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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

SUS amplia tratamento de AVC e infarto na rede de urgência e emergência com nova lei

 Medida é considerada um marco pela Rede Brasil AVC e integra o trabalho desenvolvido há anos pela entidade, em conjunto com o Ministério da Saúde, para ampliar e reorganizar a linha de cuidado da doença na rede pública

 

Projeto de Lei que prevê a ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), foi sancionado nesta quarta-feira (2/9), pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Os medicamentos podem ser utilizados tanto no Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) quanto no Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Eles atuam na dissolução dos trombos que obstruem os vasos sanguíneos, ajudando a restabelecer a circulação do sangue. Quando administrados rapidamente, podem salvar vidas e reduzir o risco de sequelas. 

O uso de trombolíticos nos serviços de urgência e emergência hospitalares foi implementado em 2012, porém, para o AVC, os hospitais têm que ser habilitados para oferecer o tratamento. “O hospital entrava na fila para ser habilitado e, às vezes, ficava dois, três anos aguardando a habilitação. Era um grande gargalo e, por isso, temos menos hospitais do que esperávamos - são 130 hospitais habilitados e isso é muito pouco para 200 milhões de habitantes”, diz a presidente da Rede Brasil AVC, a neurologista e pesquisadora Sheila Martins, que participou da cerimônia de sanção da lei. 

A especialista classificou o ato como um marco na história do país. “Com o trombolítico agora sendo oferecido também aos hospitais que ainda não estão habilitados, o acesso ao tratamento será aumentado significativamente para a população. É uma enorme conquista e estamos realmente muito felizes com esse dia histórico, pois essa lei vai mudar completamente o cuidado dos pacientes, que serão tratados com dignidade e com o melhor tratamento que existe”, ressalta. 

O AVC é uma das maiores causas de morte e incapacidade no Brasil. Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC, dos quais 218 mil foram relacionados ao AVC isquêmico. O AVC foi responsável por 106.000 mortes.

 

Reorganização da linha de cuidado do AVC 

A Rede Brasil AVC vem trabalhando juntamente ao Ministério da Saúde há 15 anos para a estruturação da linha de cuidado do Acidente Vascular Cerebral na rede pública de saúde. 

“A partir do Global Stroke Alliance Brasil (evento realizado em junho de 2026, que conectou líderes, profissionais de saúde e gestores públicos), criamos, junto com o Ministério da Saúde, um Plano Nacional de Implementação da Linha de Cuidado do AVC no país, estado por estado, para que todos os brasileiros, independentemente de onde eles morem, tenham direito a receber um tratamento digno”, fala Sheila. “O Ministro da Saúde conta com hospitais de excelência e com o PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde) para a implementação desse Plano Nacional. O Hospital Moinhos de Vento, no Rio Grande do Sul, por exemplo, já tem um plano concreto e ferramentas de auxílio para essa implementação”, completa. 

O documento completo de Diagnóstico Situacional, Plano de Expansão e Monitoramento do AVC, estruturado para subsidiar gestores de saúde, será lançado em breve.

 

Uso de trombolíticos pelo SAMU 

Desde 2014, o Ministério da Saúde possibilita o repasse de recursos para o uso do trombolítico tenecteplase para o infarto pelo SAMU 192. O medicamento pode ser administrado nas Unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas, após avaliação da equipe de saúde e conforme os protocolos assistenciais. 

Atualmente, 102 unidades do SAMU 192 estão habilitadas para receber o recurso em sete estados. O Ceará concentra 28 unidades, seguido por Minas Gerais, com 22; Sergipe, com 16; Rio Grande do Norte, com 13; Bahia, com 12; São Paulo, com nove; e Paraíba, com duas. 

Em 2025, foram registradas 861 aplicações de tenecteplase pelo SAMU 192 em todo o país. Com o aprimoramento da oferta do medicamento, será possível ampliar o número de unidades da rede de urgência e emergência, incluindo as UPAs, preparadas para iniciar o atendimento. Dessa forma, pacientes que vivem em localidades com acesso mais limitado a procedimentos de maior complexidade poderão receber o trombolítico mais rapidamente e ganhar tempo até a chegada à unidade de referência para a continuidade do tratamento.

 

Rede Brasil AVC
www.redebrasilavc.org.br


1 em cada 9 internações por doenças crônicas teve complicação adquirida no hospital

 Levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra riscos associados às internações potencialmente evitáveis; entre pacientes com condição adquirida grave, mortalidade hospitalar chegou a 33,4%

 

Um levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra que a segurança no cuidado às pessoas com doenças não transmissíveis (DNT) deve ser observada ao longo de todo o percurso assistencial. Entre janeiro de 2021 e junho de 2026, foram identificadas 814.155 internações por DNT classificadas como condições sensíveis à atenção primária — hospitalizações potencialmente evitáveis por meio de uma atenção primária oportuna e efetiva. 

Uma vez hospitalizados, esses pacientes passam também a estar expostos aos riscos inerentes à assistência. No período analisado, 10,9% apresentaram alguma condição adquirida durante a hospitalização, o equivalente a aproximadamente uma em cada nove internações. Em 4,1% dos casos, houve registro de condição adquirida grave. A mortalidade intrahospitalar foi de 6,7%. 

