organizacionais. 

A boa notícia é que pequenas atitudes adotadas nos dias que antecedem o primeiro dia de aula podem tornar essa transição mais leve. Segundo educadores, o planejamento, acolhimento e diálogo são fundamentais para que os estudantes retomem a rotina com segurança, motivação e bem-estar.
 

Readaptar a rotina e os horários antes do primeiro dia de aula 

Um dos principais desafios da volta às aulas após as férias é reorganizar a rotina. Durante o recesso, é comum que crianças e adolescentes durmam mais tarde e tenham horários menos rígidos. Por isso, a recomendação é iniciar a readaptação alguns dias antes do retorno às aulas, ajustando gradualmente os horários de dormir, acordar e realizar as refeições. 

“Quando a retomada da rotina acontece de forma gradual, a criança chega ao primeiro dia de aula mais descansada e preparada. A previsibilidade traz segurança e reduz o impacto da transição entre o período de férias e as exigências da vida escolar”, afirma Pâmela Lopes, coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue de Itu (SP). 

O período de férias também costuma ser marcado pelo aumento do tempo de exposição a celulares, tablets e videogames. Embora façam parte do cotidiano das crianças e adolescentes, o uso excessivo pode dificultar a retomada do ritmo escolar, especialmente quando interfere no sono e na capacidade de manter a atenção por períodos mais longos. 

“O cérebro se adapta aos estímulos que recebe com frequência. Quando predominam conteúdos rápidos e altamente estimulantes, a transição para atividades que exigem persistência e concentração pode se tornar mais desafiadora. Por isso, é importante que a redução do tempo de telas aconteça gradualmente nos dias que antecedem o retorno às aulas”, acrescenta Pâmela.
 

Inclua a criança nos preparativos para o retorno 

A família deve incluir crianças e adolescentes nos preparativos do retorno. Transformar a volta às aulas em um momento de participação pode ajudar a despertar o entusiasmo dos estudantes. “Quando o aluno participa, ele deixa de receber decisões prontas e passa a ser dono da própria jornada. Na infância, isso fortalece a autonomia. Na adolescência, desenvolve protagonismo e noção de consequência”, explica Audrey Taguti, pedagoga há 40 anos e diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP). 

Com as crianças menores, organizar materiais e arrumar a mochila funciona como forma de inclusão no processo. Já para os adolescentes, é preciso rever horários, definir metas para notas e entender o que ficou pendente no primeiro semestre. “Julho não é janeiro. O aluno já conhece professores, colegas e regras. Por isso, a volta às aulas do meio do ano é o momento de cobrar mais maturidade”, acrescenta Audrey. 

Segundo a docente, o comprometimento é inegociável: se no primeiro semestre ainda valia o "estou me adaptando", agora o adolescente precisa entender que frequência, entrega de trabalhos e estudo contínuo definem o resultado final. “É hora de trocar o ‘depois eu vejo’ por planejamento”, diz a educadora. 

“O jovem precisa entender que cada aula constrói o boletim de dezembro. Que o vestibular, o ENEM e o futuro profissional fazem parte da organização do ano letivo, e principalmente na reta final do segundo semestre", reforça Audrey. 

A participação da criança nesse processo não deve estar condicionada a recompensas ou prêmios. “Prometer presente, dinheiro ou viagem por nota gera motivação errada. A criança e o adolescente precisam separar: a escola é compromisso, não negociação. O reconhecimento vem do esforço, da autonomia conquistada e das portas que a educação abre”, afirma Audrey.
 

A família também precisa se preparar 

A volta às aulas não mobiliza apenas os estudantes. Pais e responsáveis também precisam reorganizar horários, expectativas e emoções para acompanhar esse novo ciclo. É importante manter uma comunicação aberta em casa, acolhendo dúvidas, inseguranças e expectativas que possam surgir nos primeiros dias de aula.

Segundo Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), a ansiedade dos adultos pode ser percebida pelas crianças, influenciando diretamente a forma como elas encaram o retorno à escola. Por isso, é importante que as famílias demonstrem confiança e tranquilidade durante esse processo. “Os filhos observam constantemente as reações dos adultos. Quando os responsáveis transmitem segurança e confiança na escola, a tendência é que a criança se sinta mais confortável para enfrentar os desafios naturais da readaptação”, diz. 

Ainda segundo Jacqueline, a readaptação das crianças menores pode ser um pouco mais difícil e por isso, é importante que os professores e demais pessoas envolvidas na vida escolar dos pequenos se preparem para um possível retorno à insegurança do início do ano. O diálogo e o apoio às famílias são essenciais para que todos os pequenos passem por esta fase com tranquilidade. 

