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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Apertar os dentes no frio do inverno agrava a dor de bruxismo e altera o contorno da mandíbula

 Dentista orienta como a contração muscular involuntária causada pelas baixas temperaturas aumenta a hipertrofia do músculo masseter, e explica como a toxina botulínica relaxa a região e devolve a leveza ao rosto. 

 

Nos dias frios, é comum contrair os ombros, enrijecer o pescoço e manter a mandíbula tensionada sem perceber. Para quem já apresenta apertamento dos dentes ou bruxismo, esse comportamento pode aumentar a sensação de rigidez e dor na face. Embora o frio não seja considerado uma causa isolada do problema, a tensão muscular, o estresse e as mudanças no sono e na rotina podem intensificar o desconforto.

O bruxismo envolve uma atividade repetitiva dos músculos da mastigação e pode ocorrer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada. Ranger ou apertar os dentes, manter a mandíbula rígida e contrair a musculatura mesmo sem contato entre os dentes estão entre as manifestações possíveis. Dor ao acordar, cansaço facial, dor de cabeça, desgaste dentário e sensibilidade também podem aparecer.

Segundo a cirurgiã-dentista e especialista em harmonização facial Dra. Layse Schuster, o masseter está entre os músculos mais exigidos nesses casos. “O masseter participa diretamente da mastigação e do fechamento da mandíbula. Quando permanece excessivamente contraído, pode causar dor, rigidez e sensação de peso na parte inferior do rosto”, explica.

Com o tempo, a atividade muscular intensa também pode contribuir para a hipertrofia do masseter, aumentando o volume da região e deixando o contorno da mandíbula mais largo ou marcado. A alteração, entretanto, não acontece da mesma forma em todas as pessoas e precisa ser diferenciada de características ósseas, acúmulo de gordura, flacidez e outros fatores que influenciam o formato do rosto.

“Nem toda mandíbula marcada significa hipertrofia muscular, assim como nem toda dor facial é provocada por bruxismo. A avaliação deve observar a musculatura, os dentes, a articulação temporomandibular, os hábitos do paciente e o momento em que os sintomas aparecem”, orienta Dra. Layse.

Em casos selecionados, a aplicação de toxina botulínica no masseter pode ser considerada para reduzir temporariamente a força de contração muscular. Estudos indicam possível redução da intensidade das contrações e da dor, mas o procedimento não elimina todas as causas relacionadas ao bruxismo e não substitui uma investigação completa.

A diminuição da atividade do masseter também pode produzir uma mudança gradual no contorno do terço inferior da face quando existe hipertrofia. “A finalidade principal deve ser funcional: reduzir a sobrecarga e o desconforto. O afinamento do rosto pode ocorrer como consequência da redução do volume muscular, mas a indicação não deve ser baseada apenas em uma expectativa estética”, ressalta a especialista.

O tratamento pode envolver diferentes abordagens, como mudanças de hábitos, estratégias para redução da tensão, acompanhamento do sono, placas oclusais quando indicadas e avaliação integrada com outros profissionais. “A toxina botulínica pode ser uma ferramenta útil, mas precisa fazer parte de um plano individualizado. O objetivo é controlar a sobrecarga muscular, proteger as estruturas envolvidas e preservar a harmonia do rosto sem comprometer funções como mastigação e expressão”, conclui Dra. Layse. 

 

Fonte: Dra. Layse Schuster — Cirurgiã-dentista e especialista em Harmonização Facial | Mestre pela USP e UFMG.
Instagram: @dralaysebh


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