O mês de setembro é marcado pelo Dia Mundial da Segurança do Paciente (17/9). Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como tema a segurança no cuidado às pessoas com doenças não transmissíveis, sob o lema “Cuidados seguros durante toda a vida!”, reforçando a importância da segurança desde a atenção primária até o cuidado hospitalar e o acompanhamento após a alta. 

Na Plataforma DRG Brasil, são consideradas condições adquiridas aquelas que não estavam presentes na admissão e não eram esperadas como decorrência do quadro clínico do paciente. São classificadas como graves quando associadas ao aumento do risco de óbito, prolongamento da permanência hospitalar ou possibilidade de sequelas permanentes.

 

Condição adquirida grave e mortalidade 

Indicador

Sem condição adquirida grave

Com condição adquirida grave

Mortalidade intra hospitalar

5,6%

33,4%

Diferença observada

Referência

aprox. 6 vezes maior

 

“A diferença de mortalidade observada entre pacientes com e sem condição adquirida grave evidencia um grupo de elevada vulnerabilidade durante a hospitalização. O resultado reforça a importância das estratégias de segurança capazes de prevenir essas ocorrências, sem estabelecer, a partir desses dados, uma relação direta de causalidade com o óbito”, ressalta Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde.

 

Doenças cardiovasculares concentram grande parte das internações 

As doenças cerebrovasculares foram o grupo mais frequente, representando 25,3% das internações, seguidas pela insuficiência cardíaca (19,3%) e pela angina (15,7%). Diabetes mellitus respondeu por 10,4% dos casos, doenças pulmonares por 10,1%, epilepsias por 8,3%, asma por 7,7% e hipertensão por 3,1%. 

A população hospitalizada tinha idade média próxima de 60 anos, com predomínio de pessoas com 60 anos ou mais. A assistência foi predominantemente clínica. 

“Quando uma condição sensível à atenção primária resulta em hospitalização, o olhar para a segurança não pode começar apenas na porta do hospital. O cuidado oportuno e contínuo das doenças não transmissíveis pode contribuir para evitar parte dessas internações e, consequentemente, reduzir a exposição dos pacientes aos riscos inerentes à hospitalização”, fala Duarte.

 

Impacto assistencial e continuidade do cuidado 

As internações analisadas tiveram permanência média de 7,4 dias, e 32,7% dos pacientes passaram pelo CTI (Centro de Terapia Intensiva). No período, foram contabilizadas mais de 6 milhões de diárias hospitalares, com custo assistencial estimado acumulado de aproximadamente R$ 12,8 bilhões. 

Além dos riscos durante a hospitalização, o levantamento considerou a continuidade do cuidado após a alta. No conjunto do período, 2,2% das internações foram posteriormente identificadas como responsáveis por uma readmissão por recaída ou complicação em 30 dias. 

“A segurança no cuidado às pessoas com DNT não termina com a alta hospitalar. A transição entre os diferentes pontos da rede e o acompanhamento contínuo são fundamentais para reduzir novas descompensações e readmissões, especialmente em condições que exigem cuidado de longo prazo”, diz o presidente do IAG.

 

Segurança que começa antes do hospital e continua após a alta 

Os resultados mostram que a segurança das pessoas com doenças não transmissíveis deve ser observada ao longo de todo o percurso assistencial. Uma hospitalização potencialmente evitável não representa apenas uma oportunidade de atuação anterior à internação: quando ela ocorre, o paciente passa também a estar exposto aos riscos inerentes à assistência hospitalar e, após a alta, permanece a necessidade de continuidade segura do cuidado. 

“A segurança do paciente com uma doença não transmissível começa antes da internação. Fortalecer o acompanhamento dessas condições, prevenir hospitalizações quando possível, oferecer uma assistência hospitalar segura quando necessária e garantir a continuidade do cuidado após a alta são partes de uma mesma trajetória. O Dia Mundial da Segurança do Paciente reforça justamente a necessidade de cuidados seguros durante toda a vida”, conclui Duarte.

 

Sobre o levantamento 

O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo e utilizou exclusivamente dados da Plataforma DRG Brasil, referentes ao período de janeiro de 2021 a junho de 2026. Foram analisadas internações cujo diagnóstico principal correspondia a uma doença não transmissível contemplada na Lista Brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP): diabetes mellitus, hipertensão, angina, insuficiência cardíaca, doenças cerebrovasculares, asma, doenças pulmonares e epilepsias. 

Foram avaliadas características demográficas e assistenciais, utilização de CTI, permanência hospitalar, custo assistencial estimado, mortalidade intrahospitalar, ocorrência de condições adquiridas e condições adquiridas graves e readmissões por recaída ou complicação em 30 dias.

 

Grupo IAG Saúde

 

Corticoide para crianças: por que um medicamento tão comum ainda gera tantas dúvidas entre os pais?