Jacqueline também destaca que reencontrar colegas antes do primeiro dia de aula pode contribuir para uma readaptação mais tranquila. “Os vínculos de amizade são importantes fontes de acolhimento emocional e ajudam a criar expectativas positivas para o retorno.”
 

Primeira vez na escola exige atenção especial 

Para algumas famílias, o segundo semestre coincide com um momento ainda mais marcante: a primeira experiência de crianças pequenas na Educação Infantil representa uma grande mudança na rotina familiar e na vida do novo aluno, que passa a conviver com novos adultos, colegas e ambientes. 

Antes do início das aulas, é recomendável que as famílias conversem com os pequenos sobre o que está por vir de forma clara e positiva, preparando a criança para as novidades que encontrará pela frente. Falar sobre os professores, as brincadeiras, os novos amigos e a rotina escolar ajuda a reduzir a ansiedade e cria expectativas mais saudáveis em relação a essa nova fase. 

“Entrar na escola é uma experiência emocional significativa. Quando a criança se sente acolhida, compreendida e segura, ela cria vínculos positivos com o espaço escolar e desenvolve mais confiança para explorar, aprender e se relacionar”, explica Teca Antunes, diretora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP). “É importante responder às dúvidas com sinceridade, sem prometer que tudo será perfeito ou que não haverá momentos de insegurança.” 

Além disso, para evitar cenas de “choro” na porta da escola nos primeiros dias, Teca recomenda que a família evite despedidas longas, saídas escondidas ou demonstrações excessivas de insegurança. Explicar previamente como será a rotina, quem será responsável por levar e buscar a criança, e realizar uma despedida breve e afetuosa ajuda a transmitir confiança. 

“O choro faz parte da adaptação e nem sempre indica que algo está errado. O mais importante é que os adultos demonstrem segurança, porque a criança se apoia nas reações dos responsáveis para interpretar essa nova experiência”, afirma. A educadora ressalta que cada criança tem seu próprio ritmo. “Quando família e escola atuam em parceria, oferecendo previsibilidade, afeto e confiança, a adaptação tende a acontecer de forma mais tranquila e positiva”. 

A adaptação também merece atenção especial nos casos de estudantes mais velhos que ingressam em uma nova escola, seja por mudança de cidade ou escolha da família. Além de precisarem se ambientar com um ambiente desconhecido, eles podem sentir saudade dos amigos, professores e vínculos construídos na instituição anterior. Nesses momentos, é fundamental validar os sentimentos da criança ou do adolescente, sem minimizar a importância das relações que ficaram para trás. 

“Ao mesmo tempo, é possível ajudar esse aluno a enxergar as oportunidades que acompanham a mudança, como a possibilidade de fazer novas amizades, conhecer diferentes formas de aprender, desenvolver autonomia e ampliar sua visão de mundo. Muitas vezes, aquilo que inicialmente gera insegurança acaba se transformando em uma experiência rica de crescimento pessoal”, conclui Teca.
 
 



Audrey Taguti - acumula 41 anos de experiência e trabalho em Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, possui pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo e é especialista em Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em 2000.

Jacqueline Cappellano - pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e Psicopedagogia coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É uma grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas, um caminho para a paz entre os povos.

Pamela Lopes Fragoso - formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Psicologia Escolar (Yale University), Liderança e Gestão Participativa na Escola (FGV), Metodologias Ativas (Ativar/USP), entre outras. Atualmente é Coordenadora do Ensino Fundamental I do Progresso Bilíngue Itu, atuando na condução estratégica de equipes e na implementação de projetos voltados à inovação pedagógica, metodologias ativas e aprendizagem. Comprometida com uma educação transformadora, fundamentada nas diferenças individuais de aprendizagem, na formação integral e no desenvolvimento socioemocional de estudantes e educadores, atuando com sensibilidade humana, mobilizando equipes, promovendo ambientes colaborativos e o fortalecimento da cultura escolar.

Teca Antunes -pedagoga, Mestre em Educação Especial e pós graduada nas áreas de Didática para Educação Bilíngue e Alfabetização. Tem experiência em sala de aula e na gestão de escolas bilíngues, além de atuar como formadora de professores em diversas áreas. Na Escola Bilíngue Aubrick, atua na direção pedagógica promovendo o alinhamento de práticas frente ao projeto pedagógico da instituição, acompanhando o desenvolvimento profissional dos colaboradores e buscando construir uma experiência de excelência e relevância para todos os estudantes.


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