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- Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, quatro vezes mais do que no ano anterior. Em 2025, o número caiu para 1,6 milhão até meados de novembro, segundo o Ministério da Saúde. A oscilação é a característica mais previsível das arboviroses no país, e o momento de agir é o vale, não o pico. O fim do inverno marca a virada para o período de maior circulação do Aedes aegypti, que se estende até o outono seguinte. A diferença em relação aos ciclos anteriores é que o país entra nesta temporada com mais proteção disponível.
O Brasil foi o primeiro do mundo a oferecer vacina contra a dengue gratuitamente na rede pública, em dezembro de 2023. Desde janeiro de 2026, o SUS aplica também a Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue do mundo, aprovada para pessoas de 12 a 59 anos. O imunizante demonstrou 74,7% de eficácia contra casos sintomáticos e mais de 90% de proteção contra as formas graves da doença. O público-alvo vem sendo ampliado de forma progressiva desde o início da campanha, a partir dos trabalhadores da atenção primária.
A vacina, porém, é uma camada de proteção e não a única contra todas as doenças. Não há imunizante disponível contra chikungunya ou Zika no país, e as três arboviroses são transmitidas pelo mesmo mosquito. O controle de criadouros segue sendo a medida que protege contra todas ao mesmo tempo.
Para Mario Ferretti, líder médico na Alice, o erro mais comum é
tratar prevenção como resposta a um surto. "A gente só fala de dengue
quando o caso já está na porta do pronto-socorro. Mas o mosquito que vai causar
a epidemia de fevereiro está se reproduzindo agora, num prato de planta que
ninguém olhou. Prevenção de arbovirose é uma rotina de meses, não uma reação de
semanas", complementa.
Cinco medidas de prevenção contra as arboviroses
1. Eliminar criadouros
com regularidade: água
parada em pratos de vaso, pneus, calhas, ralos, garrafas e caixas d'água mal
vedadas favorece a reprodução do Aedes aegypti. A verificação precisa ser
semanal, não sazonal.
2. Verificar se você
está no grupo indicado para a vacina: o SUS trabalha hoje com dois imunizantes contra a dengue, com
faixas etárias e critérios distintos, e nenhum deles cobre toda a população. Há
contraindicações específicas para gestantes, lactantes e pessoas a partir de 60
anos. A orientação é confirmar a elegibilidade com um profissional de saúde em
vez de presumir.
3. Reduzir a exposição
a picadas: repelentes registrados
na Anvisa, roupas que cubram braços e pernas e telas em portas e janelas
diminuem o contato com o mosquito. O Aedes tem hábitos diurnos, o que muda a
lógica de proteção em relação a outros mosquitos.
4. Reconhecer os
sinais de cada doença:
dengue costuma se manifestar com febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos
e manchas na pele; chikungunya se destaca pelas dores articulares intensas, que
podem persistir por meses; Zika costuma ter quadro mais brando, mas exige
atenção especial na gestação.
5. Não se automedicar: diante da suspeita de arbovirose, alguns medicamentos comuns podem aumentar o risco de sangramento e complicações. A avaliação profissional antes de qualquer remédio é parte do cuidado, não excesso de zelo.
Ferretti destaca que o acompanhamento
continuado muda o desfecho dos casos graves. "A maior parte dos casos de
dengue evolui bem. O que separa um quadro que se resolve em casa de um que
interna é o momento em que a pessoa é avaliada e a atenção aos sinais de
alarme, então, ter alguém que conhece seu histórico e está acessível quando a
febre aparece, encurta esse tempo", finaliza.

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