Pediatra Mariana Bolonhezi explica quando o medicamento pode ser indicado, quais são os principais receios dos pais e por que a automedicação deve ser evitada

 

Poucos medicamentos dividem tanto a opinião dos pais quanto o corticoide. Presente no tratamento de diferentes condições que podem afetar as crianças — especialmente quadros inflamatórios, alérgicos e algumas doenças respiratórias —, ele é amplamente utilizado na pediatria, mas ainda desperta dúvidas e receios sobre sua indicação, seus efeitos e a segurança do tratamento.

Para a pediatra Mariana Bolonhezi, parte dessa insegurança está relacionada à forma como o medicamento é percebido. “O corticoide não deve ser visto nem como um vilão, nem como uma solução para qualquer sintoma. Quando existe uma indicação médica adequada, ele pode ser uma ferramenta importante no tratamento. O que precisa ser evitado é o uso sem orientação ou a repetição de uma prescrição antiga”, explica.

Segundo a especialista, um dos principais pontos de atenção é a tendência de alguns pais associarem sintomas semelhantes a tratamentos iguais. Uma criança que apresentou anteriormente uma crise respiratória e recebeu corticoide, por exemplo, pode ter outro episódio com uma causa ou intensidade diferente — e repetir o medicamento por conta própria pode não ser a melhor conduta.

 

Nem todo corticoide é igual

Outro fator que contribui para as dúvidas é a existência de diferentes formas de apresentação do medicamento. Corticoides podem ser administrados por via oral, inalatória, nasal ou tópica, e a indicação varia de acordo com a condição que está sendo tratada.

“O tipo de corticoide, a dose, a forma de administração e o tempo de tratamento são definidos de acordo com cada situação. Não é possível considerar todos os corticoides da mesma maneira”, afirma Mariana.

A pediatra ressalta que o receio dos pais também pode ser alimentado por informações encontradas nas redes sociais, muitas vezes apresentadas sem contexto. Da mesma forma, experiências de outras crianças não devem ser utilizadas como parâmetro para definir o tratamento de um filho.

 

O problema da automedicação

Entre os comportamentos que merecem atenção está o uso de medicamentos que sobraram de tratamentos anteriores ou que foram recomendados por familiares e conhecidos. Mesmo quando a criança apresenta sintomas aparentemente semelhantes aos de uma doença anterior, é importante que o quadro seja avaliado: em algumas situações o corticoide pode ser indicado; em outras, não terá benefício e poderá atrasar a identificação da causa real dos sintomas.

“Na pediatria, a avaliação individual é fundamental. A mesma manifestação pode ter diferentes causas, e a conduta depende da idade da criança, do histórico, dos sintomas e do exame clínico. Por isso, não é seguro transformar uma receita anterior em uma prescrição para uma nova situação”, alerta a pediatra.

 

Afinal, quando os pais devem se preocupar?

Para Mariana, mais importante do que decorar quais sintomas levam ao uso de corticoide é entender que a indicação deve partir de uma avaliação médica. Em casos de sintomas respiratórios importantes, dificuldade para respirar, piora do estado geral ou outros sinais de alerta, os pais devem procurar atendimento.

A especialista também reforça que dúvidas sobre um medicamento já prescrito devem ser esclarecidas diretamente com o pediatra. “A melhor relação com o medicamento é aquela baseada em informação e acompanhamento. Os pais não precisam ter medo do corticoide, mas também não devem utilizá-lo por conta própria. O equilíbrio está em entender por que ele foi indicado e seguir corretamente a orientação médica”, conclui Mariana.


HEF orienta sobre os cuidados diante da feb

Além da temperatura, é importante observar a duração do quadro e outros sintomas que podem indicar a necessidade de avaliação profissional

 

O Hospital Estadual de Formosa (HEF) alerta a população para a importância de observar a febre e os sintomas que aparecem junto com ela. Embora seja uma manifestação frequente do organismo diante de infecções, a elevação da temperatura corporal nem sempre representa uma situação de gravidade. A duração do quadro, a intensidade da febre, o estado geral do paciente e a presença de outros sintomas são fatores importantes para determinar quando é necessário buscar avaliação médica.

 

A febre é uma resposta natural do organismo e pode ocorrer em diferentes situações, principalmente em infecções virais e bacterianas. Por isso, mais do que observar apenas a temperatura indicada pelo termômetro, é fundamental prestar atenção ao comportamento da pessoa e à evolução do quadro. Em situações leves, com bom estado geral e sem sinais de alerta, medidas como repouso, hidratação adequada, roupas leves e acompanhamento da temperatura podem contribuir para o conforto durante a recuperação. 

De acordo com o médico infectologista, Wanderson Sant’Ana, a febre deve ser analisada dentro do contexto geral apresentado pelo paciente, principalmente quando outros sintomas aparecem. “A febre é um mecanismo de defesa do organismo e, isoladamente, nem sempre representa uma situação de gravidade. O que merece atenção é quando ela vem acompanhada de sinais como falta de ar, alteração do nível de consciência, dor intensa, convulsões, manchas pelo corpo ou uma piora importante do estado geral. Nesses casos, a avaliação médica deve ser procurada o quanto antes”, explica o profissional do HEF. 

