Com quatro casos no país, prevenção depende principalmente do combate aos mosquitos
O Brasil já registra quatro casos confirmados de Febre do Nilo Ocidental em humanos em 2026, sendo dois em São Paulo e dois em Santa Catarina. Uma morte foi registrada no estado catarinense e há ainda um caso em investigação no Piauí. Diante da identificação de novos episódios, a Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio, reforça a importância das medidas de prevenção contra a doença, que é transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex.
“A Febre do Nilo Ocidental é uma doença causada pelo vírus West Nile, pertencente à família dos flavivírus, a mesma da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. As aves silvestres são os principais reservatórios naturais do vírus. O mosquito pica uma ave infectada e, posteriormente, ao picar uma pessoa ou um cavalo, pode transmitir o vírus. Lembrando que a doença não é transmitida pelo contato direto entre pessoas, como abraço, beijo ou compartilhamento de objetos”, explica a especialista.
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Quando aparecem, os sinais podem incluir febre, dor de cabeça, dores no corpo, fadiga, náuseas, vômitos e manchas avermelhadas na pele, geralmente surgindo entre dois e 14 dias após a infecção. “Cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas. Na maior parte dos casos sintomáticos, a doença evolui de forma leve e os sintomas desaparecem espontaneamente. No entanto, em menos de 1% dos pacientes, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e provocar manifestações graves, como meningite, encefalite, tremores, confusão mental, convulsões e até paralisias. Idosos, pessoas imunossuprimidas e indivíduos com doenças crônicas estão entre os grupos com maior risco de complicações”, informa a professora.
Ainda não existe vacina para uso humano nem medicamento específico capaz de eliminar o vírus. O tratamento é de suporte, com medidas para aliviar os sintomas e controlar eventuais complicações. “Como não existe vacina para humanos, a principal forma de prevenção é evitar a picada dos mosquitos. O uso de repelente, roupas compridas, telas em portas e janelas e mosquiteiros em locais de maior risco são algumas das medidas recomendadas. Também é importante eliminar recipientes que acumulem água parada, manter caixas d’água fechadas e os quintais limpos”, orienta Alice.
Segundo a biomédica, apesar do principal vetor da doença ser diferente do Aedes aegypti, a eliminação de criadouros contribui para o controle de diferentes doenças transmitidas por mosquitos.
“Embora os novos registros demandem atenção, a presença de casos não significa, neste momento, que o Brasil esteja diante de uma epidemia. Como o ser humano é considerado um hospedeiro acidental, o ciclo de transmissão depende principalmente da interação entre aves e mosquitos. Ainda assim, diante de febre acompanhada de sintomas neurológicos, especialmente após exposição a áreas com circulação do vírus, a recomendação é procurar atendimento médico”, conclui.
Estácio
estacio.br
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