A população também deve observar a duração da febre e qualquer mudança significativa no estado de saúde. Dificuldade para respirar, sonolência excessiva ou confusão mental, convulsões, rigidez na nuca, dor intensa, vômitos persistentes, manchas pelo corpo, fraqueza acentuada e sinais de desidratação, como boca muito seca e redução da urina, são situações que exigem atenção. Crianças pequenas, idosos e pessoas com condições que comprometem a imunidade também merecem acompanhamento mais cuidadoso, pois podem apresentar maior risco de complicações. 

Além de reconhecer os sinais de alerta, o infectologista reforça que outro cuidado fundamental é evitar a automedicação e não utilizar antibióticos sem orientação profissional. “É importante entender que o objetivo não deve ser apenas reduzir a temperatura, mas compreender por que a febre está acontecendo. O uso de medicamentos sem orientação pode mascarar sintomas e atrasar a identificação da doença. Quando a febre persiste, retorna após um período de melhora ou está acompanhada de outros sintomas, o ideal é procurar um serviço de saúde para uma avaliação adequada”, orienta o Dr. Wanderson. 

Durante um episódio febril, a hidratação é uma das principais medidas de cuidado. A ingestão de água e outros líquidos adequados ajuda a evitar a desidratação, especialmente quando a febre vem acompanhada de suor excessivo, vômitos ou diarreia. O repouso também é importante, assim como manter o ambiente confortável e evitar o excesso de roupas e cobertores. O acompanhamento da temperatura com um termômetro pode ajudar a perceber a evolução do quadro e fornecer informações importantes durante uma eventual consulta.

 

A temperatura corporal elevada não é uma doença, mas um sinal de que algo está acontecendo no organismo. Ela pode estar relacionada a condições simples e autolimitadas, mas também pode ser manifestação de infecções que precisam de diagnóstico e tratamento específicos. Por isso, observar o conjunto de sintomas é fundamental para evitar tanto a negligência diante de sinais importantes quanto o uso desnecessário de medicamentos.

 

Em situações de emergência, como falta de ar, convulsões, perda de consciência, confusão mental ou rápida piora do estado geral, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. O cuidado adequado começa pela atenção aos sinais do corpo e pela busca de assistência profissional sempre que houver sinais de alerta ou dúvidas sobre a gravidade do quadro.


 

Suco de cenoura, pepino e limão viral nas redes sociais promete reduzir gordura no fígado, especialista esclarece o que a ciência diz

Receita com cenoura, pepino, limão e água faz sucesso nas redes sociais, mas não há comprovação de que a bebida trate a esteatose hepática ou promova emagrecimento


Um suco preparado com cenoura, pepino, limão e água tem ganhado espaço nas redes sociais com promessas de reduzir a gordura no fígado e acelerar a queima de gordura corporal. Apesar de reunir ingredientes nutritivos, especialistas alertam que não existem evidências científicas de que a bebida, isoladamente, seja capaz de reduzir a gordura hepática ou promover emagrecimento significativo.

Segundo Cintya Bassi, coordenadora de Nutrição e Dietética do São Cristóvão Saúde, o suco pode fazer parte de uma alimentação saudável, mas não substitui hábitos fundamentais para a saúde.

"Não existe alimento ou receita capaz de eliminar gordura no fígado ou promover emagrecimento de forma isolada. A redução da gordura hepática e a perda de peso estão relacionadas a uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento profissional."

 

O que essa bebida oferece ao organismo?

Embora não tenha efeito terapêutico, o suco reúne nutrientes importantes para o funcionamento do organismo. A cenoura é rica em betacaroteno, precursor da vitamina A, nutriente essencial para a saúde da visão, da pele e do sistema imunológico. Também fornece fibras e antioxidantes que ajudam a proteger as células contra os danos causados pelos radicais livres.

O pepino tem alto teor de água, contribuindo para a hidratação, além de fornecer pequenas quantidades de vitamina K, importante para a saúde óssea e a coagulação sanguínea, e potássio, mineral que auxilia no equilíbrio da pressão arterial e na função muscular.

Já o limão é uma fonte de vitamina C, antioxidante que fortalece o sistema imunológico, participa da formação de colágeno e auxilia na absorção do ferro presente nos alimentos de origem vegetal, quando consumido junto às refeições.

"Quando consumido sem coar, o suco preserva uma pequena parte das fibras dos vegetais", destaca Cintya.


O suco emagrece?

Não. Segundo a especialista, nenhum alimento possui a capacidade de "queimar gordura".

"O emagrecimento acontece quando há um conjunto de hábitos saudáveis, incluindo alimentação equilibrada e atividade física. O suco pode substituir bebidas açucaradas e contribuir para uma dieta mais saudável, mas não acelera o metabolismo nem promove perda de gordura sozinho."

O tratamento da esteatose hepática deve ser baseado em melhora do estilo de vida, especialmente a perda de peso quando necessária, a prática de atividade física regular e controle de alterações metabólicas como diabetes, resistência à insulina e colesterol elevado.


Há riscos no consumo?

Embora seja uma bebida saudável para a maioria das pessoas, o excesso também pode trazer inconvenientes.

Pessoas com síndrome do intestino irritável ou sensibilidade gastrointestinal também podem apresentar desconfortos como distensão abdominal ou aumento da produção de gases dependendo da quantidade consumida e tolerância individual. Já a ingestão exagerada de cenoura por períodos prolongados pode provocar carotenemia, condição benigna que deixa a pele com tonalidade amarelada devido ao excesso de betacaroteno.

A especialista também ressalta que nenhum suco substitui uma refeição completa. O ideal é que ele seja utilizado como complemento de uma alimentação variada e equilibrada, rica em vegetais, proteínas e fibras.


Receita.

Ingredientes

  • 1 cenoura média
  • ½ pepino
  • Suco de 1 limão
  • 300 ml de água

Modo de preparo: Bata todos os ingredientes no liquidificador e consuma, de preferência, sem coar e sem adicionar açúcar.

"Receitas como essa podem complementar uma alimentação saudável, mas não devem ser encaradas como tratamento ou solução milagrosa. A saúde do fígado e o emagrecimento dependem da qualidade da alimentação como um todo e de um estilo de vida saudável", conclui Cintya Bassi.

 

 Grupo São Cristóvão Saúde


Perda de massa muscular exige atenção e acompanhamento, alerta Policlínica de Formosa

Condição pode reduzir a força e a mobilidade; acompanhamento profissional ajuda na prevenção e recuperação da funcionalidade

 

A Policlínica Estadual de Formosa alerta para a importância de identificar e acompanhar a atrofia muscular, condição caracterizada pela redução do tamanho e da força dos músculos. Embora possa ocorrer em diferentes fases da vida, a perda de massa muscular é mais comum em pessoas que passam longos períodos sem se movimentar, permanecem acamadas ou apresentam doenças que comprometem a mobilidade.

 

Entre os principais fatores associados à atrofia muscular estão o sedentarismo, envelhecimento, imobilização prolongada, lesões, alterações neurológicas e algumas doenças crônicas. A alimentação inadequada e a baixa ingestão de proteínas também podem contribuir para a perda de massa muscular, especialmente quando associadas à falta de atividade física.

 

A condição pode provocar redução da força, dificuldade para caminhar, subir escadas, levantar-se, manter o equilíbrio e realizar atividades do cotidiano. Em situações mais avançadas, a perda de força pode aumentar o risco de quedas, limitar a independência e comprometer a qualidade de vida.

 

De acordo com a fisioterapeuta, Thaís Silveira, reconhecer os primeiros sinais é importante para evitar a progressão da perda funcional. “É importante observar mudanças que muitas vezes começam de forma discreta, como dificuldade para levantar de uma cadeira, subir escadas, caminhar por distâncias que antes eram tranquilas ou realizar atividades domésticas. Esses sinais podem indicar redução da força muscular e precisam ser avaliados”, explica a especialista da Policlínica. 

A fisioterapia desempenha papel fundamental na prevenção e recuperação da força, mobilidade e funcionalidade. O tratamento é definido individualmente, considerando a condição clínica, idade, limitações e objetivos de cada paciente. Os exercícios podem ser utilizados para estimular a musculatura, melhorar o equilíbrio, ampliar a mobilidade e favorecer a retomada das atividades diárias.

 

Para a profissional, o cuidado não deve se limitar ao tratamento da perda muscular, mas envolver medidas que contribuam para prevenir sua evolução e preservar a independência do paciente. “A fisioterapia não atua apenas quando a perda muscular já está instalada. Ela também é importante para prevenir complicações e preservar a capacidade funcional, principalmente em pessoas que passaram por períodos de internação, imobilização ou que apresentam alguma condição que limite os movimentos. Quanto mais cedo identificarmos a perda de força, maiores são as possibilidades de trabalhar para preservar a autonomia do paciente”, destaca a fisioterapeuta.

 

Prevenção 

A manutenção de uma rotina ativa é uma das principais estratégias para preservar a massa e a força muscular. Praticar atividades físicas de acordo com a capacidade individual, evitar longos períodos de imobilidade, manter uma alimentação equilibrada e realizar acompanhamento regular de saúde são medidas que contribuem para a prevenção.

 

Para pessoas com doenças crônicas, idosos ou pacientes que passaram por cirurgias, internações ou períodos prolongados de repouso, o acompanhamento profissional é ainda mais importante. A equipe de saúde pode avaliar as necessidades individuais e indicar exercícios, cuidados nutricionais e outras estratégias adequadas.

 

Como o estresse pode impactar no sorriso da juventude?

  O estresse mal gerenciado pode nos levar a maus hábitos de autocuidado, que põem em risco não só nossa saúde geral como a saúde bucal.

  • Quando o esgotamento mental se torna frequente, aumentam as chances de querer experimentar ou aumentar o consumo de substâncias prejudiciais, como açúcares, álcool e vapes, como forma de controle da ansiedade.
  • É muito comum que, nesses períodos, a higiene bucal seja negligenciada.
  • O estresse acumulado e o aumento de cortisol reduzem a salivação, enfraquecendo a proteção bucal e favorecendo lesões de cárie, gengivite, mau hálito e aparecimento de aftas.
  • A recomendação, e o grande desafio, é manter a sua higiene bucal adequada diariamente e realizar um acompanhamento periódico com um dentista.
     

A rotina acelerada, incertezas sobre o futuro e a pressão constante vivenciadas pelas gerações mais jovens — decorrentes de exigências acadêmicas, competitividade no mercado de trabalho e exposição contínua às redes sociais — têm elevado os níveis de ansiedade e estresse crônico e, com isso, gerado um aumento dos problemas de saúde bucal. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, Dr. Emerson Nakao, dentista e consultor científico da Odontoprev, líder em planos odontológicos na América Latina, explica que os altos níveis de estresse entre os jovens comprometem a saúde oral devido a mudanças de hábitos e de estilo de vida.

“Essa pressão psicológica repercute de maneira direta na saúde oral, contribuindo para o aumento do bruxismo (ranger dos dentes e/ou apertamento dental involuntário), que pode ocorrer tanto de dia quanto à noite. O resultado a médio e longo prazo é o desgaste prematuro, fraturas ou sensibilidade nos dentes, dores nas articulações próximas ao ouvido (disfunção temporomandibular - DTM) e cefaleias frequentes, transformando o desequilíbrio emocional de longa duração em dano físico”, esclarece Dr. Nakao. 

Além dos danos estruturais dos dentes, o estresse altera profundamente a fisiologia do organismo e enfraquece a resposta imunológica. Sob altos níveis de estresse, a liberação contínua de adrenalina interfere no funcionamento das glândulas salivares, reduzindo a produção de saliva (xerostomia). “A saliva desempenha uma função fundamental na proteção da cavidade oral, atuando na remoção natural de resíduos, na neutralização de ácidos e no combate a bactérias. Por isso, a diminuição do fluxo salivar vulnerabiliza a saúde da boca, aumentando consideravelmente as chances de surgimento de lesões de cárie, inflamação gengival e lesões dolorosas, a exemplo das aftas recorrentes”, comenta. 

Dr. Nakao comenta que, nos períodos de maior esgotamento mental, também é frequente haver negligência na rotina diária de higiene bucal — como pular escovações ou omitir o uso do fio dental, ou a tentativa de escovar mais rápido e com mais força, o que é errado —, aliada à busca por válvulas de escape, como o consumo excessivo de açúcares, bebidas energéticas, álcool ou o uso de dispositivos eletrônicos de fumar (vapes). “Diante disso, torna-se indispensável adotar uma abordagem integrativa da saúde, na qual o apoio à saúde mental e as práticas da odontologia preventiva trabalhem em conjunto para interromper esse ciclo”. A prática constante de atividade física é uma excelente estratégia para diminuir os efeitos do estresse no corpo.
 

:: Cuidados com a boca e a prevenção

Dr. Emerson reforça a importância de visitas frequentes ao dentista. “É imprescindível saber reconhecer os sinais, entender, diagnosticar e tratar o estresse crônico. Dessa forma, é possível evitar diversas complicações relacionadas à saúde bucal que afetam diretamente o bem-estar. Busque um profissional ao identificar qualquer sintoma, vá regularmente ao dentista, e cuide da limpeza diária da boca”, conclui.

 

Odontoprev

 

5 formas de ‘treinar’ o cérebro e preservar a memória

Estudos de longo prazo estimam uma redução de 60% no risco de Alzheimer em pessoas que adotam de quatro a cinco hábitos saudáveis simultaneamente

 

Será que é possível “treinar” o cérebro assim como se faz com o corpo? A resposta é afirmativa, já que ele possui plasticidade, ou seja, capacidade de formar novas conexões ao longo da vida. Atividades cognitivamente estimulantes fortalecem essas redes, tornando o cérebro mais resistente ao declínio. Tanto que estudos de longo prazo estimam uma redução de 60% no risco de Alzheimer em pessoas que adotam de quatro a cinco hábitos saudáveis simultaneamente. O tema ganha ainda mais relevância neste mês de setembro, dedicado à conscientização sobre a doença. 

Segundo a médica geriatra do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), Dra. Nellie Parra Rubio Boscariol, não existe, até hoje, qualquer forma comprovada de prevenção completa do Mal de Alzheimer. Porém, o que a ciência demonstra com consistência é que um conjunto de hábitos saudáveis ao longo da vida reduz, significativamente, o risco, podendo até retardar o aparecimento dos sintomas. “A boa notícia é que parte relevante do risco está ao alcance das escolhas que fazemos no dia a dia - e isso é motivo de otimismo, não de fatalismo”, complementa. 

Ainda de acordo com a profissional, estudos de neuroimagem mostram que o treinamento cognitivo pode aumentar a ativação em regiões como o hipocampo e o córtex pré-frontal. No entanto, o processo melhora o desempenho naquilo que é treinado, limitando a transferência para outras habilidades. Isso significa que manter a mente ativa faz parte de uma estratégia maior e nenhuma atividade isolada previne a demência por si só. Veja, abaixo, algumas dicas nesse sentido.
 

1. Leia com frequência 

O hábito está entre as atividades cognitivas associadas ao menor risco de demência. Não há um tipo de leitura comprovadamente superior a outro para a saúde cerebral - o mais importante é que o ato seja regular e engajante. Leituras que desafiam a compreensão (livros com enredos complexos, textos de áreas novas, línguas estrangeiras etc) tendem a estimular mais o cérebro do que aquelas mais passivas e repetitivas.
 

2. Procure interagir com outras pessoas 

A leitura, combinada a outras atividades, como conversar sobre o que foi lido ou participar de grupos de leitura, também estimula a socialização, outro fator protetor.
 

3. Exercite a mente 

Jogos de raciocínio, palavras cruzadas e aplicativos de treinamento cerebral podem estimular habilidades específicas, mas isso não significa que os seus efeitos se estendam automaticamente para outras áreas da vida cotidiana. Ainda assim, essas atividades têm o seu valor: além de promoverem o engajamento mental, elas favorecem a socialização, quando realizadas em grupo, e proporcionam prazer e entretenimento.
 

4. Exercite o corpo 

A atividade física é um dos fatores protetores mais bem documentados. Os exercícios aeróbicos, como caminhada rápida, natação e ciclismo, reduzem, significativamente, o risco de desenvolver Alzheimer - o benefício vale, até mesmo, para os portadores do gene de risco APOE ε4. A recomendação geral das diretrizes é de, pelo menos, 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada.
 

5. Cuide do seu estilo de vida
Segundo a Comissão Lancet sobre Demência, 45% do risco de demência é modificável por fatores de estilo de vida e ambientais. Entre eles, estão: hipertensão arterial, diabetes e obesidade, colesterol, alimentação e sono.

 

Hospital Evangélico de Sorocaba


Colesterol além do LDL: avaliação do perfil lipídico ganha novos aliados na prevenção cardiovascular

Setembro é o mês de conscientização cardiovascular, por isso endocrinologista reforça que risco de infarto e AVC deve ser analisado de forma individualizada e considerar, além do colesterol, histórico familiar, diabetes, obesidade, triglicérides e outros marcadores 

 

Durante muito tempo, falar em colesterol alto significou praticamente olhar para dois números: LDL, conhecido como “colesterol ruim”, e HDL, o chamado “colesterol bom”. Embora o LDL continue sendo um dos principais alvos da prevenção cardiovascular, o conhecimento sobre as dislipidemias avançou e hoje a avaliação do risco de desenvolver doenças cardiovasculares é mais ampla. O perfil lipídico deve ser interpretado em conjunto com idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, obesidade, histórico familiar e outras condições clínicas. 

A discussão ganha relevância no mês de conscientização cardiovascular. “Níveis elevados de LDL, conhecido como ‘colesterol ruim’, têm papel causal direto na aterosclerose (processo caracterizado pela inflamação e acúmulo de lipídios na parede das artérias), que pode resultar em infarto do miocárdio e AVC. Esse efeito é cumulativo: quanto maior o LDL e mais prolongada a exposição, maior o risco ao longo da vida”, declara Dr. André Camara de Oliveira, endocrinologista da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP). 

Ele acrescenta explicando que triglicérides elevadas também se associam a maior risco cardiovascular, principalmente por refletirem o aumento de lipoproteínas ricas em triglicérides e de suas partículas remanescentes. Já a interpretação do HDL, o ‘colesterol bom’, mudou: valores baixos ainda indicam maior risco e frequentemente acompanham um perfil metabólico desfavorável, mas simplesmente elevar o HDL com medicamentos não significa maior proteção cardiovascular, pois isso não reduziu infartos nos estudos clínicos. 

Isso significa que duas pessoas com o mesmo valor de LDL podem não apresentar o mesmo risco. Um paciente com diabetes, hipertensão, tabagismo ou doença cardiovascular já estabelecida, por exemplo, pode precisar de metas de colesterol mais rigorosas do que uma pessoa sem esses fatores. 

Além do painel tradicional – colesterol total, LDL, HDL e triglicérides –, outros exames podem ser considerados em situações específicas. Entre eles está a lipoproteína(a), ou Lp(a), cuja concentração é fortemente determinada pela genética e que é reconhecida como fator independente de risco para doença cardiovascular aterosclerótica. A Endocrine Society recomenda considerar sua dosagem especialmente em pessoas com histórico pessoal ou familiar de doença cardiovascular precoce ou histórico familiar de Lp(a) elevada. 

Outro marcador que vem ganhando espaço é a apolipoproteína B (ApoB). Como ela está presente nas partículas capazes de participar da formação das placas de aterosclerose, sua dosagem pode ajudar a caracterizar melhor o risco em determinados pacientes, particularmente quando o perfil lipídico tradicional não conta toda a história. “A literatura atual inclui ApoB e Lp(a) entre as variáveis adicionais que podem complementar a avaliação moderna das dislipidemias”, reforça Dr. André. 

Outro aspecto importante é investigar por que o perfil lipídico está alterado. Diabetes, obesidade e algumas doenças hormonais podem modificar os níveis de colesterol e triglicérides. Um exemplo clássico é o hipotireoidismo, que pode aumentar tanto o colesterol quanto os triglicérides. Por isso, recomenda-se excluir hipotireoidismo como causa da alteração antes de iniciar medicamentos para redução dos lipídios e reavaliar o perfil após a normalização dos hormônios tireoidianos. 

No diabetes tipo 2, o cuidado merece atenção especial. É frequente a combinação de triglicérides elevados e HDL reduzido, e esses pacientes muitas vezes apresentam simultaneamente hipertensão, excesso de peso e alterações da glicemia, compondo um cenário de maior risco cardiovascular. 

Mudanças no estilo de vida permanecem na base da prevenção: alimentação adequada, atividade física regular, controle do peso, abandono do cigarro e controle da pressão arterial e da glicemia são fundamentais. Entretanto, quando o risco cardiovascular é elevado, apenas mudar hábitos pode não ser suficiente”, reforça o endocrinologista. 

As estatinas continuam sendo a principal classe de medicamentos utilizada para reduzir o LDL e prevenir eventos cardiovasculares. Dependendo do risco do paciente e da resposta ao tratamento, outros medicamentos podem ser associados. A intensidade do tratamento deve considerar o risco cardiovascular global e não apenas o resultado isolado do exame de colesterol. 

A mensagem para a população é simples: não basta perguntar se o colesterol está “alto ou baixo”. A pergunta mais importante é qual risco aquele conjunto de resultados representa para aquela pessoa. Consultas periódicas, avaliação dos fatores de risco e acompanhamento adequado permitem identificar precocemente quem precisa de intervenção e reduzir a probabilidade de infarto, acidente vascular cerebral e outras complicações da aterosclerose. 



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Silenciosa no início, a DMRI é uma das principais causas de cegueira irreversíve

Magnific
Risco aumenta a partir dos 55 anos, em caso de histórico familiar ou uso de tabaco. Avanços no tratamento possibilitam recuperar a visão e estabilizar a doença na maioria dos pacientes 


A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença ocular bastante comum e uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Sem cura definitiva, a identificação e o início do tratamento de forma precoce são fundamentais para aumentar a chance de preservar ou recuperar a capacidade visual do paciente. 

A DMRI se caracteriza pelo envelhecimento acelerado da mácula, pequena região localizada no centro da retina que controla a visão central. Ocorre um desequilíbrio no funcionamento e na nutrição das células do olho, somado a respostas inflamatórias prolongadas. Ao trabalhar sem parar, essas células geram resíduos que deixam de ser eliminados de forma eficiente e se acumulam sob a retina causando danos. 

O Prof. Dr. Michel Farah, oftalmologista da unidade CEOSP do H.Olhos, explica que “embora o avanço da idade seja o principal fator de risco para a DMRI, a genética, o histórico familiar e o estilo de vida aumentam a chance de a pessoa desenvolver a doença ocular”. De acordo com o médico, “entre as condições que exigem atenção estão: pressão alta, obesidade, colesterol elevado, exposição solar excessiva, tabagismo e dietas pobres em antioxidantes.” 

Nos estágios iniciais, a doença ocular costuma ser assintomática, ou seja, sem causar sinais. Conforme a DMRI progride, o paciente pode enxergar linhas retas de forma distorcida ou perceber um ponto escuro no centro do campo visual. Outros sintomas são a perda de nitidez nos detalhes em atividades como a leitura, a necessidade de mais luz para realizar tarefas comuns e a dificuldade de adaptação em ambientes escuros.
 

DMRI e os avanços no tratamento 

A DMRI geralmente surge a partir dos 55 anos de idade e pode se apresentar em dois tipos principais: a seca (atrófica), responsável por cerca de 90% dos casos e de evolução lenta; e a úmida (exsudativa), mais agressiva, causada pela formação de vasos sanguíneos anormais sob a retina que vazam líquido ou sangue. 

O Prof. Dr. Michel Farah diz que “o tratamento avançou muito com o uso de um equipamento de ponta chamado Valeda, o primeiro aprovado para a forma seca da DMRI. O dispositivo utiliza a fotobiomodulação, técnica que emite luzes de baixa intensidade com comprimentos de onda específicos e estimula as células doentes da retina para que voltem a funcionar de forma mais adequada, possibilitando retardar e atenuar a progressão da enfermidade”. 

“Na forma úmida, o tratamento é feito principalmente com injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos que agem diretamente na retina, impedindo a formação de novos vasos sanguíneos anormais e reduzindo o vazamento de líquidos. Para retardar a progressão da doença, também é recomendado o uso de um suplemento vitamínico mineral antioxidante específico que auxilia na proteção da visão”, complementa o médico. 

“Os avanços nos tratamentos são revolucionários e têm possibilitado recuperar parte da visão e estabilizar a doença na maioria dos pacientes. Além disso, pesquisas realizadas com novas tecnologias e implantes, que demonstraram resultados promissores em testes clínicos, vão possibilitar que pessoas com estágios avançados de DMRI voltem a enxergar detalhes e a ler com o auxílio de óculos especiais”, finaliza o especialista. 

Vale reforçar que o diagnóstico precoce é o fator mais determinante para conter a perda visual e garantir qualidade de vida a quem apresenta a doença ocular. Pessoas com mais de 50 anos devem consultar o oftalmologista ao menos uma vez por ano. O acompanhamento deverá ser ainda mais rigoroso se houver histórico familiar de DMRI ou para quem faz uso de tabaco.


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